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A mó de baixo

por Luís Naves, em 02.09.18

Parece ser uma daquelas regras absurdas da vida, mas quando uma pessoa está na mó de baixo recebe sempre mais críticas, seja de desconhecidos, de familiares ou de amigos com boas intenções. Dizem eles que deve haver alguma coisa de errado com alguém que pareça um óbvio fracasso: esforços inúteis, esforços insuficientes, ilusões ou caminhos que não dão em nada. Enfim, algo estará errado, e então aparecem aqueles conselhos que já foram explorados, aquelas observações que já foram pensadas, as ligeiras críticas veladas que mandam a auto-estima ainda mais abaixo. Não tens qualidades para o que tentas fazer ou vives numa estúpida mania de grandezas, enfim, não te sabes avaliar e quando insistes num plano estás a bater com a cabeça na parede. Se a tua vida é um buraco, então pára de escavar, dizem os amigos; se não funciona este caminho, não insistas, mas por outro lado não fiques a dormir a sesta, à espera que os teus problemas se resolvam sozinhos, embora isso (no teu caso, mas só no teu caso) não seja inteiramente má ideia, pois é preferível não dares nas vistas, fingires que está tudo bem, sorrires e confiares. A mó de baixo é culpa de quem lá está, portanto, é culpa tua. Para ti, a fasquia estará sempre mais alta, pelo menos até deixares de ser um desgraçadinho. Ah, e não critiques ninguém, pois no teu caso só pode ser inveja.


11 comentários

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De Maria Antonieta a 02.09.2018 às 14:37

Grande texto! Não vim propriamente para comentar, avaliar, dissecar...só me pronuncio para dizer o quanto me disse este belo escrito e o quanto concordo com o que foi escrito.
Leio tudo, ou quase tudo, o que se escreve no 'Delito...' porém, em virtude de uma má experiência, em que o autor não soube entender o que escrevi - ou terei sido eu que não me soube expressar - desisti de comentar tudo o que aqui leio.

Obrigada, Luís Naves.
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De Anónimo a 02.09.2018 às 16:13

Regra básica de sobrevivência: não te ponhas a jeito
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De Maria Antonieta a 02.09.2018 às 20:56

Pôr a jeito é, 'seu' anónimo cheio de coragem? Pois fique a saber que nenhuma das pessoas que aqui comentou entendeu este texto...como eu o entendi!

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De Anónimo a 03.09.2018 às 20:11

Ninguém passa incólume pela vida mesmo que tenha nascido em berço de ouro. Se atingir a maturidade vai sempre sofrer perdas, frustações, sofrimentos...
Qual a postura? Vitimização?
No silêncio o sofrimento ecoa, no silêncio quem sabe dá a mão. O resto é espetáculo e compete a cada um crescer como ser humano.
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De Anónimo a 02.09.2018 às 17:45

O Medo dos Bárbaros

As pessoas vivem vidas confortáveis no constante receio de brotar do caos um elemento que possa virar o barco onde viajam sentadas. Devemos defender as nossas cidades e erguer muralhas bem fortes. Teoricamente temos pena dos pobres, até enfrentarmos um verdadeiro pobre. A miséria não é para sentir ou cheirar, é para admirar à distância, como quem observa a diversidade no jardim zoológico, lugar de exibição que apenas serve para confirmar a superioridade da nossa própria espécie. Assim, o que vemos na televisão
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De Pedro a 02.09.2018 às 20:29

O medo pobre dos finos:

A minha avó ficou sem as poupanças em virtude, não de um pobre, mas de um gentil homem.
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De Pedro a 02.09.2018 às 17:50

Até que enfim, estamos de acordo!

No fundo o que penso que quer dizer, em jeito de crítica, é que para maioria não existem vítimas apenas vitimização e auto-complacência.
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De Rão Arques a 02.09.2018 às 19:58

Isto sempre andou tudo trocado e esta mesmo velha continua toda atual.
Antes quero que me chamem filho daquela mãe do que pobre coitadinho.
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De sampy a 02.09.2018 às 20:41

E de repente deu-me vontade de voltar a folhear o Livro de Job...
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De Anónimo a 02.09.2018 às 21:56


…/ …

O Medo dos Bárbaros

… Assim, o que vemos na televisão sobre deserdados funciona como os documentários da National Geographic, a cores, em alta definição, suficientemente exótico e distante para nos interessar. Não gostamos da realidade, apenas da irrealidade. Os bárbaros são os diferentes; nós somos os indiferentes. Amontoamos belas palavras sobre a dor das vítimas, a inépcia dos desadaptados, mas queremos os nossos direitos e ficamos espantados quando os miseráveis não se levantam da sua miséria.

Assisti ontem a uma cena interessante, mas sem moral ou sentido do qual se possa tirar uma conclusão: um homem de aspecto miserável, pedinte mal-cheiroso, estendia a mão ao fundo das escadas da boca do metro, abrigado da chuva miudinha. A funcionária do metropolitano veio imediatamente e mandou-o sair dali. Que fosse estender a mão à chuva.

Na véspera, aquela mesma funcionária estivera em greve, a defender os seus direitos.


Luís Naves -In Delito de Opinião
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De Diogo Moreira a 03.09.2018 às 10:00

Nos lugares mais recônditos da nossa existência, não há amigos nem inimigos. O encontro com o vazio interior é algo tão avassalador, que tudo minga até parecer inexistente - nem o Sol brilha, nem os odores são sentidos, nem o calor humano do apoio das pessoas mais próximas consegue penetrar.

Nesta situação, o aconselhável é procurar apoio de pessoas credenciadas para o efeito. Não existem Super Homens - mas, mesmo que existissem, também precisam de ajuda externa para se afastarem da criptonite.

Desejo-lhe as melhoras, Luís. O combate intelectual pode sempre ficar para outro dia.

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