Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A Igreja Católica em crise

por Cristina Torrão, em 15.04.19

Papa abatido (1).JPG

Leio e comento o Delito de Opinião há quase dez anos, embora, nos últimos tempos, as visitas se tenham tornado mais raras. Como tantos de nós (mea culpa) sucumbi à mais conhecida rede social (sim, o Facebook) e as minhas rondas pelos blogues diminuíram. Não obstante, foi com imensa alegria que recebi o convite do Pedro Correia para me tornar autora regular de um dos mais famosos e lidos blogues portugueses, uma demonstração de confiança que muito me honra.

Feita esta introdução, vamos ao assunto que aqui me trouxe: o abuso sexual de menores dentro da Igreja Católica.

Vivo na Alemanha e sou assinante de um jornal católico semanal, o KirchenZeitung, ou KiZ, na sua abreviatura oficial, pertencente ao bispado de Hildesheim. Nos últimos tempos, traz um ou mais artigos sobre este tema em quase todas as suas edições. Há quem ache que é demais e apele a que se deixe o assunto em paz. Já se admitiu que o problema existe. Não chega? Até porque, felizmente, os clérigos abusadores não são a maioria.

Surdo a tais apelos, o KiZ insiste no assunto. E eu aplaudo. Porque é disso mesmo que os prevaricadores estão à espera: que, depois de se fazer uma balbúrdia à volta do assunto, o caso adormeça e eles possam voltar a maltratar as suas vítimas na paz do Senhor. Como sempre foi, durante séculos e séculos. Uma teia impenetrável de prevaricadores e coniventes, que abafam os crimes, que nunca castigam os criminosos, levando a Igreja de Cristo a esta situação incomportável: protecção dos criminosos, em vez de protecção das vítimas! Dizia, há tempos, uma colaboradora desse jornal: é inadmissível que um padre que o deixe de ser, a fim de se casar, seja tratado de forma mais dura pela sua Igreja, do que aqueles que abusam sexualmente de crianças!

Tenho lido relatos incríveis de antigas vítimas. Também há mulheres, mas a maioria parece ser homens. Em todo o caso, trata-se de pessoas que, só aparentemente, levam uma vida normal, pois não se livram de depressões, insónias, ataques de pânico e tentativas de suicídio durante toda a sua vida. Pessoas com asco de si próprias. Pessoas que tornam a recordar coisas que julgavam esquecidas, por exemplo, quando têm filhos, levando-as a cair novamente num poço escuro e frio, chegando a ficar com medo de tocar nas crianças (as suas crianças) de forma imprópria.

É duro ouvir um homem de sessenta anos dizer que se martirizou com pensamentos de pecado, ao lembrar-se de como regozijou ao saber que o padre, que abusara dele durante dois anos, ia ser transferido para outra paróquia. Na festa de despedida, toda a gente estava triste, por aquele padre tão simpático se ir embora. E ele, um miúdo de 11 ou 12 anos, estava feliz. E censurou-se por isso! É duro ler como bispos regiam autênticas redes de troca de menores. É duro ler como um padre, ganhando a confiança de uma família, a ponto de fazerem férias juntos, abusasse do miúdo, que dormia com ele, enquanto os pais dormiam no quarto ao lado, pensando que o filho não poderia estar entregue em melhores mãos.

Este último caso ilustra como a Igreja tem responsabilidades acrescidas. O Papa Francisco desiludiu no seu discurso de encerramento do encontro extraordinário de bispos em Roma, a fim de debater o assunto, há cerca de dois meses, ao relembrar que abusos sexuais a menores acontecem em todos os lugares onde adultos estão em contacto com crianças e jovens, como clubes desportivos, colónias de férias, lares, etc. Esta relativização caiu mal a muita gente, pois não se pode comparar o prestígio de um clérigo, representante de Deus na Terra, com o de um treinador de ginástica. Além disso, aconteça onde acontecer este crime, não pode ser nunca menorizado ou relativizado. Muitos se perguntam o que levou um Papa, normalmente tão acutilante e corajoso, ficar-se por discurso tão modesto. Por isso, escolhi a fotografia acima para ilustrar este post (igualmente copiada do KiZ): o Papa mostra-se abatido e encolhido, como se o peso que carrega nos ombros se tenha tornado demais para ele.

