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A geringonça espanhola.

por Luís Menezes Leitão, em 01.06.18
Resultado de imagem para Pedro Sánchez presidente

Aquando das últimas eleições espanholas, tive um almoço com um colega espanhol em Lisboa. Iniciámos a refeição com uma sopa à alentejana e a certa altura perguntei-lhe se a Espanha poderia imitar Portugal com Pedro Sanchéz a criar uma geringonça espanhola para derrubar Rajoy. A resposta dele foi a seguinte: "A geringonça portuguesa é como esta sopa à alentejana. Alimenta, mas não tem muitos ingredientes. A nossa geringonça seria uma verdadeira sopa à espanhola, com imensos ingredientes, entre os quais os partidos independentistas. E estes exigiriam cedências inaceitáveis ao governo espanhol para lhe dar o seu apoio. O PSOE não tem condições para alinhar nisso".

 

Esse vatícinio verificou-se e não só Rajoy manteve o governo, como também lançou uma guerra sem quartel aos independentistas catalães, com o apoio entusiástico de Albert Rivera e também um apoio sem reservas de Pedro Sánchez, que sabia ser a luta independentista catalã muito impopular no resto da Espanha. Rajoy desencadeou assim uma luta acesa contra a Catalunha, mantendo o art. 155 até ao limite, governando a região com quatro deputados, rejeitando as decisões do parlamento catalão, recusando ministros do governo, etc., etc. Só que aí perdeu o seu apoio parlamentar, uma vez que o ódio que causou aos independentistas catalães e por arrastamento aos nacionalistas bascos foi de tal ordem que a estes partidos passou a bastar um simples estender da mão de Pedro Sánchez para lhe darem o seu apoio.

 

Quando saiu a sentença do caso Gürtel, Pedro Sánchez, em queda sucessiva nas sondagens, viu chegada a sua oportunidade. Lançou uma moção de censura construtiva que facilmente lhe permitiu chegar à nomeação como primeiro-ministro de Espanha. Rajoy bem falou num governo de Frankenstein, imitando a reacção de Passos Coelho ao diabo que a geringonça traria, e Albert Rivera desesperou por não haver eleições, quando todas as sondagens lhe estão a dar o primeiro lugar. Mas, na política como na guerra, quem com ferros mata com ferros morre, e quem se lança com fúria cega ao combate numa frente, pode muito bem desguarnecer a rectaguarda. Hoje o ataque de Pedro Sánchez, que muitos davam como acabado, foi mortífero, lançando um ataque certeiro aos partidos à sua direita.

 

É muito provável que tudo isto acabe mal e que a tal sopa à espanhola seja um caldo bem grosso, totalmente indigerível para Espanha. Mas neste momento o cozinheiro acaba de demonstrar que a mesma pode ser preparada para ser servida. A geringonça também foi possível em Espanha.


28 comentários

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De Anónimo a 01.06.2018 às 21:04

Não será mais do que um governo de transição até eleições... não é?
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De Meister Von Kälhau a 01.06.2018 às 21:20

Sopa alentejana
INGREDIENTES
1,2 l de água fria
4 ovos
400 g de pão de centeio
2 dentes de Alho
1 molho de coentros
4 c. (de sopa ) de Azeite
sal q.b.

Leve uma panela ao lume com a água e sal e deixe ferver. Reduza o lume e escalfe os ovos. Retire-os, reservando a água e coloque-os em água fria. Reserve.
Corte o pão em pedaços e distribua-os por quatro pratos. Num almofariz, esmague os dentes de alho com os coentros, o azeite e sal. Disponha sobre o pão, assim como os ovos escalfados e a água da cozedura reservada. Sirva de seguida.

DICA
Coza um pouco de bacalhau na água da cozedura dos ovos e junte-o à sopa.

Parece-me que leva tantos ingredientes com um Gaspacho.
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De Vento a 01.06.2018 às 21:38

A queda do Imperio romano (a Ocidente) teve causas muito similares àquelas que hoje se vive na Europa:
a crise social, a saída do sistema esclavagista para o de colonato, que agravou ainda mais as relações sociais, o desinvestimento público, para desviar dinheiros para outros sectores não directamente relacionados com o bem-estar das populações (o exército), a sobrecarga de impostos que agravou ainda mais a pobreza, os fluxos migratórios que nessa época ocorreram do norte da Europa e parte da Ásia, por razões de alterações climáticas aí existentes para Roma (com a consequente mobilização de efectivos para impedir estes fluxos) e, em face deste declínio, a oportunidade dos bárbaros poderem oferecer o golpe de misericórdia.

Perscrutar a história para compreender o presente e o que nos espera é um exercício metódico, disciplinado e que urge ser levado a efeito com toda a seriedade.
Os fenómenos ditos periféricos alastram, chegaram a França e em menos de 20 anos abalaram totalmente a Alemanha e os países nórdicos.
A Rússia, bem como a China, cada uma à sua maneira, de forma inteligente e organizada e sem burburinhos avançam com alianças e posicionam-se militarmente por forma a poderem exercer as necessárias pressões na nova ordem que se edifica.
Inglaterra, Austrália e Indonésia, Canadá-México e EUA já compreenderam a importância de não se meterem no centro do caldeirão em que a Europa está transformada.
E os países da América Latina, e em particular o Brasil, transformar-se-ão em celeiros de si mesmo e parte dessa nova ordem em curso.
Este será o resultado, se nada for feito para alterar o agora.

