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A recente proposta do CNE no sentido acabar com as "retenções" no Ensino Básico e Secundário é muito mais que uma aberração. Parte mais ou menos do pressuposto que se o número de reprovações é demasiado elevado e atinge proporções "preocupantes", acaba-se com elas e está o problema resolvido. As consequências destas "passagens administrativas", que me recordam vagamente os tempos do PREC, já não são relevantes. A formação de cidadãos cada vez mais incultos, incapazes de pensar e de emitir opiniões consistentes também não é de todo pertinente.
É o expoente máximo do facilitismo reinante. Assustador, no mínimo...
Dei-me ao trabalho de ler a recomendação do CNE de uma ponta à outra. Cita uns números do PISA, como convém a qualquer estudo/relatório para que ele pareça ter maior seriedade e rigor "científico", e faz uma série de recomendações muitíssimo genéricas, que se traduzem em pouca coisa, para não dizer coisa nenhuma. Deste género: que têm que ser dadas condições às escolas para isto e aquilo, que as dificuldades de aprendizagem têm que ser diagnosticadas precocemente para se poder apoiar os alunos com dificuldades e, claro, como não podia faltar, lá surge o inevitável apelo ao maior envolvimento das famílias.
Só quem está na escola e a vive por dentro todos os dias no que ela tem de mais duro e desgastante do ponto de vista físico e psicológico sabe como tudo isto é pura "conversa fiada". Sabe, também, que 95% dos maus resultados escolares não representam quaisquer dificuldades de aprendizagem, mas apenas falta de trabalho, de empenho e de esforço, promovidos por uma cultura de anos que, a pretexto da "democratização" do ensino e absurdas experimentações / reformas foi sempre nivelando por baixo, promovendo o facilitismo mais ou menos generalizado, a lei do menor esforço, a incompetência e a falta de rigor e de profissionalismo.
Este é só mais um passo no caminho do abismo. Ou talvez até o empurrão final...
Fico sempre a pensar por que se pedem estes pareceres a quem pensa muito, mas faz pouco. Quantos destes "conselheiros" saberão o que é a realidade de uma sala de aula actualmente?
E, já agora, faço(-lhes) também uma recomendação: e pensar em fechar as escolas de vez? Não?