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A hora de Marcelo

por Pedro Correia, em 09.03.16

MarceloRebelodeSousa1[1].jpg

 

De raros portugueses se poderá dizer - como dele é justo referir - que se prepararam desde sempre para a função presidencial, a partir de hoje exercida por Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa.

O sucessor de Cavaco Silva fez quase tudo quanto queria, do modo muito peculiar que é o seu: não lhe conhecemos ressabiamentos nem frustrações. É um homem bem resolvido em diversos planos, tanto quanto alguém o pode ser.

Acaba de cumprir a menos dispendiosa e mais bem sucedida campanha eleitoral de que há memória entre nós. Nenhum político actual consegue competir com ele em popularidade. Nem chega ao Palácio de Belém para ajustar contas com terceiros. Define-se pela positiva e este é um precioso atributo num país de gente deprimida - característica que não vem expressa em nenhuma alínea da Constituição da República mas que ele imprimirá ao seu mandato com a urgência necessária. Estou certo disso.

O que mais nos falta é aquilo que mais devia abundar nesta nação que, como dizia o poeta, durante séculos soube "navegar além da dor": alguém que olhe para um copo e o veja meio cheio.

Tão simples como isto.

Marcelo, que acaba de prestar juramento solene e pronunciar um  notável discurso inaugural como Presidente da República, é esse homem. E esta é a sua hora. Chega no momento certo.


26 comentários

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De Luís Lavoura a 09.03.2016 às 15:22

a menos dispendiosa campanha eleitoral de que há memória entre nós

Esperemos que agora a sua presidência venha a ser tão pouco dispendiosa quanto a campanha o foi. Nomeadamente, que não vá encher a presidência de tantos assessores quanto os seus antecessores o fizeram.
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De Pedro Correia a 10.03.2016 às 07:17

O exercício da presidência manter-se-á ao nível das expectativas que a campanha suscitou, estou convicto.
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De Luís Lavoura a 10.03.2016 às 09:49

Tenho as minhas dúvidas.
Para começar, gostaria de saber quem pagou o espetáculo musical de ontem (e quanto ele custou), mais próprio do começo de um reinado do que do começo de uma presidência republicana.
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De Pedro Correia a 11.03.2016 às 23:25

Um espectáculo musical na Praça do Município só com artistas portugueses foi uma excelente forma de começar o mandato. A Presidência também deve festejar-se na rua, não apenas na sessão solene do Parlamento e no banquete oficial em Belém.
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De José da Xã a 09.03.2016 às 16:00

E tanto que o país necessita de um PR que seja congregador de ideias e posições.
O antecessor podia ser um grande técnico mas tinha muita dificuldade e adaptar-se e acima de tudo em falar com os demais parceiros.
Não admira por isso que tivesse sempre com Mário Soares uma relação, senão truculenta, pelo menos muuuuuuuuuito fria e distante.
Não sei se Marcelo será o homem certo no lugar certo, mas tenho a certeza que fará melhor trabalho que fez Cavaco.
O que também, diga-se de passagem, não será de todo assaz difícil.
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De lucklucky a 09.03.2016 às 18:42

Não?
Espere para ver as "surpresas" dos próximos 8 anos. Internas e Externas.
A demografia está cada vez a bater mais à porta. A imigração e a consequente destruição cultural no centro da Europa e na Escandinávia devido ao Politicamente Correcto uma das tácticas do Marxismo só vai acelerar e aumentar a revolta.
Também por isso os EUA estão cada vez mais partidos.

Vai ver que Marcelo nesse sentido se vai demitir como Cavaco o fez de frente a Sócrates e ao caminho para a bancarrota.

Enquanto os jornais não mudarem no Ocidente - e o jornalismo é o maior problema do Ocidente - serão só desastres atrás de desastres.
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De José da Xã a 09.03.2016 às 21:22

Caríssimo,

percebo o que quer dizer! Mas neste momento a restante Europa é (ou será???) o menor dos nossos problemas!
O país está disperso, longe da política activa, dos idosos, das crianças, dos jovens...
Primeiro é necessário inverter a ideia de Eça, quanto aos políticos portugueses, quando escrevia:
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Deste modo o actual PR tem na mão a possibilidade única de credibilizar o País, as instituições e acima de tudo os Portugueses.
Basta que o queira...
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De Pedro Correia a 10.03.2016 às 07:22

Marcelo dispõe de um capital político que - estou certo disso - não desperdiçará.
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De Pedro Correia a 10.03.2016 às 07:22

"O jornalismo é o maior problema do Ocidente"?
Só se for por estar a deixar de existir a um ritmo tão acelerado. A última década tem sido letal para o jornalismo - em várias frentes e em diversos níveis.
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De lucklucky a 10.03.2016 às 17:41

O jornalismo -e a educação- é o que cria a cultura.
Ou seja o que é permitido e o que é proibido.

