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Na política interna húngara, a alternativa a Viktor Orbán é a verdadeira extrema-direita, o Jobbik (na oposição), partido recente que se um dia chegar ao poder não hesitará em retirar aquele país da União Europeia. A propósito, a ‘jornalista‘ que rasteirou refugiados era uma agente provocadora do Jobbik, partido extremista que defende a proibição de entrada de migrantes. O Jobbik surge nas sondagens a rondar 20% das intenções de voto: é um partido anti-europeu, anti-capitalista, xenófobo, anti-semita e sobretudo anti-cigano, com estranhas ligações ao regime de Vladimir Putin.

O conservador Fidesz, de Viktor Orbán, no poder, é favorável à entrada dos refugiados, mas sob controlo das autoridades, e tenta cumprir as convenções internacionais que o seu país assinou. Cumpre igualmente as regras de Schengen, ao proteger as fronteiras, impedindo a passagem de pessoas que tentam entrar ilegalmente e ao registar todas as entradas. Os partidos de esquerda, muito críticos de Orbán, defendem a passagem livre de todos os refugiados, mas também de todos os imigrantes. Este bloco está fraccionado, mas a maior formação é o MSzP, socialista, ou melhor, pós-comunista, que combate a direita insistindo que Fidesz é igual a Jobbik. Esta táctica de confundir a identidade política dos adversários tem tradições e foi usada pelos comunistas, no final dos anos 40, para destruir os partidos burgueses, naquilo que ficou conhecido como a ‘táctica do salame’.

O primeiro-ministro Orbán pode ser definido como um conservador e populista que antecipou o pagamento da dívida ao FMI e se atreveu a seguir uma política económica heterodoxa, fazendo a banca (dominada por instituições estrangeiras) pagar a crise e reduzindo brutalmente as rendas excessivas de monopólios que tinham sido privatizados. Neste processo, ganhou muitos inimigos externos, ao mesmo tempo que fez extensas reformas internas. Embora muito do que realizou não seja liberal, incluindo algumas nacionalizações, a Hungria tem uma economia competitiva, a crescer acima de 3%. A crise financeira provocada pelos socialistas já terminou, é muito evidente, mas as desigualdades sociais aumentaram, embora a classe média tenha sido beneficiada e o Fidesz continue a liderar as sondagens com grande vantagem.

Assim, muito do que lemos sobre a forma como esta crise está a ser gerida tem de ser interpretado com um grão de sal, tendo em conta a elevada crispação da política interna húngara. A Hungria é obviamente uma democracia e só o facto da questão ser levantada já dá que pensar: há eleições livres desde 1990 e Orbán já venceu três delas e perdeu uma, ganhando igualmente várias votações europeias e regionais. Trata-se de um regime parlamentar com um sistema eleitoral que, aliás, Portugal devia estudar. A Hungria tem liberdade de expressão, de manifestação e de imprensa e, exceptuando a discriminação dos ciganos, não tem grandes problemas sociais ou de minorias. A oposição de esquerda controla uma televisão de notícias e um dos principais jornais, tendo amplo acesso à opinião pública. Há ainda duas televisões muito críticas do primeiro-ministro. Não é democracia? Então é o quê, uma ditadura?

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