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A Rainha

por Pedro Correia, em 20.04.16

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«A dissimulação é a ciência dos reis.»

Cardeal Richelieu

 

Quando ela ascendeu ao mais alto cargo do seu país, José Estaline era ainda o senhor absoluto da Rússia vermelha. Nos Estados Unidos, mandava Harry Truman, então sem saber o que fazer dos soldados atascados no inferno da Coreia. E na Grã-Bretanha o primeiro-ministro era Winston Churchill, herói da guerra.

 

Ela viu tudo, ouviu todos.

Quando se sentou no trono herdado de seu pai, Mao Tsé-Tung mandava na China continental, Chiang Kai-Shek pontificava na Formosa, Hirohito mantinha-se como imperador do Japão mesmo após a rendição do seu país aos pés do general Douglas MacArthur. Havia nessa altura outros imperadores no mundo: Hailé Selassié na Etiópia, o xá Reza Pahlevi no Irão. As monarquias eram em número bem superior ao actual: havia-as da Grécia (com o rei Paulo) ao Egipto (com o rei Faruk). E até na Líbia do rei Idris, que um tal coronel Kadhafi viria a derrubar 17 anos mais tarde, em 1969.

 

Nesse mês de Fevereiro de 1952, quando a jovem Isabel se tornou Rainha da Grã-Bretanha, com apenas 25 anos, o planeta era governado por figuras que hoje têm lugar garantido nos livros de História: Sukarno na Indonésia, Perón na Argentina, Tito na Jugoslávia, Franco na Espanha, Nehru na Índia, Ben-Gurion em Israel, Getúlio Vargas no Brasil, Salazar em Portugal.

Conheceu muitos deles, numa sucessão de encontros ao longo de 56 anos – tempo suficiente para ter visto aparecer e desaparecer Elvis Presley, os Beatles e os Pink Floyd.

Coexistiu com seis Papas (Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e Francisco), nove presidentes franceses (Vincent Auriol, René Coty, De Gaulle, Pompidou, Giscard d’Eistang, Mitterrand, Chirac, Sarkozy e Hollande), oito chanceleres alemães (Adenauer, Erhard, Kiesinger, Willy Brandt, Helmut Schmidt, Kohl, Schroeder e Angela Merkel), 12 presidentes norte-americanos (Truman, Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush pai, Clinton, Bush filho e Obama). E 18 chefes do Estado brasileiros – de Getúlio a Dilma. E nove presidentes de Portugal (Craveiro Lopes, Américo Thomaz, Spínola, Costa Gomes, Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa) e 18 primeiros-ministros portugueses, da ditadura ao actual regime constitucional, passando pelo período revolucionário, onde em menos de dois anos houve seis Executivos.

 

Sábia, serena, sibilina, Isabel II foi reinando ao longo de todo este tempo de convulsões no mundo.
Assistiu a guerras no Congo, no Vietname, no Biafra, no Médio Oriente e nos Balcãs. Testemunhou a descolonização de África, a chegada do homem à Lua, o desmoronar do bloco soviético. Viu as monarquias chegarem ao fim em países tão diferentes como o Iraque, o Afeganistão e o Nepal. E serem restauradas noutros, como em Espanha e no Camboja.
Trabalhou com 12 primeiros-ministros – oito conservadores (Churchill, Anthony Eden, Harold MacMillan, Alec Douglas-Home, Edward Heath, Margaret Thatcher, John Major e David Cameron) e quatro trabalhistas (Harold Wilson, James Callaghan, Tony Blair e Gordon Brown).

 

Churchill não escondeu a ternura paternal que sentia pela jovem monarca. Ela retribuía-lhe a simpatia, sem quebrar o rígido dever de imparcialidade que os costumes do reino lhe impõem, mas não falta quem garanta que o primeiro-ministro favorito dela foi Harold Wilson, com os seus ares de filósofo de cachimbo na swinging London dos anos 60. E que Thatcher terá sido a líder do governo que mais detestou. O que não a impediu de comparecer no seu funeral de Estado, em Abril de 2013.

A verdade sobre isto e tudo o resto não será apurada num livro de memórias com selo real. Isabel II, a monarca britânica há mais tempo no trono, nunca escreverá esse livro.

