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A luta de Pedro Sánchez contra o Vale dos Caídos.

por Luís Menezes Leitão, em 09.07.18

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Visitei o Vale dos Caídos na minha adolescência. Guardo a recordação de um lugar impressionante, onde a memória da guerra civil se encontra sempre presente, com os túmulos de Franco e Primo de Rivera lado a lado. Franco, mesmo depois de décadas a governar Espanha, quis ser enterrado no Vale dos Caídos, querendo que a posteridade o recordasse apenas como o vencedor da guerra civil espanhola. Parece que quando morreu propuseram um brinde a Felipe González, que respondeu não ter qualquer prazer em festejar a morte de um único espanhol. Mas Pedro Sánchez, o imitador de Costa, é pequeno de mais para gestos destes. Como se não lhe bastassem os conflitos da Espanha actual, acha que deve é bater em mortos e ajustar contas com o passado. D. Quixote e a sua luta contra os moinhos de vento continua a representar bem o espírito espanhol. Pelo menos dos socialistas lá do burgo.

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37 comentários

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De jo a 09.07.2018 às 20:03

" é bater em mortos e ajustar contas com o passado"
É para isso mesmo que o monumento serve:
Louvar os vencedores da guerra civil e esquecer os mortos que ela provocou no outro lado. Se isso não é bater em republicanos mortos, não sei o que será.

O monumento não apareceu ali, nem é fruto do acaso, foi colocado com um propósito ideológico.
Podemos sempre louvar Franco por ter afastado a besta do comunismo, mas não sem louvar a besta do franquismo.
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De Anónimo a 12.07.2018 às 14:52

Se por "besta do comunismo" se refere a uma república democrática...
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De Anónimo a 09.07.2018 às 20:15

Que opinião terá Sanchez sobre o que aconteceu, nesse 936/939, num sítio chamado Paracuellos del Jarama ?
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De Anónimo a 09.07.2018 às 20:24

Mas o Luís agora passou para o lado espanholista? Veja lá se não quer sugerir trasladar o corpo do Salazar para o Panteão Nacional.
Quanto ao Franco, eu sugiro que se deposite os restos mortais numa vala comum e sem revelar à família o paradeiro dos mesmos. Como os franquistas fizeram com os mortos republicanos.
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De Luís Menezes Leitão a 10.07.2018 às 07:17

Eu de espanholista não tenho nada. Mas ainda menos tenho vontade de ajustar contas com mortos. Já os clássicos diziam que "mors omnia solvit": a morte desfaz tudo e encerra igualmente as contas que existissem. Mas estes políticos de esquerda têm sempre a propensão para atacar os mortos. Em 1975 também se falou em Portugal de desenterrar Salazar e fazer um julgamento dele de corpo presente. Teria sido um espectáculo único.
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De Anónimo a 10.07.2018 às 17:36

Mussolini teve um julgamento de corpo presente. Nada contra.
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De Pedro Correia a 10.07.2018 às 20:48

O Ceausescu também. E o Kadafi.
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De Anónimo a 10.07.2018 às 21:18

O julgamento do Kadafi até teve a Sr.ª Clinton a rir-se.
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De Anónimo a 10.07.2018 às 21:22

O Kadafi não era aquele senhor a quem sucedeu o Daesh? É que depois de Mussolini e de Ceausescu veio a democracia...
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De O Gajo a 09.07.2018 às 21:57

Vale dos Caídos é uma homenagem à ditadura espanhola e uma afronta aos caídos pela causa da liberdade republicana e democrática.


Imaginemos, na Alemanha um monumento funéreo, a Hitler, ou em Santa Comba, a Salazar. Assim é o Vale dos Caídos para a Espanha! Uma vergonha!

Trata-se de um lugar arquitetonicamente impressionante, ou não fossem as Ditaduras, e os regimes Totalitários , os regimes preferidos dos artistas. A Arte como Propaganda. A Propaganda do Eterno releva da ideia eterna, imutável, grandiosa destes regimes. Regimes de Emoção, de Irracionalidade, em contraposição às Democracias Cientificas Racionais.


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De Luís Menezes Leitão a 10.07.2018 às 07:21

A arte é a arte e ponto final. A glorificação dos ditadores em monumentos é comum e não passa de uma herança do passado. Iríamos também em Portugal deitar abaixo a estátua do Marquês de Pombal, seguramente o maior déspota que Portugal já teve? Ou enterrar Vasco da Gama em vala comum, face à sua responsabilidade em inúmeros massacres na Índia? Em vez de se preocuparem com os fantasmas do passado, fariam melhor em reagir contra as ameaças do presente.
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De O Gajo a 10.07.2018 às 08:30

Devemos avaliar os homens sombrios à luz do seu tempo. E Franco, ao contrário dos outros, é uma sombra do nosso tempo. Vasco da Gama e outros são produtos de tempos diferentes.

Luís para quando sugestão literárias romanas? Juliano, Plutarco. ....
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De Luís Lavoura a 10.07.2018 às 14:57

A glorificação dos ditadores em monumentos é comum e não passa de uma herança do passado.

