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A guerra no norte de Moçambique

por jpt, em 17.01.18

MOCIMBOAPRAIA.jpg

Cada vez mais habituais as notícias de ataques e assassinatos no extremo litoral norte de Moçambique. Por vias mais pessoais chegam-me notícias de ataques, imagens privadas (ontem mesmo filmagens em telemóvel de população na estrada falando sobre a situação e os ataques). E muitas especulações: a imorredoira cartilha marxista-leninista atribui aos "interesses americanos" a responsabilidade pelos acontecimentos, os radicais críticos do Frelimo aludem à responsabilidade estatal, como se esta criando uma "cortina de fumo" distraindo de outras questões, alguns mais estupefactos aventam "será a Renamo?", outros querem reduzir a uma bandidagem, mas a esta não dando o tom elevado de "social banditry". E há quem creia no anunciado movimento (oficial ou oficioso) "Al-shabaab". Não sei do que se trata, não encontro iluminação no que tenho lido, tenho a minha mera crença - que nunca será a do "mínimo denominador comum" entre as várias versões. E que se alimenta de anos na perspectiva de que isto emergisse, vendo no norte e em Maputo as nuvens que o presumiam. Quem me dera poder ir comprová-la no terreno, inquirindo. Esperançado em provar-me errado. Porque há uma coisa, terrível, e inovadora no país, nesse presumível inimigo: não negoceia. Pois quer tudo - que é uma forma do "nada", do vazio político. E se for esse ele não está encerrado no norte extremo, mas pujante e afirmando-se pelo país, como é visível a qualquer olhar interessado. A sociedade moçambicana, a modorra dos seus poderes, chocou a mamba? Parece-me que sim. Só espero estar errado ...

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21 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 17.01.2018 às 16:22

Cansa-me o Homem Preto.
Fazem do Homem Branco tanto o seu Porco Mealheiro como o seu Bode Expiatório.

Quando seremos livre de tão prolongada pena?
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De jpt a 17.01.2018 às 16:39

Eu sou neófito no DO e sei que há o costume, ecuménico, de aceitar todos os comentários - e assim o faço. Mas quando seremos livres de tão prolongada pena?
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De Vlad, o Emborcador a 17.01.2018 às 18:02

O jpt justifica-me, ao escrever:

"imorredoira cartilha marxista-leninista atribui aos "interesses americanos"

Da cartilha fazem também parte os vícios herdados do colonialismo português (veja Angola). Da exploração da classe nativa/preta, pela classe capitalista Ocidental/branca, seja ela americana ou europeia.

Continuam a culpar-nos. E fazendo-se acreditar continuarão roubando. A guerra permite esconder melhor o esbulho das gentes e da terra.
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De jpt a 18.01.2018 às 14:12

A vitimização africana e a (auto)culpabilização ocidental é coisa que me irrita e que não conduz as análises a bom porto. Mas não é disso que se trata aqui.
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De Vlad, o Emborcador a 18.01.2018 às 14:26

"Não sei do que se trata, não encontro iluminação no que tenho lido, tenho a minha mera crença - que nunca será a do "mínimo denominador comum" entre as várias versões. E que se alimenta de anos na perspectiva de que isto emergisse, vendo no norte e em Maputo as nuvens que o presumiam. Quem me dera poder ir comprová-la no terreno, inquirindo. Esperançado em provar-me errado. Porque há uma coisa, terrível, e inovadora no país, nesse presumível inimigo: não negoceia. Pois quer tudo - que é uma forma do "nada", do vazio político. E se for esse ele não está encerrado no norte extremo, mas pujante e afirmando-se pelo país, como é visível a qualquer olhar interessado. A sociedade moçambicana, a modorra dos seus poderes, chocou a mamba? Parece-me que sim. Só espero estar errado ..."

Não é uma casuística que se procura isolar em todo este parágrafo?

O que se passa é apenas isto....Ambição por dinheiro...e a Guerra, ou a Ameaça dela, torna o roubo mais encoberto....Passa-se isto quer em África, quer no Médio Oriente, Rússia....quer na Europa...

A Ameaça da Fome/Desemprego, Doença, Guerra, Terrorismo...tudo propaganda...para esconder os verdadeiros motivos. O Poder!

The business of conflict

MAKING money and making war have long been related activities.

http://www.economist.com/node/288014

As the Mobutu clan began a humiliating journey into exile last week, the new government of Laurent Kabila launched into hot pursuit of the family fortune -- once estimated at between $4 billion and $7 billion -- accumulated during three decades in power.

https://www.washingtonpost.com/archive/politics/1997/05/26/swiss-still-looking-for-mobutu-billions/29424241-7a87-4a37-99c3-2c94044b1450/?utm_term=.c654d94e6453
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De jpt a 18.01.2018 às 14:44

Óptimo, V. já resolveu a situação. Basta-nos seguir a sua opinião. E, claro, é uma especificidade do torpe Homem Preto. Onde tinha a cabeça, que não pensei logo nisso. Ainda bem que escrevo no DO e posso assim ser iluminado pelo iluminado comentador residente.
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De Vlad, o Emborcador a 18.01.2018 às 19:50

Para acreditarmos ,Jpt, prestamos mais atenção ao prestígio do orador que ao sentido do discurso .