 

Num mundo em mutação, onde tudo passa, tudo se esgota e tudo se esquece, ela é uma referência de estabilidade. Lembramo-nos dela desde sempre, são já poucos os que conheceram outro chefe do Estado no Reino Unido. O tempo dela foi sulcado por todas as modas – do chapéu de coco ao punk, passando pela mini-saia de Mary Quant.

Só ela nunca passou de moda.

 

O que sente, o que pensa, o que esconde?

Só ela sabe: por detrás do suave sorriso protocolar, subsiste a esfinge nesta monarca que ninguém tem a ilusão de conhecer.

"A dissimulação é a ciência dos reis", dizia o cardeal Richelieu. Uma legenda que bem se aplica a Isabel II, Rainha da Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Jamaica, Barbados, Bahamas, Granada, Papuásia-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tuvalu, Santa Lúcia, São Vicente e as Granadinas, Belize, Antígua e Barbuda, e São Cristóvão e Névis.

 

Isabel II celebra amanhã 90 anos.

Texto reeditado e actualizado

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25 comentários

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De jo a 20.04.2016 às 13:27

Reparou, com certeza, que se substituir o nome de Isabel II pelo de qualquer outra pessoa que tenha vivido quase 100 anos, o post mantém-se idêntico.

Basicamente diz que a rainha reina, num reinado simbólico em que só tem funções de representação, desde 1952 - no fundo vive sem interferir. Diz que morreu muita gente desde essa altura e houve muitas mudanças no mundo, que não são devidas à rainha. Diz que tem uma posição privilegiada para observar o mundo (e para outras coisas), mas nunca contará a ninguém o que observou.

A sua descrição da rainha podia-se aplicar a uma árvore bonita, com a vantagem de que a árvore, alem de respirar também produziu oxigénio. Parece mais útil.
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De Pedro Correia a 20.04.2016 às 16:07

Tanto quanto sei, a "árvore bonita", seja ela qual for, não goza do apoio popular de que Isabel II disfruta no Reino Unido:
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3224247/With-just-days-Queen-longest-reigning-Monarch-voted-greatest-beating-Elizabeth-Queen-Victoria.html
Setenta e seis por cento dos britânicos apoiam a monarquia. E 70% querem que Isabel II continue a reinar tanto tempo quanto for possível.
http://www.abc.net.au/news/2016-04-20/queen-elizabeth-peaks-in-popularity-as-she-turns-90/7339896
Eles, por exemplo, não trocariam este reinado pelos nove Presidentes que nós tivemos desde que ela subiu ao trono.
Há quem não queira compreender porquê. Não é o meu caso. Gosto de perceber as causas das coisas.

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De jo a 20.04.2016 às 18:34

Se fizer uma sondagem a perguntar quantos britânicos gostam do Big-Ben e acham que deve ser preservado, de certeza que vai conseguir números impressionantes.

O facto de toda a gente gostar do "caniche" da família, não quer dizer que ele governe a família.

Vejo que não a trocaria pelos nossos ex-presidentes. Nem os britânicos, caso não tenha reparado a senhora não é eleita nem escolhida.

Já reparou decerto que a senhora não é eterna (não lhe desejo mal nenhum). Se o seu herdeiro for parvo, azar para os britânicos, não o podem escolher. Ainda assim prefiro a república, imagino o que é ter de aturar o Cavaco (ou outro igual) até ele ter 100 anos.
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De Pedro Correia a 20.04.2016 às 22:54

De comentário para comentário você vai evoluindo, embora devagar. Começou por comparar a Rainha a um vegetal. Agora decidiu equipará-la a um caniche.
Não me apetece entrar no seu terreno, perorando sobre zoologia e botânica. Quando entender enfim promovê-la a ser humano talvez valha a pena prosseguir o debate.
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De Anónimo a 21.04.2016 às 07:37

Em primeiro lugar começa mal comparando objectos e animais a pessoas , pessoas são pessoas , objectos são objectos e animais são animais. Em segundo lugar também entende mal o conceito de monarquia constitucional ou parlamentar , existe uma ignorancia em relação a isso ,a monarquia constitucional reina , não governa , governar compete ao governo eleito.Em terceiro lugar o herdeiro não é Cavaco nem qualquer outro o herdeiro é educado desde que nasce até que morre a cumprir com aquilo que vai assumir , agora os Presidentes da Republica não estão preparados , além dos mais são políticos ou seja não são imparciais quando assumem o cargo e por isso tendem-se desgastar , porque entram nas intrigas e no combate politico.
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De jo a 21.04.2016 às 11:20

Não comparo objetos ou animais a pessoas. Comparo a utilidade que certas pessoas têm para a sociedade com a utilidade que certos objetos ou plantas têm.

