Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A História na primeira pessoa

por Pedro Correia, em 22.10.14

Katherine Graham, proprietária do Washington Post, e Ben Bradlee, que dirigiu o jornal durante dez mil dias. Ambos permaneceram imunes às pressões da Casa Branca durante o caso Watergate

 

Editam-se em Portugal cerca de mil livros por mês. Nada mau, para um país com tão poucos hábitos de leitura. Mas continuo a espantar-me com a ausência de títulos importantes no nosso mercado editorial. Talvez o livro que hoje mais gostasse de ver com edição portuguesa fosse a autobiografia de Ben Bradlee. Sabem quem é? Esse mesmo: o jornalista que transformou o Washington Post num dos jornais mais célebres à escala planetária. Fala-se muito em Bob Woodward e Carl Bernstein, os repórteres que revelaram ao mundo todas as implicações do caso Watergate. Fala-se muito menos em Bradlee, que na altura dirigia o Washington Post, então uma espécie de parente pobre na alta roda da imprensa norte-americana, sempre à sombra do poderoso rival New York Times. Mas nenhum dos artigos de Woodward e Bernstein (a dupla que ele baptizou de “Woodstein”, nos longos serões de trabalho no jornal durante a revelação do escândalo que conduziria à demissão do presidente Nixon) teria sido possível sem a firmeza de Bradlee, que lhes deu destaque em sucessivas manchetes. Contra todas as pressões do poder político.
 

A Good Life, de Ben Bradlee, que li na versão espanhola – editada pela casa editorial do diário El País, sob o título La Vida de un Periodista - é uma extraordinária lição de jornalismo escrita por este homem nascido em 1922, combatente na II Guerra Mundial e velho tarimbeiro das redacções. Começou pela melhor escola americana, no jornalismo de província, e teve um percurso fulgurante, que o levou a chefe da delegação da revista Newsweek em Paris, correspondente de guerra na Argélia e no Suez, e enfim a Washington, onde passou a dirigir o Post em 1962. A curta distância da Casa Branca, onde então pontificava John Kennedy, seu amigo pessoal.
Bradlee relata-nos a odisseia do relançamento do Post, que à época era apenas o terceiro jornal mais vendido na capital americana. Ele arejou o grafismo, destacou a imagem, criou um suplemento chamado Style, que dava prioridade ao lazer, valorizou o espaço de opinião, criou um provedor de leitores (em 1969!) e deu um novo impulso à reportagem. Bastando-lhe adoptar como lema a velha lição que recebera da professora da instrução primária: “O melhor possível hoje, melhor ainda amanhã.”
A qualidade foi sempre um objectivo a atingir. “A detecção de talentos nunca cessa num periódico”, afirma Bradlee, então “decidido a que cada jornalista fosse o melhor da cidade no seu ramo de actividade”. Este foi um dos segredos do sucesso do jornal, a par das normas de exigência postas em vigor. O Post deixou de usar a ambígua expressão “segundo as nossas fontes”, instituiu a norma da verificação dos factos junto de duas fontes autónomas e recomendou aos seus repórteres que nunca esquecessem o sábio preceito de Camus, que também foi jornalista: “Não existe a verdade. Só existem verdades.”
 
La Vida de un Periodista dá-nos retratos deliciosos de jornalistas. Howard Simons, director-adjunto do Post, que cunhou a expressão SMERSH para designar a secção dedicada a estes temas (segue em inglês para se entender melhor): Science, Medicine, Education, Religion & All That Shit. Art Buchwald, o incomparável humorista. Jim Truitt, que permaneceu 47 horas sentado à máquina de escrever, produzindo uma lista com mais de mil sugestões no dia em que Bradlee protestava contra a “falta de ideias” na redacção. E, obviamente, a dupla “Woodstein”: Watergate nunca teria sido o que foi sem a “destreza e persistência” destes repórteres, que transformaram este velho ofício num mito: nos anos 70 e 80, o jornalismo tornou-se a profissão mais cobiçada do planeta.
Bradlee permaneceu dez mil dias à frente do Post. Saiu em 1991, sob uma ovação imensa dos jornalistas, retirando-se para a sua propriedade rural, onde redigiu este livro, lançado em 1995. Sob a sua liderança, o diário ganhou 18 prémios Pulitzer e firmou-se como um dos grandes títulos mundiais, conquistando uma sólida reputação de independência – o melhor certificado de nobreza de qualquer jornal. A good life indeed.
 
