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A pieguice

por Helena Sacadura Cabral, em 18.04.14


Não sou piegas. Mas não me importaria nada de o ser, se isso fosse a exteriorização de algo autêntico na minha natureza. Porque é que ser piegas será pior do que não ser? 

No Grande Dicionário da Língua Portuguesa dá-se ao termo a seguinte definição: "pessoa considerada excessivamente sensível ou sentimental; pessoa que é considerada medrosa e assustadiça".

Há ideias feitas sobre a forma como nos devemos comportar e quem saia fora delas é sempre qualificado com um qualquer epíteto. Como este a que o próprio dicionário atribui sentido pejorativo. 

E agora pergunto eu, quem é que tem autoridade para definir o excesso de sentimento ou de medo? Onde está o gráfico comportamental padrão que permite definir a "normalidade" nestas matérias?

Vem este intróito a propósito de uma carta que, há quase década e meia, circula na internet, como sendo de Gabriel García Marquéz, e que constituí uma espécie de despedida da vida de um homem em estado terminal. O texto é muito bem escrito, mas foi considerado talvez demasiado "piegas" para ser do autor do "Cem anos de solidão" que, aliás, desmentiu a sua autoria.

Aqui está o exemplo do que acabo de referir. Não estava em causa a qualidade literária da carta que até se podia confundir com a de Garcia Marquez. O que estava em causa era o "grau" de pieguice que se tolerava ao escritor. Por quem, gostaria eu de saber. De certo, por especialistas - nada piegas - da "natureza humana"...

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8 comentários

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De Maria Dulce Fernandes a 18.04.2014 às 21:30

Seguramente essas avaliações são avaliadas por piegómetros bem calibrados e manobrados pelos mesmos especialistas que usam os idiotrómetros para classificar o grau do conhecimento dos indivíduos ... Portanto, nada de novo.

Beijinhos, D. Helena.
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De Teresa Ribeiro a 19.04.2014 às 14:54

É uma das características desta nova sociedade orwelliana. Até por dentro somos vigiados e nós, para prevenir aposições de rótulos somos os primeiros a ficar de olho no que devemos e até que ponto podemos sentir. Não tenho pachorra.
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De Helena Sacadura Cabral a 19.04.2014 às 23:18

Estou exactamente como tu, sem pachorra para estas classificações de comportamentos que obedecem sempre a determinados tipo de critérios, do género o homem é forte, mulher é fraca, um homem não chora...
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De Cristina Torrão a 19.04.2014 às 15:56

Sim, quem é que tem autoridade para definir o excesso seja do que for? Todos nós somos piegas, em certas situações; todos nós somos invejosos, ciumentos, egoístas, infantis, etc. em certas situações. E quem nunca o foi, que atire a primeira pedra!
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 19.04.2014 às 16:11

Sempre foi para mim um mistério porque é que pessoas que deixaram obras geniais ao mundo, escritores, pintores, inventores, académicos, etc., se comportavam no dia-a-dia como verdadeiros mentecaptos. Ninguém é perfeito, não é verdade?

http://2.bp.blogspot.com/-VwtCzH6v2L0/U1FnvNbvBgI/AAAAAAAATo4/jveFJPWbRwE/s1600/A+Rua+28+7+77+GGM.jpg
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De Mario Gouveia a 19.04.2014 às 22:53

garcia marquez é um semi-Deus. tudo o resto são parlapatices
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De Helena Sacadura Cabral a 19.04.2014 às 23:20

Mário Gouveia isso é o que se chama de um oráculo!
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 20.04.2014 às 02:33

Mário Gouveia, isso é o que se chama confundir a obra prima do mestre com a prima do mestre de obras.

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