Se se lembrar, comecei por dizer que no post se afirma a excelência da rainha, mas a única coisa que se diz acerca dela é que viveu noventa anos, que não governa e que nunca contará a sua experiência na política. Em vez de esclarecer as dúvidas levantadas respondeu dizendo que não gosta que a comparem a árvores. Por favor onde eu escrevi "árvore" e "Big-Ben" leia a "minha avó Henrieta", verá que o seu texto continua a não fazer muito sentido.

Não o entendo. Se o monarca não interfere no governo numa monarquia constitucional, também não precisa de grande preparação para não fazer nada.
A menos que digamos que ter um rei que não fale com a boca cheia de bolo-rei é o nosso grande objetivo.

O tio da presente rainha foi afastado, ao que dizem, porque simpatizava como os nazis. Claro que uma instituição tão opaca como a monarquia disse que o afastou porque se queria casar com uma divorciada (isto na terra de Henrique VIII).
De qualquer modo, pelos vistos não teve uma preparação por aí além.
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De AntónioF a 20.04.2016 às 13:41

Caro Pedro,
escreveu algo, que eu faz muito tempo, não vejo escrito: Formosa e não Taiwan.
Outros por certo preferirão a expressão anglofona «Mao Zedong» em vez de Mao Tsé-Tung ou Beijing em vez de Pequim.

Sobre a rainha... que dizer, o Pedro disse tudo!
Não tendo a instituição real em Inglaterra quase nenhuns anticorpos ao contrário de outras monarquias (presumo que foi o rei Faruk do Egipto que quando foi deposto só cinco reis conseguiriam subsistir - Paus, Copas, Ouros, Espadas e de Inglaterra), estou curioso quanto à sua sucessão - provavelmente será o bisneto!
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De Pedro Correia a 20.04.2016 às 15:59

Essa frase do Rei Faruk - que ainda foi contemporâneo de Isabel II - diz tudo: "No futuro só sobreviverão cinco reis - os quatro do baralho e o de Inglaterra."
Pouco depois foi ele próprio deposto do trono egípcio.
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De João André a 20.04.2016 às 15:19

Se me permites Pedro, três pontos:

1) viu toda essa gente, mas isso não espanta. Subiu ao trono nova e leva uma vida longa sem abdicar. No Reino Unido isso bastaria para qualquer um cumprir boa parte do teu post.

2) não sei se será sábia. O poder da maioria dos monarcas, no RU também, é essencialmente "soft". Por isso não saberemos qual - se alguma - influência teve de facto ao longo do seu reinado. Veremos comentários, mas serão essencialmente ataques ou hagiografias.

3) sou por princípio contra toda e qualquer monarquia (inclusivamente norte-coreana ou cubana ou venezuelana ou afins). Não considero a monarquia democrática e usar exemplos de "bons" países com monarcas e "maus" sem eles não me convence de forma nenhuma (o oposto também é possível).
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De Pedro Correia a 20.04.2016 às 15:58

Caro João: se a Inglaterra monárquica não é democrática ignoro onde exista democracia neste globo.
Prefiro um milhão de vezes uma monárquica democrática - como a do Reino Unido, da Suécia ou da Noruega - às repúblicas despóticas dos Idis Amins, Pinochets ou Pol Pots.
De resto a popularidade da Coroa não está em causa no Reino Unido. Talvez pelos motivos expostos neste artigo, cuja leitura recomendo:
http://www.telegraph.co.uk/news/uknews/queen-elizabeth-II/11551846/25-reasons-why-we-love-the-Queen.html
Nem os nacionalistas escoceses questionam Isabel II. Pelo contrário, gostariam de vê-la como Chefe do Estado numa Escócia independente.
http://www.bloomberg.com/news/articles/2014-09-15/ditching-monarchy-is-step-too-far-for-scots-nationalists
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De João André a 21.04.2016 às 09:53

«os nacionalistas escoceses (...) gostariam de vê-la como Chefe do Estado numa Escócia independente»

Acertaste em cheio. Gostariam de a poder escolher. A isso chama-se democracia. Se amanhã Elizabeth II morresse e lhe sucedesse o filho Charles (ou o neto William) e o sucessor fosse um desastre, pergunto-me se ainda estariam entusiasmados.