Numa altura de falta de padres e de igrejas quase vazias, escândalos deste tipo minam a confiança na instituição milenar. Não há dúvida de que a Igreja vive uma grande crise e só resolverá o problema com uma grande reforma. Alguns bispos alemães dão os primeiros passos, apesar de sofrerem a contestação de muitos dos seus pares. O novo bispo de Hildesheim, por exemplo, afirmou, numa entrevista, que a ganância do poder está inscrita no DNA da Igreja. Foi naturalmente muito contestado. Mas também apoiado. Porque ele pôs o dedo na ferida. Os abusos impunes de menores só se tornaram possíveis, porque a Igreja se transformou num clube de homens que se protegem uns aos outros, a fim de manterem o seu poder.

O bispo Heiner Wilmer não se deixa intimidar e constituiu uma comissão que deverá investigar os casos de abuso sexual no seu bispado entre os anos 1957 e 1982, o tempo de regência de um bispo muito querido e conceituado, mas que se desconfia que fazia parte de uma rede de troca de rapazinhos, algo que caiu como uma bomba entre os católicos alemães que se lembram dele, até agora, com muita saudade. Os elementos da comissão investigadora não são clérigos, nem estão particularmente relacionados com a Igreja, a fim de garantir a sua independência. E o bispo Heiner Wilmer prometeu pôr todos os arquivos à disposição dos investigadores. Este é um dos problemas, quando se trata de investigar: a retenção de informação por parte da Igreja.

Quatro pessoas fazem parte da comissão: dois psicólogos, que se encarregarão de entrevistar possíveis vítimas e outras testemunhas; um procurador-geral reformado que, durante quinze anos, presidiu a uma comissão que investigou crimes nazis em Ludwigsburg, e a antiga Ministra da Justiça da Baixa Saxónia (um Land alemão) que presidirá à comissão (informações tiradas do Kiz nº 14, de 07 de Abril passado).

O facto de estar uma mulher à frente desta comissão não é por acaso. O bispo Heiner Wilmer é de opinião de que a Igreja Católica só tem a ganhar envolvendo mulheres nos seus assuntos. Mais: ele considera ser essencial a participação de mulheres na reforma que se exige, não excluindo a sua ordenação.

Foi com agrado que, apesar das críticas que lhe são feitas, constatei haver colegas seus a seguir-lhe o exemplo. No último KiZ (nº 15, de 14 de Abril), li que o bispo de Osnabrück, Franz-Joseph Bode, considera a discussão do papel da mulher na Igreja como urgente, central e inevitável. Na sua opinião, a Igreja Católica está a desmoronar e só pode recuperar a confiança, quando mulheres e homens trabalharem em conjunto. Li igualmente com muito agrado que o bispo de Limburg, Georg Bätzing, pretende igualmente constituir uma comissão, a fim de investigar os abusos sexuais no seu bispado nos últimos setenta anos. A comissão será constituída por duas pessoas não ligadas à Igreja e terão de ser um homem e uma mulher.

Não se trata, aqui, de quotas ou de calar críticas. Trata-se, acima de tudo, de enquadrar mulheres nos meandros da Igreja, quebrando o monopólio dos homens que se apoiam e protegem mutuamente. Desejo muito que isso aconteça. Não porque as mulheres sejam, em geral, melhores do que os homens, mas porque a sua presença quebrará a irmandade masculina. Além disso, a sua opinião deve ser ouvida. Os homens são apenas metade da Humanidade. Nos dias de hoje, não há razão para que sejam apenas eles a decidirem sobre assuntos que digam respeito a toda a Humanidade. Na verdade, impressiona-me que tal procedimento tenha vigorado durante milénios!

Sigo tudo isto com grande interesse, não para atacar a Igreja Católica, mas numa grande esperança de que ela se consiga renovar. A Igreja enfrenta um dos maiores desafios da sua História e urge redefinir o seu papel. Para que serve, hoje em dia? Apenas para baptizados, comunhões, casamentos e funerais? Não podemos esquecer as suas tão necessárias missões caritativas espalhadas pelo mundo. E a Igreja Católica alemã tem-se concentrado noutras causas: o apoio aos refugiados (nos últimos anos, entraram cerca de dois milhões, neste país) e a ecologia. Sim, a preservação do ambiente, aliada à causa animal, tem-se tornado, cada vez mais, uma causa da Igreja. A razão? Proteger a Criação Divina.