O Jornalismo é o futuro de uma sociedade, avisa para os perigos futuros, notícia o que se passa permitindo uma sociedade aprender, corrigir e adaptar-se se possível com antecipação.

O Jornalismo dedicou e dedica inúmeras energias e recursos a teorias como o Aquecimento Global algo impossível de provar destruindo com isso economia e aumentando entropia.
Ao contrário, escondeu o Endividamento até este explodir na nossa cara.
Desde à 50 anos recompensa politicamente o terrorismo e a tpropagar cada causa da Esquerda.
Por exemplo o jornalismo não fala da discriminação dos baixos, dos feios ou da quantidade de engenheiros, arquitectos, cientistas, comerciantes, empresários na Assembleia da Republica, fala da quantidade de vaginas porque tal é um táctica/grupo eleitoral do Partido Democrata Americano que importou.

Com o jornalismo que existe no Ocidente o futuro estará sempre cheio de surpresas: do petróleo a 30 dolares e do fracking , da ISIS à Dívida - bastava só olhar para os défices-, imigração, etc etc...

Ou seja não presta e como não presta as pessoas com o tempo deixam de comprar pois não conseguem entender o que se passa.
A razão para se comprar um jornal.
Excepto o tipo de políticos que só existem porque foram criados por ele. Esses vão continuar a comprar.

Portugal por exemplo é uma sociedade que não aprende por causa do jornalismo. Em condições normais sem o bias político da classe teríamos os jornais a mostrar os exemplos dos países que não caem no endividamento, a fazer programas sobre o assunto, para não mais acontecer. Mas a cultura vigente, o sistema de corrupção cultural social só pode existir com o défice.
Logo não fazem, querem défice e logo mais dívida.
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De Pedro Correia a 11.03.2016 às 23:30

Você encara o jornalismo como se fosse algo diabólico. O nosso problema não é excesso de jornalismo: é, pelo contrário, de défice de jornalismo. Falta jornalismo para escrutinar as instituições, a todos os níveis. Temos um jornalismo cada vez mais deficitário. E a democracia portuguesa só empobrece com isso. Porque não existe democracia autêntica sem imprensa livre e forte.
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De Pedro Correia a 10.03.2016 às 07:20

Cavaco Silva manteve sempre uma relação distante com os portugueses, até por uma questão de timidez natural. Isto foi particularmente pungente no período subsequente a 2010 - ou seja, após a eclosão da crise financeira em Portugal. E as declarações que fez lamentando a perda de poder de compra do casal presidencial foram inaceitáveis e chocantes, sobretudo naquele contexto.
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De José da Xã a 10.03.2016 às 09:28

O PR tem, por inerência do cargo que ocupa, de ter cuidado com o que faz e acima de tudo com o que diz, evitando dessa forma colocar-se a jeito às críticas de adversários e opositores.
Mas Cavaco Silva nunca escondeu o seu pensamento e sempre disse o que pensava. Na maioria das vezes da pior forma.
Lembras-te da expressão que ele utilizou "gato por lebre" quando se referiu à actividade bolsista?
Neste sentido calculo que Marcelo terá uma postura muito diferente, para melhor pois é um homem dialogante e lúcido.
Assim queira também o actual governo e quem o apoia!
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De Pedro Correia a 11.03.2016 às 23:27

Lembro-me da expressão "espiral recessiva" que Cavaco utilizou em 2013, vaticinando o que afinal não chegou a acontecer. Lá está a questão do copo, que o anterior inquilino de Belém preferia ver meio vazio.
Gosto de um Presidente que encare o copo e o veja meio cheio. Todos precisamos de um inquilino de Belém assim.
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De jorge a 09.03.2016 às 20:46

Marcelo faz parte do sistema vigente há 40 anos.
Vai ser um grande fiasco mais os consensos da treta.
Toda a classe politica não deseja reformar o que quer que seja.
Status quo, oblige
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De Pedro Correia a 10.03.2016 às 07:15

Ainda bem que Marcelo "fez parte do sistema vigente há 40 anos". Recordo-lhe que a democracia foi implantada em Portugal há precisamente 40 anos.
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De Maria Dulce Fernandes a 11.03.2016 às 11:27

É o segundo homem em Belém com berço político elegido democraticamente. Diz quem com ele privou no primeiro dia, longe das parangonas , das fotos e dos bonecos para português ver, que marcou pela diferença. Marcou pela positiva, começou por baixo e só depois subiu. Muito houve quem o apelidasse de entretainer. Eu sei que ele se entreterá a ser um bom presidente e que representará condignamente o mais alto estatuto nacional, que é o de Cidadão Português.
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De Pedro Correia a 11.03.2016 às 23:27

Subscrevo sem hesitar a sua última frase, Dulce.
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De Emotion Pictures a 13.03.2016 às 11:55

Como quem faz uma caminhada no paredão, MRS, qual tio de Cascais, dirige-se a pé à Assembleia (porque não de ténis e com um look mais sportswear, podia até ter patrocinado uma marca, lá chegaremos). Na paragem de autocarro, os filhos (que usam o autocarro apenas como cenário) acenam. Um toque de luxo «a la Comporta» (viver como o povo, mas luxuosamente). O Palácio de Belém cheio de povo, mais uma encenação de vedeta da tv, com os seus caprichozinhos. Que bonito! Música no coração.

