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A primeira vítima do Brexit

por Pedro Correia, em 28.06.16

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Pablo Iglesias: menos 1,1 milhões de votos seis meses depois

 

Durou pouco a euforia dos eurocépticos que festejaram a vitória do populismo abrindo garrafas de champanhe para festejar o Brexit em nome dos sacrossantos princípios soberanistas contra as forças do mal encarnadas na "burocracia de Bruxelas".

Passados cinco dias, os estragos provocados pelo referendo são já evidentes: Reino Unido sem governo, pulsões racistas à solta, o separatismo a ganhar terreno na Escócia, campanhas de subscrição pública para uma nova consulta popular sobre a Europa no mais curto prazo possível, tentativas desesperadas de protelar o divórcio decretado nas urnas por parte de alguns que mais o defenderam na campanha, os dois principais partidos mergulhados em convulsões internas, uma  crise política com inevitáveis consequências no plano financeiro da segunda maior economia europeia, uma fractura social de que só agora vislumbramos os primeiros contornos, uma sensação geral de irresponsabilidade que no fim só afastará ainda mais os cidadãos das instituições.

Um quadro de desorientação a que por enquanto só parece escapar o UKIP, que deu o tom e visibilidade máxima à campanha referendária para pôr fim à relação de 43 anos entre o Reino Unido e o espaço comunitário. O mesmo UKIP xenófobo que clama contra a absorção de "um milhão de imigrantes por década" no país e ao qual o neo-soberanista Pacheco Pereira acha muita graça: na última edição da Quadratura do Círculo o ex-líder parlamentar do PSD chegou a elogiar um slogan eurofóbico do partido de Nigel Farage: "Mais vale o buldogue inglês do que a couve de Bruxelas." Perante o óbvio e compreensível constrangimento de Jorge Coelho e Lobo Xavier, seus parceiros de painel.

 

Em política há males que vêm por bem. Acontece que o Brexit começou a funcionar como vacina para os europeus. Isso acaba de verificar-se em Espanha, onde os eleitores acorreram às urnas pela segunda vez em seis meses. Premiando o Partido Popular de Mariano Rajoy, inabalavelmente pró-europeu, ao qual confiaram mais 700 mil votos, e castigando o populismo de Pablo Iglesias, o Alexis Tsipras espanhol, que perdeu mais de 1,1 milhões de votos em relação ao anterior escrutínio apesar de contar nesta campanha com o que resta do outrora influente Partido Comunista, agora reduzido a estilhaços. O aventureirismo galopante de Iglesias, com as suas prédicas de tele-evangelista anti-sistema, foi duramente penalizado ao surgir desta vez abraçado nos palcos eleitorais à Esquerda Unida que sempre combateu a opção europeia de Espanha.

Os nacionalismos aliados ao populismo mais desbragado ameaçam produzir muitos estragos em pouco tempo num continente que pagou em sangue e cinzas o preço de dois conflitos mundiais que nele tiveram o epicentro. Dois conflitos provocados precisamente pelas mesmas receitas que alguns, à esquerda e à direita, hoje advogam irresponsavelmente no espaço público.

Estes pregadores que rasgam as vestes em nome da soberania nacional contra a União Europeia menosprezam o instinto de preservação dos povos, sedimentado pelas lições da história. No Reino Unido ficaram com o Brexit nos braços sem saber o que fazer com ele. Por cá, desenvolvem uma retórica delirante sobre o destino da Europa, que voltaria a incendiar-se se eles alguma vez saltassem das pantalhas televisivas para os centros de decisão política.

É deixá-los estar nas televisões e nos jornais, onde apesar de tudo produzem menos estragos.


90 comentários

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De Luís Naves a 28.06.2016 às 11:15

Muito bem, grande texto. É isto mesmo! Concordo totalmente.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 12:47

Obrigado, Luís. Há que prosseguir a batalha das ideias. Por maioria de razão, contra o ventos os ventos dominantes: hoje é demasiado fácil produzir patacoadas "soberanistas" pois a corrente empurra nessa direcção.
Alguns que hoje cavalgam esta onda em meados da década de 90 estavam na primeira linha de combate ao eurocéptico Manuel Monteiro, que por muito menos foi quase pendurado no pelourinho.
Lembro-me muito bem.
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De Maria Dulce Fernandes a 28.06.2016 às 11:30

Vou partilhar o link desta publicação com muito teimoso que conheço. Não creio que vá mudar mentalidades calcinadas, mas talvez lhes dê que pensar durante algum tempo.
Excelente publicação.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 12:44

Agradeço-lhe a partilha, Dulce. Uma vez mais.
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De Anónimo a 28.06.2016 às 12:17

Além de concordar completamente com o seu texto, existem vários factores adicionais que podem ser ponderados. Por exemplo, quem financia por trás certos demagogos e demagogas entre o esganiçado e o falso equilíbrio?
Talvez valesse a pena algumas pessoas que andam por aí, inchados na sua retórica, debruçarem-se sobre certos pormenores concretos da vida. É que não existem milagres. Claro que os financiamentos têm muito que se lhe diga, para todos os partidos.
António Cabral
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 14:57

