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A Paixão segundo Francisco

por Rui Rocha, em 21.01.15

Naquele tempo, enquanto os soldados romanos o crucificavam, Jesus olhou os Céus e disse:

Pai, perdoa-lhes; pois não sabem o que fazem.

Mas logo ali continuou:

Agora, em verdade Te digo; se estes cabrões dos romanos abrirem o bico para dizer uma palavra que seja sobre minha Mãe, estrelinha que os guie, que deslargo-me da cruz e acerto-lhes um arraial de porrada naquelas trombas que ainda ficam todos roídinhos de saudades do Obelix.

 

(Os mais atentos constatarão que o post é repetido. Pois é. O ponto é que o Papa Francisco também veio dizer outra vez o que já antes tinha dito. Apesar de alguns lhe chamarem esclarecimento. Na verdade, nem sequer é bem a mesma coisa. É pior. Porque na versão inicial sempre estava em causa, em sentido figurado, a senhora sua mãe. E agora, se virmos bem, o que está em causa é uma formulação geral dirigida a qualquer tipo de sátira ou provocação. Perante a carnificina de inocentes, o Papa, em lugar de dedicar o seu tempo e o seu verbo a condenar radicalmente a bárbarie, prefere teorizar sobre a liberdade de expressão. Este relativismo moral de quem professa a crença no absoluto é francamente inadmissível. A insistência na ideia de provocação, num contexto destes é, ela sim, uma verdadeira blasfémia contra o valor sagrado da vida humana. Que cresce com a reiteração intencional do que já tinha sido dito. Perante inocentes trucidados, o Papa opta pela via corporativa de defesa do edifício intocável das religiões e investe na elaboração de uma tese que, queira ou não, acaba sempre na cedência à ideia da responsabilidade da vítima. Perante a bárbarie só pode existir condenação sem mas nem meios mas. Se virmos bem, a repetição do post é coisa bem pouca perante uma posição que é, falando sem rodeios, uma vergonha).

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33 comentários

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De cristof a 17.01.2015 às 19:21

Grande post
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De Rui Rocha a 17.01.2015 às 19:43

Obrigado, Cristof.
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De Maria Lopes a 17.01.2015 às 19:22

Obrigada pela valente gargalhada que dei. Adorei. Cá para mim, JC era tuga!
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De Rui Rocha a 17.01.2015 às 19:43

Do Bombarral ou de Fornos de Algodres, estou seguro.
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De Mais Porrada a 17.01.2015 às 19:31

Socos é no caso dos grandes amigos, como Gasbarri. Se o não forem, a coisa fia infinitamente mais fino.
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De xico a 17.01.2015 às 20:08

Depende do tamanho do romano...
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De Rui Rocha a 17.01.2015 às 22:02

Os maiores levam com um menir.
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De Tiro ao Alvo a 17.01.2015 às 20:48

Rocha, não brinques com coisas sérias. O Papa Francisco não disse que batia em quem lhe insultasse a mãe. O que disse é bem diferente. Vai conferir e tem mais cuidado quando decidires abordar temas deste género.
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De Anónimo a 17.01.2015 às 21:32

Tem razão mas nos blogues é assim, manda-se a primeira boca que vem a cabeça.
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De Rui Rocha a 17.01.2015 às 22:03

Pois. Por isso é que nós, os finos, não lemos blogues.
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De Conferido a 17.01.2015 às 22:04

"É verdade que não devemos reagir com violência, mas se o dr. Gasbarri, que é um grande amigo, ofender a minha mãe, deve estar preparado para levar um soco. É normal."
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De Rui Rocha a 17.01.2015 às 22:03

Por amor de Deus.
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De lucklucky a 17.01.2015 às 22:05

Se não se brinca com coisas sérias brinca-se com quê?
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De Rui Rocha a 17.01.2015 às 22:07

Exacto. Brincar com brincadeiras não é sério.
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De da Maia a 17.01.2015 às 22:43

Muito giro.

É difícil encontrar sarcasmos fora das inúmeras piadas primárias, tidas como ateias, mas que reflectem mais a teia ateia do simples judiar gratuito. Como todo o judiar, dizer-se gratuito é figura de estilo - a ideia é mais pagar pela vergastada redentora.
A França Laica sabe bem pôr o barretinho, e caminhar de cabeça baixa, exibindo ao mundo a sua sina pela sinagoga.
"A justiça tem que ser servida a este pregador do ódio", foi dito enfaticamente na Assembleia Nacional, pelo PM, a propósito de um simples desabafo pessoal e inócuo de Dieudonné.
A concepção justicialista francesa, servida à pressão, ficou bem conhecida no Reinado do Terror, que nos introduziu à França contemporânea.
Portanto se a França pode ensinar alguma coisa sobre o Terror, é mais sobre a técnica de cortar cabeças, apurada pelo Dr. Guillotin.
No Tribunal Revolucionário não faltou lei, nem julgamentos. A eficácia da justiça era aliás notável. Os processos não se arrastavam por anos, tudo era decidido eficazmente em poucos minutos, apesar do veredicto raramente diferir da guilhotina.
Portanto, sobre Terror, a França impressionou-nos pela sua legalidade.