Sim Pedro, a monarquia não é democrática e aqui não há argumento que permita justificar o contrário. Explica-me como pode ser democrático não escolher o chefe de estado mas que este simplesmente nasça para o cargo?

Isto não implica que o resto das instituições não sejam democráticas. O RU, a Holanda, os países nórdicos, etc, têm instituições perfeitamente democráticas. Aquilo que não é democrático é a monarquia em si.

Usar os nomes que referiste é agitar um espantalho inútil. Notei que não referiste nenhum dos outros nomes que eu mencionei no meu comentário e procuraste outros. Nenhum deles era um democrata e poderás adicionar dezenas ou centenas de outros. Isso não invalida que a monarquia, que é algo completamente diferente, não seja uma instituição democrática. Não será uma ditadura (não ser democrático não implica automaticamente ser ditatorial), mas se não há escolha, não há verdadeira democracia.

E já agora, se queres referir os bons casos de monarquias também podemos falar dos bons casos de repúblicas: EUA, Alemanha, França... São democráticas na sua forma de escolher o chefe de estado e não deixam de ser bons exemplos.
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De Pedro Correia a 21.04.2016 às 10:16

A Alemanha é um péssimo exemplo, João. Em pleno século XX a Alemanha republicana elegeu democraticamente o político mais totalitário de todos os tempos: o republicano Adolf Hitler. Só equiparável ao seu irmão siamês Estaline, também republicano.
Na Inglaterra monárquica seria impossível surgirem um Hitler ou um Estaline. Porque a monarquia britânica funciona como tampão contra as ditaduras e os sistemas totalitários. Ingleses, escoceses, galeses, canadianos, australianos, neozelandeses e jamaicanos - entre muitos outros povos do globo - sabem isto muito bem. O que ajuda a explicar por que motivo em todas estas sociedades, onde o debate é irrestrito e livre, Isabel II permanece inquestionada.

Não sei a que "outros nomes" aludes no teu comentário, visto não teres mencionado nome algum. Mas registo que perante os nomes que eu mencionei despachas rapidamente a questão recorrendo à estafada retórica da depreciação intelectual do interlocutor: isso é "agitar um espantalho inútil".

Inútil, quanto a mim, é debater estas e quaisquer outras questões de acordo com lógicas de trincheira. Neste caso segundo a dicotomia república 'versus' monarquia. Eu falo de uma personalidade concreta, de uma rainha concreta.
Oxalá quase todos os outros países do mundo tivessem no posto cimeiro das suas estruturas de representação política - em sistema monárquico ou republicano, tanto faz - alguém com o sentido do dever, a contenção, o equilíbrio, a sabedoria e o bom senso de Isabel II.
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De João André a 21.04.2016 às 12:02

Pedro, repara que não contestei Elizabeth II em momento nenhum. Não creio que seja realmente possível saber qual a influência real (no pun intended) que teve no país. Ela não contará, nem os seus conselheiros mais próximos. Os outros serão geralmente detractores ou hagiógrafos.

Os "nomes" não foram de pessoas. Foram de países. Falei de Cuba, Coreia do Norte e Venezuela, onde o líder escolheu o sucessor. São uma espécie de monarquias que quis de imediato retirar da discussão porque não eram para ali chamados. São ditaduras ou, no mínimo, autocracias, e não têm lugar numa discussão entre países democráticos com monarquia ou sem ela. É por isso que considero usar nomes como Pol Pot, Idi Amin ou Pinochet um agitar do espantalho. Não pertencem a esta discussão.