Considerações e citações do livro «Psicopolítica' de Byung-Chul Han:
«Este livro começa com uma análise da liberdade como projecto e desenvolve-se como olhar crítico sobre as novas técnicas de poder do capitalismo neoliberal, que influenciam a vida psíquica convertendo-a na sua principal força de produção»
«(...) Hoje substitui-se a gestão racional pela gestão emocional»
«Ora o capitalismo analisado por Weber é um capitalismo ascético, que segue a lógica racional, mais do que a emocional (quem é que isto nos lembra?). O capitalismo neoliberal vende significações e emoções. Não é o valor de uso, mas o valor emotivo, que constitui a economia neoliberal».

Sobre o livro «Intimidades Congeladas. As Emoções na Construção do Capitalismo» de Eva Illouz:
«Em geral, tem sido dito que o capitalismo tem um rosto frio, desprovido de emoções, guiado pela racionalidade burocrática, indiferente aos afectos (...). No entanto, neste tão inteligente, quanto provocador livro, Eva Illouz mostra como o capitalismo neoliberal tem alimentado uma cultura emocional intensa. As relações económicas têm adquirido um carácter profundamente emocional e as relações íntimas são cada vez mais definidas por modelos económicos e políticos. Eva Illouz explora esse «capitalismo emocional» que se apropria dos afectos, transformando-os em mercadoria e moeda de troca».

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De Pedro Correia a 13.03.2016 às 14:58

Merece o prémio extremismo-clichê da semana. Por larga margem.
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De Emotion Pictures a 13.03.2016 às 20:37

Parece haver algum grau de intolerância no seu comentário extremado e extremoso.

Se extremoso, pode ser sempre dar o primeiro prémio ao marketing-cliché de MRS. Terá MRS recorrido a algum coacher de imagem?

Já o lado extremado, mostra-se inadequado e gratuitamente depreciativo das obras de Byung-Chul Han e de Eva Illouz.

Quanto ao meu comentário, pode desagradar-lhe fortemente, mas não me parece extremista (explique porquê o seu exagero) nem cliché (desconheço algum comentário semelhante ao meu. Existe?).
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De Pedro Correia a 13.03.2016 às 21:06

O seu comentário está eivado de "radicalismo pequeno-burguês de fachada socialista", como diria o sábio Álvaro.
Tirando isso, tudo bem.
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De Emotion Pictures a 14.03.2016 às 11:12

O seu comentário é tão anacrónico e exagerado como eu escrever que, no mesmo, exprime um desdém proletário.

Não me diga que considera o Marketing óbvio de MRS uma «acção de massas» revolucionária, que Barreirinhas opõe ao «radicalismo pequeno-burguês».

Já vi que tem os seus intocáveis, mas não me parece que o meu comentário tenha sido ofensivo: MRS é uma vedeta da Tv? É; é um tio de Cascais? É (se se fala das tias da linha, porque não falar dos tios).

Não gosto do FENÓMENO da indústria mediática, que levou MRS a presidente:
- as pessoas querem caras conhecidas, o que quer que as tenham tornado conhecidas (14 anos como comentador, em monólogos sem debate plural, é arrepiante)
- inspira-se no Papa (copia a forma não o conteúdo).
- utiliza os ingredientes preferidos das audiências de massas (nas telenovelas, nos reality, na sociedade do espectáculo).
- e o ingrediente-chave da capitalismo neoliberal, a capitalização dos afectos/ pseudo-afectos.

Seria interessante e importante fazer uma análise mais detalhada do fenómeno Marcelo.




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De Pedro Correia a 14.03.2016 às 23:13

O seu comentário não é nada ofensivo. Aliás sou o primeiro a defender, incentivar e aplaudir a liberdade de expressão. Sempre detestei unanimidades. Também detesto a falta de sentido de humor.

Não escondo a minha opinião sobre Marcelo Rebelo de Sousa. Não coincidimos nisso, você e eu, mas não há problema nenhum. Por acaso até concordo com a sua frase final: "Seria interessante e importante fazer uma análise mais detalhada do fenómeno Marcelo."
Não faltarão oportunidades para isso, sobretudo agora que Marcelo é Presidente da República.
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De Emotion Pictures a 15.03.2016 às 10:44

Fenómeno Pop Star, não que considere MRS fenomenal.

High Five para si.

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