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A ler

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.03.14

Com a devida vénia ao Expresso e a Nicolau Santos, e sem prejuízo da oportunidade do manifesto poder não ter sido a melhor, adiante trasncrevo o artigo de hoje. Os erros devem ser corrigidos, mesmo depois de consolidados, como ainda recentemente se provou com a libertação de um inocente julgado e condenado por homicídio depois de estar encarcerado durante 26 anos. Os fundamentos do Estado de direito, a infraestrutura do sistema constitucional e democrático, não podem ser postos em causa por razões empresariais, de oportunismo, tacticismo ou de conjuntura. Por muito que isso custe.

 

"O Presidente da República disse há tempos que só quem é masoquista fala na reestruturação da dívida. O primeiro-ministro lembrou ontem esse qualificativo para se referir ao manifesto dos 70. Eduardo Catroga acrescentou que entre os subscritores há alguns inocentes úteis. E os jornalistas da área económica zurziram sem dó nem piedade os que ousaram assinar o documento, que já teve duas vítimas: Vítor Martins e Sevinate Pinto, consultores de Belém, que pediram a sua exoneração.

Eu confesso que vejo com alguma dificuldade que Adriano Moreira seja masoquista. Ou Bagão Félix. Ou Alberto Ramalheira. Ou António Saraiva. Ou Diogo Freitas do Amaral. Ou Fausto Quadros. Ou João Vieira Lopes. Ou José Silva Lopes. Ou Luís Braga da Cruz. Ou Manuel Porto. Ou Manuela Ferreira Leite. Ou Miguel Cadilhe, que não assinou mas publicou um artigo concordando no essencial com ele e lembrando que há mais de dois anos defende uma renegociação "honrada" da dívida. Ou Vítor Martins e Sevinate Pinto.

Eu confesso que vejo com alguma dificuldade que no Governo tenham existido pessoas que, por estes critérios, podem ser consideradas masoquistas, como Vítor Gaspar, que conseguiu estender os prazos de pagamento da dívida e descer as taxas de juro aplicadas.

Eu confesso que vejo com alguma dificuldade que o Conselho das Finanças Públicas, presidido por Teodora Cardoso, seja um ninho de masoquistas, já que mesmo com números superiores aos apresentados pelo primeiro-ministro (excedente primário de 2,5% e crescimento nominal de 3,5% contra 1,8% e 3% defendidos por Passos) isso só permitirá reduzir a dívida para 84,7% do PIB em 2035. 

Eu confesso que vejo com alguma dificuldade que a Comissão Europeia seja constituída por um grupo de masoquistas, já que mandatou um grupo de peritos para apresentar propostas para a criação de um fundo europeu para a amortização da dívida antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu, que são já a 25 de maio.

Eu confesso que vejo com alguma dificuldade como é que este grupo de masoquistas não se vai alargar exponencialmente, dentro e fora de portas, quando em setembro entrarem em vigor as novas regras de contabilização da dívida pública definidas pelo Eurostat e que vão levar a que a nossa dívida pública aumente em cerca de 10 pontos percentuais, aproximando-se dos 140%.

Falar sobre a reestruturação da dívida é masoquismo. Cortar salários e pensões de forma definitiva, aumentar brutalmente impostos, assistir a enormes cortes nos apoios sociais do Estado - e fazê-lo de formam sistemática e continuada desde há três anos é refresco. Para os outros, claro.

Eu, por mim, estou do lado dos masoquistas. E tenho a certeza de que até ao final do ano vai haver muitos mais, para lá dos 70 que assinaram o documento."- aqui


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