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A linha invisível

por Diogo Noivo, em 31.01.20

A 7 de Junho de 1968 a Europa estava com os olhos postos no outro lado do Atlântico. As cerimónias fúnebres de Robert Kennedy, senador norte-americano e irmão do antigo Presidente John Fitzgerald Kennedy, captavam o interesse da generalidade da imprensa mundial. Mas, nesse mesmo dia, do lado de cá do oceano, ocorreu um facto que mudaria para sempre a história do País Basco e de Espanha: a organização nacionalista basca ETA matou pela primeira vez.

Txabi Echebarrieta e Iñaki Sarasketa, ambos membros da ETA, viajavam num carro roubado pela estrada Nacional I Madrid-Irún. Tinham como destino Beasáin, em Guipúscoa, localidade onde receberiam um carregamento de explosivos. Por força de obras na via, tomaram um desvio pela estrada local de Aduna, também na província guipuscoana, onde passaram por uma operação de controlo de tráfego da Guardia Civil composta por dois militares em motociclo. Porventura por ter associado o carro a uma informação interna sobre uma viatura roubada, José Antonio Pardines, um dos gendarmes, seguiu-os e deu-lhes ordem para parar. Estacionou a motorizada em frente ao carro e pediu a documentação aos dois ocupantes. Após detectar irregularidades foi alvejado cinco vezes no torso.

O cadáver foi encontrado com o coldre da arma de serviço fechado, o que demonstra que Pardines foi surpreendido - facto, de resto, corroborado por análises forenses e testemunhos. Ao contrário da versão divulgada pela propaganda etarra, o jovem Guardia Civil de 25 anos não morreu numa troca de tiros, mas foi executado a sangue-frio. A 7 de Junho de 1968 a ETA decidiu atravessar a linha que separa aventureirismo e terrorismo para dar início a uma espiral de violência que só terminou em 2018.

A história do primeiro homicídio terrorista da ETA foi agora adaptada à ficção televisiva na série 'La Línea Invisible', a estrear em Abril no serviço de streaming da Movistar. Teve como consultor o historiador Gaizka Fernández Soldevilla, um dos mais prolíficos e rigorosos investigadores da história do terrorismo nacionalista basco, autor de vários artigos e livros, entre os quais a primeira monografia dedicada ao caso de José Antonio Pardines. O trailer é sugestivo e a série um dos acontecimentos televisivos do ano em Espanha. A não perder.


4 comentários

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De Anónimo a 31.01.2020 às 13:48

Ansioso por ver.
Estará ao nível de "El Lobo"?
Com António de La Torre e Ana Castilo a serie promete.
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De Diogo Noivo a 31.01.2020 às 14:01

Deverá superar "El Lobo". Sobretudo, espero que não incorra em muitos erros históricos - mesmo quando os consultores são bons, as liberdades criativas da ficção à vezes abusam...e no trailer já detectei algumas imprecisões. Enfim, que não sejam graves. E sim, a série tem um bom elenco.

Por falar em Antonio de la Torre, sugiro "Que Dios nos Perdone" (2016), título retirado de um fado bem português, que serve de banda sonora à película. Bom, e "Tarde para la Ira" (2016), claro.
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De Antonio Coelho a 31.01.2020 às 15:12

Já vi os dois. Só me falta ver o "El reino" e "La trinchera infinita"
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De Diogo Noivo a 31.01.2020 às 15:18

"El Reino" decepcionou-me um pouco, António. Talvez culpa minha, que ia com as expectativas elevadas.
"La Trinchera Infinita" está pendente. Ao ser ser dos mesmos realizadores de "Loreak" e "Handia" dificilmente será um mau filme.

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