Seria bom que a Igreja portuguesa lhe seguisse o exemplo, fomentando o debate sobre temas polémicos e se deixasse de dogmas ultrapassados, a fim de se dedicar a causas realmente importantes.


91 comentários

Imagem de perfil

De Pedro Correia a 15.04.2019 às 10:42

Bem-vinda ao DELITO, Cristina.
Que seja o primeiro de muitos textos no nosso blogue.
Imagem de perfil

De Cristina Torrão a 15.04.2019 às 18:14

Muito obrigada, Pedro.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.04.2019 às 11:00

Bom post. Boa aquisição para o Delito.
Imagem de perfil

De Cristina Torrão a 15.04.2019 às 18:15

Muito obrigada.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.04.2019 às 11:01

Ludwigsburg com g.

Noto no post que muitas cidades alemãs de importância, eu diria, terciária (Osnabrueck, Ludwigsburg, Hildesheim) são sedes de bispados, facto que desconhecia.
Imagem de perfil

De Cristina Torrão a 15.04.2019 às 18:27

Obrigada pela chamada de atenção. Vou já corrigir a gralha.

Quanto às cidades sedes de bispados, tem a ver com a sua importância na Idade Média. Coisas antigas que não se modificaram. Freiburg, também uma cidade pequena, até tem arcebispo. Mas também cidades grandes têm arcebispos, como Colónia (desde a Idade Média) e Berlim.

De notar que só metade da população alemã é católica, a outra metade é luterana. Os luteranos têm outra divisão de bispados.
Imagem de perfil

De Eduardo Louro a 15.04.2019 às 11:31

Um grande reforço para o Delito. Grande entrada, Cristina!
"Como se o peso que carrega nos ombros se tenha tornado demais para ele" - uma frase que vale todo um texto.
Imagem de perfil

De Cristina Torrão a 15.04.2019 às 18:28

Muito obrigada, Eduardo.
Imagem de perfil

De Diogo Noivo a 15.04.2019 às 13:22

Bem-vinda a esta casa, Cristina. Boas escritas.
Imagem de perfil

De Cristina Torrão a 15.04.2019 às 18:29

Muito obrigada, Diogo.
Sem imagem de perfil

De Bea a 15.04.2019 às 17:18

Pelo que diz, a igreja alemã está muito mais actualizada que a portuguesa. E é bom saber que há quem lute pela instituição. E concordo, se o abuso sexual sobre crianças é crime para qualquer homem, é-o mais para um membro da igreja cuja obrigação, e vocação se existe, é proteger quem mais precisa; que à sombra da protecção se pratiquem crimes desse género, é mau. Não penso que se deva varrer para debaixo do tapete o lixo da igreja, não os desculpo, devem ser julgados. Mas admito que os erros são próprios do homem e que cada homem, só por pertencer à espécie tem direito à sua dignidade, mesmo se é ele o primeiro a desrespeitá-la.
Imagem de perfil

De Cristina Torrão a 15.04.2019 às 18:37

Bea, penso que a Igreja Católica alemã é bastante influenciada pela Igreja Evangélica Luterana. Metade da população é luterana. Os luteranos não são obrigados ao celibato e há muito que autorizaram a ordenação de mulheres. Há até casais em que os dois são "pastores". E há mulheres bispas, uma palavra que o corrector online (e do Word) assinala como erro, por não existir na nossa língua.

As duas Igrejas dão-se bem por aqui. Organizam-se muitas missas ecuménicas. E há muitos cemitérios ecuménicos, cuja capela tanto pode ser usada por um padre católico, como por um pastor protestante.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 16.04.2019 às 08:53

As duas Igrejas dão-se bem por aqui.

Eu fiquei surpreendido, quando cheguei ao centro de Dortmund, por ver duas igrejas praticamente juntas (a Reinoldi e a Petri) e depois vir a saber que uma é católica e a outra protestante. Mas estão ali juntinhas em boa paz.