Dizes que uma figura como Hitler não seria possível no RU, mas não sei porque o dizes. Falas de um carácter estabilizador da monarquia, mas não sabemos o que aconteceria se um rei fraco (no carácter) se visse confrontado com tal situação. Talvez não tivéssemos um Hitler, mas não seria difícil imaginar líderes populistas com derivas autocráticas.

A Alemanha é pelo contrário um excelente exemplo. Tem uma república madura, estável e onde um novo Hitler teria tantas probabilidades de surgir como em qualquer outro país do mundo. Como os EUA ensinaram, o essencial é ter um bom sistema de equilíbrio entre as diversas instituições (os "checks and balances") para manter e preservar a democracia. A Alemanha aprendeu essa lição.

Usar o passado faz tão pouco sentido como chamar Cromwell para esta discussão. Não falo de casos extremos no passado, falo de um princípio básico: sou fundamentalmente contra a monarquia porque um chefe de estado não eleito não é algo de democrático. E continuo à espera de argumentos em contrário (não me refiro apenas a ti, falo de qualquer pessoa com uem eu tenha esta discussão, hoje ou no passado).
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De Pedro Correia a 21.04.2016 às 14:29

João:

1. "Dizes que uma figura como Hitler não seria possível no RU, mas não sei porque o dizes."
Digo-o simplesmente porque nunca apareceu por lá nenhum Hitler. Nem Franco. Nem Salazar. Nem Estaline. Nem Honecker. Nem Enver Hoxha. Apareceu por lá, isso sim, o anti-Hitler - chamado Winston Churchill. Os factos falam por si.
2. "Não sabemos o que aconteceria se um rei fraco (no carácter) se visse confrontado com tal situação."
Pois não. Daí o meu elogio concreto a esta Rainha em concreto: Isabel II. Ela e os pais podiam ter-se posto ao largo durante a II Guerra Mundial. Mas mantiveram-se em Londres, durante os bombardeamentos. E nunca se dissociaram do sofrimento da população. Isto forma o carácter, não tenho a menor dúvida.
3. "Sou fundamentalmente contra a monarquia porque um chefe de estado não eleito não é algo de democrático."
Cá voltamos à lógica das trincheiras. Repara: para seres coerente com o que afirmas terás de espadeirar também contra uma larga maioria das repúblicas do planeta, onde o Presidente nunca foi eleito - da Coreia do Norte à Guiné Equatorial, é só escolher. E não falo apenas em ditaduras: incluo também democracias como a italiana ou a grega ou a alemã. Em nenhum destes países o Chefe do Estado é eleito por sufrágio universal, mas apenas pelo equivalente alemão ou italiano ou grego à Câmara dos Comuns somada à Câmara dos Lordes.
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De João André a 21.04.2016 às 15:02

1. Nem na Finlândia, França ou EUA.

2. Concordo que o possa ser. Com Elizabeth tenho dificuldades em avaliar. Na Holanda sei que sempre houve muito mérito de Beatrix.

3. Em relação a Coreia do Norte e Guiné Equatorial ou outras que tais, nem te respondo.
Em relação às outras, também retirarias essa classificação aos EUA? O facto de um presidente ser eleito de forma indirecta não faz com que deixe de ser uma eleição e ter cariz democrático. Eu prefiro o sufrágio directo e universal, mas nesses países quem escolhe o presidente pelo menos foi eleito. Responde perante os eleitores.
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De Anónimo a 20.04.2016 às 15:31

Boa tarde,

algo que me intriga já lá vão alguns anos...porque raio em Portugal,chamam Isabel a uma pessoa que se se Elizabeth?

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De Pedro Correia a 21.04.2016 às 11:28

Tradição. Sempre aportuguesámos os nomes dos reis, rainhas, princesas e príncipes estrangeiros.
Daí [Parque] Eduardo VII. Que era bisavô de Isabel II. Ou [Liceu] D.Filipa de Lencastre, por exemplo.
Eles também sempre "estrangeiraram" os nomes dos nossos. Daí, por exemplo, 'Henry, the Navigator'.
http://www.biography.com/people/henry-the-navigator
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De Maria Dulce Fernandes a 20.04.2016 às 17:39