Ainda estou sob o efeito daquele vozear múltiplo de domingo à noite nas televisões, com várias vozes gritando que a coligação Podemos+comunistas era a "grande vencedora" destas eleições...
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De Anónimo a 28.06.2016 às 14:36

Que se saiba o Brexit fez-se porque os conservadores assim o quiseram. O Podemos perdeu votos, Rajoy aumentou-os, mas esse aumento não lhe permite governar sem os menos votados. Era bom que dissesse que Rajoy nunca foi além do imposto pelos senhores de Bruxelas e o que jurou, em campanha, quando eleito pela primeira vez, cumpriu. Nunca mexeu nas reformas dos reformados, algo que disse jamais tocar e se o disse, cumpriu. O Reino Unido brincou às eleições, tem o resultado à vista, no mesmo patamar anda a UE que brinca, exige, humilha, desafia, erra e mesmo com os erros que comete ainda não aprendeu que começam todos a ficar cansados desta união desunida. Veremos o que acontecerá se o Eurogrupo insistir na penalização...
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 14:56

O Podemos perdeu votos porquê? Esqueceu-se de explicar.

O Brexit ocorreu porque a UE "humilhou" os britânicos? Humilhou como? Concedendo-lhes cláusulas especiais?

"União desunida" é o que podemos hoje chamar à ex-Grã-Bretanha. Escoceses, irlandeses do norte e londrinos querem fazer parte da UE, ingleses e galeses não.
Eis um bom exemplo do que seria o conjunto da Europa se não existisse UE: todos e cada um a puxar pelo seu lado.
Por isso este continente esteve quase sempre em guerra através dos séculos.
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De Anónimo a 28.06.2016 às 16:21

O Podemos perdeu, mas provavelmente na próxima acontece o mesmo que aconteceu com o BE. O Brexit aconteceu porque os ingleses estavam fartos, das atitudes pouco cívicas com os estados membros mais pobres. Farage lutou pelo que quis, mas o Parlamento Eurpeu portou-se como um bando de crianças mal educadas, onde o civismo, anda pelas ruas da amargura. Não é assim que se faz política. Disse-o e muito bem, como pode uma União conceder aos britanicos tudo que eles impuseram e a outros tudo retira e mesmo assim eles negaram a UE. Este continente esteve quase sempre em guerra e provavelmente prepara-se para a terceira. É impossível uma UE onde cada vez há mais desunião.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 18:06

Que baralhada para aí vai. O nevoeiro de palavras é tanto que não vislumbro fio de raciocínio.
Pelo que me apercebi é admirador do senhor Farage. Que lhe faça bom proveito.
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De Anónimo a 28.06.2016 às 18:39

Não, não sou admirador de Farage nem pouco mais ou menos, mas isso não me impede de dizer que as atitudes dos parlamentares europeus, deixaram muito a desejar. Num nevoeiro enorme anda a União Europeia ao comando de políticos medíocres que levam os cidadãos, a ficarem fartos, de pagarem as facturas dos erros dos outros. Sou pró Europa, mas duma Europa com gente de fibra, como o foram Jean Monet, Robert Shuman, Konrad Adenauer... Homens que tudo fizeram por uma Europa onde a entreajuda vigorasse e não, desta UE que temos à vista que mais não faz que dividir os povos em vez de os unir. É ver o que se passa connosco, fizemos tudo e ainda fomos mais além e agora, o Eurogrupo, acha que por 0,2 temos de pagar, enquanto outros, como a França podem quebrar tudo, mas não são penalizados porque são a França. Isto não é de políticos, é de gente medíocre que está onde está, mas não sabe o que faz.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 18:56

Caramba, você só admira mortos. Não há nem um vivo que lhe mereça um elogio?
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De T a 28.06.2016 às 21:46

Os mortos? São messianismos :)
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 22:10

Pois. Deve ter a ver com o tal nevoeiro que eu mencionava lá mais acima.
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De claudio santos a 29.06.2016 às 01:37

é curioso acusar os politicos europeus de estarem mal na fotografia, quando esse espantalho inglês diz que desde que chegou ali há 17 anos que tentou tudo para este desfecho, e finalmente , viu o seu sonho realizado...ou seja, foi sempre um traidor no seio da UE...se não querem a união europeia, o que estão ali a fazer?...o mesmo se passa com os partidos de esquerda em portugal...se não querem a união europeia, deixem os seus lugares no parlamento europeu para quem quer de facto fazer algo em prol da união europeia
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 09:06

O discurso do medo funcionou junto dos eleitores mais velhos de Inglaterra. Farage disse-lhes que "a burocracia de Bruxelas" iria retirar-lhes as reformas e eles, coitados, acreditaram.
Assim se conduzem os destinos de um país. Cameron terá direito a um rodapé nada lisonjeiro nos futuros manuais de história.
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De Makiavel a 28.06.2016 às 14:36

A sua análise ao resultado das eleições em Espanha passa ao lado do essencial.

O eleitorado espanhol, depois de ver as tentativas falhadas de entendimento à esquerda na sequência das eleições anteriores, distribuiu as culpas pelos seus principais responsáveis, Pablo Iglésias à cabeça.

