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A morte do bloguismo decente

por João André, em 16.06.19

O jpt postou abaixo um texto sobre a falta de qualidade do jornalismo desportivo dando múltiplos exemplos (que subscrevo, pelo menos na descrição dele). A certa altura escreve:

«19ª notícia: desenvolvimentos sobre a acusação a Cristiano Ronaldo de ter violado uma prostituta americana»

Assim mesmo. Uma "prostituta americana". Não é engano. Nas notícias sobre as acusações de violação a Neymar, a acusadora é simplesmente "mulher". No passado escrevi sobre o assunto e não o quero fazer agora. Até pensei que pudesse ser citação directa do que escreveu o Record, mas depois de procurar a mais recente notícia sobre o assunto no site, encontrei uma onde Mayorga aparece identificada como "modelo", coisa que já não será há muito.

Parece-me então que Kathryn Mayorga foi automaticamente qualificada por jpt como prostituta. O crime? Pelo que vejo, e isto é conclusão minha, ter tido a audacidade de acusar Ronaldo, já que no caso de Neymar a acusadora não recebeu igual rótulo.

Fico esclarecido sobre a qualidade do bloguismo neste caso. De nojo.

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72 comentários

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De Vorph Valknut a 16.06.2019 às 09:25

Não li, tal postal. Tudo o que meta Bola, ligo bola. Mas se assim foi, faço minhas as suas palavras.
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De Corvo a 16.06.2019 às 12:26

Não se estará a precipitar um pouco, caro Vorph?
Li atentamente o postal do jpt e compreendi o contexto de prostituta com que ele a mimoseia, o que não andará muito longe da realidade.
Poderá ou não o epíteto ser o que melhor define o procedimento da dita espertalhona, mas define na perfeição a classe daquelas mulheres que estão sempre onde está o dinheiro.
Uma noite de "curte" assolapado, sobe voluntariamente ao quarto dele...para quê? Verem um vídeo da Abelha Maia?
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De Vorph Valknut a 16.06.2019 às 15:42

" o que não andará muito longe da realidade".

O Corvo esteve lá. Eu não.

Quanto aos que dizem ser acompanhante, numa discoteca, equivalente a prostituta, avisar-vos-ia que se retirarem o L de Públicas ficam os RP, de relações púbicas.
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De Corvo a 16.06.2019 às 20:38

Ninguém esteve lá.
Foi sob ameaça armada que subiu ao quarto dele?
Para mim chega para reiterar que onde está o dinheiro está a mulher...espertalhona.
O resto o Vorph deduza como quiser.
Ainda me hão-de mostrar em toda a história da humanidade, um homem que sem recurso à ameaça armada ou à droga, consiga sozinho violar uma mulher.
E logo sexo anal, para o entendimento ser melhor.
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De Vorph Valknut a 16.06.2019 às 16:41

Meu caro, meça bem a distância do seu juízo:

"espertalhona,(...)prostituta com que ele a mimoseia"

Ouve-se com menos frequência, mas de mimo idêntico, deixo este :

"Poderá ou não o epíteto (cretino) ser o que melhor define o procedimento do dito espertalhão, mas define na perfeição a classe daqueles senhores que usam os outros, pelo poder do dinheiro, para satisfações que não conseguiriam sem platinas"
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De Anonimus a 16.06.2019 às 17:10

Provavelmente.
O pior foi quando o CR se armou em Calimero.

(de qualquer modo, é "comovente" o tratamento dado a uma senhora que acusa um Weinstein, relativamente a esta Mayorga)
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De Sarin a 16.06.2019 às 11:00

Questionei o autor sobre isso, e suponho que a explicação não será tão simples como o João André a expõe - ou talvez seja; mas, apesar da prosa por vezes violenta, nunca lhe li nada semelhante a sexismo e por isso aguardo resposta antes de comentar.

Achei e acho cómico terem lido toda a lista de notícias apresentadas (parei à quarta e saltei o parágrafo, enfadada com o teor cofinado e nada desportivo). E não esqueço a experiência recente com os textos de João Miguel Tavares e Sampaio da Nóvoa. Nem olvido que a Mayorga foi atribuída a profissão de chamariz (palavra minha para a aparentemente sem nome profissão de angariadora de clientes em bares), acompanhante e modelo - basicamente, desconheço qual a ocupação que teria. Sobre a acusadora de Neymar não lhe li profissão ou ocupação - desinteresse meu certamente e até que não lhe possa escapar, como não pude escapar a CR7 vs Mayorga.

Mas, supondo ambas prostitutas, qual a diferença? Ser profissional do sexo não é carta branca para violação, e serem prostitutas apenas alterará a percepção de culpabilidade nos que entendem a violação como função da vítima e não do agressor. Não me parece que seja o caso de jpt, mas o próprio talvez nos esclareça.
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De Vorph Valknut a 16.06.2019 às 16:29

"Mas, supondo ambas prostitutas, qual a diferença?"

A diferença, ou o propósito, relaciona-se com a veracidade de um testemunho depender tanto da plausibilidade dos factos, como daquele que os relata. E convenhamos, Sarin, que existem determinadas "marcas" que marcam de mentira, uma verdade. Ser-se puta, desempregado, preto ou cigano, é marca de má sina. É nota de mau conto.