Desejo-lhe um feliz aniversário. Por si só, 90 vigorosas primaveras já são uma efeméride e tanto. Depois pela longevidade no trono que creio já alcançou a Rainha Victoria e o Imperador Hirohito e vai bem lançada para ultrapassar o faraó Pepi II.
É ela própria uma instituição , que supera largamente a monarquia que representa.
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De Pedro Correia a 20.04.2016 às 23:00

Em Setembro Isabel II tornou-se a monarca há mais tempo em funções desde sempre no Reino Unido, Dulce. Ultrapassando a Rainha Vitória, sua trisavó. É também considerada a melhor de sempre pelos britânicos, que escolheram Henrique VIII como o pior rei da sua história.
http://www.reuters.com/article/us-britain-royals-queen-poll-idUSKCN0R60QM20150906
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De Cristina Torrão a 20.04.2016 às 18:54

Para quem se dedica a pesquisas históricas, como eu, só pode tirar o chapéu a uma soberana que já vai com mais de 60 anos de trono! Caso raríssimo. Quer se goste, quer não, Isabel II terá um lugar destacado na História. Eu gosto que seja uma mulher (sem desdém de qualquer tipo, que também gosto muito de homens). Mas é interessante constatar que todas as três rainhas de Inglaterra estiveram várias décadas no trono e marcaram as suas épocas como ninguém, a ponto de duas dessas épocas levarem os seus nomes: época isabelina, época vitoriana. Falta a atual, claro.

Excelente texto, Pedro, parabéns!
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De Pedro Correia a 20.04.2016 às 23:05

Obrigado, Cristina. É curioso verificar o incómodo que alguns sentem por ver que a Rainha, aos 90 anos e no trono desde 1952, mantém uma quota de popularidade no Reino Unido que nenhum Presidente há pelo menos um ano em funções consegue obter na Europa. Os mesmos que se apressariam a atribuir tal popularidade ao "visual" ou ao "factor novidade" caso se tratasse de alguém muito jovem e com uma carinha laroca.
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De Cristina Torrão a 21.04.2016 às 11:26

A maneira como Isabel II encarou e encara os seus primeiros-ministros, diferentes personalidades, de diferentes tendências políticas, faria corar de vergonha qualquer Presidente eleito (se eles tivessem vergonha, claro): neutral, cheia de respeito e consideração, sem criar qualquer espécie de conflitos ou dar azo a boatos e comentários, sem deixar transparecer a sua própria tendência política e ter a humildade de aceitar os conselhos que lhe dão, quando se afigura vantajoso (como ficou provado com Tony Blair, na crise que se seguiu à morte de Diana, por exemplo).

Muitas vezes, as pessoas que mais contribuem para a união, a paz e a concórdia são aquelas que agem em segundo plano, discretas, sem que o público o note. Daí talvez a tendência para certas comparações...
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De Anónimo a 20.04.2016 às 23:50

Uns dois ou três comentários fazem lembrar o Sousa Neto a perguntar , no jantar dos Gouvarinhos, se em Inglaterra existia literatura...
Continuamos a formar o julgamento da História da "pérfida Albion", e as "idiossincracias" daqueles ilhéus, através dos noticiários tablóides...
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De Pedro Correia a 21.04.2016 às 10:18

E no entanto não é preciso sequer sermos monárquicos para reconhecermos como tem sido positivo o reinado de Isabel II. Não só na Grã-Bretanha, mas também em países tão diversos como a Austrália, o Canadá, Jamaica e Nova Zelândia.
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De Carlos Justo Marques a 10.11.2016 às 23:12

Gostei do texto, gostei mesmo muito do poder de síntese e de sentido histórico de que se revela.
Mas convinha reparar um pormenor, na inversão que o deslustra: a alusão aos 56 anos de reinado de Isabel II, quando de facto o texto é actual - Abril de 2016 - e serão quase 65 os anos de reinado. Se ela chegar a 6 de Fevereiro de 2017 completá-los-á e espero veementemente que assim seja. Ela é sem dúvida a mais carismática figura da realeza mundial dos séc. XX/XXI e a de mais extenso reinado, se olvidarmos o rei tailandês recentemente falecido e de que o ocidente pouco falava até ao evento da sua morte.
Encontrei por acaso agora o "Delito de opinião", confesso que o desconhecia. Prometo que vou estar mais atento, porque gostei. Bem haja.

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