Normal que Rajoy tenha subido. A minha previsão era que tivesse ganho com maioria.

Tem pouco a ver com o Brexit.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 14:49

Parece-me evidente que o Brexit influenciou as eleições espanholas. Seria inevitável pois produziu um abalo sísmico político na Europa e apenas três dias separaram os dois actos eleitorais.
Seria um absurdo que não tivesse qualquer influência.

Recordo, a propósito:
- O Reino Unido é o maior parceiro comercial de Espanha.
- No Reino Unido vivem de momento cerca de 200 mil espanhóis.
- Mais de 15 milhões de britânicos visitam anualmente Espanha como turistas - cerca de um quarto do total.
- O turismo gera receitas anuais de cerca de 50 mil milhões de euros em Espanha.

Há outros motivos para ligar os dois escrutínios. Mas estes bastam.
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De Makiavel a 28.06.2016 às 17:58

Esqueceu-se de mencionar Gibraltar, a batalha da Armada Invencível, Isabel a Católica, a concorrência entre o ManUnited e o Real Madrid, só para referir alguns factos que, na sua óptica influenciaram os resultados eleitorais em Espanha. Seis meses em negociações à esquerda com exigências de lugares por parte do Podemos que deram em nada e o Brexit é que influenciou os resultados eleitorais em Espanha. Nada como torcer os factos e arranjar-lhes relações causais.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 18:07

A sua incapacidade de argumentação é tão gritante que nem merece réplica. Coitado do Maquiavel, o verdadeiro, com tão pobre discípulo.
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De Makiavel a 29.06.2016 às 00:36

A minha capacidade de argumentação é usada onde vale a pena.
Relacionar os maus resultados da esquerda espanhola com os bons resultados das forças xenófobas no Reino Unido nem o Maquiavel nos seus melhores dias.
Então titular "A primeira vítima do Brexit" como referência ao derrotado das eleições em Espanha (Pablo Iglesias) é do domínio do delírio comentadeiro.
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 09:08

Não se esqueça então de espadeirar contra o "delírio comentadeiro" do Juan Carlos Monedero, fundador do Podemos, que no 'Público (espanhol) escreve isto:
«Las personas mayores, con el miedo acrecentado con la salida del Reino Unido de la Unión Europea, han vuelto a colgar en su salón el bordado que dice "más vale lo malo conocido que lo bueno por conocer".»
http://www.comiendotierra.es/2016/06/27/a-la-primera-no-va-la-vencida/

Não se esqueça também de espadeirar contra o "delírio comentadeiro" do Manuel Monereo, figura histórica da Esquerda Unida e cabeça de lista da coligação Unidos Podemos por Córdova, que em entrevista ao 'ABC' diz isto:
«Creo que el asunto británico ha terminado por levantar el voto moderado del país.»
http://www.abc.es/elecciones/elecciones-generales/abci-elecciones-2016-monereo-unidos-podemos-matrimonio-mas-conveniencia-amor-201606280211_noticia.html

E, claro, o facto de o jornal 'El País' na sua edição de domingo - a mais lida de toda a Espanha - ter estampado esta manchete a dominar toda a capa do seu suplemento de economia...
"El 'brexit' golpea a las empresas españolas"
... só veio confirmar que uma coisa nada tem a ver com outra.
http://economia.elpais.com/economia/2016/06/24/actualidad/1466796987_943445.html
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De Makiavel a 29.06.2016 às 09:59

Posso concluir que, para o seu texto, se inspirou na opinião de duas das pessoas derrotadas na noite eleitoral espanhola e com grau de responsabilidade mais ou menos elevado nessa derrota. Há melhores fontes de inspiração.
Curioso (e inédito em política) seria vê-los a dizer que os resultados eleitorais negativos da força que apoiaram se deveu em grande parte à atitude desastrosa que Pablo Iglésias teve no processo de negociações à esquerda para a formação de um governo.
Quanto à manchete do El Pais "El 'brexit' golpea a las empresas españolas", se dissesse "El 'brexit' golpea Podemos" ainda teria alguma relevância. Ainda assim, não passaria da opinião do articulista do El Pais, merecedora de crítica por mais jornais que o El Pais venda.
Isto de pensar pela própria cabeça dá trabalho. Mas registo melhoras na argumentação. Vá lá, desta vez não recorreu ao trocadilho do Maquiavel verdadeiro e do Makiavel falso e às (in)capacidades argumentativas de cada um.
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 12:21

Lá teve que meter a viola no saco a propósito dos "delírios comentadeiros". A sua réplica ficou na mesma: ensacada.

Delirante é a interpretação da capa do caderno de economia do 'El País' - que define uma clara posição editorial do principal jornal espanhol e do próprio grupo empresarial a que pertence - com o titulo já mencionado, no próprio dia das eleições: diz você que reflecte apenas a "opinião do articulista"!!
Revela desconhecimento total dos circuitos comunicacionais. Quando este é um dos exemplos mais relevantes que demonstram como a cartada Brexit foi usada até no próprio dia das legislativas.