Pergunto, se Kathryn Mayorga fosse engenheira, ou matemática, os "fanáticos da verdade" prestariam tanta atenção à sua actividade profissional. Dúvido, pois tratando-se de profissões de "gente séria", o testemunho não se fragilizaria, antes pelo contrário. Caso bem diverso, quando na "notícia" se esquece o nome da mulher (despersonalização), mas relembra-se a "comerciante de sexo".

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De Vento a 16.06.2019 às 21:24

Acontece que o que escreve é mais um dos seus exercícios de imaginação. Sempre que escreve por si, pouco ou nada escreve que se entenda. Quando posta as ligações, estas possuem mais conteúdos. Mas de outros que pelo menos acreditam no que escrevem e dizem. São genuínas, mas não são seus escritos e seus conhecimentos.
Mayorga é licenciada em jornalismo. Mas isto somente para dizer-lhe, sem julgar a personagem, que nenhum licenciamento credibiliza um personagem.

E sim, existem muitas, e muitos, licenciada(o)s nas mais diversas áreas que em matéria de credibilidade deixam muito a desejar. E também existem muitas com estas características que preferem a profissão que é objecto no texto. Em consequência, nem sempre as intenções com que se graduam conduzem a posturas sérias. Mas não estou aqui para avaliar posturas, nisto você aparenta ser especialista.
O meu caro anda fora do mundo. Precisa viajar mais e sair de casa para saber o que ele é. As misérias não são e nunca foram exclusivas de analfabetos..., e nem todos os analfabetos... viveram miseravelmente. E a seriedade também nunca foi atributo de profissões sérias. As profissões podem ser sérias, mas os profissionais bem desonestos. E por vezes as profissões podem ser desonestas, porque o(a)s profissionais para elas foram empurrado(a)s.
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De Vento a 16.06.2019 às 23:02

Você está como os neo-esquerdistas: Toma a parte pelo todo. Tenham um advogado ou uma advogada com tomates, e provas inabaláveis, e vai ver que o preconceito é derrotado.
Isto é como os miseráveis: a pior miséria é ter medo da miséria.
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De Sarin a 16.06.2019 às 21:24

Pedro, neste tema sou muito clara, e tu também: tens preconceitos com a prostituição, eu não.
Mais uma vez tiras as minhas frase do contexto em que as coloco (não o crio por acaso, caso não saibas), talvez para fazeres valer uma resposta que não subscrevo - a diferença está em quem lê na profissão a ignomínia ou, como insistes, a falta de dignidade. Alguma vez leste ao jpt algum amesquinhamento sobre a profissão? Eu não, pelo contrário - e, ao contrário do que tu insistes em demonstrar, o emissor e o contexto importam na mensagem. A falha começa na percepção do receptor. Tu. E continua, quando aos outros se interpreta não o que disseram mas aquilo que cada um pensa não do contexto do outro mas do seu - a mensagem não é tua, porque não a lês no contexto do outro? Aliás, neste caso específico penso que até comentaste sem a ler, cf afirmaste...

Portanto, discordo dessa interpretação que fazes do emprego do termo prostituta. Até porque nem leste o postal, pelo menos assim afirmaste, e portanto não sabes (eu sei: após este postal fui ler o que havia saltado) que o jpt não diz o nome de nenhuma das acusadoras. Aliás, se te recordares, aquando das acusações a CR eu não sabia o nome da Mayorga, e se o fixei foi por haver aqui perto uma aldeia com este nome - e por isso, apenas por isso, CR e Mayorga me mereceram postal.

Tal como discordo da mirabolante dissertação que te li sobre a muita escrita tender mais a esconder do que a esclarecer... caramba, Pedro, mas não terás noção dos teus longos discursos em caixas de comentários?! E o pior é que muitas vezes nem teus são, antes colagens de discursos de outros!

Por falar em longo discurso, este já vai para lá da minha paciência...
Não te digo que não responderei "ao que abaixo vierem botar" porque 1. uso o verbo botar com o sentido de colocar, e o único autor que conheço a dar-lhe o sentido 'deixar escrito' é o jpt, 2. não aprecio repetir discussões e não repetirei esta, muito menos contigo, a quem conheço a opinião e a volubilidade 3. cansam-me as polémicas surgidas da falta de assertividade, acho-as geralmente imbecis porque evitáveis. Esta era.


Boa semana.
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De Sarin a 16.06.2019 às 23:23

Mas nem o jpt nem o João André escreveram em tribunal nem se dirigiram a jurados. Nem tu, nem eu. Mais, e repito, nem percebo como leram (tu não) aquilo, como o jpt teve paciência sequer para escrever tanta não-notícia do Record...

Portanto, aqui do meu pedaço de terra firme te desejo que tenhas um pouco mais de atenção aos contextos e que saibas usar lastro.
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De Vorph Valknut a 16.06.2019 às 23:51

Afirmo que algumas palavras contam mais do que dizem, como excelsamente o João André aponta. E jurados somos todos nós, uns de facto, outros de jure.
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De Vorph Valknut a 17.06.2019 às 00:12

"caramba, Pedro, mas não terás noção dos teus longos discursos em caixas de comentários?! E o pior é que muitas vezes nem teus são, antes colagens de discursos de outros!"