Reedito este texto em homenagem a Ben Bradlee, ontem falecido em Washington, aos 93 anos


22 comentários

Sem imagem de perfil

De ze luis a 22.10.2014 às 18:51

Com o caso da NSA, denunciado por Ed Snowden, pegado de forma reticente no Post (e no NYT), temos o contraponto oportuno: jornalismo que pede autorização ao Governo, Administração Obama que acciona jornalistas mais do que todos os seus predecessores juntos, relutância em sujar as mãos e arriscar o coiro muito menos - mas os "editors" são milionários enquanto a credibilidade e autoridade dos jornalistas e dos jornais em questão é posta de rastos - ler "Sem Esconderijo" (No Place to Hide), de Ed Snowden e tem-se uma ideia da coisa hoje em dia.

Heroismo então; repugnância hoje. Jornalismo íntegro e profissional vs. jornalismo vendido e vencido, a sub-informação e a pseudo-informação, os controlers que qualquer Governo ambiciona ter: pode-se falar das Judites e Zés Albertos do nosso quotidiano; da mesmice da SIC e da irrelevância da tv estatal. Dos pasquins, agonizantes, nem a venderem-se se vendem.

Belo contraponto. E que tem de ser posto em órbita para nenhuma antena perder o contacto com a realidade.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 11:30

Uma democracia sem um jornalismo forte, vigilante, incómodo, é uma democracia condenada a prazo à exaustão ou à irrelevância.
É no entanto uma ilusão presumir que o combate pelo direito à informação é tarefa exclusiva dos jornalistas. Não é. Esse combate só terá êxito se for uma exigência permanente da cidadania.
Sem imagem de perfil

De Vento a 22.10.2014 às 20:50

Belo tributo e bela referência, Pedro. Bradlee, Woodward e Bernstein marcaram e influenciaram não só uma geração de jornalistas como também, e não menos importante, várias gerações de leitores de jornais que apreciam o verdadeiro jornalismo. Quando digo várias gerações de leitores, refiro-me obviamente àquelas gerações que escutavam de seus pais as exigências que se deviam colocar sobre o direito à(s) verdade(s) informativa(s).
Sem imagem de perfil

De Vento a 22.10.2014 às 23:07

Pedro, o link que anexo nada tem que ver com o tema. Mas em tempo tivemos uma pequena conversa sobre a morte de Kennedy e gostaria que ficasse com mais esta peça que foi disponibilizada no final do ano passado.

http://www.youtube.com/watch?v=aknLrdjqKDY
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 11:31

Thanks for the link, Wind.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 11:40

O caso Watergate - que conduziu à queda do presidente dos EUA, algo impensável até aí - representou o ponto culminante do chamado jornalismo de investigação (um conceito algo redundante, pois no limite todo o jornalismo envolve investigação). Ao apogeu seguiu-se a queda: as más notícias sucedem-se, com o esvaziamento progressivo e constante das redacções.
Refiro-me a notícias como estas:
http://observador.pt/2014/10/01/new-york-times-vai-despedir-100-jornalistas/
http://economico.sapo.pt/noticias/usa-today-despede-130-funcionarios_97963.html
Qualquer banalidade projectada nas redes sociais, nos tempos que correm, sobrepõe-se a uma notícia digna desse nome. Serve, a título de exemplo, aquela disparatada onda de banhos gelados que mobilizava as "celebridades" à escala planetária e gastou horas, dias, semanas e meses de espaço informativo. Como se de facto merecesse tamanha difusão.
Sublinho isto para salientar que o problema não existe apenas ao nível dos produtores de informação. Existe também ao nível dos consumidores, que cultivam, alimentam, exigem e enaltecem a trivialidade e a irrelevância - e nada mais que isso.
Sem imagem de perfil

De Vento a 24.10.2014 às 13:35

As questões que coloca são pertinentes. E uma questão se coloca: Como é possível que a dita sociedade do conhecimento, altamente qualificada, que no caso português até se indigna com tamanha fuga de cérebros, seja capaz de produzir tais conteúdos e comportamentos?

