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Delito de Opinião

A responsabilidade política

jpt, 08.09.25

Palácio de Belém - PRESIDENCIA.PT

 

Há 3 dias deixei uma nota - invocando os velhos Doors e Floyd - mostrando o meu nojo pela partidarite abutrista, desbragada após o acidente do Elevador da Glória. Trata-se de uma guerra de narrativas, entrincheirada - sobre a vontade de apear Moedas ninguém será convencido de que não tem a razão apriorística que decidiu ter. Decidi passar...

 

Mas li hoje que o Presidente da República surgiu a comentar (como lhe é típico), assim com o seu estandarte de Belém entrando na peleja, anunciando a "responsabilidade política" de Moedas. Uns concordarão com o PR - as hostes do CHEGA, do PS e à esquerda deste; outros não - os simpatizantes do "bloco do poder".

 

Estou um bocado à vontade nisto. Na semana passada publiquei este postal, que é o meu rescaldo do que tem sido Rebelo de Sousa, personalidade política que abomino. E nesse postal congreguei vários textos anteriores (o primeiro de 2008!) que lhe dediquei, apontando este quase inenarrável rumo, que despercebo ter tido o sucesso que teve. Seria suficiente para me expurgar deste "Marcelo".

 

Mas este novo "comentário" de MRS, esta sua declaração - que quer doutrinária - da obrigatória "responsabilidade política" sobre um acidente, faz-me lembrar um episódio deste PR. Em 2016/17 o então novo governo fez várias alterações nas chefias das instituições estatais ligadas ao "combate ao fogo florestal". No início da tarde de um sábado deflagrou um incêndio em Pedrogão Grande. Horas depois tinham morrido 66 pessoas. Às 20 horas, no telejornal, MRS já se pronunciava, dizendo que todo o possível tinha sido feito e ladeando um responsável policial que apontou o réu culpado, uma criminosa árvore que tinha entrado em "downburst" (usando o termo estrangeiro, prática comum quando se quer velar o real). Abraçou, beijou, prometeu, fez-se fotografar com a população devastada. E não aludiu a qualquer "responsabilidade política".

 

É para apear Moedas? Façam-no. Mas, por favor, desprezem este Rebelo de Sousa. É o Presidente da República, é uma infracção ("crime") adjectivá-lo de modo negativo. Mas é credor de profundo desprezo.

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