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A hora de Marcelo

por Pedro Correia, em 09.03.16

MarceloRebelodeSousa1[1].jpg

 

De raros portugueses se poderá dizer - como dele é justo referir - que se prepararam desde sempre para a função presidencial, a partir de hoje exercida por Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa.

O sucessor de Cavaco Silva fez quase tudo quanto queria, do modo muito peculiar que é o seu: não lhe conhecemos ressabiamentos nem frustrações. É um homem bem resolvido em diversos planos, tanto quanto alguém o pode ser.

Acaba de cumprir a menos dispendiosa e mais bem sucedida campanha eleitoral de que há memória entre nós. Nenhum político actual consegue competir com ele em popularidade. Nem chega ao Palácio de Belém para ajustar contas com terceiros. Define-se pela positiva e este é um precioso atributo num país de gente deprimida - característica que não vem expressa em nenhuma alínea da Constituição da República mas que ele imprimirá ao seu mandato com a urgência necessária. Estou certo disso.

O que mais nos falta é aquilo que mais devia abundar nesta nação que, como dizia o poeta, durante séculos soube "navegar além da dor": alguém que olhe para um copo e o veja meio cheio.

Tão simples como isto.

Marcelo, que acaba de prestar juramento solene e pronunciar um  notável discurso inaugural como Presidente da República, é esse homem. E esta é a sua hora. Chega no momento certo.


26 comentários

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De Emotion Pictures a 13.03.2016 às 11:55

Como quem faz uma caminhada no paredão, MRS, qual tio de Cascais, dirige-se a pé à Assembleia (porque não de ténis e com um look mais sportswear, podia até ter patrocinado uma marca, lá chegaremos). Na paragem de autocarro, os filhos (que usam o autocarro apenas como cenário) acenam. Um toque de luxo «a la Comporta» (viver como o povo, mas luxuosamente). O Palácio de Belém cheio de povo, mais uma encenação de vedeta da tv, com os seus caprichozinhos. Que bonito! Música no coração.

Considerações e citações do livro «Psicopolítica' de Byung-Chul Han:
«Este livro começa com uma análise da liberdade como projecto e desenvolve-se como olhar crítico sobre as novas técnicas de poder do capitalismo neoliberal, que influenciam a vida psíquica convertendo-a na sua principal força de produção»
«(...) Hoje substitui-se a gestão racional pela gestão emocional»
«Ora o capitalismo analisado por Weber é um capitalismo ascético, que segue a lógica racional, mais do que a emocional (quem é que isto nos lembra?). O capitalismo neoliberal vende significações e emoções. Não é o valor de uso, mas o valor emotivo, que constitui a economia neoliberal».

Sobre o livro «Intimidades Congeladas. As Emoções na Construção do Capitalismo» de Eva Illouz:
«Em geral, tem sido dito que o capitalismo tem um rosto frio, desprovido de emoções, guiado pela racionalidade burocrática, indiferente aos afectos (...). No entanto, neste tão inteligente, quanto provocador livro, Eva Illouz mostra como o capitalismo neoliberal tem alimentado uma cultura emocional intensa. As relações económicas têm adquirido um carácter profundamente emocional e as relações íntimas são cada vez mais definidas por modelos económicos e políticos. Eva Illouz explora esse «capitalismo emocional» que se apropria dos afectos, transformando-os em mercadoria e moeda de troca».

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De Pedro Correia a 13.03.2016 às 14:58

Merece o prémio extremismo-clichê da semana. Por larga margem.

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