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A pergunta que ainda falta fazer

por Pedro Correia, em 23.01.19

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A propósito dos distúrbios que têm ocorrido nos últimos dois dias em quatro concelhos - Lisboa, Setúbal, Loures e Odivelas - assisto a inúmeras peças jornalísticas que procuram associar a pobreza à delinquência, o que é uma injúria lançada a todos os pobres. Lamentavelmente, em muitas destas peças sobra em propaganda política rasca o que falta em jornalismo. No tal "bairro da Jamaica" pertencente ao município do Seixal, de onde virão alguns destes alegados desordeiros, vivem 600 pessoas em condições miseráveis, ocupando prédios que se encontram inacabados há quase meio século.

Não será esta a ocasião de questionar a Câmara Municipal do Seixal - que desde 1976 tem sido gerida ininterruptamente pela CDU - por que motivo não realoja estas pessoas, atribuindo-lhes habitação condigna? É uma pergunta simples. Mas que, no entanto, continua por fazer. 

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58 comentários

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De Vorph Valknut a 23.01.2019 às 13:58

Acutilante texto. Contudo é verdade que a pobreza e o desemprego estão associados estatisticamente a um aumento da violência. Isso e as assimetrias sociais. Países onde existe maior desigualdade existe mais violência e corrupção. Era interessante alguns candidatos a Bolsonaros aprenderem alguma coisinha...não basta oferecer armas. Seriam melhor os livros
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De Pedro Correia a 23.01.2019 às 14:26

Não é verdade que a pobreza e o desemprego estejam associados ao aumento da criminalidade. Associar os desempregados ao crime é algo muito grave.
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De Vorph Valknut a 23.01.2019 às 15:27

https://www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/320275?mobileUi=0&journalCode=jle

Abstract In this paper, we analyze the relationship between unemployment and crime. Using U.S. state data, we estimate the effect of unemployment on the rates of seven felony offenses. We control extensively for state‐level demographic and economic factors and estimate specifications that include state‐specific time trends, state effects, and year effects. In addition, we use prime defense contracts and a state‐specific measure of exposure to oil shocks as instruments for unemployment rates. We find significantly positive effects of unemployment on property crime rates that are stable across model specifications. Our estimates suggest that a substantial portion of the decline in property crime rates during the 1990s is attributable to the decline in the unemployment rate


http://www.crest.fr/ckfinder/userfiles/files/Pageperso/kramarz/fkp_March_2008_final.pdf

https://www.nuffield.ox.ac.uk/users/papps/unemployment.pdf


I investigate the impact of unemployment on crime using a country-level panel data set from Europe that contains consistently measured crime statistics. Unemployment has a positive influence on property crimes.

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0144818811000652


https://www.youtube.com/watch?time_continue=6&v=EtVfoIkVSu8

For example when unemployment goes up, stress goes up and so do rates of spousal abuse and associated aggression. Displacement aggression.

The poorer you are the more likely you are to be violent.
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De Pedro Correia a 23.01.2019 às 17:49

O que é que os USA têm a ver connosco?
São padrão universal?
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De Justiniano a 23.01.2019 às 15:09

Há nuances, meu caro! São elementos que influem, certamente, mas que não têm uma relação directa e necessária! Muito menos os tipos penais que integrem no tipo elementos de violência efectiva.
Há exemplos desconcertastes de um lado e do outro (onde o aumento da riqueza ou igualdade correspondem a aumentos da taxa de criminalidade - Fenómenos já estudados desde o século XIX, na sociologia e criminologia. De Durkheim a Merton. A escola marxista é a única que estabelece uma relação intrínseca directa entre a delinquência como fenómeno formal de ruptura normativa e as relações materiais de apropriação de riqueza do mundo liberal capitalista. No mundo marxista o crime seria uma reminiscência capitalista, incluindo os chamados crimes passionais, de luxúria e de honra. Ocorre que, na realidade, no mundo marxista, onde, de facto os níveis de distribuição de riqueza eram os mais aproximados da igualdade material, o fenómeno criminoso persistiu. Coisa que muito intrigou os teóricos)
Os exemplos limite apontáveis são os relativos a Estados falhados ou em vias de soçobrar, onde esses índices são irrelevantes!
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De Vorph Valknut a 23.01.2019 às 15:29

Justiniano, todos os estudos apontam uma correlação positiva entre crime e desemprego, justificado como causal por diversos estudos em neurociências
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De Justiniano a 23.01.2019 às 21:23

Não sei, caro Vorph, não percebo nada de neurociencias!! Correlações, para mim, são entre os alcalinos e os ácidos, na cozinha. Fora disso o esforço metafísico parece-me inútil!!
Um bem haja,

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