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Delito de Opinião

A liberdade mantida em cativeiro

Paulo Sousa, 21.04.21

Nas notícias tornou-se assunto o impedimento de participação da Iniciativa Liberal no desfile do 25 de Abril.

A Associação 25 de Abril, que como o nome indica advoga-se dona desta data, não permite que este novo partido seja incluído no passeio pela avenida. A desculpa é a pandemia e as limitações que esta impõe. Além disso, justifica-se a referida Associação, o pedido da IL foi apresentado em cima da hora.

Assim a participação fica limitada às seguintes entidades:

 

  • Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRE!)
  • Associação Conquistas da Revolução (ACR)
  • Associação de Combate à Precariedade
  • Precários Inflexíveis (PI)
  • Associação de Exilados Políticos Portugueses (AEP 61-74)
  • Associação Iniciativa Jove
  • Associação Intervenção Democrática (ID)
  • Associação José Afonso (AJA)
  • Associação “Os Pioneiros de Portugal”
  • Associação Política de Renovação Comunista
  • Associação Portuguesa de Deficientes
  • Associação Portuguesa de Juristas Democratas
  • Associação Projecto Ruído
  • Bloco de Esquerda (BE)
  • Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL)
  • Comissão da Juventude da UGT
  • Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN)
  • Confederação Nacional de Organizações das Pessoas com Deficiência (CNOD)
  • Confederação Nacional de Reformados
  • Pensionistas e Idosos (MURPI)
  • Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD)
  • Consciência Negra,Conselho Nacional da Juventude (CNJ)
  • Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC)
  • Ecolojovem “Os Verdes”
  • Frente Anti-Racista (FAR)
  • Interjovem-CGTP
  • Jovens do Bloco
  • Juventude Comunista Portuguesa (JCP)
  • Juventude Socialista (JS)
  • LIVRE
  • Manifesto em Defesa da Cultura,Movimento Cívico Liberdade e Democracia (MICLeD)
  • Movimento Cívico “Não Apaguem A Memória!” (NAM)
  • Movimento Democrático de Mulheres (MDM)
  • Movimento dos Utentes de Serviços Públicos (MUSP)
  • Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio-Oriente (MPPM)
  • Partido Comunista Português (PCP, Partido Ecologista “Os Verdes”(PEV)
  • Partido Operário de Unidade Socialista (POUS)
  • Partido Socialista (PS)
  • União Geral dos Trabalhadores (UGT)
  • União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP)

 

A existência de algumas destas entidades era por mim desconhecida até hoje, mas o facto de terem passado pelo filtro da Associação 25 de Abril, quando um partido com representação parlamentar não o conseguiu, é algo que não pode deixar de ter significado político.

A falta de senso, de sentido democrático e até de tolerância, que este impedimento de participação encerra, mostra bem a forma como estes senhores funcionam. Quando fomos governados por um governo que não era da cor deles, como quem nega a legitimidade da data fundadora do regime, recusaram-se eles mesmos a participar nas celebrações do 25 de Abril. Se a isso juntarmos o silêncio imposto à evocação, que fosse, do 25 de Novembro na AR, e às recorrentes declarações de Vasco Lourenço, é fácil de concluir que estes senhores são tão democratas como democrata era a RDA.

A liberdade em Portugal está refém da esquerda.

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