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Delito de Opinião

A morte saiu à rua

Pedro Correia, 01.08.17

 

Balanço trágico dos últimos quatro meses na Venezuela, sujeita à fúria homicida da Guarda Nacional Bolivariana e das milícias armadas pelo regime: 121 mortos, 1958 feridos (dez só na  farsa eleitoral de anteontem) e mais de cinco mil opositores encarcerados.

Apesar destes quatro meses de grosseiras violações dos direitos humanos, como estas dramáticas imagens do assassínio do estudante David Vallenilla documentam, o PCP volta a colocar-se ao lado das forças repressoras. Desta vez num comunicado oficial do partido, depois de o jornal Avante! ter publicado um panegírico ao ditador de Caracas que poderia ter sido produzido por qualquer serventuário do próprio Nicolás Maduro.

Esta é a natureza de classe dos comunistas: enalterecem todas as tiranias que tenham como chancela a foice e o martelo e obedeçam ao jugo dos chamados "partidos irmãos". Da despótica China, onde vigora o capitalismo mais impiedoso e brutal, à ilha de Cuba, submetida há seis décadas ao punho de ferro da família Castro, passando pelo demencial totalitarismo norte-coreano, assente num imenso arsenal de guerra.

Uma vez mais, o PCP coloca-se ao lado da rica e poderosa oligarquia venezuelana, corrompida pelas redes do narcotráfico, ignorando a dor concreta dos cidadãos comuns, condenados a viver num país onde faltam os bens mais essenciais apesar de possuir as maiores reservas petrolíferas do planeta. Nenhum partido se atreve a falar tanto em nome do povo enquanto aplaude com tamanho vigor quem silencia e oprime o povo.

David José Vallenilla tinha 22 anos e manifestava-se em defesa da liberdade severamente reprimida na Venezuela. Faltavam-lhe escassas semanas para obter o diploma de Enfemagem. Foi abatido a sangue-frio a 22 de Junho, à queima-roupa, por um dos esbirros fardados de Maduro. Como se tivesse sido condenado a um pelotão de fuzilamento.

Custa-me acreditar que imagens como estas não causem sequer um leve sobressalto de indignação aos militantes e simpatizantes do PCP.

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