Ao escutar (ou ler) alguns típicos palpiteiros de conversa de café armados em especialistas de política internacional lembro-me sempre daquela frase do Saramago: "Quando o dedo aponta o céu, o idiota olha para o dedo."
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De Não leio respostas a 29.06.2016 às 03:19

Parece-me que a incapacidade de argumentação vai mesmo do autor do texto.
Grande névoa, sim, senhor
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 08:54

Tu acrescentaste um apelido mentiroso ao teu "nome". Não te chamas "Não leio respostas".
Chamas-te apenas "Não leio". Ponto final.
E nota-se bem, acredita.
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De WW a 29.06.2016 às 00:59

Gosto !

O Pedro Correia é perito em torcer os factos, já não é a 1ª vez nem será a ultima.
Eu também posso alegar (e defender) que os atentados de Paris e Bruxelas foram uma das razões para o Brexit, basta ter imaginação para isso...

O Pedro Correia pensa mesmo que 6 meses de "negociações" falhadas e sucessivamente abortadas pelo Podemos não iam deixar marca?
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 08:52

Este WW que vem agora negar qualquer ligação entre o Brexit e a eleição espanhola será o mesmo que há quatro dias veio aqui celebrar o resultado do referendo britânico adiantando desde logo o desejo de que o Podemos, cavalgando a mesma onda, vencesse o escrutínio no país vizinho?
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/um-novo-muro-no-canal-da-mancha-8557374?thread=66183230#t66183230

Talvez seja apenas coincidência onomástica. A menos que se trate de um caso de dupla personalidade. Se for isto recomendo-lhe cautela: o fisco ainda o faz pagar IRS a dobrar.
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De WW a 29.06.2016 às 09:42

O Pedro Correia anda tão baralhado que até uns posts mais acima dinamita o que escreveu neste com um intervalo de horas.

Quanto á minha personalidade é só uma, queria obviamente que o Podemos obliterasse o PSOE e fosse mais uma força contra "esta" UE mas isso não me faz apoiante do Podemos / Siryza ou BE embora apoie muito daquilo que defendem porque têm razão, como já aqui escrevi, não sou sectário.

P.S. - Se Portugal for sancionado por défice excessivo vamos ter textos ao nível do passa-culpas ou alguém irá assumir de vez a hipocrisia da UE aqui em Portugal.
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 12:05

Compreendo que se sinta frustrado perante o facasso podemista. Celebrar antes da festa costuma dar nisto.
Tome sais de frutos.
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De lejoueurdeflûte a 28.06.2016 às 15:02

Também eu concordo com o seu texto.
Digamos "não" ao oportunismo de esquerda, bem como de direita. Digamos "não" à demagogia. Também digamos "não" aos jogos partidários, por favor. Basta de lutar por camisolas: somos todos irmãos, vizinhos, primos no País, no Continente e no Planeta. Sejamos responsáveis e tolerantes.
Em termos práticos e entre outros temas:
- Portugal precisa de ajuda, porque está menos favorecido pelo clima, etc.? Tudo bem, mas que ele não descarte as condições ligadas aos empréstimos de que beneficia.
- Não queremos fazer mais filhos? Então, precisamos de emigrantes. Se estes não querem se integrar, se difundir na nossa sociedade, então devemos aceitar mudar e ser influenciados pelos modos deles.
Não é fácil? Porquê deveria ser?
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 15:51

Agradeço-lhe a frase inicial.
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De Paulo a 28.06.2016 às 15:15

Excelente texto, mas existe algo que fica por pensar e escrutinar. É certo que em Espanha compreenderam e mostraram que a Europa é algo em que valha a pena lutar e que tem pernas para andar... mas é preciso que na Europa e suas "instituições" percebam que é preciso mudar o rumo das coisas sob pena de esta torrente anti-Europa voltar, com mais força e com mais substância.

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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 15:55

Não tenho dúvidas quanto à necessidade de corrigir e aperfeiçoar múltiplos aspectos do funcionamento institucional da UE. Aliás não existem regimes perfeitos. "Perfeição", como sabemos, só na Coreia do Norte.
O que não faz o menor sentido é pôr tudo em causa por causa de deficiências pontuais. Seria como atirar o bebé com a água do banho (lugar-comum a que não costumo recorrer, mas agora não me ocorre expressão melhor).
Alguém imagina, por exemplo, que Portugal ficaria melhor se saíssemos da UE? Vivíamos todos mais prósperos e felizes em 1985?
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De Joao Freitas a 28.06.2016 às 23:28

É claro meu amigo que vivemos melhor em Portugal agora do que em 85. Vivemos melhor porque distribuímos por muitos de nós o dinheiro emprestado, sem cuidar de investi-lo em algo que viesse a produzir riqueza futura. Em algum momento teríamos de pagá-lo. Aliás, já começámos a fazê-lo. Por isso já estamos agora a viver pior cada dia que passsa. Infelizmente foi atingido um máximo a partir do qual o modo de vida iniciou a tendência decrescente. E continuará a decrescer porque deixaram de nos emprestar dinheiro com a facilidade com que o faziam no passado e o que nos emprestam é para pagar o que devemos. Teremos de passar a viver na realidade com a riqueza que produzimos, que não é muita. Estranho que uma mente tão clarividente como a Vossa relacione de forma tão directa e básica o brexit com os resultados das eleições em Espanha. Alguma influência terá tido, com certeza, no entanto, o problema parece-me mais profundo e generalizado. A descrença que as populações da Europa vêm manifestando neste modelo que os nossos lideres estão implementando, no qual está a ser promovida a cada vez maior concentração de riqueza em detrimento da sua justa distribuição por todos é, entre muitos outros, um dos principais factores do desassossego que grassa pela Europa. Espero estar totalmente enganado, mas prevejo que o poder que vem sendo concentrado nos países do centro da Europa será, como o foi no passado, a faísca que poderá fazer deflagrar, dentro de alguns anos, conflitos armados no seio da Europa.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 23:53

