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A guerra que Thatcher "inventou"

por Pedro Correia, em 29.03.18

Falklands_war[1].jpg

 

Estamos sempre a aprender. Acabo de escutar um historiador, em tom categórico e professoral, proclamar em horário nobre da televisão: "A senhora Thatcher, quando estava a braços com uma crise de agitação social na Inglaterra, inventou uma guerra, a guerra das Malvinas."

Extraordinário doutor Fernando Rosas: folheando sabe-se lá quantos canhenhos empoeirados, só ele conseguiu descobrir que foi afinal a primeira-ministra Margaret Thatcher quem ordenou aos odiosos déspotas do regime militar de Buenos Aires - apoiados pelo ditador cubano Fidel Castro - para  invadirem o arquipélago das Malvinas no dia das mentiras de 1982.

A maquiavélica senhora precisava dessa invasão para "inventar uma guerra" que só poderia culminar com a vitória britânica, emulando o triunfo da Royal Navy sobre Bonaparte em Trafalgar, enquanto as massas ignaras entoavam o God Save the Queen.

Fiquei esmagado com tão eloquente demonstração de sapiência do reputado académico. E aqui venho inclinar-me em respeitosa vénia à sua luminosa e profícua erudição.


22 comentários

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De Octávio dos Santos a 29.03.2018 às 23:29

Pedro, nem a brincar devemos inclinar-nos perante energúmenos como Fernando Rosas.
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De Anónimo a 30.03.2018 às 00:14

ener... quê?
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De Anónimo a 30.03.2018 às 01:25

Exacto. O inclinado é ele. Inclinado mental. Ou inquinado, sei lá.
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De V. a 30.03.2018 às 00:09

A prova provada de que não há comunas intelectualmente honestos nem que lhes dêem com um pau.
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De Lucklucky a 30.03.2018 às 13:28

A Supremacismo Moral de proporções gigantes que um Marxista julga ter dá-lhe margem para exterminar classes sociais quanto mais mentir.

E depois de o fazer ainda assim sair melhor na própria posição moral.
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De xico a 30.03.2018 às 00:26

Está por provar que as Malvinas existam!
Eu nunca as vi e não conheço quem as tenha visto!
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De Pedro Correia a 30.03.2018 às 00:31

Se calhar foram outra invenção da "senhora Thatcher".
Aguardo nova intervenção do douto historiador para ficar esclarecido.
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De Vlad, o Emborcador a 30.03.2018 às 00:29

Da Margaret Thatcher lembro-me:

"There is no such thing as society."

"Former chief constable calls for public inquiry into Orgreave clashes and beyond

Sir Peter Fahy joins call for public inquiry over 1980s ‘police army of occupation’ and agenda of Margaret Thatcher government"

https://www.google.pt/amp/s/amp.theguardian.com/politics/2016/may/04/police-fahy-inquiry-1980s-miners-strike-scargill-orgreave-thatcher-hillsborough
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De V. a 30.03.2018 às 00:54

"There is no such thing as society."

É bem verdade — é uma construção Durkheimiana de inspiração tardo-bizantina. Subiu na minha consideração a velha bruxa.
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De Rui Henrique Levira a 30.03.2018 às 16:25

O longo consulado da Senhora. Tatcher, meu caro Vlad, transformou o Reino Unido no país deplorável que é hoje, dirigido por políticos de alto gabarito como a Sra. Theresa May e o seu bobo de estimação, o sempre hilariante Boris Johnson (com um Tony Blair como brilhantíssimo ponto de ligação), os quais pensam que ainda vivem no tempo do Raj, que a Federação Russa é a Argentina e que Putin é um qualquer Videla . Depois de Tatcher e das suas benfeitorias, só o Céu é o limite dos súbditos de Sua Majestade e dos seus magníficos governantes...
Quanto às afinidades electivas da dita senhora, elas foram o paradigma da hipocrisia: ao mesmo tempo que fazia a guerra à ditatorial Junta argentina, recebia o apoio logístico para fazê-la do seu querido amigo Augusto Pinochet, um democrata de sólidos pergaminhos.
A Senhora Tatcher estará hoje, certamente, no Céu, a jogar animadas partidas de "bridge" com o seu não menos animado comparsa de todas as horas, o ilustríssimo Ronald Reagan, tendo ambos a suave companhia de um senhor fardado e com óculos de sol. Quem lá não estará será, sem sombra de dúvida, Salvador Allende, pois é por demais sabido que todos os ateus vão para o Inferno
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De Anónimo a 30.03.2018 às 01:38