Isso vindo de ti só pode ser gozação. Deverias ler tão bem como escreves. A parte relevante ,para a polémica, terá pouco mais de uma linha. Quanto ao resto, chutei para canto.


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De Vorph Valknut a 16.06.2019 às 20:19

Interrogavas-te , algures, pela demora da publicação do teu comentário. Olha, já te respondi, no noutro, já pedi desculpa, ao outro autor, pelo excesso de linguagem, mas perdido anda, ainda, por entre as brumas das secretarias....Penitenziagite
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De Sarin a 16.06.2019 às 21:42

Cf te disse num que talvez não tenha sido ainda publicado, conheço as tuas opiniões, a tua volubilidade... e aqui acrescento a tua boa índole e o teu mau-feitio. 'Só' por isso te aturo ;)

Mas hoje, confesso, não é dos dias em que estou mais paciente.

Até breve.
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De Vorph Valknut a 16.06.2019 às 22:44

Ok. Até breve. Sarin, mostra-me o lado com mais gente, que eu escolho o outro. É defeito, mas não de feitio.
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De Sarin a 16.06.2019 às 23:44

Enganas-te: estás muitas vezes no lado com mais gente pensando estares no outro... tens que depurar alguma coisa.

Até breve.
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De M. Martins a 16.06.2019 às 11:16

Não sei se Kathryn Mayorga é prostituta. Mas imita muito bem. Eu não lhe chamaria prostituta mas tudo indica que utiliza o sexo para fazer dinheiro. A maneira como ela acusa Ronaldo é muito esquisita. Por acaso eu não acredito muito (admito estar enganado) que Ronaldo a tenha violado. Até por razões técnicas: se ela não se puser na posição apropriada e facilitar as coisas penso que é muito difícil fazer a penetração anal.
E no fundo o que chamamos prostituição pode ser uma profissão com o qualquer outra em que se ganha dinheiro fazendo algo em que outrem está está interessado. Não dramatizo.
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De JgMenos a 16.06.2019 às 11:28

Não me interessa discutir as circunstâncias.
Aceitou receber uma pipa de massa para esquecer o assunto. Passado anos quer mais?

Esta cena, agora em moda, de que uma mulher pode fazer o que entenda, ir tão longe quanto lhe apeteça, e … basta abrir as pernas e dizer NÃO para ser violada, é regra promotora de prostitutas.

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De Cristina Filipe Nogueira a 16.06.2019 às 11:52

De acordo com as notícias que li sobre os dois casos, não em jornais desportivos, que os não leio, mas em jornais ditos de referência, ao falar-se de Mayorga (alegadamente violada por Ronaldo) e de Najilla ( alegadamente violada por Neymar) estamos perante situações distintas.
Najila e Neymar, pelo que decorre das declarações prestadias por ambos, tiveram um relacionamento fugaz, alguns encontros, um “flirt”, o que lhe quiserem chamar.
Najila trabalha como modelo e actriz.

Já Mayorga, esteve com Ronaldo umas horas.
Trabalhava como profissional de alterne, num hotel de luxo em las Vegas e acedeu a ir para o quarto do cliente Ronaldo. Também estes factos decorrem das declarações de ambos.

Ao acompanhar o cliente de alterne ao quarto (independentemente do que depois do que lá se terá passado, nomeadamente se houve violação ou não) , Mayorga deixa de desempenhar as suas funções de alternadeira, para passar a assumir as de prostituta.

Julgo que, não será por o cliente ser o Ronaldo, e o local ser um hotel de luxo, que a actividade desempenhado por Mayorga, a de prostituta, terá outra designação.
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De Vorph Valknut a 16.06.2019 às 20:29

Foi o Spiegel quem pegou na história, mas não sendo nativo da Ânglia, onde diabos leu:

"Trabalhava como profissional de alterne"

É que em baixo não li nada disso. A Cristina já foi a uma discoteca, correcto? Entende o significado de "lure" e "budding model", certo?

Kathryn Mayorga, 25 at the time, was a budding model and one of her jobs was to hang out with other young, beautiful women in front of bars to lure in guests.

https://www.google.com/amp/s/www.spiegel.de/international/cristiano-ronaldo-kathryn-mayorga-the-woman-who-accuses-ronaldo-of-rape-a-1230634-amp.html

Cumprimentos
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De Cristina Filipe Nogueira a 17.06.2019 às 03:18

Pedro, Entendo “lure”, como tradução literal da actividade de alterne.

Qualquer busca nos jornais Público ou Expresso têm a tradução do artigo do Spiegel que foi o li.

Cumprimentos
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De António a 17.06.2019 às 14:41

To lure - atraír, seduzir, aliciar.
Não é práctica incomum, mesmo cá, pagar a celebridades para estarem presentes em eventos, para aliciar outras presenças. Não me surpreende que uma discoteca pague a gente bonita só para estar lá, para não ter um ambiente de velório. Não creio que qualquer local de entretenimento que se preze queira ser um prostíbulo.
A senhora Mayorga era uma escort? Talvez. Mas mesmo na minha limitada experiência, uma escort não é uma prostituta. A diferença, que é significativa, é que uma escort só vai para a cama se quiser, mesmo sendo paga - e não encontrei ainda referências a Kathryn Mayorga ter sido paga. Foi indemnizada. E aqui está uma questão, foi indemnizada porquê?
É possível que tenha havido um grande mal-entendido? É possível que a rapariga tenha sido, e continue a ser, uma oportunista? É. Mas também é possível que não. Factualmente, não há modo de falar com certezas. Há um Tribunal a tratar do assunto, veremos o resultado.
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De António a 16.06.2019 às 21:27

Uma pergunta:
- pode indicar a fonte credível que a nomeia profissional de alterne?

