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A incúria do Estado

por Paulo Sousa, em 18.10.20

20201018_161148.jpg

Esta semana assinalou-se o terceiro aniversário do incêndio que destruiu 86% da área da Mata Nacional de Leiria.

Logo de seguida e por recomendação do fucus groupAntónio Costa fez-se fotografar e filmar na plantação de sobreiros num dos talhões afectados. Ao mudar de espécie, de pinheiro para sobreiro, terá pretendido corrigir um erro com mais de 500 anos. El Rei Dom Dinis enganou-se ao escolher pinheiros e finalmente alguém ajuizado iria corrigir o erro. Logo depois a natureza, essa ingrata, fez com que os sobreiros não sobrevivessem naqueles areais e, talvez pela afronta, o governo decidiu entregar-lhe então a gestão daqueles 9.480 hectares.

Depois disso, e pelo facebook, soube de várias iniciativas de grupos de cidadãos identificados como amigos do Pinhal de Rei, que foram travados na sua vontade de replantar um talhão que fosse, pois esse processo teria de obedecer a um plano do ICNF.

Neste terceiro aniversário um grupo de cidadãos assinou uma carta pedindo explicações ao governo sobre o plano de recuperação desta área que equivale a 54% do concelho da Marinha Grande.

É tal a desolação que evito por ali passar. Hoje, pela segunda vez desde o incêndio, regressei a este espaço de que guardo recordações maravilhosas. Olhando em volta, tudo isso parece mais distante do que nunca. É uma dor de alma.

Para quem o quiser entender como tal, esta é mais uma prova da incúria do Estado, da sua incapacidade em resolver os assuntos que advoga como seus.

Este vídeo é por isso dedicado aos que acham que aquilo que precisamos é de mais Estado.


21 comentários

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De V. a 18.10.2020 às 22:49

Uma vergonha. É por isso que um tipo que não gosta de árvores —ou qualquer outro da sua prole de adoradores de civilizações do deserto— não devia poder governar Portugal. O resto é treta.
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De Paulo Sousa a 19.10.2020 às 00:04

A tradição da nomeação de amigos para “cargos de confiança política” é mais uma das causas dista situação.
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De Anónimo a 18.10.2020 às 23:29

Passaram 3 anos. Que orgão de comunicação social mostrou o estado em que se encontram esses terrenos?
Não admira que isto esteja como está, e a piorar.
António Cabral
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De Paulo Sousa a 19.10.2020 às 00:04

Andam açaimados.
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De Anonimus a 18.10.2020 às 23:45

Ainda estão a planear. Uma comissão. Para estudar. E uma equipa de acompanhamento. Depois do grupo de trabalho definir a estratégia. Após revistos os objectivos dentro das parametrizações descritas pelo conselho consultor.
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De Paulo Sousa a 19.10.2020 às 00:05

Com despesas de representação e senhas de presença para reuniões feitas pelo Zoom.
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De Elvimonte a 18.10.2020 às 23:56

Acho que o problema nada tem a ver com mais ou menos estado. Nos tempos de El Rei Dom Dinis o estado de então não se enganou ao escolher pinheiros.

Tem sim a ver com um estado parvo, repleto de ineptos, inúteis e incompetentes. Esse é que é o grande problema. Para além de não saberem, nem sequer sabem que não sabem.
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De Paulo Sousa a 19.10.2020 às 00:06

O cargo de confiança política é o poleiro de sonho de muitos ineptos.
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De V. a 19.10.2020 às 00:50

Acho que o problema nada tem a ver com mais ou menos estado. Nos tempos de El Rei Dom Dinis o estado de então não se enganou ao escolher pinheiros.

Tem tem. Nos tempos de El Rei Dom Dinis não havia um estado gigantesco, controlador, que não deixa espaço para mais nada — crivado de funcionários que só pensam em benefícios pessoais (antigamente era levar pacotes de canetas BIC para casa lá do dispnesário, agora é aumentos que não dependem da produtividade se não estavam bem f*****s)

Além disso, D. Dinis foi um dos poucos governantes verdadeiramente cultos que este País alguma vez teve.

De resto, quanto aos inúteis e incompetentes —eu diria mais, gente sem grande brio profissional e sem criatividade: é muita política e muita bola— concordamos completamente.