Eu creio que o uso da palavra Conhecimento não passa de uma estratégia de marketing para adormecer mentes vaidosas e levá-las a digerir o prato que pretendem servir.

Aproveito a oportunidade para chamar a sua atenção para na peça que anexei, sobre o assassinato de Kennedy, a partir do minuto 54, constar que documentos relevantes estão sob custódia da família Kennedy.
Ficam as seguintes interrogações: Porquê sob custódia da família Kennedy? e Será que um eventual aprofundamento da investigação conduziria a algumas revelações também incómodas para o clã?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 15:34

Vou ver com toda a atenção. É um tema que me fascina.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 22.10.2014 às 21:27

"Sólida reputação de independência" : hahahah!

Washington Post é um jornal que existe para promover a Política e promover as teses do Partido Democrata "mainstream".

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/11/14/AR2008111403057.html

Basta ver como segue a Administração Obama. Há uma dezena de situações que teriam sido transformadas em casos se fossem "independentes".



Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 11:47

O 'Washington Post', sob a liderança de Katherine Graham e Ben Bradlee, tornou-se o jornal mais influente dos EUA precisamente pela independência da sua linha editorial. Estabeleceu aliás novos critérios de exigência neste domínio: depois de ter feito cair o político mais poderoso do planeta não poderia adoptar outro critério senão o do reforço da isenção e da acutilância, sempre associadas ao rigor.
Um dos aspectos mais interessantes desta autobiografia é verificar como Bradlee impunha aos seus repórteres a estrita aplicação das normas internas do jornal em matéria de verificação de factos e certificação de fontes.
Recomendo, a quem ainda não viu, o filme 'Os Homens do Presidente' (Alan J. Pakula, 1976), inspirado precisamente no caso Watergate. Com Jason Robards no papel de Bradlee, Robert Redford no papel de Bob Woodward e Dustin Hoffman no papel de Carl Bernstein. Um filme inspirador. Talvez o melhor jamais feito sobre jornalismo. Com a vantagem acrescida de se basear em factos reais.
Imagem de perfil

De cristof a 22.10.2014 às 23:30

Homenagem justa mas ao ler diversos jornalistas portugueses não deixo dos considerar grandes paladinos da liberdade e apesar da nossa escala terem uma visao universal que não deslustra.
Não deixo de notar que o escandalo da NSA só teve alguma repercussão porque se tratava de americanos, porque o resto dos indigenas não têm o mesmo estatuto na velha tradição anglosaxonica agora refinada com os Fiveeyes e a canalha.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 12:29

Sublinho estas suas palavras, por considerá-las acertadas e justas:
«Ao ler diversos jornalistas portugueses não deixo dos considerar grandes paladinos da liberdade e apesar da nossa escala terem uma visão universal que não deslustra.»
Sem imagem de perfil

De Miguel a 23.10.2014 às 01:50

Tive de confirmar se é ele quem Jason Robards desempenha em Os Homens do Presidente, e é mesmo. Não sabia nada sobre ele salvo a participação na investigação do caso Watergate; ouvi hoje a notícia da sua morte, é mais um corajoso que perdemos.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 12:32

Sim, Ben Bradlee foi interpretado nesse filme por Jason Robards. Uma grande interpretação, diga-se, aliás galardoada com o Óscar.
Num estúdio cujo cenário copiava com o máximo rigor a redacção do 'Post' e o próprio gabinete de trabalho de Bradlee.
É um dos melhores filmes da década de 70. O tempo não o desgastou, antes pelo contrário.
Sem imagem de perfil

