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A visão estratégica e a capacidade de actuar num prazo alargado do regime autoritário chinês constituem a maior ameaça à liberdade do mundo ocidental.

A China é implacável na aniquilação da oposição interna e simultaneamente comporta-se nas relações internacionais de uma forma respeitável. Nestes tempos da caótica e imprevisível administração Trump, a ditadura chinesa chega por vezes a parecer o garante do multilateralismo.

Perante as inquestionáveis dificuldades que as democracias liberais atravessam, a aparente ordem e previsibilidade dos regimes autoritários consegue atrair simpatias. Uns sugerem que a democracia deveria ser suspensa por seis meses, outros chegam mesmo a suspender parlamentos. Pouco a pouco, o que há meia dúzia de anos seria impensável, já é um facto.

O sistema de crédito social chinês, que pune os cidadãos não conformes e premeia os restantes, constitui o mais sinistro sistema de controle de massas de que há memória.

Dezenas de milhares de chineses foram impedidos de adquirir bilhetes de comboio ou avião durante a celebração do ano novo chinês simplesmente porque, de uma forma ou de outra, tinham ultrapassado o limite que os donos da moral consideram que não pode ser pisado. Uns por terem sido críticos do regime, outros por terem sido desagradáveis durante uma viagem de comboio, por não pagaram um dívida ou por fizeram ruído no prédio fora de horas,... os desvios são punidos.

É sabido, embora desconhecido no detalhe, a dimensão do exército de fiscais do mundo virtual chinês. São conhecidas as dificuldades levantadas aos gigantes das novas tecnologias para terem acesso ao mercado chinês. Refiro-me à Google, Facebook, Amazon, etc. A questão resume-se a terem de ajustar as suas prácticas aos ditames dos donos da moral chinesa. Ou se flexiblizam ou perdem o acesso a um mercado de mais de mil milhões de consumidores.

São diversas as fontes que referem e descrevem em detalhe como tudo funciona assim como as consequências para os desalinhados.

Vem isto para enquadrar dois exemplos que passo a relatar.

i) Há poucos dias o Público veio-nos dizer que afinal talvez esse sistema não exista. A jornalista entrevistou alguém que por sua vez questionou alguns chineses que lhe disseram desconhecer ´essa coisa´, mas ... a ideia até lhes agrada por permitir livrar o país dos corruptos.

Ao ler isto cheira-me que alguém andou a fazer uma investigação sobre um assunto, mas já sabia a que conclusão iria chegar e isso poderá ter condicionado os dados que recolheu. Cheira-me a desinformação, talvez até involuntária, mas a desinformação.

ii) Não há muito tempo, na cavaqueira com alguém que tinha acabado de conhecer e que rapidamente entendi ter um profundo sentido da política, ouvi a enormidade de que a China tinha demasiada população para que alguma vez pudesse vir a ser uma democracia. Tive de lhe perguntar em quantos milhões é que ia esse limite, até porque a Índia que a médio prazo irá ultrapassar a China nessa variável tem uma democracia razoavelmente decente.

A conversa sofreu um pequeno e curto desvio mas pouco depois uma nova carta foi posta na mesa. O confucionismo, a base cultural chinesa, não era compatível com a democracia. Por desconhecer os pilares de tal doutrina não pude contra-argumentar e fiquei com a forte impressão que tinha assistido a um belo Ctrl+Alt+Del encapotado.

Logo depois começaram as anedotas sobre a coligação PAF. Essa gente, sim, era um hino à ditadura clerical de Salazar e uma ameaça à liberdade conquistada em Abril.

Todos estes assuntos foram abordados quase em sequência, de onde pude extrair que, para alguns pensadores da nossa esquerda, o regime chinês é aceitável e simultaneamente uma coligação da direita portuguesa pode ser uma sinistra ameaça. Chegamos a isto.

Julgo ser da natureza humana uma reacção relativamente frequente a que chamo o sindrome da esposa enganada (que também pode ser do marido). Há coisas em que não acreditamos simplesmente porque não queremos que sejam verdadeiras. Não as enfrentar é uma forma de negar que existam. Nada resolve, mas alivia.

Encontro traços deste fenómeno nos dois casos.

Para quem duvidar que se vão criando condições para um recuo efectivo no leque de liberdades que exigimos ao nossos regimes, pode ainda escutar com atenção o silêncio dos senhores e senhoras que se emocionam na parada do feriado de Abril. Fecham os olhos ao discursar, para esconder a emoção, mas continuam em silêncio perante o combate que se trava em Hong Kong. É nesta antiga colónia britânica que neste momento está localizada a fronteira da liberdade.