Quem sou eu?
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De Luís Marques a 17.01.2018 às 23:04

Não vejo nada de mal no comentário do Vlad, palavras duras nada mais. Temos o exemplo de Angola a dar-lhe razão.
Mas gostei muito do seu post, faz todo o sentido o Al Shabab expandir-se naquele território sem lei, a corrupção de Maputo torna-o inevitável.
Uma nova tragédia para Moçambique.
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De jpt a 18.01.2018 às 14:10

Espero que não venha a ser uma tragédia. Em termos analíticos a questão não se pode colocar como a põe. Partamos do princípio que há "corrupção em Maputo". Ora se ela existe também existe em inúmeros outros locais. Onde não há movimentações de guerrilhas, nem manifestações de violência militar. Nem (aparentes) movimentos de fundamentalistas islâmicos. Em assim sendo essa presumida "corrupção em Maputo" (hipótese que não estou a discutir, nem a negar nem a confirmar) não torna inevitável as acções militares (nesse caso, o que seria, por exemplo, do Brasil?) nem as islâmicas (o que seria, por exemplo, do Malawi?). Algo de particular se passa, com causas próprias, e conteúdos peculiares, mesmo que não sejam únicos. É esta a questão.
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De Vlad, o Emborcador a 18.01.2018 às 14:36

Sobre o Brasil:

Não existe necessidade de "guerra". Existe a necessidade que o tráfico continue:

https://www.dn.pt/mundo/interior/brasil-realiza-operacao-para-prender-96-policias-militares-acusados-de-corrupcao-8600052.html

Sobre os Fundamentalistas:

A Religião é a desculpa para se fazerem guerras e saques (como as cruzadas cristãs do sécXI).

Baghdadi is the self-declared caliph of the Islamic State, a global terrorist network seeking to establish a radical Islamic empire in Iraq and the Levant. In a remarkably short period of time, Baghdadi's ISIS fighters have seized significant portions of eastern Syria and western Iraq, commandeered the planet's attention with a series of barbaric beheadings and earned non-negligible amounts of cash, largely through black-market oil sales said to total $1 million a day

Quem combate por ideais é quem morre na frente. Aos estrategas apenas lhes interessa o "capital".

War Is a Racket is a speech and a 1935 short book, by Smedley D. Butler

In War Is A Racket (1935), Butler points to a variety of examples, mostly from World War I, where industrialists, whose operations were subsidised by public funding, were able to generate substantial profits, making money from mass human suffering.
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De Luís Marques a 18.01.2018 às 20:52

A corrupção em Maputo tem como consequência o abandono do território e a natureza tem horror ao vazio.
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De Luís Lavoura a 17.01.2018 às 17:22

No norte de Moçambique há muito, muito gás natural...
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De Luís Lavoura a 17.01.2018 às 17:22

Mocímboa da Praia, onde tantos soldados portugueses estiveram estacionados, e tantos morreram, durante a Primeira Guerra Mundial...
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De Anónimo a 17.01.2018 às 19:15

Gostei da foto. Uma terra de ninguém. Até o silêncio mata. Mocímboa da Praia recebeu-me com uma chuvada tal que me acolhi debaixo do "rodado" duma Mercedes. Pergunto-me,o que haverá ali para fazer?
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De jpt a 18.01.2018 às 14:06

Aquela região é o centro da exploração de recursos naturais em Moçambique, há e haverá muito para fazer nos próximos anos. Também por isso tamanha é a complexidade da análise a fazer sobre que tipo de fenómeno está a eclodir.
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De Anónimo a 17.01.2018 às 19:17

Caro JPT: Os povos daquelas "terras da boa gente", que o são, do Rovuma à Ponta do Ouro, bem mereciam melhor sorte, no antes e no pós 25 de Abril de cá.
"Agora, o petróleo ?. Não sei se será uma benção, ou se será uma maldição". JP
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De jpt a 18.01.2018 às 14:05

Os "recursos naturais" tendem a ser "maldições sociais", isso é a história recente por aquela África fora (e não só).
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De Vento a 17.01.2018 às 22:24

Um grupo de bandidos certamente não faria isto:
"Duas pessoas morreram na segunda-feira durante um assalto a um centro de saúde em Nangade, norte de Moçambique, na província de Cabo Delgado, anunciou hoje a polícia.

As vítimas são um médico do posto de saúde e a mulher de um comerciante daquele distrito, referiu Inácio Dina, porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), em conferência de imprensa.

O grupo suspeito dos homicídios vandalizou o posto de saúde, roubou medicamentos, uma viatura e uma motorizada.", nem isto:

"No fim de semana, um grupo armado matou cinco pessoas e feriu várias outras num ataque à sede do posto administrativo de Olumbe, distrito de Palma, na mesma região."

Parece-me antes uma acção concertada com o objectivo de deixar a população sem cuidados e sem apoio dos meios estatais.
No primeiro caso, tudo indica que deve haver alguém com conhecimento de medicina a colaborar com os autores, no sentido de aliciar a população através de assistência sanitária e obter apoio para uma eventual causa.
O 2º caso aqui citado confirma esta tese.
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De jpt a 18.01.2018 às 14:04

O ataque às instituições estatais em contextos rurais e das pequenas localidades urbanas (escolas, centros de saúde, postos policiais, etc.) é uma tradição das movimentações militares em Moçambique, foi a metodologia preferencial durante a guerra civil assumida pelo Renamo. A sua utilização agora deixa entender alguma continuidade nas concepções militares, o que ajuda um pouco a confundir a compreensão do que está a acontecer.
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De Mauritano a 18.01.2018 às 12:36

Aqui em Moçambique, de onde estou a comentar, existe a ideia que se trata realmente de um grupo afecto à "Al-Shabaab". Os ataques não começaram ontem, e na realidade começou com incitamento à desobediência às autoridades (policias e governação) utilizando o argumento da corrupção. Vamos a ver como irá evoluir e esperar que este país religiosamente tolerante e multicultural não se afunde a partir de Mocimboa.
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De jpt a 18.01.2018 às 14:01

Obrigado. Pois é exactamente essa a minha ideia e também comungo dessa esperança. Cumprimentos

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