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A importância da caligrafia

por Pedro Correia, em 21.03.18

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Escrevi aqui há oito dias sobre a importância da escrita caligráfica como descoberta da história, dos outros e de nós próprios, lamentando que esta aprendizagem esteja em declínio acentuado nos sistemas de ensino contemporâneos, que privilegiam a escrita tipográfica, padronizada e uniforme.

Em países como a Finlândia as crianças já só aprendem as letras que estão pintadas no teclado do computador.

 

Anteontem, na página 2 do El País, a poetisa e dramaturga espanhola Ana Merino abordou o mesmo tema. Num excelente texto, intitulado "Caligrafia", que nos faz reflectir sobre a importância da escrita manual, lembrando que "muitos dos documentos históricos que dão sentido ao nosso presente foram escritos" desta forma e tornam-se impossíveis de interpretar por gerações futuras, desprovidas de uma "habilidade que durante séculos foi pilar do conhecimento e da articulação do pensamento".

E conclui deste modo, que passo a citar com a devida vénia e tradução da minha lavra: "O alfabeto caligráfico que cada indivíduo alberga compõe-se de traços subtis que representam um estilo próprio, uma peculiar e evidente marca da sua expressão pessoal. Saber escrever à mão com letra clara e legível deixou de ser prioridade em muitas escolas. Ser habilidoso no teclado é indubitavelmente necessário, mas não deve fazer-nos prescindir do minucioso processo da alfabetização e da caligrafia bem aprendida - essa arte que herdámos das escritas caligráficas dos últimos dois mil anos. Retirar aos nossos filhos a possibilidade de existirem na escrita caligráfica equivale a não ensiná-los a cozinhar, submetendo-os à comida industrial pré-cozinhada que se aquece no micro-ondas."

 

Subscrevo, claro. Não por acaso, algumas das mais exigentes entrevistas de emprego incluem um exame grafológico. Ao contrário do que supõem certos pedagogos de turno, a escrita tem inequívocas características pessoais, revelando traços da personalidade de quem escreve. Tal como o estilo nos diz muito do essencial sobre um autor: escrever bem passa, desde logo, por evitar as frases sem artifícios, as frases já muito gastas, as frases de efeito fácil mas vazias de conteúdo.

Amputar as crianças da aprendizagem e desenvolvimento da caligrafia é, de algum modo, divorciá-las do passado. E, assim, estreitar-lhes o futuro.

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40 comentários

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De Luís Lavoura a 21.03.2018 às 12:32

muitos dos documentos históricos que dão sentido ao nosso presente foram escritos desta forma e tornam-se impossíveis de interpretar por gerações futuras

Isto faz tanto sentido como dizer que todos deveríamos aprender na escola a escrita hieroglífica dos egípcios antigos: muitos importantes textos históricos foram escritos nesses carateres e são impossíveis de interpretar para quem não os conheça.

Os saberes antigos são assim: vão-se perdendo e, no futuro, passarão a ser conhecidos por somente alguns especialistas. É normal. A escrita caligráfica passará a ser somente conhecida por alguns especialistas, da mesma forma que a escrita dos antigos egípcios taambém só é conhecida por alguns especialistas.

É o progresso. E eu sou um progressista.
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De Maria Dulce Fernandes a 21.03.2018 às 13:25

No meu tempo...
No meu tempo havia coisas boas e coisas más. Havia repressão e não havia liberdade, se bem que uma criança até aos 12 anos não abrange a noção do que é uma mordaça totalitária. Tem a sua rotina. Levanta -se, reza, toma o desjejum, pega na sacola preparada de véspera e abala para a escola. Para aprender. Para saber. Nunca tive professoras más, apenas exigentes e meticulosas. Apanhei algumas reguadas, mas sempre pensei que faziam parte do processo. Nunca me cairam as mãos. Acabei a quarta classe com uma bagagem de conhecimento muito superior ao que se ministra presentemente a nível de nono ano. Sei que é assim. Tive duas filhas na Universidade.
Sempre gostei de ajudar e aprender e pasmava como alguém poderia escrever tão mal a todos os níveis. Lembrei-me dos trabalhos de casa que trazia e não podia descurar, com os caderninhos de significados e os de duas linhas onde a professora escrevia palavras elegantemente desenhadas, que tínhamos que copiar até à perfeição.
As minhas filhas são doutoras. Deram erros ortográficos e gramaticais de bradar aos céus nas frequencias, nas teses, sei lá. Alguns trabalhos pareciam até tratados de paleografia e nunca, mas nunca algum professor se deu ao trabalho de as corrigir ou incentivar a melhorar . Universidades públicas, parideiras de doutores analfafetos... mais um paradoxo dos tempos modernos.
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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 14:24