Esta fronteira da liberdade vai de tempos a tempos mudando de região. Há 80 anos - faz hoje 80 anos - essa combate travou-se na fronteira da Polónia invadida pelas tropas nazis. Ao longo dos seis longos anos da Segunda Guerra Mundial, a fronteira da liberdade sempre coincidiu com a linha da frente da batalha. Passou por El Alamein, pela Sicília, pelas linhas Gótica e Gustav, pela Normandia, pelas Ardenas até ao histórico aperto de mão no Elba. Foi mudando de região e desde 25 de Abril de 1974 até ao 25 de Novembro do ano seguinte andou pelos nossos lados. Actualmete está em Hong Kong. Será que alguma vez passará por Macau? Qual seria a a reação dos nossos governantes? Será que os eventuais dissidentes se fariam representar com a nossa bandeira, tal como o fazem com a Union Jack em Hong Kong? Num cenário hipotético como esse, poderia ser a nossa bandeira um possível símbolo da liberdade?

O mundo ocidental continua a ser o refúgio preferido dos dissidentes de todo o mundo, porque, apesar de já não ser a região mais poderosa do globo, continua na linha da frente na garantia das liberdades individuais.

Não temos pessoalmente nenhum mérito nisso (eu pelo menos não tenho!) mas apenas temos a sorte de por aqui ter nascido. Alguém no passado lutou por isso e nós somos os seus beneficiários líquidos.

Perante tudo isto concluo que existe espaço na opinião pública no mundo ocidental para uma efectiva redução do respeito pelas liberdades individuais.

Dia após dia, entre a aparente ordem das ditaduras e a imprevisibilidade quase caótica dos parlamentos, o apego à liberdade vai adquirindo uma plasticidade que não augura nada de bom.


38 comentários

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De J. Manuel Cordeiro a 01.09.2019 às 10:20

Um dos problemas do maniqueísmo é achar-se que o mal está todo de um lado.

https://www.slashdot.org/story/360334
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 11:48

Entendo e concordo. E verifico que concorda com e essência do texto. As ameaças vindas da China não serão as únicas. Existem outras. A liberdade está de facto a encolher e nisso não há lugar para maniqueísmo.
No entanto, se quiser procurar paralelismo entre as limitações legais dos regimes ocidentais e do regime chinês em perseguir e deter os seus cidadãos... boa sorte na tarefa.
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De J. Manuel Cordeiro a 01.09.2019 às 15:07

Há diversas formas de perseguir os cidadãos, especialmente quando eles não são do mesmo país.

A China anda a fazer o que faz. Mas não foi o liberalismo económico do ocidente que acabou por lhe dar esses meios? Agora, apontam-se dedos ao império amarelo, como se ocidente fosse alheio ao estado a que chegámos.
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 18:30

O ocidente não é uma entidade única e homogénea assim com os seus líderes são vários.
Quando lemos notícias como esta não podemos encolher os ombros dizendo que o mesmo poderia ter acontecido em Portugal...

https://www.dn.pt/mundo/interior/londres-extremamente-preocupado-com-desaparecimento-na-china-de-funcionario-de-consulado-11222508.html
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De J. Manuel Cordeiro a 02.09.2019 às 14:13

Creio que não estamos a falar das mesmas coisas. A China tem um longo historial de violação de diversos direitos humanos, ambientais e comerciais. Sem ir mais longe, recorde-se Tiananmen, o caos de poluição que são as indústrias chinesas e o que foi (é?) o negócio das sweatshirts. A lista é longa e repleta de violência. Isso nunca foi, no entanto, um impedimento à deslocalização das indústrias ocidentais e à abertura de portas à importação de produtos que se sabia irem competir de forma desonesta com a indústria local. É deste fechar-olhos por parte do ocidente que estou a falar. Esse mesmo que deu os meios para a China ser a potência que é hoje. Mas compreender a China implica muito mais do que estes bitaites. A sua longa história é o melhor ponto de partida.
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De V. a 01.09.2019 às 11:15

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De António a 01.09.2019 às 11:47

