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A normalidade continuará dentro de momentos

por Paulo Sousa, em 25.10.20

No início da pandemia escrevi aqui que, a que então começava seria a mais longa primavera das nossas vidas.

Não sabíamos o que estava para vir. Olhando para trás é óbvio que continuamos, mais do que tudo o resto, com dúvidas. Não sabemos a dimensão do que ainda falta passar até que regressemos às rotinas despreocupadas com as partículas em suspensão na atmosfera que nos rodeia.

Vendo um filme, as fotos de recordação de há um ano atrás sugeridas pelo facebook, um jogo de futebol do ano passado ou as melhores jogadas do Mundial de Rugby de 2019, dou por mim a reparar que faltam ali máscaras e como é que aquela gente pode estar tão indiferentemente despreocupada estando tão próxima. Como é que se pode fazer uma formação ordenada sem pensar na expiração dos restantes jogadores?

Nestes meses que passaram já mudamos, e foi por dentro. Um dia no futuro voltaremos a cumprimentar-nos com beijos nos rosto e com abraços sentidos e despreocupados, mas isso ainda vai demorar. Até lá, a preocupação em manter a distância física, em desinfectar as mãos, em filtrar o ar que respiramos vai ganhando raízes e vai-se acumulando como por camadas, ameaçando tornar-se numa memória muscular.

O choque perante os hábitos antigos, de apenas há ano, é muito mais perceptível ao ver um filme do que ao ler um livro. Os olhos desviam-se da acção e de relance procuram os irresponsáveis que não cumprem as regras, enquanto que num livro somos levados pela mão de quem o escreveu e só vemos o que nos é revelado. Vou por isso tentar ver mais filmes e ler menos. Não me quero esquecer do mundo onde vivíamos enquanto espero que termine este longo intervalo. Isto é apenas um desagradável intervalo.


10 comentários

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De Carlos Sousa a 25.10.2020 às 16:25

Você escreveu na capícua de Março uma espécie de previsão. Passaram 7 meses e foi o que está documentado à exaustão, ou seja, muito menos catastrófico do que o que era previsto.
E hoje, apesar de todas as evidências, as pessoas continuam a ter mais medo dos meses que ainda não passaram do que avaliar e agir com base naquilo que já conhecem.
Governar pelo medo é mais fácil, infantilizar as populações, retirar voz e direitos não tem nada a ver com saúde.
Utilização dos média para manipular eleições, utilização das redes sociais para manipular eleitores, a utilização de uma aplicação para conseguir localizar esses mesmo eleitores será o objectivo final.
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De Paulo Sousa a 25.10.2020 às 17:02

Ninguém parece ter aprendido quase nada desde há seis meses.
Olhando para o que escreveu parece que existe uma aproveitamento de tudo isto para manipular os eleitores. Eu acho que ninguém quereria estar no governo agora, e que não acredito em qualquer manipulação pois andam todos aos papéis. Tomaria o PM ter os ministros e sobre controle quanto mais ter-nos a todos por intermédio dos media.
Os media, como sempre, querem é views e likes e para isso não hesitam em alimentar o clima de medo. E assim o ciclo do medo autoalimenta-se. Todos têm medo em perder algo, seja o poder, a saúde, rendimentos ou segurança. E de facto todas essas variáveis estão sobre ameaça.
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De Francisco Almeida a 26.10.2020 às 13:38

"Eu acho que ninguém quereria estar no governo agora, ..."

Mesmo antes da pandemia, já se falava que François Michel não seria reeleito e que António Costa poderia ser o sucessor. Lembro que em Janeiro de 2020 já o número de empresas fechadas aumentara 20% e o número de novas empresas caíra 20%.
A "bazooka" é uma boa razão para António Costa preferir (ou obrigarem-no a) ficar mas se as coisas correrem mal com o PCP agora que parece terem corrido mal com o BE (sem juízos de valor) aposto que a presidência da comissão europeia vai voltar a ser falada em Portugal.
De resto, já é tradição política nacional, o PSD fazer mal e a seguir o PS fazer pior.
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De Paulo Sousa a 26.10.2020 às 23:18

Afinal, e segundo o Financial Times, a bazooka Tuga pode ser também mais dívida. Vamos ver.
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De Anónimo a 30.10.2020 às 13:06

Bazooka ? Esperar sentado.
É necessário a aprovação por todos os parlamentos de todos os países da União.
Mas há vários que não vão na cantiga. De facto, é um programa com carga ideológica.
um exemplo:
"Citizens’ initiative demanding referendum on EU stimulus gains enough signatures to proceed to Parliament"
https://yle.fi/uutiset/osasto/news/citizens_initiative_demanding_referendum_on_eu_stimulus_gains_enough_signatures_to_proceed_to_parliament/11565699
Diziam os nossos avós para não contar com o ovo no rabo da galinha
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De Anónimo a 30.10.2020 às 14:30

Esta pandemia veio colocar a nu a mais óbvia característica humana, o egoísmo. Começou pela corrida a ventiladores, máscaras, desinfectantes e afins, onde quem mais dinheiro tinha, mais se abasteceu sem hesitar passar por cima de quem nada tinha. Depois veio a corrida ás encomendas de vacinas, ainda antes mesmo de se saber quando estará disponível. Mais uma vez, os mais ricos, tentaram passar por cima de todos os outros, seja por encomendar doses muito acima das necessidades, ou tentar comprar laboratórios onde a investigação está num estado avançado, já sem falar nas tentativas de roubar informação cientifica. Por décadas se tem vindo a falar na aldeia global onde todos fazemos parte do mesmo barco e que o bem estar de todos é uma preocupação de todos, etc, etc, etc ,mas bastou uma pandemia que felizmente não será das mais mortais face ás ultimas conhecidas, e o mundo mostrou que nada mudou.
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De simplesmente... a 30.10.2020 às 17:41

"não me quero esquecer do mundo onde vivíamos"...
vivíamos no paraíso.
e nem dávamos por isso...
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De Paulo Sousa a 30.10.2020 às 21:41

Isso é muito relativo. É tão verdade quanto ainda podermos piorar muito antes de melhorar um pouco.
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De Anónimo a 31.10.2020 às 12:29

Desculpe-me o moderador o "off-topic", mas deixo uma curiosidade:
"Pico da nova vaga de COVID-19 deve acontecer dentro de três semanas"
https://executivedigest.sapo.pt/pico-da-nova-vaga-de-covid-19-deve-acontecer-dentro-de-tres-semanas/
"Coronavirus Incubation Period: 2 - 14 days"
https://www.worldometers.info/coronavirus/coronavirus-incubation-period/

Ou seja está-se a fazer uma projecção a 3 semanas de ultrapassa largamente os tempos oficiais considerados de incubação, e não considera as medidas restritivas tomadas desde o início do mês, que supostamente deveriam conduzir a uma diminuição.

É ciência, ou é calendário ? Ou é a admissão que as medidas não funcionam ?
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De s o s a 31.10.2020 às 00:40

ora, aqui esta uma coisa nova : nos filme vemos mais, enquanto que no livro somos encaminhados.

E vai mais longe : vou ver mais filmes.

Um post de desfecho imprevisivel..mas com um fecho que faz pensar.


Quanto ao mais, o intervalo promete ser longo, e só nos abrigos estamos mais protegidos da expiraçao alheia .

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