De Maria Dulce Fernandes a 23.10.2014 às 10:51

Mais um dos Soldados (quase) Desconhecidos do jornalismo cuja chama se apagou. Normalmente são os directores executivos tomam as decisões que dão os Pulitzer aos outros... Fica-nos a memória da isenção, do rigor e da coragem. Digam lá o que disserem ( que, claro está, dirão)...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 12:35

Tem toda a razão, Dulce. Os directores e editores corajosos propiciam as condições para outros jornalistas ganharem prémios. Desde logo o Pulitzer, o mais célebre de todos.
Gostaria de ver as memórias de Bradlee editadas em Portugal. E nem me importaria eu próprio de traduzi-las. É um excelente livro. Felizmente já passou o tempo em que se dizia (ouvi vários editores dizerem) que "as memórias não vendem".
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 23.10.2014 às 11:10

Como eu gostei de te reler. Nesta bela homenagem tocas em várias cordas sensíveis que nos levam a pensar, com preocupação, no futuro do jornalismo. Essa pureza que descreves desapareceu e sem isso é difícil esta actividade afirmar-se como contrapoder.
Se tudo estivesse bem este texto não me deixaria nostálgica, mas foi o que aconteceu. Hoje Watergate seria possível?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 12:44

Hoje dificilmente Watergate seria possível, Teresa. O estrangulamento económico das grandes empresas jornalísticas conduz a progressivas dependências dessas empresas face aos poderes fácticos, tanto na política como na finança.
Já este ano, o despedimento de Pedro J. Ramírez, fundador e alma do 'El Mundo', a poucos meses da celebração das bodas de prata do jornal constituiu um exemplo claro de interferência do poder político aliado à banca na tentativa de silenciamento de uma voz incómoda.
Tentativa bem sucedida, neste caso.
Aconteceu em Espanha mas podia acontecer em qualquer outro quadrante. Em Portugal, por exemplo, só nos últimos dez meses cinco cabeças de directores de jornal rolaram (metaforicamente falando). Em nenhum dos casos ficou transparente, para a opinião pública, as causas destas destituições. Os jornais, que devem ser o primeiro factor de transparência numa sociedade democrática, funcionam de forma cada vez mais opaca.
Isto detecta-se nos mais ínfimos pormenores. Já reparaste, por exemplo, que são cada vez menos os jornais e revistas que publicam a ficha técnica com os nomes dos jornalistas que lá trabalham? Isto seria impensável há poucos anos.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Carvalho da Silveira a 23.10.2014 às 11:34

Excelente post, e Bradlee fica como exemplo de um jornalismo que está em vias de extinção.
Em relação ao Watergate, que nos apaixonou a todos há 40 anos, ficou-me sempre uma dúvida a pairar no espírito: se o caso envolvesse um presidente do Partido Democrata teria o mesmo desfecho?
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 23.10.2014 às 19:26

Não teria. Pode começar por Fast and Furious.

Veja aqui por exemplo:
http://www.judicialwatch.org/blog/2014/10/obama-asserts-fast-furious-executive-privilege-claim-holders-wife-2/

No Watergate não morreu ninguém ao contrário de Fast and Furious.

Censura activa do jornalismo porque jornalismo não é nada mais do que política.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.10.2014 às 13:08

A sua pergunta é boa, Alexandre. Em tese não hesito em responder que sim, embora a prova contrafactual seja sempre impossível de fazer.
A verdade é que não imagino os presidentes democratas que se seguiram a Nixon (Carter, Clinton e agora Obama) fazer algo semelhante ao que fez Nixon naquele Verão que antecedeu a campanha para a sua reeleição, pondo a própria sede nacional do partido rival sob escuta telefónica e envolvendo nessa operação suja o próprio 'staff' da Casa Branca.
Sem imagem de perfil

De wolfman a 23.10.2014 às 13:46

Excelente lucklucki! Totalmente de acordo consigo. Pelos vistos e lidos,o bom jornalismo,tem ideologia certa e uma cor definida.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D