Em Portugal, por motivos evidentes, nunca há duas igrejas a poucos metros uma da outra.
Sem imagem de perfil

De Bea a 17.04.2019 às 01:18

Eu nem sequer entendo para que existem várias religiões cuja figura central é Cristo. Os homens são mesmo miudinhos.
Ainda bem que na Alemanha as duas igrejas não estão de costas viradas.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.04.2019 às 19:47

Depois que me fui apercebendo das incoerencias da Igreja Cato'lica nao hesitei em deixar em definitivo a pra'tica duma religiao que herdara a partir do berco... Nada, ou quase nada mudou!... Nao posso aceitar, ver as mulheres arrumadas das decisoes e colocadas num plano inferior ao dos homens!... Que e' isto?!... E porque nao e' permitido aos padres casarem e terem filhos?!... Claro, que nao iria resolver as graves questoes do asse'dio sexual do clerigo para com os menores, mas ajudaria muito!... E haveria mais para comentar, mas... por aqui me fico!
Sem imagem de perfil

De sampy a 15.04.2019 às 18:35

A Notre Dame em chamas: essa é que é a imagem.
Imagem de perfil

De Cristina Torrão a 15.04.2019 às 18:49

Acabei de tomar conhecimento. Horrível.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.04.2019 às 19:30

O Delito fez uma boa "contratação". Escreve excelentemente, possui ideias muito equilibradas e concretas acerca dos assuntos e - muito importante - não se move a soldo.
Os céticos das profecias de Nostradamo, começarão a ter motivos para lhes dar mais crédito. Nesta matéria «Igreja Católica», tudo aponta para o anunciado "final dos tempos". Nunca ninguém supos que a causa estivesse numa tão baixa e perversa atuação dos órgãos máximos daquela instituição.
Imagem de perfil

De Cristina Torrão a 15.04.2019 às 20:06

Muito obrigada pela parte que me toca.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 15.04.2019 às 20:48

Nortre Dame não tem culpa nenhuma.
É arte e história.
Criação do espírito humano.
Quanto às hierarquias de todas as igrejas, não passam de máfias monstruosas.
João de Brito
Sem imagem de perfil

De Vento a 15.04.2019 às 20:51

Esta foi uma entrada à Sporting. Também quero driblar e passar a bola.

A causa principal da Igreja é a causa de Jesus. A ICAR até pode andar pelas ecologias, se a matéria principal for a ecologia do Ser.
Para melhor me fazer entender: Se quisermos falar em revolução compreenderemos que a revolução por Jesus propugnada era e é aquela que se gera no interior do Homem. É uma revolução contra a ira, a ganância o egoísmo, a luxuria, os preconceitos e, em suma, a crueldade. Uma transformação do amor próprio em fraternidade e amor por todos. O Homem renascido mudaria tudo; e o mundo continuaria a ser o mesmo.

Compreender esta mudança centrará o nosso olhar em duas matérias essenciais: o Reino dos Céus e o Reino de Deus.
Ao Homem transformado é-lhe oferecida a oportunidade de viver e experienciar essa alegria e liberdade que o leva a romper com os padrões enunciados (Reino dos Céus); e, simultaneamente, prepara o Homem para essa dádiva que é o Reino de Deus, pois o Seu Reino não é deste mundo.

A metáfora em torno das duas faces da moeda, "Dai a César o que é César e a Deus o que é de Deus", entre outros significados, revela-nos que Jesus não propõe e não tem como missão um golpe de mão e fazer cair regimes, mas fazer cair as trevas, isto é, a ignorância, que impedem o Homem de realizar em si mesmo o encontro com essa dimensão que o mundo abafa.
É isto que se exige à Igreja, é isto que a Igreja tem de saber fazer, em nome de Jesus e sempre em Jesus, a face visível do invisível. Portanto, é compreender que a Igreja são pedras vivas e que essas pedras são também aqueles leigos e "pequeninos" que tudo devem fazer não só para a renovar mas também para a salvar. Esta missão é dos cristãos, e em particular dos cristãos católicos. Quando a Igreja vacila tem de haver alguém com coragem para lhe lavar os pés e servi-la, sempre em nome de Jesus e por Jesus.



Imagem de perfil

De Cristina Torrão a 16.04.2019 às 11:46

«A revolução por Jesus propugnada era e é aquela que se gera no interior do Homem» - concordo inteiramente. A modificação deve começar em nós próprios, no nosso interior. Infelizmente, a maioria das pessoas continua a pensar que quem tem de mudar são os outros.
A Igreja devia saber transmitir essa mensagem, sim.

Comentar post


Pág. 1/3



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D