Mais uma vez, e tal como expliquei ao jpt, não estou a “puxar briga”. Tenho curiosidade sobre este caso, entre outros. Ainda não li nada credível sobre a rapariga ser prostituta. O Der Spiegel refere-a como PR numa discoteca - não num hotel. Os advogados de CR7 nada referem. Também não encontrei nada que referisse um pagamento - houve um acordo depois, mas pagamento, na hora, não foi referido.
Se se provar que a moça era prostituta, a haver alteração ao processo será eventualmente por ser promíscua, não pela profissão em si. Creio mesmo que a prostituição é legal no Nevada. Vou confirmar isso, os americanos têm estados onde é legal, mas pode-se ir preso por oferecer ou solicitar prostituição, o que não faz muito sentido.
De qualquer modo, as prostitutas também estão sujeitas a serem violadas. E também têm direitos. Será justamente por a sociedade ignorar esses direitos que muitas se sujeitam a chulos ou máfias que lhes proporcionem um mínimo de protecção?
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De Anónimo a 17.06.2019 às 11:59

Sem dúvida que estão em falta mapas detalhados dos percursos autorizados com prostitutas, alternadeiras, lures, buddynão-se-quê, e demais derivações
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De António a 18.06.2019 às 20:48

Parece que sim.
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De Anónimo a 16.06.2019 às 12:03

"audacidade". Audácia é melhor.
O português dos blogues é, em geral, mau.
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De João André a 16.06.2019 às 22:32

Lamento o erro, que tem toda a razão em apontar. Coisa de quem fala 90% do dia, fora de Portugal, em inglês. "Audacity" a causar a asneira. Falar em português costuma ser apenas com uma menina de 4 anos e meio e um de 5 meses. A conversa não incentiva a que eu melhore o meu português. Também não costumo ler em português (aqui tenho menos desculpa), o que só piora tudo.

Não são desculpas, são explicações. Espero que não tome os meus colegas de blogue por mim. Eles escrevem bem. E identificam-se.
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De jpt a 16.06.2019 às 12:17

I. Primeiro do que tudo, João André, saúdo o acto da discordância intra-blogal - se é a que saudação de alguém nojento tem algum valor.

Em segundo lugar, uma discordância, que é formal (pois de linguagem) mas também substantiva, pois produz sentido: eu não qualifiquei ninguém, apenas descrevi. É evidente que se eu disser de alguém que é "jornalista", "motorista" estarei a qualificar (socioprofissionalmente, e sobre as habilitações necessárias) mas também estarei a descrever - parcelarmente, pois uma actividade profissional não esgota as componentes de um indivíduo mas serve para a descrição.

Em terceiro lugar, um repúdio (que será em dois comentários), face a esta expressão que fundamenta o seu postal: "foi automaticamente qualificada por jpt como prostituta." O crime? Pelo que vejo, e isto é conclusão minha, ter tido a audacidade de acusar Ronaldo, já que no caso de Neymar a acusadora não recebeu igual rótulo."

V. decide uma conclusão sua, para isso atribui um sentido ao texto, e aponta-lhe uma intenção (subjacente?), cujo corolário é a sentença "nojento" sobre o autor. Como tal, e ainda sabendo que não reduzirei o nojo, porque deriva de um pressuposto seu, eu explico o meu repúdio:

a) como base: no rol de notícias que referi há várias sobre a mulher que acusou Neymar de violação. Não li essas ou outras notícias sobre o caso, apenas alguns cabeçalhos. Nesses nada li sobre a sua actividade profissional. Portanto será abusivo descrevê-la como algo mais do que "mulher" ou "brasileira". Nas imagens parece nova e como tal, e de acordo com os costumes implícitos - que nem surgem conscientes ao teclado -, não seria normal usar o "senhora" (até porque este termo literalmente respeitoso pode ter uma conotação sarcástica, pejorativa, neste tipo de atribuições a uma jovem, ainda para mais envolvida numa situação conflitual desta natureza). É perceptível porque não descrevo mais detalhadamente (ou não qualifico, para seguir a sua interpretação) a acusadora de Neymar?