O Papa Francisco esteve irrepreensível.
Claro que poderia ter ido ao limite, aceitando total liberdade de expressão, mas isso implicaria aceitar a blasfémia, algo que a sua Cúria não lhe perdoaria. Também não seria suficiente um discurso "nem sim, nem sopas".
Sabia que estava numa armadilha, com as matilhas do costume prontas a morder. Por isso, aquele soco ameaçado ao que estava mais próximo, foi visto direitinho para a cúria ortodoxa que lhe encheria os ouvidos. Quanto aos outros, fiéis à Laica, ou às teias ateias, já sabia que são cães que ladram mas não mordem.
Portanto neste caso não deu a outra face, limitou-se a pegar na vassoura e a explicar como expulsaria os vendilhões do Tempo perdido. É normal.

Seria talvez mais bem visto na sinagoga francesa se se remetesse ao Velho Testamento, à pura ortodoxia judaica, que gaba o exemplo de Moisés - passar todos a fio de espada, excepto as virgens, que ficavam para a sua soldadesca.

Por isso, entre as diversas opções facínoras que os livros sagrados nos trazem pelo exemplo dos seus profetas, creio que o Papa escolheu uma imagem simpática que honra bem a tolerância superior do macho latino.
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De Rui Rocha a 18.01.2015 às 12:09

O menos mau, portanto.
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De da Maia a 18.01.2015 às 16:26

Alternativamente poderia dizer que chamaria os guardas suiços, instauraria um processo legal, visando enfiar o Dr. Gasbarri nos calabouços do Vaticano.
Isso não seria mais a actuação de um cobarde mariquinhas?
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De JS a 18.01.2015 às 12:06

Burro velho não aprende línguas mas continua a zurrar a preceito. Por outro lado como quem sai aos seus não é de Genebra -excepto os referidos indígenas- estará tudo como dantes no Quartel de Abrantes e nas cúrias por esse mundo fora até que o céu (ou o juiz alexandre) lhes caia na cabeça.
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De Rui Rocha a 18.01.2015 às 12:10

Sempre por vontade de Toutatis, claro.
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De Vento a 18.01.2015 às 13:13

Dá sempre jeito a existência de um pugilista lá para os lados do Vaticano. Os romanos andam habituados à liberdade de acção e a tanto perdão; e quando confrontados com a resposta dizem que não vale bater assim, só assado.
Bem, à boa maneira gastronómica, se querem caldeirada, sirva-se. E quem não quer não chegue o prato à frente.
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De JPT a 19.01.2015 às 12:34

Como alguém cita acima, o que o Papa disse é que "é normal" que quem insulta a mãe alheia esteja pronto para levar um soco. Não disse que dar esse soco "é correcto". O mal é que já ninguém cuida de ler (ou ouvir) o que os outros dizem, estão bem mais ocupados a pensar no que eles próprios vão dizer. Eu explico: a nossa religião, a católica, é assim mesmo, o pecado - o erro, a fraqueza, inerentes ao ser humano - "é normal". Não somos perfeitos, nem o papa é. O segredo é sermos capazes de separar o que "é normal" do que é correcto. Evitando fazer o que "é normal" mas não correcto, ou, quando já não vamos a tempo de evitar (porque não nos apercebemos, ou porque nos faltou a força) arrependermo-nos. Não é tudo, mas é um melhor que nada. Cristo, lá está, era divino. O Papa não é. Eu não sou. Tento ser boa pessoa, mas também me passo. "É normal" que um gajo que me passe à frente, de propósito, numa fila também esteja pronto para levar qualquer coisa para casa. Há esse risco.
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De Vento a 19.01.2015 às 19:43

JPT,

sobre esta "normalidade" escrevi eu em resposta a um comentário, e o JPT focou a essência disto.
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De Luís Lavoura a 21.01.2015 às 13:32

Estou em total desacordo com o Rui Rocha.
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De Rui Rocha a 21.01.2015 às 14:14

Ah Luís... Quanta honra!

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