Algumas correntes pedagógicas fazem tudo para não "sobrecarregar" crianças e jovens exigências educativas. Em nome do "prazer" e do "factor lúdico" da aprendizagem.
Estes pedagogos da treta produzem multidões de analfabetos funcionais.
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De Vlad, o Emborcador a 21.03.2018 às 15:12

Pedro, Pedro. ...veja em que consiste o programa de Português do 10ano, na área de Ciências . A minha cunhada que é professora de português há 20 anos, por vezes até se baralha....aquilo é lixo....a "taxonomia" da disciplina de Português é mais complicada que o programa inteiro de Biologia. Isto na Área de Ciências!!
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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 15:15

"Lixo" tendencialmente analfabético que produz analfabetos funcionais.
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De Vlad, o Emborcador a 21.03.2018 às 15:07

Muito bem dito e "escrevido"
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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 15:16

Candidata-se a comentário da semana.
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De Vlad a 21.03.2018 às 16:26

Não faça isso...com dois de seguida pode parecer que sou um avençado!!
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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 17:53

Pois. A sua reputação poderia ressentir-se.
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De Vlad a 21.03.2018 às 13:53

Penso que os documentos históricos estão hoje melhor protegidos do que na Era do papiro e da folha de seda.

Amputar as crianças da aprendizagem e desenvolvimento das competências informáticas é, de algum modo, divorciá-las do futuro.

"escrita tem inequívocas características pessoais, revelando traços da personalidade de quem escreve"

Como a Frenologia?

"Saber escrever à mão com letra clara e legível deixou de ser prioridade em muitas escolas"

Veja-se o caso de Fernando Pessoa...grande parte da sua obra, desse mago da palavra, é ilegível.

O que nos define não é um modo de escrever. Mas o de pensar.





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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 14:21

Quem é que falou em "amputar as crianças da aprendizagem e desenvolvimento das competências informáticas"?
A aprendizagem, para si, exclui em vez de incluir?

Se a obra de Pessoa fosse "ilegível", não tinha dado no que deu: uma obra conhecida, lida e admirada em todo o mundo.
Em vida, ele apenas tinha publicado um livro - e uns quantos poemas em revistas avulsas. Sem a preciosa ajuda de especialistas em caligrafia, que decifraram milhares de páginas manuscritas, teria ficado por aí.
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De Luís Lavoura a 21.03.2018 às 14:44

A aprendizagem, para si, exclui em vez de incluir?

Se a aprendizagem inclui algumas coisas, terá necessariamente que excluir outras, porque

(1) o cérebro é finito,

(2) o tempo para aprender é finito.

As pessoas já hoje ficam na escola até aos 25 anos de idade. Se se quiser que elas aprendam cada vez mais coisas - todas elas coisas potencialmente muito úteis! - então ficarão na escola até que idade? A que idade poderão finalmente começar a trabalhar?
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De Vlad a 21.03.2018 às 15:45

Pedro deixe-me lá contrariá-lo....tenho que interpretar o meu papel de Vlad:

O Livro do Desassossego é "o Grande Livro que diz que somos", como leu Teresa Sobral Cunha (TSC) o difícil manuscrito recentemente re-decifrado por Jerónimo Pizarro.

http://visao.sapo.pt/jornaldeletras/o-grande-livro-de-fernando-pessoa=f820972

Por exemplo, na frase onde Pizarro lê "marelante deste barco", acha que Pessoa escreveu mesmo "mareante". Mas aceita, entre outras, a sua correcção de uma expressão que vinha sendo treslida em sucessivas edições: "O Grande Livro como dizem os francezes". Este é, aliás, um bom exemplo das dificuldades de leitura que se colocam aos que trabalham com o espólio pessoano. A expressão integra um parágrafo que o poeta escreveu à mão no final de um texto dactiloscrito. A edição de 1982 ignora todo o parágrafo. Em 1990, Teresa Sobral Cunha lê: "O Grande Livro que diz quem fomos". Em 2008, a mesma investigadora propõe: "O Grande Livro que diz que somos". Em 2009, Zenith opta por "O Grande Livro que diz que fomos".