Já no caso da acusadora de Ronaldo eu li várias notícias - ainda que não tenha lido o documento do Der Spiegel - e bastantes textos (de blog e no FB, onde foram múltiplos). E, sobre essas leituras, interpretei a situação profissional da acusadora. Não o fiz "automaticamente", como V. considera, fi-lo baseado nas leituras e na minha experiência prévia, biográfica e intelectual. Estarei errado? É possível, porventura provável. Mas não é algo automático, um "pre-conceito", um "pre-suposto", uma deficiência intelectual. Pode ser erro mas não é gorjeio de autómato.

b) dado que escrevemos no mesmo blog é provável que nos leiamos regularmente, pelo menos se há textos alheios sobre assuntos que nos convocam a suficiente atenção para que sobre eles escrevamos. Como tem um interesse suficiente (ou até veemente) sobre este caso, permito-me pedir-lhe que se recorde de algum texto meu aqui (em postal ou comentários) - e já nem falo do meu blog ou do És a Nossa Fé (no qual seria mais "normal" que tivesse escrito sobre o assunto - dado que blog muito centrado em futebol e seus agentes, e sportinguista) - em que eu tenha elaborado (seja com que sentido) sobre esta acusação a Ronaldo.

Eu gosto de Ronaldo, que me dá alegrias e aos portugueses. E que é exemplo de ética do trabalho. Espero que a acusação não seja verdadeira. Mas não sei o que aconteceu. Portanto resta-me desejar que a investigação policial e hipotético julgamento não conclua(m) que houve crime.

Essa é a minha parcialidade no caso. Já o escrevi várias vezes sobre outros casos, como cidadão não me sinto obrigado à "presunção da inocência", isto é para as instituições e para os seus agentes - por exemplo, e já que falamos de agentes do futebol, eu não posso proclamar que "o árbitro X é corrupto" (é crime de calúnia) mas sou livre de nisso crer. Mas em caso de acusação judicial os agentes deverão presumir a inocência. Ainda assim não apareci, com a (minha) habitual verborreia bloguista, a proclamar a inocência de Ronaldo: nada sei, apenas posso desejar que seja inocente.





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De jpt a 16.06.2019 às 13:13

II.

c) Penso que houve - e ainda há - um julgamento público, uns assumiram o crime como provado, outros o negam. Alguns em função do que leram, muitos do que presumem (do futebolista, do mundo do futebol, das mulheres, e da causa feminista). E que nesse julgamento popular há generalizada de uma condenação apriorística (e há também uma absolvição apriorística) que pede um "castigo exemplar" - e este furibundismo que apela a "castigos exemplares" está generalizado. Não só nas "redes sociais", como se diz. Há cerca de um mês quis escrever um postal, que depois deixei em rascunho e perdeu oportunidade, sobre o caso de uns estudantes de direito que afixaram um cartaz-rábula sobre pedradas aos colegas brasileiros. E o meu espanto face ao facto de que o Reitor da Univ. de Lisboa ter afirmado a necessidade de lhes aplicar um "castigo exemplar". Como se um reitor de uma universidade que tem uma prestigiada faculdade de direito, inserido num Estado de direito, possa pedir "castigos exemplares".

Isto é o que eu penso sobre o caso. Nada botei sobre isso porque botar sobre o assunto deixaria sempre espaço para interpretações como a sua, alheias ao sentido do texto, à minha vontade. Boto-o agora apenas para contextualizar o meu repúdio ao que V. me atira. Mas é evidente que não ter eu antes escrito algo sobre o assunto impeça que eu tenha agora botado atoardas nojentas.

d) Não aceito que todas as violações sejam iguais, o que é algo esquecido nos discursos denuncionistas. Como em todos os crimes há uma necessária contextualização. Mas compreendo que haja na actualidade uma necessária ênfase na exposição de alguns tipos de violação. Pois violar uma idosa (e espancá-la e roubá-la), como por vezes se lê com verdadeiro horror espantado, ou uma criança, ou mesmo uma mulher que passa na rua - e estou apenas a falar da violação heterossexual - convoca não só a condenação moral generalizada como a actuação das forças policiais e judiciais. Mas outros tipos de violação caem ainda numa grande aceitação social: em particular a conjugal e a sobre prostitutas, bem como a profissional (o "assédio sexual"), esta muitas vezes dessassociada a violência física explícita e portanto mascarável com um falso "livre-arbítrio". É certo que essa onda actual de denúncia sobre tipologias de violação até agora muito aceites leva a excessos: eu escrevi aqui um Viva Spacey e há pouco comentei sobre Woody Allen, personalidades que julgo serem vítimas de um radicalismo perigoso e injusto. Mas, e repito, compreendo a ênfase actual sobre tipos de violação que não sofrem o repúdio generalizado, que não têm sido reconhecidos exactamente como são: crimes.

e) Este anterior ponto é uma deriva para concluir: a acusadora de Ronaldo é apresentada como (ex-)modelo e cumpria funções laborais de "acompanhante" no estabelecimento (um hotel-casino, julgo que em Las Vegas). "Modelo" é muitas vezes (claro que nem sempre) um eufemismo (ou uma capa) para o trabalho de prostituição. "Acompanhante" também o é, e ainda de forma mais comum.