Quem tem culpa do que se passa na China?
Quando os primeiros produtos chineses chegaram a Portugal, eram uns brinquedos de plástico manhosos e coisas em vime e palha. Baratos, manufacturados, dizia-se, por prisioneiros sem salário. Isso não é Fair Trade. Por cá lamentou-se a perda de artesãos tradicionais, mas pouco, era gente velha e do interior.
Depois começou a chegar a contrafação - os ténis Acliclas, os relógios Kadio, e lojas inteiras de autêntico contrabando.
O pessoal gostou, era tudo tão barato. Mas não Fair Trade.
Depois começou o milagre da deslocalização, as Zaras e Apples deste mundo mudaram-se para o paraíso dos salários de miséria e ganharam fortunas. É claro que este milagre trouxe desemprego no Ocidente, não há almoços grátis.
Entretanto a China manipulou a sua moeda e em troca acenou com a visão do “maior mercado do mundo”. E foi-se infiltrando no Ocidente, comprando bancos e terrenos e redes elétricas em saldo.
A China nunca deveria ter sido admitida no comércio mundial sem garantias de respeito pelas regras. Mas foi.
Os suecos acharam muito engraçado quando os chineses começaram a comprar Volvos - deixaram de rir quando a China comprou a Volvo.
Trump tem razão. A China faz batota. Sempre fez. Agora é incontornável, e já se virou para África, onde faz obras faraónicas que não servem senão os seus interesses. E já exporta alta tecnologia, que aprendeu copiando os que lá foram sem ver a armadilha.
Só um boicote global pode precipitar reformas. Isso não vai acontecer, a ganância do Ocidente não o permite.
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De Vorph Valknut a 01.09.2019 às 13:26

Concordando, António, apenas pergunto. Em caso de boicote/embargo quem ficava fora do embrulho?
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De António a 01.09.2019 às 22:01

Não sei, Vorph. O mercado chinês “maior do mundo” tem sido um maná para Apples e Zaras e Mercedes. Mas está a deixar de ser, os chineses começam a ter marcas muito respeitáveis para exportação - chegarão às roupas e carros, não duvide. Veja só a diferença para a Rússia, outra ditadura, que, partindo à frente da China, só exporta o que a mãe natureza lhes deu (e hacks). Os chineses são espertos, apropriaram-se da tecnologia ocidental. Também eles querem o maior mercado do mundo para eles, e o próximo, que será África.
Haverá boicotes e embargos quando o ocidente começar a perder dinheiro e clientes, mas será tarde demais.
A resposta à sua questão é: a China. Ironias.
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De Anónimo a 01.09.2019 às 14:47



WW
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De Vorph Valknut a 01.09.2019 às 12:08


Essa explicação sobre a incapacidade da China ser uma democracia, aludindo - se a população, ou tamanho do território, também já a ouvi sobre a Rússia. Aliás também a Rússia, por obra de Putin, permitiu que esta também limitasse o unilateralmismo dos EUA. Não defendendo, ou melhor, abominando o Big Brother chinês, assim como a destruição, pelos comunistas, ao longo de décadas, da cultura popular chinesa, também não me descansa que o Ocidente use, coniventemente, estes países, nas suas relações diplomáticas e comerciais quando lhes "dá jeito" e os diabolizem (via ONG financiadas por Instituições políticas) quando se tornam adversários comerciais ou militares/politicos(ex:EUA xChina) . O que se passa, hoje, em Hong Kong, acontece diariamente no interior chinês, onde milhares são despojados das suas terras, em nome do progresso chinês, mas também dos parceiros comerciais da China. Aliás, em África sucede o mesmo onde em nome dos direitos comerciais, se abdicam dos mais básicos direitos humanos. Condeno todos. Uns por acção, outros por omissão, não sabendo até que ponto todo este destaque acerca de Hong Kong esteja relacionado com o facto, de dita cidade , até há pouco tempo, ter sido território britânico. Acerca de Portugal e como reagiram os nossos governantes e conterrâneos, em situações semelhantes, recomendo os postais, sobre Macau, de Sérgio Almeida, um dos autores deste blogue, e/ou a visualização de alguns programas sobre os massacres cometidos, em Timor, pela Indonésia perante o silêncio internacional (sobretudo da Austrália, em nome do petróleo) e nacional. Desculpe a extensão do texto, e algumas imprecisões (não o revi /editei). No geral concordo com o que escreveu e como bem escreveu.
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 18:35

Se repararmos o ser humano, desde que vive em sociedade, só usufruiu da liberdade como a que conhecemos durante uma curta amostra de tempo e numa região restrita de território.
As reacções com vista à sua sobrevivência e da respectiva prole foram ao longo da história moldadas sobre regimes violentos e autoritários. Apenas uma minoria da população aceita correr riscos, até de vida, para lutar contra a tirania.
A capacidade de encaixar abusos de autoridade tem sido, ao longo da história, uma razoável estratégia de sobrevivência.
A maioria de nós, onde me incluo, não tem qualquer mérito no facto de vivermos em liberdade, apenas usufruímos do esforço de terceiros, esses sim o heróis da liberdade.
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De Vorph Valknut a 01.09.2019 às 19:16