A eleição em Espanha - país que depende em grande parte das receitas turísticas britânicas e tem no Reino Unido o seu principal parceiro comercial - foi a primeira que ocorreu na Europa a seguir ao Brexit. Neste mundo tão globalizado, onde o que acontece numa capital tem óbvios reflexos noutra, só um marciano pode supor que nada influencia nada. Quem assim pensa imita as avestruzes, com as cabeças debaixo da areia.
Quanto à relação entre Portugal e a UE, você aborda bem a questão na sua primeira frase: "É claro que vivemos melhor em Portugal agora do que em 85."
Só posso estar de acordo.
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De lucklucky a 28.06.2016 às 16:09

Você continua pedalar uma petição fraudulenta em que a Cidade do Vaticano contribuiu mais de 30000 votos a favor de uma repetição do referendo.

Deixe-me adivinhar... a censura do complexo político-jornalismo esqueceu-se de dar o mesmo destaque à descoberta que a petição era fraudulenta...

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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 18:08

Deixe-me adivinhar... não tomou os comprimidos hoje.
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De Octávio dos Santos a 28.06.2016 às 21:49

Mas é verdade... que foram detectadas dezenas de milhares de assinaturas falsas na petição que pede uma repetição do referendo:

http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/eu-referendum-brexit-petition-second-fraud-investigation-latest-results-signatures-a7104416.html
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 22:11

Sim, Octávio. E também acaba de haver um atentado terrorista no aeroporto de Istambul.
Voltando atrás: o que é que isso tem a ver com o que eu escrevi?
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De lucklucky a 28.06.2016 às 23:14

Você usa um facto falso e depois não tem nada que ver, uau!

A diferença entre pessoas implica politicas diferentes. Coisa que não aceita.

É você na verdade que sofre da fobia .... quer impedir outros de escolherem diferente de você. Medo de falhar?
É você que não tolera que existam outros caminhos.


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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 23:18

Lucklucky é pseudónimo do Octávio dos Santos?!
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De lucklucky a 28.06.2016 às 23:39

A diferença implica escolhas diferentes. Tautologia mas parece que precisa de ser dito.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 23:54

Tautologia é uma palavra gira. Onde é que aprendeu a escrevê-la?
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De Octávio dos Santos a 28.06.2016 às 23:36

«O que é que isso tem a ver»?! Bem, Pedro, é um aspecto relevante de entre as reacções e consequências ao/do «Brexit», que você aborda neste seu texto... e ilustrativo, demonstrativo, dos exageros, das hipérboles, até com tons apocalípticos, que se vêm sucedendo e multiplicando após um referendo que, concorde-se ou não com o resultado, constituiu um exemplo de maturidade democrática.
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De Octávio dos Santos a 28.06.2016 às 23:58

... E, não, obviamente que eu não sou o «lucklucky»!
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 08:49

Isso só abona a seu favor.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 23:59

Caro Octávio, isso nada tem a ver com o que eu escrevi: não entrei nessas minudências de números de assinaturas.
O problema destes debates em linha é que muita gente passa o tempo a falar das árvores e não olha para a floresta...
A menos que você me diga que não existe neste momento uma forte corrente de opinião no Reino Unido já a reivindicar um novo referendo. Ou que negue a existência de fortíssimas clivagens internas nos dois maiores partidos. Ou que rejeite aquilo que eu escrevi sobre a fractura iminente dos escoceses, que já exigem nova consulta referendária. Ou que o Reino Unido está mergulhado numa crise política de consequências imprevisíveis. Tudo devido à irresponsabilidade de Cameron, um líder que mostrou não estar minimamente à altura das circunstâncias históricas.
Isto sim, é a floresta.
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De Octávio dos Santos a 29.06.2016 às 00:34

As «minudências dos números de assinaturas» podem - e devem - ser relacionadas directamente com... a existência ou não «neste momento (de) uma forte corrente de opinião no Reino Unido já a reivindicar um novo referendo.» Forte ou não... o certo é que perderam, e estão a comportar-se como «sore loosers», maus perdedores. Provavelmente, como sugere Piers Morgan, muitos dos que agora protestam e assinam petições nas redes sociais nem sequer se deram ao trabalho de sair de casa e votar no dia 23:

http://twitchy.com/samj-3930/2016/06/26/get-off-his-lawn-piers-morgan-calls-out-lazy-youth-over-brexit/