"Prostituta" é considerado um insulto - nos comentários ao meu postal há quem me invective por usar esse "rótulo" e quem me diga "grosseiro" e quem me pergunte o que quero significar com o "calão" e até quem me diga familiar de prostitutas. Mas, sendo certo que também tem esse sentido, é um termo que descreve uma actividade laboral. Surge, na história e na actualidade, em Portugal e no estrangeiro, como um termo jurídico e sociológico. Mais, como foi óbvio em tantos textos opinativos, e neste seu também isso é notório ainda que implícito, as pessoas têm uma visão tão moralista (desvalorizadora) da prostituição que consideram não só que ela é um "rótulo" mas que é também algo que presume uma unicidade pessoal: se alguém é prostituta então nada mais é. Ou, por outras palavras, se alguém é "modelo" então não é prostituta e vice-versa. De facto, a prostituição a tempo parcial é comum, muito mais do que essa ideia moralista presume. E é algo comum que se seja estudante e se façam trabalhos de prostituição, masculina e feminina, hetero e homo. Desde os meus tempos de liceu até hoje eu conheci algumas pessoas que cabem nessa conjugação laboral. É uma pobreza de pensamento sociológico refutar essa possibilidade.
(afinal há 3ª comentário em resposta)
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De jpt a 16.06.2019 às 13:54

Muito, mas mesmo muito, obrigado Maria Dulce Fernandes
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De Vento a 16.06.2019 às 13:38

Em minha opinião, jpt, V. deu demasiada explicação sobre matéria ideológica. Vivemos momentos em que se pretende fazer cosmética de tudo quanto é errado, sem dúvida para se pode branquear o próprio erro. Até se legisla e se persegue quem denuncia o erro.
Como exemplo: Recentemente o STJ brasileiro, pretendendo ultrapassar a constituição e querendo fazer prevalecer um hipotético interesse colectivo sobre o direito individual, cataloga e condena como homofobia a simples discordância dos que refutam princípios e direitos por esses defendidos.

Será matéria que não vinculará, por direito natural e constitucional, uma nação. E o estalinismo legal está aí para provocar discriminação social sobre aqueles outros que diz defender. Mas também para cada vez mais provocar uma sublevação social. Os "doutos" andam a brincar com o fogo, e admiram-se com a viragem que começa a ocorrer no mundo contra este tipo de perseguição a valores consolidados na antropologia social.
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De jpt a 16.06.2019 às 13:38

III.

f) o problema aqui é que parece necessário refutar a mera possibilidade de que uma acusadora de violação seja prostituta para sedimentar a credibilidade dessa acusação. Para si, como para tantos, dizer que alguém é prostituta implica negar-lhe credibilidade. Com toda a certeza que em tribunal (pelos menos nos filmes americanos) isso servirá de argumentação. Mas isto não é um filme, é apenas um tipo a escrever sem qualquer influência no resultado final de uma investigação.

E o que a sua invectiva - sociologicamente vácua e moralista - convoca é a ideia de que a) a prostituição é moralmente condenável, e nisso descredibilizadora; b) a elisão a violação das prostitutas - porventura as mulheres que mais sofrem violações e mais sofrem o ónus moral, aquilo do "que é que ela queria"/"teve o que merecia".

g) Desprezo alguém por ser prostituta/o? Rodopio chamando à actividade "obra de caridade para com os feios e os tímidos"? Ajudo, ombreio, aconselho até? Sou indiferente? E até: Sou ou fui cliente? Isso é a minha biografia e não sou compelido a explaná-la. Invectivo? Desvalorizo? Insulto? Descredibilizo? Isso já tem uma dimensão textual. Está em algo do que botei? Alguma vez?

Portanto, e para finalizar (pois não debaterei mais consigo este assunto), V. tem a sua percepção e a sua interpretação sobre este caso, e sobre o (excerto do) meu postal. Tem a sua retórica, as suas causas (legítimas), e a sua visão moral sobre a sociedade. Eu não partilho a sua retórica, não interpreto como V. e, com toda a certeza, não partilho a sua visão moral sobre estas dimensões da sociedade.

Em conclusão, V. pode atirar-me a sua superioridade moral. Eu não a reconheço. E reconheço, sem nojo mas com algum fastio, neste caso, nesta dimensão do social, a minha superioridade intelectual. Sublinho, só neste caso.

Despeço-me, sem o cumprimentar, pois não quero incrementar-lhe o nojo.
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De Cristina Filipe Nogueira a 16.06.2019 às 17:48

Subscrevo na íntegra as tuas respostas, jpt.
Felicito-te, ainda, pela elevação das mesmas.
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De João André a 16.06.2019 às 22:02

jpt, apesar da diferença de idades, já nos conhecemos pessoalmente num jantar há pouco mais de um ano e vou continuar um tratamento por tu que já na altura usei. Se preferires que não o faça, deixá-lo-ei.

Não te acusei de "nojento". Apontei que o bloguismo, neste caso, era de nojo. As palavras ficam com quem as profere e eu pensei bem na que escolhi. Porque foi assim que me senti com aquele ponto do teu post. Falo nas palavras porque são importantes, mas já lá chego.

Dizes que descreveste. Falso. Não descreveste. Rotulaste. Tal como seria um rótulo considerá-la jornalista porque apareceu em jornais (e provavelmente menos errado). Não surgiu uma notícia que eu tivesse visto que indicasse sequer ao de leve que Mayorga era prostituta ou acompanhante. A notícia do Der Spiegel (que é a única com um mínimo de profundidade que foi dedicada ao assunto) que não leste não permite sequer que se deduza tal ocupação. Não falo de um juízo de valor em relação à prostituição. Falo apenas do facto. Mayorga não é prostituta, pelo menos que se tenha reportado em meios mais fiáveis que notícias em segunda mão do Record, d'A Bola ou no Facebook.