Margaret Thatcher, essa sim, fez inclinar a Rússia. Isso é que Fernando Rosas não lhe perdoa. Foi o início do fim do leninismo, e mesmo do marxismo, que o outro já estava morto. Luta de classes, pum.

Mas o sr. Rosas funciona a um só carburante: a luta de classes. Sem isso ele é nada. Tem de inventar, agora ele, luta de classes em tudo, pois é daí que há de vir a vitória, não se sabe bem de quê, mas é de esquerda.

Ora então, se havia luta de classes em Inglaterra, naturalmente vencedora, como é que foi derrotada pelo liberalismo thatcheriano ? Coisa impensável !? Só por intervenção de qualquer coisa externa - e aí entra a dita invenção das Malvinas. É a única maneira de um marxista pleistocénico explicar a derrota da luta de classes pelo reles liberalismo.

Só pergunto ao sr. Rosas: para que é que Theresa May inventou o gás Novichok em Salisbury ? Que foi invenção, não há dúvida. Que é uma artimanha liberal, também não. Só falta saber onde entra a luta de classes.

A minha dúvida é se Santos Silva anda a ouvir demais o Rosas.

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De João André a 30.03.2018 às 09:27

Cheira-me que não teriam cantado o God Save the Queen em Trafalgar. George III não andaria no melhor estado, penso, mas daí a pensar que era uma rainha...
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De Pedro Correia a 30.03.2018 às 10:03

Trafalgar ficou lá entre vírgulas, João. Não era para cantorias: era, quando muito, para súplicas: "Save Our Souls."
'God Save the Queen' foi mesmo em 1982, com a Rainha Isabel no trono. Perante a exaltação patriótica suscitada pela guerra "que a senhora Thatcher inventou". E que - 'all's well that ends well' - pôs fim à repugnante ditadura militar argentina. Malhas que o império tece.
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De João André a 30.03.2018 às 13:07

Tens razão, li depressa demais e falharam-me as vírgulas (excelente exemplo da importância da pontuação). Assim falha-me a piada...
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De Anónimo a 30.03.2018 às 10:32

O Sr. Rosas deve sofrer de estrabismo mental !
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De amendes a 30.03.2018 às 14:58

O Doutor Historiador Fernando Rosas e o Doutor Sociólogo Boaventura Sousa Santos, são as mais ilustres personalidades intelectuais de Portugal...
A inveja é vos faz falar!

Amêndoas Doces
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De Maria Dulce Fernandes a 30.03.2018 às 21:59

O Historiador também é um contador de histórias. De histórias da história, claro. Neste caso particular deveria ter-se cingido apenas à história. Provavelmente viu muitas vezes "Wag the Dog" e aderiu à moral subliminar do filme " if the dog does not wag the tail, the tail wags the dog..."
Surely he needs a wag...
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De Pedro Correia a 31.03.2018 às 14:01

Alguns historiadores preferem contar "estórias", Dulce.
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De Robinson Kanes a 31.03.2018 às 10:08

Tenho sempre dificuldade em acreditar nos historiadores que em vez de relatarem a História, procuram que a mesma seja feita por eles... Fernando Rosas não é excepção e adquiriu aquela profissão tão portuguesa de "intelectual" (seja lá o que isso for) onde tudo lhe é permitido dizer desde que mantenha alguns círculos satisfeitos.
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De Pedro Correia a 31.03.2018 às 14:02

"When the legend becomes fact, print the legend."

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