Pois, mas não convem que essa glorificação seja feita cedo de mais. Caso contrário, quando vem a Viradeira os monumentos são destruídos. As heranças do passado nem sempre são inocentes.

Veja-se os monumentos a Lenine ou a Saddam Hussein, por exemplo. Lenine por acaso tem sorte de ainda estar na Praça Vermelha e guardado por soldados... O Luís Menezes Leitão não acha isso um anacronismo, que Lenine ainda esteja onde está?

Seja como fôr, o Vale dos Caídos não é um monumento a um ditador, é um memorial aos mortos numa guerra. Não tem qualquer cabimento estar lá quem não morreu nessa guerra.
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De Anónimo a 10.07.2018 às 17:41

Falando em Vasco da Gama, recordo-me que no último 10 de Junho Catarina Martins fez um tweet sobre o colonialismo e a escravatura e muitos trolls profissionais, dos lados mais sombrios da Internet, revelaram-se bastante ofendidos por lerem verdades históricas.
Aqueles que tanto se queixam de um tal "politicamente correcto" (whatever that means) acabam por ser do mais politicamente correcto que há.
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De João Pedro Pimenta a 11.07.2018 às 18:44

Isso da "liberdade republicana e democrática" é que já é mais difícil de engolir. Boa parte, se não a maioria, dos que lutavam no campo republicano não eram muito dados à democracia e menos ainda à liberdade.
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De Anónimo a 12.07.2018 às 14:53

O João Pedro Pimenta andou a aprender história no Youtube, está visto.
Quem não era dada à democracia era a sua mãe.
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De João Pedro Pimenta a 12.07.2018 às 22:38

Qualquer pessoa que saiba minimamente algo sobre a guerra de Espanha e não seja desonesta sabe que boa parte dos republicanos eram tão carniceiros como os franquistas, ou ainda mais. A minha mãe é dada à democracia, obrigado, e ensinou-me entre outras coisas a dar a cara. Nem toda a gente pode dizer o mesmo. A propósito, quando é que deixa de se esconder?
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De Anónimo a 13.07.2018 às 18:40

Sim, os republicanos mataram fascistas. Do mesmo modo que os ingleses, os franceses e os americanos mataram fascistas. E, tendo em conta o resultado da guerra civil, mataram poucos fascistas. O que resultou em Espanha continuar a ser um país tão atrasado como Portugal e oitenta anos depois o Estado Espanhol ainda não condena o fascismo, sendo o único país da Europa em que isso acontece.
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De João Pedro Pimenta a 15.07.2018 às 23:01

Tanto condena que até promulgou a Lei da Memória Histórica e nomes e estátuas do regime franquista foram retiradas dos seus lugares.
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De Anónimo a 10.07.2018 às 01:42

Pedro Sanches vs Monarquia Católica Espanhola !!! Franco restaurou a Monarquia Católica de Espanha !! Franco deu ao Reino Católico de Espanha umas Forças Armadas para proteger o Rei Católico de Espanha....Sanches vai ser preso como o...o "refugiado" alemão da Catalunha...A Alemanha Protestante também vai dar abrigo a Sanches !!!??? o Governo de Portugal vai ser aliado dos Daesh Sanches na Peninsula Ibérica....Sanches...tão Humanista com Islão e a fazer voz grossa para com o Poder Católico do Patriarcado de Espanha !!! Franco foi aliado do Patriarcado Espanhol contra os ventos Comunistas que assolavam o Reino Espanhol com decapitações de membros do Clero Espanhol...
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De Anónimo a 10.07.2018 às 14:45

Um psiquiatra precisa-se face a este comentário.
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De Luís Lavoura a 10.07.2018 às 10:50

Sánchez tem razão, porque Franco não lutou e, muito menos, perdeu a vida na Guerra Civil. Franco esteve sempre longe do campo de batalha e morreu na cama muitos anos depois da guerra, sem nunca ter sido sequer ferido nela. Não tem qualquer cabimento que esteja sepultado ali.
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De Luís Menezes Leitão a 10.07.2018 às 22:29

Franco não lutou na guerra civil? Então quem é que chefiou o exército nacionalista? Isso é a mesma coisa que dizer que Montgomery não lutou na II Guerra Mundial.
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De Anónimo a 10.07.2018 às 23:05

Franco lutou na Guerra Civil do mesmo modo que Bush lutou na Guerra do Iraque.
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De Luís Menezes Leitão a 11.07.2018 às 07:27

Bush não era militar. Franco era. E esteve à frente das tropas.
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De Luís Lavoura a 10.07.2018 às 11:33

Da wikipedia:

"According to his family, Franco did not want to be buried in the Valley, but in the city of Madrid."

"Before his death, nobody had expected that Franco would be buried in the Valley."

"Franco is the only person interred in the Valley who did not die in the Civil War."

"In 1975, after Francisco Franco's death, the site was designated by the interim Government [...] as the burial place for Franco."