https://www.publico.pt/2010/08/12/culturaipsilon/noticia/o-livro-que-nunca-existiu-263211

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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 16:16

Isso já é um desvio tão grande ao que Ana Merino escreveu - e ao meu ponto de partida - que não consigo acompanhá-lo.
Mas haverá, estou certo, excelentes ocasiões para trocarmos aqui umas ideias sobre o 'Livro do Desassossego' nas suas não coincidentes versões e no seu texto definitivo sempre por fixar.
Uma obra - noto - entretanto já tornada referência literária internacional. Não é só dos portugueses: é património universal.
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De Maria Dulce Fernandes a 21.03.2018 às 14:23

O que nos define é um todo de " pesamentos, pavras e obras", e não apenas o que pensamos.

"Escrever é uma maneira de pensar que não se consegue pelo pensamento apenas. Todos os constrangimentos sintácticos e gramaticais da escrita, em vez de nos reprimirem, levam-nos a encontrar frases que não existiam antes de serem escritas, que não podiam existir de outra forma."
MEC
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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 14:26

Concordo em absoluto com o MEC, Dulce.
Aqueles que hoje só conseguem escrever em maiúsculas, por exemplo (há cada vez mais disso), têm forçosamente um pensamento limitado. Porque o meio é a mensagem, já dizia o outro.
Há uma correspondência natural entre pensamento e escrita. Diz-me como escreves, dir-te-ei quem és.
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De Vlad, o Emborcador a 21.03.2018 às 17:39

Pedro para um futuro debate filosófico regado a Tinto (Bafarela 17,5'):

Pode -se pensar sem símbolos?

Por exemplo :

A Meditação. Será um pensamento mergulhado no Nada, ou uma ausência de pensamento?
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De Vlad, o Emborcador a 21.03.2018 às 18:39

http://comerbeberlazer.blogspot.pt/2013/07/bafarela-17-2008.html?m=1

http://www.britesaguiar.com/marca.php?marca=2&lingua=1
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De Vlad a 21.03.2018 às 16:28

Pensar é falar para dentro!
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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 17:57

Interrogo-me se escorropichar esse tinto produzirá efeitos nefastos na sua caligrafia.
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De Vlad, o Emborcador a 21.03.2018 às 18:42

Temo mais pelo fígado.

Quando bebido, só, de noite,prefiro não falar mas andar comigo.
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De Romão a 28.03.2018 às 13:00

Dizem que "pensar é triste".

O Steiner diz ainda que existem "10 razões possíveis para ta tristeza de pensamento".
Vale a pena ler.
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De jj.amarante a 21.03.2018 às 18:11

A caligrafia é também uma forma de aprender a controlar os movimentos da mão. Continua a haver muita gente interessada na caligrafia, no meu blogue este é o post mais visitado: http://imagenscomtexto.blogspot.pt/2008/07/caligrafia.html
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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 18:23

Gostei de saber.
É, de facto, um tema interessante - tão interessante que o 'El País' lhe reservou espaço nobre há dois dias - mas pouco abordado entre nós.
Repito aqui a hiperligação para clique automático dos leitores que queiram visitá-lo:
http://imagenscomtexto.blogspot.pt/2008/07/caligrafia.html
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De Cristina M. a 21.03.2018 às 18:48

Pedro, a sua reflexão centra-se numa "especialidade" (digamos assim) da escrita.
a aquisição dessa competência não me parece estar comprometida; o pensamento não fica limitado; isso aconteceria se não se escrevesse de todo.
de facto, a caligrafia exige um controlo motriz muito rigoroso, pode servir para estudos de personalidade ou afins, mas a sua ausência não condicionará o pensamento.
por outro lado, o que é referido sobre a prática diária, em sala de aula, nos primeiros anos do 1.º ciclo, é exatamente o oposto do que se vai depois classificar em situação de exame, no 9.º ano, em que existem critérios que avaliam a legibilidade da escrita (manuscrita) e a aplicação das suas regras base.
a caligrafia está a tornar-se um domínio do desenho, está a deslocar-se, talvez, para a zona das Artes, essa coisa só para eleitos.
e é mesmo uma pena.
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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 22:14

Cito-a, Cristina, também com a devida vénia: "A caligrafia está a tornar-se um domínio do desenho, está a deslocar-se, talvez, para a zona das Artes, essa coisa só para eleitos. E é mesmo uma pena."
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De Cristina M. a 21.03.2018 às 22:48

gracias :-)
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De Vlad, o Emborcador a 21.03.2018 às 23:19

A Califgrafia está associada à meditação na cultura sino-nipónico. É uma arte equiparada à pintura e poesia.
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De Pedro Correia a 24.03.2018 às 18:55

Exactamente. E as artes aprendem-se. De preferência nas escolas.
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De Beatriz Santos a 21.03.2018 às 22:11

Uma carta parece-me coisa mais pessoal e, nesse sentido ultrapassar um mail, ainda que o pensamento e as palavras por que é dito sejam os mesmos.