E, não, não só não nego «a existência de fortíssimas clivagens internas nos dois maiores partidos» como estou muito contente que elas existam! Em relação ao Partido Trabalhista, espero que essas clivagens sejam suficientemente fortes para finalmente implodir esse antro mal frequentado por comunistas reciclados e anti-semitas mais ou menos declarados. Em relação ao Partido Conservador, considero que o legado, entre outros, de Winston Churchill e de Margaret Thatcher será honrado, finalmente, com a saída de David Cameron, que mostrou ser um falso conservador, um traidor, que promoveu - qual esquerdista fracturante - a legalização do «casamento» entre pessoas do mesmo sexo e cedeu mais do que devia à arrogância dos euro-bur(r)ocratas de Bruxelas. É nestes aspectos, principalmente, que ele foi irresponsável, «um líder que mostrou não estar minimamente à altura das circunstâncias históricas», e não por ter convocado um (este) referendo.
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 08:48

Assim é difícil debater ideias, Octávio: já estamos nas uniões homossexuais? Que tem isso a ver com o Brexit?

David Cameron acaba de cometer um suicídio político - isso explica-se apenas pelo referendo que irresponsavelmente convocou. Não por acaso, nem Thatcher nem Blair alguma vez tomaram iniciativa semelhante.
Cameron procurava firmar o poder interno. Enganou-se redondamente: revelou-se um péssimo aprendiz político.
Está isolado. Do partido, dos parceiros europeus, dos eleitores. Sai pela porta mais baixa deixando o país sob ameaça de fragmentação e a sociedade britânica dividida como nunca.

Permito-me deixar-lhe uma sugestão de leitura: este artigo de Chris Patten, último governador de Hong Kong e ex-comissário europeu. É uma excelente reflexão sobre o dilema em que Cameron colocou o Reino Unido e a Europa:
http://elpais.com/elpais/2016/06/28/opinion/1467136306_236450.html
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De Octávio dos Santos a 29.06.2016 às 17:16

«Que tem isso ("uniões homossexuais") a ver com o Brexit?» É, além de um assunto ideologicamente, socialmente, «fracturante», claro demarcador de atitudes e de perspectivas perante o Mundo, também por isso mesmo um tema óbvio para um referendo específico. Que não se fez no Reino Unido, em França, em Espanha, em Portugal... mas que se fez, curiosamente (igualmente pelo resultado, para mim, e muitos outros, inesperado), na Irlanda, país onde, por isso, a redefinição do casamento passou a ser, além de legal, legítima. Nos outros países que mencionei, e em outros, o «casamento (e a "adopção") gay» carece(m) da legitimidade dada pelo voto. Outros temas existem que poderiam e deveriam ser submetidos a referendo(s)... por exemplo, e em Portugal, a ortografia. Em vez disso, decisões radicais são tomadas constante e levianamente pelos políticos, que consideram que eleições de quatro em quatro anos e programas partidários generalistas e vagos lhes conferem um mandato alargado para tudo e mais alguma coisa...

... Incluindo aceitar um «aprofundamento» contínuo da «integração europeia», com as correspondentes perdas de soberania, transferências de poder (legislativo e não só) para um novo «Politburo» em Bruxelas, não autorizadas, não ratificadas, pelas populações dos respectivos países. Tal como o referendo na Dinamarca (ao Tratado de Maastricht) em 1992 (que teve, e o Pedro certamente se lembra disso, como que um reflexo espectacular no campeonato europeu de futebol desse ano), este «Brexit» de 2016 é uma resposta dada pelos cidadãos, ou pela maioria deles, manifestando o seu desagrado depois de anos e anos de abusos e de faltas de respeito. E, evidentemente, não é a causa da «divisão» e da «ameaça de fragmentação» que pairam sobre a sociedade britânica mas tão só a expressão de uma e de outra, que já existiam.

Agradeço-lhe a sugestão de leitura... e retribuo-a com outra, não de um estrangeiro mas sim de um nosso colega de blogosfera: João Miranda, que, no Blasfémias, ajuda a desmentir a falácia de que o Reino Unido irá inevitavelmente perder mais do que ganha com a saída da UE:

https://blasfemias.net/2016/06/27/brexit-e-comercio-livre/
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 19:21

Caro Octávio: a lógica referendária estimula como nenhuma outra as pulsões populistas. É disso que a Europa menos precisa neste momento, confrontada como está com desafios que exigem resposta à escala continental - desafios como o terrorismo, as migrações, a globalização, a ameaça expansionista russa, as crises financeiras de diversos Estados membros, a ameaça de recessão económica e a falência do modelo de segurança social pública tal como o conhecemos desde o pós-guerra.
Que resposta pode ser dada, por exemplo, aos atentados como o de ontem no aeroporto em Istambul sem ser através de mecanismos colectivos e de uma fortíssima solidariedade europeia?
Os referendos são caixas de Pandora abertas pelos motivos mais extravagantes (no caso de Cameron numa tentativa canhestra de entalar a forte corrente eurocéptica do Partido Conservador, tiro que lhe saiu pela culatra) e que dificilmente voltam a ser fechadas. Por isso a Escócia promete avançar já com novo referendo soberanista. Por isso os derrotados no referendo do dia 23 mobilizam-se já para que ocorra outro referendo destinado a anular os efeitos do primeiro.
Parafraseando Churchill, a democracia representativa é o pior dos sistemas excepto todos os outros. Arguto Churchill, que nunca necessitou de referendos para tomar decisões, mesmo nos momentos mais dramáticos. Se tivesse convocado uma consulta popular antes de decidir fazer frente à Luftwaffe, talvez Hitler nunca tivesse sido destruído...