Acho que isto é elucidativo sobre os bons fundamentos de retirar o túmulo de Franco dali.
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De Luís Menezes Leitão a 10.07.2018 às 22:30

Já lá está desde 1975. Não há nenhum motivo para sair quatro décadas depois. Lenine também continua na Praça Vermelha.
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De O Gajo a 10.07.2018 às 23:14

O Lenine está lá porque não tem onde cair morto. Que seja o Franco a decidir. Ainda aposto que querem transformar o Vale dos Caídos num Alojamento Local.
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De Luís Menezes Leitão a 11.07.2018 às 07:28

Desde 1975 que Franco já não decide nada. E também não tem onde cair morto.
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De Luís Lavoura a 11.07.2018 às 10:45

Você usa o exemplo de Lenine mas sabe perfeitamente que Lenine só está na Praça Vermelha por um fio, já mais do que uma vez se falou em tirá-lo de lá. Aliás Lenine é um péssimo exemplo.
O problema da Franco é precisamente que em 1975 o Estado espanhol não sabia onde o enterrar e puseram-no no Vale dos Caídos por ser uma solução "nem carne nem peixe". Ao porem-no lá estavam de alguma forma a homenageá-lo sem o homenagear. Recorde-se que em 1975 a Espanha fez uma difícil transição, em que deixou de ser uma ditadura sem no entanto renegar o antigo ditador, que ainda tinha muitos adeptos. Em 1975 Espanha não queria dar um túmulo nobre a Franco (isso seria homenagear o ditador, o que era inaceitável), mas também não queria que ele tivesse um túmulo vulgar (isso seria violentar os partidários da ditadura, que ainda eram muitos e poderosos), por isso pô-lo no Vale dos Caídos.
Mas agora já não estamos em 1975 e Franco já pode ser posto onde deve, ou seja, entregue à família, que lhe faça o que quiser.
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De Anónimo a 10.07.2018 às 13:01

"A toro pasado...".
Cobardia , hipocrisia e oportunismo ( posição mais que periclitante nas Cortes) de mãos dadas.
Mesmo tendo bem presente a impossibilidade de combater a propaganda e a aldrabice total e "pulhiticamente" correcta que deram origem à "verdade" oficial e concomitante ignorância ( Guernica / Ignacio Sánchez Mejia, por exemplo...), atrevo-me a sugerir dois títulos :
-"Los Mitos de la Guerra Civil", de Pio Moa
-"Porque la Republica perdió la guerra", de Stanley Payne.
Como complemento, "Años de Hierro" do mesmo Moa , um dos historiadores residentes do "Index" progre espanhol...



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De Vento a 10.07.2018 às 21:49

A estupidez a que se assiste é precisamente pretender apagar a história.
Vale dos Caídos é monumento à memória e não ao franquismo. A história é o que é. Da memória cada um faz o que lhe aprouver, mas não a pode apagar. Trasladem antes os republicanos mortos para esse local.

Hitler só não tem monumento por ter perdido a guerra. Mas os diferentes campos de concentração são precisamente a memória que Hitler deixou. Mas não só: o muro de Berlim que se ergueu e a mortandade semeada um pouco por todo o mundo.
Acontece que Hitler não tem monumento, mas a memória é bem maior que os monumentos.
Deixem-se de tretas quanto aos restos de Franco, porque este nunca será esquecido. E o que fez, para o bem e para o mal, nunca será esquecido.
Lisboa também tem uma ponte a que dão o nome de 25 de Abril. Mas a ponte mostra a obra do salazarismo.
Se há algo que os ditadores fazem bem é a construção da memória. Marquês de Pombal também o soube fazer.
Alguém pode imaginar o Chile sem Allende e Pinochet?
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De O Gajo a 11.07.2018 às 12:47

Os Campos de Concentração não são monumentos de exaltação. Nada neles existe de grandioso, exceptuando o cheiro. Vale dos Caídos tem outra natureza, outro propósito
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De Vento a 11.07.2018 às 21:02

Vale dos Caídos só exalta os exaltados. É memória tal como os campos o são. E olhe que estes teve bastantes exaltados a aprová-los. Quer destruí-los pelo facto de ter sido Hitler a ordenar a construção?
Meu caro, a história é feita disto. Ninguém pense que apaga a memória. Não adianta fazer caça às bruxas.
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De Vento a 11.07.2018 às 21:04

Vale dos Caídos só exalta os exaltados. É memória tal como os campos o são. E olhe que estes teve bastantes exaltados a aprová-los. Quer destruí-los pelo facto de ter sido Hitler a ordenar a construção?
Meu caro, a história é feita disto. Ninguém pense que apaga a memória. Não adianta fazer caça às bruxas.
Nota: Substitua-se teve por tiveram.
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De Anónimo a 12.07.2018 às 14:09

"Parece que quando morreu propuseram um brinde a Felipe González, que respondeu não ter qualquer prazer em festejar a morte de um único espanhol."
Não admira que Felipe González não tivesse comemorado a morte do maior genocida da história espanhola quando Felipe González foi o fundador dos GAL.
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De O Gajo a 12.07.2018 às 14:37

Torquemada superou Franco

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