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Delito de Opinião

A longa cauda dos custos da tempestade

João André, 17.02.26

Sendo eu originalmente de Leiria e tendo lá família e ainda muitos amigos, tenho acompanhado a situação na região com apreensão. Não recuperarei as muitas descrições ou imagens da devastação que a(s) tempestade(s) causou (causaram). Apenas penso no "e agora?".

Não sou nenhum especialista em questões de seguros mas já houve quem me dissesse que os seguros, mesmo quando supostamente são "contra todos os riscos", explicitamente excluem catástrofes naturais. Não sei se assim o é. Se o for, veremos muitos pedidos ao estado para ajudar, além daqueles que já são de esperar para recuperação de infraestruturas ou propriedades públicas.

Mas mesmo que os seguros e o estado paguem todos os custos, há um que não escapará e causará uma grande depressão na zona: o buraco económico. Há muitas empresas - e aqui a zona mais fácil de referir é a Marinha Grande e a sua indústria dos moldes - que terão os seus clientes, que enviam as suas encomendas. Ora a devastação deixou claro que muitas empresas não as poderão honrar. Os contratos terão certamente cláusulas de força maior para evitar pagar pelo não cumprimento, mas os clientes não deixam de precisar dos produtos e irão a competidores, provavelmente noutras partes do mundo, para os obter. E, como a minha experiência comercial me diz, não voltarão aos fornecedores antigos tão depressa.

Sim, há árvores destruídas, edifícios danificados, equipamento a necessitar de substituição. Mas quando tudo isso estiver recuperado, faltarão as encomendas. Os custos destas tempestades não acabarão quando a última telha tiver sido colocada. Irão provavelmente estender-se por muitos anos.

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