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De Anonimus a 19.10.2020 às 09:58

O Estado está cheio de gente de carreira política. Pouco mais sabem que colar cartazes e arregimentar votos.
Decisões técnicas e estratégicas não é com eles. Não têm experiência profissional ou sequer académica para o fazerem.
Não percebem patavina dos assuntos relacionados com os seus ministérios e Secretarias de Estado.
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De Anónimo a 19.10.2020 às 11:54

Que eu saiba, quando se trata de terrenos ardidos, os ecologistas recomendam em geral que não se faça nada e que se aguarde pela regeneração natural. Em princípio, essa regeneração produzirá, a prazo, as espécies arbóreas mais apropriadas àqueles terrenos.

Só após verificar que a regeneração natural não está a produzir nada, ou que está a produzir espécies indesejáveis, é que se deve intervir.

Assim, eu, sem conhecer os terrenos em causa nem o que lá está a acontecer, considero que não é necessariamente mau aquilo que o ICNF está a fazer: a aguardar que a mata se regenere naturalmente.

Quanto ao plantio de sobreiros lá efetuado por António Costa, ele foi claramente disparatado: toda a gente sabe que o sobreiro é uma árvore lixada, que nunca medra quando plantado mas que, em compensação, surge naturalmente (em Portugal) quando ninguém faz nada a um terreno. Qualquer sobreiro plantado em Portugal é perda de tempo, pois secará em pouco tempo.
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De Paulo Sousa a 19.10.2020 às 12:48

O Dom Dinis mandou plantar um pinhal ordenado, com talhões perpendiculares, de área igual e com plantas alinhadas nas duas direcções. É disto que estamos falar.
O que o ICNF está a fazer é a permitir que espécies invasoras como as acácias progridam sem controle.
Nem com muito esforço se encontra nada que ali esteja a ser bem feito.
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De Anónimo a 19.10.2020 às 15:07

O que o ICNF está a fazer é a permitir que espécies invasoras como as acácias progridam sem controle.

Isso não é necessariamente mau. As acácias criam muitas raízes superficiais, as quais prendem o terreno de forma muito eficaz, ou seja, fazem precisamente aquilo que D.Dinis pretendia com o pinhal - fixar o terreno arenoso, impedindo que o vento atirasse a areia para sobre os solos bons mais a leste. É claro que no tempo de D. Dinis não havia acácias, que são uma árvore australiana, por isso ele utilizou pinheiros. Mas as acácias são capazes de fazer o serviço ainda melhor.
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De Paulo Sousa a 19.10.2020 às 15:45

Alguns anónimos idolatram tanto os nossos governantes que são capazes de garantir que até as suas fezes são bem cheirosas.
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De Anónimo a 19.10.2020 às 16:56

Eu idolatro as fezes dos nossos governantes a fertilizar os terrenos do pinhal de Leiria. Cheiram mal, mas contêm preciosos azoto e fósforo.
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De Paulo Sousa a 19.10.2020 às 17:20

Só custa até libertarem o gás metano, mas apenas depois de curtidas é que são benéficas para as plantas, e isso demora alguns meses.
Talvez com a sua ajuda se consiga encurtar o processo. Não muito longe dali, na Ribeira dos Milagres (se desconhece pode googlar) podia dar uma ajuda preciosa.
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De Anónimo a 19.10.2020 às 17:02

Quem está em causa aqui não são os nossos governantes, é o ICNF, o qual é um instituto público que não é, em princípio, político.
O que eu digo é que não me parece má ideia o ICNF esperar uma meia dúzia de anos após o fogo para ver o que começa a medrar. Ao princípio medrarão sobretudo acácias, as quais rebentam logo após o fogo e crescem rapidamente, mas - está na wikipedia - se não arderem, morrem passados 30 a 40 anos sendo então progressivamente substituídas por outras árvores. E enquanto não morrem fixam o solo, que é aquilo que sobretudo se pretende ali.
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De V. a 19.10.2020 às 15:09

Os funcionários do ICNF têm tanto que fazer que costumam estar a fumar cigarros cá em baixo na rua ao lado do Galeto, fazem turnos e tudo de maneira a que esteja lá sempre alguém lá em baixo a conversar e a fumar e a cagar a rua toda

Não estão preocupados com as florestas, não estão preocupados sequer com o seu emprego.

Estes institutos parasitas deviam era ser extintos porque pura e simplesmente não servem para nada.
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De Paulo Sousa a 19.10.2020 às 15:54

Sobre o que eles fazem ou não fazem, haverá certamente uma cadeia de chefias que os deveriam de liderar.
O post é sobre os resultados.
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De simplesmente... a 23.10.2020 às 17:41

O vídeo diz tudo.

É muito triste.

Pode ser que algum venturoso dia, em algum proveitoso momento, um corajoso Dom Dinis apareça...
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De Paulo Sousa a 23.10.2020 às 18:05

É muito triste. É uma dor de alma.

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