P. S - Agradeço-lhe a sugestão de leitura. Assim que tiver um pouco mais de tempo tenciono fazer uma "revista blogosférica" com tudo quanto se melhor se foi escrevendo por aí. Segundo as ópticas mais diversas, como convém.
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De Octávio dos Santos a 30.06.2016 às 00:16

Como é evidente, Pedro, o referendo não é algo que se deva fazer, preferencialmente, em situações de crise aguda, emergência ou mesmo de conflito civil e/ou militar. É um instrumento melhor utilizado... e útil em democracias maduras, adultas, e em situações de estabilidade. Porém, e obviamente, por algo e em algum momento tem de se, convém, começar. Rejeito a sobranceria, a arrogância paternalista de tantos políticos, nacionais e estrangeiros (como o actual (p)residente da república portuguesa), que afirmam, sem hesitar, que um referendo «é uma questão que não se põe». E porque não?

Entretanto, e especificamente sobre atentados como o de ontem em Istambul (e antes em Bruxelas, e antes em Paris, e antes em...), para existirem, como respostas, «mecanismos colectivos» e «uma fortíssima solidariedade europeia», não é necessária uma união política. O que se afigura, sim, cada vez mais necessário novamente, e não apenas perante o terrorismo, são fronteiras. Não são - nunca foram, nunca serão - barreiras inexpugnáveis, mas podem constituir «filtros» que retêm muitos «elementos tóxicos».
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De Pedro Correia a 01.07.2016 às 17:14

Octávio, a UE já dispõe de uma fronteira: é a fronteira exterior ao Espaço Schengen. Essa é controlada e monitorizada.
A diluição das fronteiras no interior deste espaço - em que Portugal se insere - é uma conquista civilizacional. Tal como o programa Erasmus, tal como o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Recolocá-las seria conceder uma vitória de bandeja aos terroristas.
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De Octávio dos Santos a 01.07.2016 às 19:58

Pedro, aquilo que designa de «conquista civilizacional» tem permitido a livre circulação e acção de terroristas e de outros criminosos. Claramente, neste assunto temos também opiniões opostas: não reinstituir as fronteiras é, sim, um triunfo para eles. Será uma questão de prioridades: eu prezo a segurança, a preservação da(s) vida(s), acima de tudo.
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De Pedro Correia a 01.07.2016 às 21:08

Eu nunca separo a segurança da liberdade, Octávio. Para mim uma não existe sem a outra.
Na Coreia do Norte, por exemplo, quem lá vive deve sentir-se muito seguro: o Grande Irmão zela por todos. Mas de que vale a segurança sem liberdade?
Insisto: se começamos a abdicar de parcelas da liberdade estamos a conceder a vitória aos inimigos dela. E não os refreamos assim. Pelo contrário, até os encorajamos.
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De Octávio dos Santos a 01.07.2016 às 23:24

Creio que é um óbvio exagero afirmar-se que (re)instituir fronteiras equivale a diminuir, ou até mesmo suprimir, a liberdade. Tal como é despropositado meter a Coreia do Norte nesta discussão: a «segurança» que lá se pratica não é certamente a que eu preconizo... ;-)
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De Pedro Correia a 02.07.2016 às 09:40

Bem sei que não, Octávio. Tal como eu não preconizo uma Europa sem controlos fronteiriços de nenhuma espécie ou de portas escancaradas a todos os povos num imenso e descabido abraço universal. Por isso sempre fui - e continuo a ser, por maioria de razão - contra a integração da Turquia na UE, há dez anos defendida por toda a falange politicamente correcta da Europa, com Durão Barroso à frente.
Hoje não escuto ninguém a sustentar isso, o que só comprova como são volúveis estas modas que parecem de bom-tom numa época para se tornarem indefensáveis poucos anos depois.
Mas tal como não vou atrás destes ventos soprados pela correcção política também acho fundamental não cedermos à chantagem do medo. Porque se isso acontecesse seria sempre uma vitória do terrorismo.
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De Octávio dos Santos a 03.07.2016 às 13:08

Aí está outro tema, Pedro, em que temos opiniões divergentes: apesar de ser um país muçulmano, nunca me opus por princípio a que a Turquia aderisse à União Europeia...

... Até recentemente, quando o actual presidente e os que o rodeiam começaram a mostrar tendências autoritárias, anti-democráticas, incluindo restrições à liberdade de expressão e cedências ao fundamentalismo islâmico em matérias de conduta pessoal. A - genuína - modernização, «desradicalização» verificada durante décadas naquele país, que poderia torná-lo numa prova, num exemplo de que o Islão não é necessariamente incompatível com os valores da civilização, foi como que travada, posta em causa... e isso justifica o «arrefecimento» da boa vontade que existia.