Por vezes julgo que a melhor forma de não ser cúmplice com o sistema é viver fora dele. Já mais de uma vez me apeteceu cortar o cartão de cidadão, e o cartão de memória
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De João Lisboa a 01.09.2019 às 12:15

Uma hipótese explicativa: https://lishbuna.blogspot.com/2018/12/blog-post_70.html
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 18:38

Eles teriam capacidade para o por em práctica.
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De Vento a 01.09.2019 às 13:51

O ocidente vive com valores, e anda subnutrido; a Ásia vive com alimentos, e nutre-se com os valores ocidentais. Portanto, eles alimentam-se da liberdade do ocidente e reprimem a liberdade para continuar a alimentar-se.

É interessante como os tão apregoados valores da liberdade e da democracia ocidental são de tal forma plásticos que até obrigam a medidas concretas para que o alimento seja real.
"Dai-lhes vós mesmos de comer" é uma célebre frase de inspiração cristã, que nos indica que o pão partido e repartido multiplica-se à última potência nos desertos famintos da liberdade.

Terá a China razão nas acções que leva a efeito em Hong Kong? Não.
Mas aonde é que tais acções legitimam e indicam uma superioridade moral e civilizacional ocidental?
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 18:49

De um lado está um país que não hesita em esmagar literalmente, como em Tianamen, quem pede ser ouvido. Do outro um grupo de países cujos líderes são avaliados e mais ou menos escolhidos pela população e que conseguiu no último século o maior período de crescimento económico e de qualidade de vida desde que há registo na história. Pergunto-lhe em qual destes blocos preferia ter nascido?
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De Vento a 01.09.2019 às 19:03

No último século o ocidente conviveu com 2 grandes guerras, permaneceu em uma infinidade de outras locais, destruiu países e culturas e vê-se a braços com a maior crise humanitária de que há história.
Para quem não fez nada e diz ter tido o privilégio de por aqui nascer, verifico que está satisfeito com a situação.

Não respondo a sua pergunta por ser retórica.
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 19:16

Infelizmente já se verificaram crises humanitárias bem piores.
Sobre estar satisfeito, digo-lhe apenas que tivemos muita sorte do sítio em que nascemos. Basta ir dar uma volta para fora do nosso bloco para chegar rapidamente a essa conclusão.
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De Vento a 01.09.2019 às 19:22

Pode dizer aonde?
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De André Miguel a 01.09.2019 às 21:05

África. Escolha um qualquer país ao azar abaixo do Saara e depois conte como foi a experiência.
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De Vento a 03.09.2019 às 10:02

Diga-me, André, em que parte fica essa tal de África? Será a oriente?
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 23:25

É uma pergunta retórica?
Onde já esteve fora da União Europeia?
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De Vento a 03.09.2019 às 10:07

África, Ásia, Europa de leste, América do Sul.
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De Vento a 01.09.2019 às 19:17

Para ampliar a sua cultura e conhecimentos de economia e finanças, acrescento que o ocidente originou ainda, depois da última também de sua autoria, uma das mais graves e mais longas crises económicas e sociais de que há memória.
Sabe porquê? Porque s seus líderes, que diz serem escrutinados, são cegos a guiar cegos.
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De Paulo Sousa a 02.09.2019 às 08:40

Sabe o que aconteceria se vivesse do outro lado e escrevesse que os seus líderes são cegos? Temos ou não razão para nos alegrar por vivermos aqui?
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De Vento a 02.09.2019 às 14:18

Já andei em outros lados a dizer o mesmo e continuo por aqui.
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De Anónimo a 01.09.2019 às 15:01

A India não pode ser considerada exemplo pois o seu sistema de castas sobrepõe-se ao sistema democrático.
Os dirigentes chineses sabem o que querem e a politica que estão a praticar não foi engendrada há poucos anos, ela vem já desde os anos 80.
A China é uma potência e soube aproveitar as fragilidades do capitalismo ocidental e a desregulação posta em prática pelos politicos ocidentais em conluio com as grandes multinacionais.
Em África a entrada da China ainda foi mais fácil em face dos dramas que lá ocorrem, dão umas migalhas em forma de obras e têm acesso a mão de obra ainda mais barata mas o que lhe interessa são mesmo as matérias primas de qualidade a preço de saldo tal como os europeus sempre fizeram no século passado.
Valha a verdade que Trump tem tentado lutar contra isto mas temo que não consiga grande coisa até porque a esmagadora parte da divida publica dos USA está em mão chinesas.
Por ultimo refere a Volvo mas não é a unica, a Daimler e a PSA têm grandes percentagens de capital chinês.
A unica solução para combater quem não joga dentro das "regras" é o protecionismo económico e deve ser aplicado em empresas estratégicas, vide EDP.