Assim sendo temos duas hipóteses:
1. Tu és incapaz de fazer uma avaliação objectiva dos factos, tomas a árvore pela gaveta das meias e largas as palavras como se fossem migalhas de pão seco;
2. ou tu és a pessoa que me habituei a ler (e haitualmente a discordar) com opiniões devidamente reflectidas, informadas e com noção do valor das palavras. Por vezes impulsivo, mas raramente inconsiderado. Esta pessoa sabe o que escreveu e fê-lo conscientemente (o teu comentário reforça esta minha ideia).

Devido a 2., tenho dificuldade em aceitar o 1. Por isso tenho que interpretar o uso da palavra "prostituta" como completamente deliberada.

Chegamos então à importância das palavras. O uso da palavra "prostituta" neste conceito não é, não pode ser, inocente nem ingénuo. A palavra "jornalista", a palavra "professora", a palavra "lavadora" poderiam sê-lo, porque nada teriam de relevância para uma história que envolve sexo. Mas a palavra "prostituta" tem importância e qualquer pessoa com dois dedos de testa o compreende.

Não falarei dos méritos da acusação nem em quem acredito ou deixo de acreditar. Sobre isso escrevi o suficiente no meu post de então e nada surgiu entretanto que adicione à história. Escrevi apenas que escolheste chamar "prostituta" a Mayorga com base em mau jornalismo e em conversas de café.

Sim, pesou na minha consideração que és sportinguista e como tal idealizas a formação do teu clube (de onde veio Ronaldo). Também te imagino facilmente a defender Ronaldo numa reacção automática. Mas nem é isso que decidiu tudo: é o uso, completamente indefensável, da palavra prostituta numa tentativa de menorizar a acusação. Fingir o resto é gozar.

Por isso sim, aquilo causou-me nojo.

Já tu não és nojento. Isso é uma extrapolação sem sentido. Espero que eu não o seja, mas já fiz coisas que, olhando para trás, me causam algum nojo. Um mau acto não define uma pessoa. Mas não esperes que só por isso me cale. Mais criterioso serei para os colegas de blogue que para o exterior.
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De jpt a 16.06.2019 às 22:57

Eu disse que não continuaria este debate. E não continuo. Mas não há "tu" entre nós. Nunca mais.
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De João André a 16.06.2019 às 23:30

Ok, lamento que pense assim, mas respeito a sua preferência.
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De alexandra g. a 16.06.2019 às 12:18

Subscrevo, na íntegra.
Tanto quanto pude apurar (mesmo não tendo acompanhado na íntegra - a certa altura, desligo de "certas notícias"), Kathryn Mayorga fazia também este tipo de trabalho: marcar presença em festas VIP, não necessariamente como puta (raramente uso o termo prostituta, por considerar que acaba por se tratar de um eufemismo sendo que, afinal de contas, a crítica está sempre lá, manchando a pessoa em questão e sem provas que o corroborem).

Se quer alguém falar de putas, preocupe-se com as meninas (e meninos) atirados, quantas vezes pelos próprios pais, para a berma da estrada, aos 12, 15, 18 anos, que são encargo pesado na "família" e, sem habilitações, sem experiência laboral, o corpo, enfim, o corpo, esse têm-no.

É-se puta/prostituta, até mesmo por sair com amigos à noite e beber uns copos, rindo, convivendo (não só em Portugal) e, eventualmente, acabando a noite acompanhada, quando acontece.

Escrevo de uma vila pequena, tão 'grande' quanto o mundo que outros percorreram e têm o verbo fácil e o pensamento lento.





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De Isabel a 16.06.2019 às 19:39

E como se chama o homem que sai com amigas à noite e bebe uns copos, etc etc e acaba à noite acompanhado, quando acontece?
Nota: não fiz, não faço nem nunca quero fazer parte de nenhum movimento feminista.
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De Vento a 17.06.2019 às 00:25

Chama-se de amigão.
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De Sarin a 16.06.2019 às 12:51

O meu comentário das 11:00 tarda... o que me dá ensejo para deixar uma nota suplementar com este desabafo:

Se Mayorga deixou de ser modelo há muito, como diz João André, suponho que isso em nada esclarece a profissão ou profissões que exerceria à data e que são a base desta nova polémica.
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De João André a 16.06.2019 às 22:02

Não estive online entretanto. Tenha paciência Sarin, nem sempre dá.
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De Sarin a 16.06.2019 às 22:10

João André, compreendo perfeitamente - mas vi publicados comentários posteriores ao meu...

... e tendo já passado pela experiência de neste mesmo blogue ter tido comentários apagados - apagados, não com publicação atrasada - por questões não de tom mas, pasme-se!, opinião...

... pelo que supus poder ter o João André decidido atrasar a publicação do comentário por não ter apreciado o teor.
Lamento ter suspeitado de tal intenção, e aqui publicamente lhe deixo o meu pedido de desculpa.
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De João André a 16.06.2019 às 22:38

Os comentários dos outros autores do blogue são sempre automaticamente publicados (pelo menos nos meus posts), pelo que os do jpt seguiram de imediato. Os de resposta aos dele foram - presumo - aprovados pelo próprio jpt. Eu não o faço quando comento nos posts de outros colegas de blogue (deixo que os comentários de resposta aos meus sejam aprovados pelo autor do post) mas nada impede que outros o façam (e eu nada tenho contra iso).