Desenhar letras para alguém é do mais bonito que há. Sobretudo se elas letras se movem a ideias capazes de ligar emissor e receptor.
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De Pedro Correia a 21.03.2018 às 22:13

Penso o mesmo e sinto o mesmo.
Também por isso gostei tanto do artigo da escritora Ana Merino. Julgo que ela toca no essencial.
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De Fatima MP a 22.03.2018 às 14:09

O facto é que novas gerações recorrem muito pouco à escrita manual. De um modo geral, o que escrevem tem a ver com a actividade profissional ou de estudo e isso é tudo em formato electrónico (teclado). O que sobra? Uma lista de supermercado, uma mensagem de uma linha para a empregada, o preenchimento de um template com casinha para as letras ... tudo o mais é no computador, ou no telemóvel, incluindo mensagens de amor e desamor. Mesmo quem tem actividade literária, excepto casos residuais de puro conservadorismo ou alergia à electrónica, rendeu-se aos computadores. Por isso, o desapego à caligrafia. Mas, sim, é uma pena e, obviamente, super concordo com o Pedro. Escrever "à mão", com a letra única de cada um, é um enorme prazer. Tem a ver com o papel, a caneta, a cor da tinta, independente se a letra é boa ou má (e é cada vez pior ...). A ligação entre o pensamento e a escrita caligráfica é incomparavelmente mais íntima, fluida, directa, eficaz. O esforço, muito menor. Eu seria incapaz de escrever uma página em letra de forma.
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De Pedro Correia a 24.03.2018 às 18:58

Concordo consigo, Fátima: "A ligação entre o pensamento e a escrita caligráfica é incomparavelmente mais íntima, fluida, directa, eficaz."
Acresce que é única.
Nestes tempos padronizados, uniformizados, em que as multinacionais da tecnologia nos querem pôr todos a "consumir" o mesmo e a pensar da mesma maneira, escrever à mão tornou-se quase um acto subversivo.
Saudavelmente subversivo.
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De Maria Araújo a 25.03.2018 às 16:48

E o que, em tempos, era surpreendente, por exemplo, receber uma carta manuscrita, o prazer que nos dava ler o sentimento de felicidade, de tristeza, de saudade, como ainda hoje quando me apetece , leio as cartas que tenho guardadas de quem esteve longe, ou até aquele papel que era deixado no móvel do quarto contendo os desabafos do pai para o filho a pedir perdão por algo menos bom.
Observar uma caligrafia e associá-la àquela pessoa, aos seus feitos, aos seus sentimentos, é algo único e nosso.
Há muitos anos, um professor chamou-me à atenção por escrever a letra "r" tipográfico maiúsculo. Habituara-me de tal forma que nem tinha consciência que era a única letra maiúscula que usava na escrita.
Pediu-me que treinasse a letra minúscula e desde então passei a usá-la correctamente.
Não sendo nada contra a escrita manual tipográfica, esses textos confundem-me.







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De Pedro Correia a 01.04.2018 às 22:19

Outros tempos, caríssima Maria. Ter uma boa caligrafia faz parte da cultura geral, como é reconhecido noutras latitudes.
Em Portugal, infelizmente, não.
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De Rui Henrique Levira a 26.03.2018 às 04:01

Caligrafia?!!! Ó caríssimo Pedro Correia, a coisa, nos dias que correm, já vai no pasmoso facto de poucos serem os alunos do 2º Ciclo do Ensino Básico que conseguem escrever uma palavra sobre uma linha: as palavrinhas (ou lá o que sejam) levitam, encavalitam-se às três e às quatro, ondeiam, fazem o pino e praticam o harakiri da lógica discursiva sem jamais tocarem nesse arame a que outrora se chamou "linha". É o admirável mundo novo da alfabetização através do poema concretista-minimalista-contorcionista.
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De Pedro Correia a 01.04.2018 às 22:19

Nada admirável mundo novo, meu caro.

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