WW
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 18:44

Narendra Modi, é oriundo de uma casta baixa e foi democraticamente eleito em eleições e livres, como líder proposto por um partido que não é o partido único. Se isto não democracia...
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De Vorph Valknut a 01.09.2019 às 19:13

Modi que muitos consideram um extremista hindu nacionalista, misógino e xenófobo
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De André Miguel a 01.09.2019 às 18:57

"são mesmo as matérias primas de qualidade a preço de saldo tal como os europeus sempre fizeram no século passado."

Alto e pára o baile!
Os europeus só levaram a civilização a África. Todas as infraestruturas que ainda sobrevivem foram construídas por Europeus. Os chineses controem estradas que duram um ano, hospitais que antes de inaugurados já estão a ruir, não empregam nacionais (até o pedreiro é chines!) e deixam uma dúvida que nunca será paga.
Não há comparação possível e os africanos já começam a abrir os olhos.
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 19:12

A expressão 'negócios da China' tem diferentes significados em diferentes regiões do mundo.
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De Anónimo a 01.09.2019 às 19:37

Tem toda a razão André , creio que fui demasiado ligeiro na questão que refere.
Apenas e só quis destacar o facto de a estratégia chinesa não ter sido decidida agora.

WW
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De Osvaldo de Freitas a 01.09.2019 às 18:28

Uma coisa que me impressiona é a seguinte.
Todos (ou pelo menos muitos) desejam que os outros seja iguais a eles. Os islâmicos acreditam piamente em Deus como valor supremo e no paraíso por isso acham blasfemo quem se opõe e pretendem que todos sejam como eles. Os cristãos já foram assim (ainda serão?) com os missionários civilizadores.
Os ocidentais ficaram felicíssimos com a primavera árabe: os árabes iam finalmente ser como nós, estabelecendo a democracia.
Eu prefiro a Democracia a tudo. Mas porque é que hei-de achar que todos os povos devem querer a democracia? E se não quiserem? A ideia dominante é que quem quer a democracia (como ela se entende na Europa) está no bom caminho, quem não a quer está no errado! Mas então a Europa andou séculos e séculos enganada até que topou copia. democracia? Até já se justificou a intervenção armada para impor a democracia aos desgraçados que não a queriam. Para não falar na "missão civilizadora" tão badalada pelos mentores da guerra colonial portuguesa!!
Alguém quer comentar? Agradecia.
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De Paulo Sousa a 01.09.2019 às 18:59

Os mentores da guerra colonial portuguesa não pretendiam introduzir a democracia.
Apesar disso, a questão é pertinente. De que forma se poderia levar a que outros países pudessem viver em liberdade? Talvez seja mesmo uma das million-dollar question dos amantes da liberdade.
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De Osvaldo de Freitas a 01.09.2019 às 19:51

A minha questão não é como "se poderia levar a que outros países pudessem viver em liberdade?" É antes, porque é que se quer que os outros sejam (ou se comportem ou tenham os mesmos valores ) que nós?
"Os mentores da guerra colonial portuguesa não pretendiam introduzir a democracia." De acordo. Mas o meu ponto é outro, eles queriam impor a outros os seus próprios valores (levarem aos indígenas a civilização ocidental).
A minha questão principal é a que está contida na minha frase "Todos (ou pelo menos muitos) desejam que os outros seja iguais a eles."
Por isso se festejou a primavera árabe: finalmente eles vão, como nós, querer a democracia e abdicam da mania de que Deus existe e nos reserva o paraíso, seu valor supremo.
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De Paulo Sousa a 02.09.2019 às 08:51

Os estados pretendem conversar entre iguais e por isso não gostam que existam territórios sem alguém que o represente. Isto pode ser uma das explicações.
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De Anónimo a 02.09.2019 às 09:45

São conhecidas as dificuldades levantadas aos gigantes das novas tecnologias para terem acesso ao mercado chinês.

E que dizer das dificuldades que gigantes chineses têm em aceder aos mercados europeus e americanos?

Por exemplo, as dificuldades que a Huawei tem recentemente sentido. Mas não só: recentemente a Gronelândia resolveu contratar a modernização dos seus portos a uma empresa chinesa, e logo a Dinamarca resolveu objetar.

E os gigantes das novas tecnologias chineses, porque não penetram eles nos mercados europeus? Não será por serem impedidos disso?

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