Concordo que é «fundamental não cedermos à chantagem do medo». Porém, é isso mesmo que está a acontecer em vários países da Europa, da União Europeia, incluindo na Alemanha, com a cumplicidade - se não activa, pelo menos passiva - dos mais altos (ir)responsáveis políticos. Perante o aumento exponencial de agressões sexuais a mulheres por homens muçulmanos, grande parte deles «refugiados» recentes, propôs-se que aquelas modificassem os seus hábitos, aos níveis dos locais que frequentam e das roupas que vestem. É este futuro, marcado pela restrição das liberdades, pela regressão do (verdadeiro) progresso, que queremos para o nosso continente? Eu tenho três filhas, e estou preocupado.
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De Pedro Correia a 03.07.2016 às 15:54

Eu só tenho uma filha, Octávio, mas também estou preocupado. A minha preocupação, no entanto, não se confina às questões da segurança: também se relaciona com as questões da liberdade.
Ou seja, eu quero que a minha filha - e os filhos que ela venha a ter - viva num espaço pelo menos tão seguro e pelo menos tão livre como aquele que eu tive.
Considero mais: julgo ser um dever geracional legarmos aos nossos filhos uma Europa mais segura e mais livre do que aquela em que nós crescemos.
Até agora, em termos globais, isso tem sucedido. Eu cresci numa Europa dividida a meio pela cortina de ferro. Nada que possa ser sequer remotamente comparável aos dias de hoje.
Não retrocedamos neste duplo combate, meu caro.

Quanto à Turquia: os últimos acontecimentos - radicalização islâmica, perseguição de adversários políticos, encerramento de órgãos de informação - só me dão razão quando já há dez anos me manifestei contra a adesão turca à UE.
E as razões de fundo que então invoquei mantêm-se hoje:
- Como pode entrar na UE um Estado que ocupa metade de outro Estado no espaço comunitário (a alegada República Turca de Chipre do Norte)?
- Como pode entrar na UE um Estado que não defende os direitos políticos, sociais e culturais de uma das mais respeitáveis minorias étnicas da Ásia Menor e do Próximo Oriente (refiro-me aos curdos, hoje guarda avançada contra os desmandos do DEDI - Dito Estado Dito Islâmico)?
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De Octávio dos Santos a 04.07.2016 às 01:16

Se o Pedro quer que os nossos filho(a)s, e os filho(a)s dele(a)s, vivam «num espaço pelo menos tão seguro e pelo menos tão livre como aquele que eu tive», e julga «ser um dever geracional legarmos aos nossos filhos uma Europa mais segura e mais livre do que aquela em que nós crescemos», então deduzo que concorda comigo em que é necessário refrear, restringir e mesmo reverter o avanço do Islão na Europa. Para nós não retrocedermos, têm eles de retroceder.
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De Pedro Correia a 05.07.2016 às 20:45

Octávio, já demos uma volta enorme ao meu texto inicial. Enquanto prosseguíamos este diálogo, os dois principais mentores do Brexit - Boris John e Nigel Farage - abandonaram a ribalta política, o que não deixa de ser significativo.
Puseram a casa a arder e retiram-se tranquilamente. Outros que descalcem a bota.
Nunca uma vitória soou tanto a derrota.
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De Paulo a 28.06.2016 às 16:11

Claro que não, Portugal ficaria muito pior sem a UE e iria estar muito menos desenvolvido se não tivéssemos entrado para a CEE. Mas volto a referir é preciso a UE mudar, mudar muito em alguns aspectos, pois não é assobiar para o lado que as coisas se resolvem. Espero que com o Brexit, fique uma lição para o futuro e que não seja rapidamente esquecida.
Mas o que fica na retina é que o seu texto está bastante esclarecedor e que tenhamos a capacidade de internamente trabalharmos no sentido de se conseguir dar a volta e voltar a ter uma UE mais coesa e próspera.
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 18:09

Agradeço-lhe as palavras que me dirige. Continuaremos certamente a debater este tema aqui no blogue. É um assunto que promete dar imenso que falar.
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De Andre l a 28.06.2016 às 19:11

Sim correto. Disseram-me que andava a apregoar, mas de fato, em contornos gerais, nao tão completo, era esse o meu argumento "há males que vem para bem" o brexit, entre inúmeros detalhes e protagonistas, que seja uma bofetada para este Euro.... Relembrando estas crises passadas, o euro anda um pouco a deriva? Ou é impressão minha estes últimos anos? A crise dos refugiados e a nao resolução do tema até a data, só vieram dar azo ao pior do ser Humano, burrice... Muito viveram na ignorância sobre o que é essa coisa chamada Euro, essa coisa chamada Euro que muitos outros tantos ainda nao pesquisaram no Google (vulgo motor de pesquisa na net).....
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De Pedro Correia a 28.06.2016 às 21:17

De fato? Não lhe parece que está muito calor para andar de fato?
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De M. S. a 28.06.2016 às 23:30

Caro Pedro:
Prefere o fato com gravata ou sem?
Ou com aquela gravata oportunisto-eleitoralista do Iglesias?
Parece que nem com ela se safou.
Seria porque não usou fato?
(Manuel Silva)
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De Pedro Correia a 29.06.2016 às 00:00

De facto, mais valia não ter gravata.

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