Se aprovei algum comentário (antes do meu silêncio) antes do seu, terá sido apenas e só por não o ter notado. Desculpas não são necessárias
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De Sarin a 16.06.2019 às 23:26

Certo.
Talvez tenha o João André activado a dispensa de moderação a autores que segue, por exemplo, ou seja no DO predefinição por defeito. Não interessa, está esclarecido este ponto.
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De jpt a 17.06.2019 às 07:30

Que eu saiba não aprovei qualquer comentário neste postal - não o costumo fazer em postais alheios. A acontecer terá sido por lapso (às vezes acontece), até promovido pela similitude dos títulos dos postais, a dificultar a selecção dos comentários a publicar, como o senti. O comentário que surge em resposta aos meus foi da Maria Dulce Fernandes, co-bloguista e portanto automaticamente publicada, e outros dois que presumo posteriores. Mas se publiquei algum comentário aqui foi, repito, por lapso. E lamento-o, principalmente num contexto destes.
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De João André a 17.06.2019 às 09:13

Verdade, presumi mal (por não ter ido verificar as autorias, comentários a mais e tempo a menos). Peço-lhe desculpas pela presunção jpt.
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De Vento a 16.06.2019 às 12:54

Admitamos que sim, João. Tem lá alguma ofensa essa tal Mayorga ter sido considerada prostituta? Recordo-lhe que a prostituição neste avanço civilizacional neo-esquerdista e socialista foi elevada a uma grande categoria profissional: "profissionais do sexo".

Em conclusão, afirmar ser nojo ou nojento o facto de alguém aludir a uma profissão considerada tão respeitável - como se pode verificar por tantos comentários e até pelo discurso político - é denegrir a imagem e o estatuto da profissão.

Pouco me importa o que se passa em torno das personagens envolvidas, pois é matéria de justiça, se ela ainda existir.

E falando de justiça, Jesus disse:
“Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (Mt 21, 31)
Significa isto que a dignidade da pessoa em qualquer altura se sobreporá à indignidade da e na actividade, acabando a primeira por derrotar esta última (os primeiros, os publicanos, são ladrões. Eram os que se dedicavam à colecta de impostos sem conta e sem medida; e as segundas, por qualquer circunstância da vida, ficavam socialmente reféns desta mesma condição).

Nesta afirmação de Jesus, distingue-se entre amar o pecador e rejeitar o pecado. Amar o pecador não significa promover o pecado a nobre profissão, mas tirar o pecador do lodo. Leva o nome de conversão, mudar de sentido. Amar é acção e não palavras.
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De Vento a 16.06.2019 às 20:37

Consolo dos pobres, sim:
https://www.youtube.com/watch?v=7zdCvTmovU8

Das entranhas dos "ricos" nenhuma lepra sairá.

O mundo é um livro, e quem fica sentado em casa lê somente uma página. É fácil pensar com a cabeça dos outros. Só os caminhantes entendem o que Deus é: movimento e repouso.

"Bem- aventurados os mansos, porque herdarão a terra".

A matéria não é para alienados e conformados. Só os livres a entendem.
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De Corvo a 16.06.2019 às 20:55

Jesus disse:
Ama a todos por igual.
Corvo acrescenta:
Ama! mas faz por não seres apanhada.
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De Vento a 16.06.2019 às 21:43

Compreendo a ironia. O amor Universal não obriga a amar qualquer coisa, mas a pessoa em concreto. Este amor não ama por igual, dá-se igualmente de acordo com a condição. Liberta todos por igual, mas não igualmente. A cada um segundo sua necessidade.
Mas só se ama quem se deixa amar.
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De João André a 16.06.2019 às 22:23

Não nos façamos de ingénuos Vento. A prostituição não tem (ou não devia ter) nada de mal. No entanto são as próprias na maioria dos casos a dizerem que prefeririam a não o ser. Quando têm que vender o corpo, o sentido de dignidade sofre.

Não é isso que me motiva aqui, no entanto. Foi a escolha da palavra "prostituta" para se referir a uma pessoa num caso que envolve sexo.
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De Vento a 16.06.2019 às 22:54

Meu caro João, sabe bem que o estimo. Mas vamos lá ao conteúdo:
a mocinha levou ou não levou uma pipa de massa por acordo entre as partes? Levou!
Se levou essa pipa de massa (USD 375.000), então, e se a questão era a honra e o suposto crime, porquê tanta manobra? Não se esqueça que a queixa foi retirada:
https://noy.com/pt/news/25/post/1332885/+Mesmo+sem+queixa%2C+processo+de+Mayorga+contra+Ronaldo+continua+

Sobre a prostituição: Tem sim muito de mal. Tanto que tem que são as próprias - como refere - que afirmam que não gostariam de o ser. Portanto, não sejamos ingénuos a promover a estatuto profissional uma actividade que tira a dignidade à pessoa. Neste sentido, prostituição não é profissão, é abandono. Abandono da responsabilidade por parte da sociedade, do Estado. Outra(o)s gostam, por vários motivos. Mas a opção não atribui qualquer virtude à actividade.

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