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A idade dos meus pais

por Teresa Ribeiro, em 06.05.19

Quando penso nos meus pais, imagino-os quase sempre nos quarentas. Ainda vigorosos, na pujança da sua vida adulta. Nessa idade consigo situá-los convenientemente longe da juventude - nenhum filho vê os pais como jovens - mas também da velhice.

Quis saber se com outras pessoas, que já perderam os pais, acontece o mesmo e após breve sondagem percebi que não sou um caso raro. Mesmo se os pais chegam a idade avançada, existe alguma tendência para os recordar mais novos, sempre a rondar aquela faixa etária que os situa longe dos verdes anos, mas também dos primeiros sinais de decadência física. 

Sei bem porque os fixo nesse intervalo temporal. É sobretudo para elidir o que testemunhei quando as marcas do seu envelhecimento começaram a cobrir o futuro de sombras. Mas também para reconduzi-los ao lugar de onde nunca deveriam ter saído - o de guardiães da minha infância. Sem eles - ou sem a memória deles a exercer em pleno o seu papel - é como se a chave dos meus anos fundadores se perdesse e tivesse que passar a viver do lado de fora de mim.

 


40 comentários

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De Sem Sentido a 06.05.2019 às 17:51

O bom de imaginarmos os nossos pais nos "quarentas" é acharmos que ainda estamos nos "vintes". Infelizmente, não é assim. Com o tempo, deixamos de ter os "guardiães" da nossa infância para sermos os "guardiães" da infância dos nossos filhos e da velhice dos nossos pais. É a lei da vida!
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De Teresa Ribeiro a 07.05.2019 às 11:40

Foi só quando perdi os meus pais que me senti 100% adulta. Não sei se com os outros se passa o mesmo, acredito que sim. Tal como os nossos pais nos vêem sempre pequenos, também nós, nessa relação, nos acomodamos, ainda que inconscientemente, a esse papel. Condicionados pelas memórias mais antigas que mantemos em exclusivo e que formataram a nossa relação (e em larga medida a relação que temos com a vida).
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De Luís Lavoura a 07.05.2019 às 15:44

Foi só quando perdi os meus pais que me senti 100% adulta

Eu foi quando perdi o meu pai (a mãe já morrera há muito) que me senti cheio de responsabilidades em cima. Foi (e é ainda) um stress imenso. Comecei nessa altura a engordar (não posso afirmar que haja uma relação de causa-efeito, mas suspeito que sim).
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De Teresa Ribeiro a 08.05.2019 às 11:36

Esse é um "stress" que permanece, por muitos anos que passem. Não voltamos a ser os mesmos.
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De Corvo a 06.05.2019 às 20:23

Uma bonita e enternecedora homenagem aos seus pais. Lindo.
Os bons pais bons filhos geram.
Do Céu, deles recebe um beijinho.
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De Teresa Ribeiro a 07.05.2019 às 11:42

Obrigada pelas suas palavras
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De alexandra g. a 06.05.2019 às 20:24

Eu serei, então, uma excepção, Teresa, provavelmente por já terem casado muito mais tarde, para as tradições/costumes da sua geração - ele, sempre embarcado, ela, pulando de aldeia em aldeia, ainda professora. Casaram, ela com 29 e ele com quase 35 anos, mas ainda geraram 4 filhos :)

Seja lá como for, eram lindos e, apesar das fotos da sua juventude, recordo-os como foram viajar (ele, teria 94 anos, ela, 89, agora).

____________
(sôdades)

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De Teresa Ribeiro a 07.05.2019 às 11:44

Há factores que determinam estas nuances, como a idade em que foram pais e a própria forma como envelheceram. Se correu tudo bem até ao fim, provavelmente nós, filhos, não temos necessidade de fazer a tal elipse de que falei...
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De Anónimo a 06.05.2019 às 21:46

Sim

lucklucky
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De Bea a 06.05.2019 às 23:14

A velhice dos pais não quadra com o que a memória guarda, porque lhes muda o rosto e embota os sentimentos, porque, sendo avançada, leva consigo quase tudo daquilo que os caracterizava e a que ganhámos hábito.
Não recordo os meus pais nos quarenta. Aliás, cada um tem na minha memória uma idade diferente, acho que os desencontro:). A minha infância é uma teia de gente com minha mãe no cume das presenças.
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De Teresa Ribeiro a 07.05.2019 às 11:46

"A velhice dos pais não quadra com o que a memória guarda, porque lhes muda o rosto e embota os sentimentos, porque, sendo avançada, leva consigo quase tudo daquilo que os caracterizava e a que ganhámos hábito" - é isso mesmo, Bea.
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De Bea a 07.05.2019 às 21:58

Resta a memória do tanto que amámos neles e o tempo levou. E também é verdade que a velhice que derrota, comparada com a totalidade temporal em que os tivemos, é a fase mais curta.
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De Pedro Correia a 06.05.2019 às 23:18

Excelente texto, Teresa. Revejo-me muito nas tuas palavras.
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De Teresa Ribeiro a 07.05.2019 às 11:47

Obrigada, Pedro
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De Luís Lavoura a 07.05.2019 às 09:03

Pois eu, quando penso nos meus pais (que já morreram há muito), penso sempre neles como eram em velhos, pouco antes de morrerem. Talvez porque já tenho muito pouca ideia de quando, em tempos muito mais distantes, eles eram de meia idade. E no caso do meu pai, que quando nasci já tinha 40 anos, quase nunca o conheci propriamente de meia idade.
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De Teresa Ribeiro a 07.05.2019 às 11:52

Pois, no seu caso, imagino que é difícil lembrá-los mais jovens.
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De Maria a 07.05.2019 às 21:28

Muitos parabéns pela bela homenagem aos seus pais.
Ainda tenho mãe, o meu pai faleceu há 3 anos, mas a imagem que recordo já teria uns 87 anos, faço por nao vidualizar a fase final. Faleceu com 90 anos. Uma sombra do que era.
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De Teresa Ribeiro a 08.05.2019 às 11:33

Obrigada, Maria. Por falar de sombras: e ver as sombras nos seus olhos? Quando acontece, e foi o caso dos meus, que têm consciência de que são uma sombra do que eram....
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De Margarida a 08.05.2019 às 11:17

Muitos parabéns pela homenagem que faz aos seus pais.
Ainda tenho mãe, mas o meu pai já faleceu há algum tempo, tinha eu 30 anos, recordo-o sempre muito ativo, com muita saudade.
Bem haja!
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De Anónimo a 08.05.2019 às 13:44

Estou com 54 anos, Felizmente tenho a minha mãe mas Desoladamente não tenho o meu pai e todos os dias choro alegremente por ele. Aos meus queridos e eternos pais.
Mario

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