A Europa, metendo a cabeça na areia, vive de pseudo-avanços civilizacionais artificiais para encobrir sua extrema debilidade e divertir as populações. E esta fórmula que hoje se pretende implementar acabará por der o seu golpe de misericórdia.
A Europa avança com a eutanásia a si mesma.
Quando Jesus carregava a Cruz ia advertindo:
"Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos." (Lucas 23:28)

E o pranto foi enorme.
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De Vento a 01.06.2018 às 22:11

"e em menos de 20 anos abalaram totalmente a Alemanha e os países nórdicos", por favor, leia-se abalarão.
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De Anónimo a 02.06.2018 às 02:50

Ainda não tinha lido este seu comentário, mais um muito bom !

Eu gostaria que alguém me explicasse o porquê do partido liberal de direita de Albert Rivera ter alinhado com PSOE .

Agora só falta a França livrar-se de Macron e estará feito o cheque-mate a "ESTA" UE que nenhum povo caucionou, nem mesmo os alemães !

WW
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De Vento a 02.06.2018 às 22:31

Obrigado, WW.

Eu faço um leitura formal às "alianças" que refere. O tradicional modelo de governação, corrupto e injusto, autocrático e disfarçado de democracia, originou indignações e imensas clivagens na sociedade. Por outro lado, assistiu-se - com excepção para o Partido Comunista Português, que é um factor de estabilidade e contraponto, cuja leitura deve ser objecto de uma reflexão mais aprofundada -, com a evolução técnica e científica, ao esvaziamento ideológico dos partidos comunistas na Europa, e em simultâneo ao surgimento dos extremismos, que no caso português se identificam com o PS de Costa e o BE da Catarina (faz falta Miguel Portas e Louçã), e oportunismos políticos que têm originado modelos neo-estalinistas e até mesmo neonazis de governação.

Estes movimentos extremistas sabem que já não há possibilidade de acederem ao poder individualmente, quer por via eleitoral quer via de um golpe militar. Assim mesmo, recorrem a oportunismos e habilidades legais para simplesmente aparecer e aí poderem marcar uma agenda populista que satisfaça seus clientes e os mantenha "em união".
O seu objectivo é meramente de imagem e presença, porque quando aí chegados, à ribalta do poder, submetem-se incondicionalmente às realidades que antes criticavam, isto é, a submissão aos poderes governativos de outras nações.
Varoufakis é o exemplo que confirma esta minha tese, na medida em que após o seu afastamento os partidos extremistas na Grécia em nada diferem do modelo governativo que hoje nos é apresentado pelo PS/BE.

No caso de Itália não creio que a sua dimensão e a dimensão de sua dívida, neste momento, seja factor de oposição a este governo Europeu centralizado. Mas acredito, como referi em outro comentário, que será a emergência dessa nova ordem que já iniciou, associada a este oportunismo político-partidário que assistimos, que determinará a derrocada europeia. Será em última instância a miséria material bem como a miséria moral, ética e científica que hoje se assiste a principal aliada neste acontecimento.

Por último, antes de ocorrer, e para contrariar o modelo de dependência que se vivia na anterior governação, eu preconizei aqui a solução que hoje temos em Portugal e escrevi mesmo que este seria o modelo de referência para a Europa.

Porém enganei-me numa equação: jamais pensei que este modelo que eu antes defendi se viesse a transformar de forma escandalosa e desafiadora em um modelo de subversão e corrupção por via legal e farisaica da base social e da consciência colectiva.
Temos de lutar contra eles.
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De Anónimo a 03.06.2018 às 15:37

Mas Vento a lógica seria eleições já, todos dizem que Albert Rivera é o Macron espanhol.
Quanto ao que se passa em Portugal , não se pode querer sol na eira e chuva no nabal, não poderemos querer ter um alivio no ambiente social e ao mesmo tempo querer também que os "progressistas" desistam da sua agenda de transfiguração social.
António Costa sabia que a única maneira de chegar ao poder foi a que seguiu, o PC e o BE cederam pois sabiam que se não o fizessem perderiam de forma fatal as suas bases de apoio.
A nível pessoal preferia ver o PS esfrangalhado em pedaços e a PaF no poder para que a maioria silenciosa percebesse finalmente o cancro da partidocracia (tanto á esquerda como á direita) instalado na Nação.

WW
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De Vento a 03.06.2018 às 17:11

Não, não, WW. O PCP não tem cedido. Ele não só mantém a defesa da sua base eleitoral com também defende a base social colectiva, isto é, reconhece e respeita o contexto cultural e civilizacional de toda uma nação.

Costa e Catarina são uns atrevidos ao pensarem que a conduta civilizacional coitadinha é capaz de encobrir a sua ineficácia perante uma agressão externa que submete toda uma nação. Mais ainda, a vaidade de Costa, e de quem a alimenta internamente, como se viu no congresso, leva-o também a pensar que essa associação com Catarina das causas farturantes é capaz de adormecer uma nação perante a sua incapacidade em transformar a realidade nacional e europeia.
O Império Romano a Ocidente caiu precisamente ao procurar alterar artificialmente uma realidade que de todo não lhes pertencia e não incumbia de transformar.
Por isto mesmo, o cristianismo apresenta-se como uma base sólida e agregadora que transformou o rosto do Império e das nações que se constituíram após sua queda. E ainda hoje é valido como se comprova ao longo de toda a história.
"Dá-me uma alavanca e um ponto de apoio e levantarei o mundo", afirmou Arquimedes.
Essa alavanca e ponto de apoio teve início na Cruz. É esta Cruz que ainda hoje nos erguerá.
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De Vento a 03.06.2018 às 13:56

WW, ainda para reforçar o problema da coesão, identidade, dos surtos migratórios..., e também para confirmar as teses de LML, deixo aqui algumas afirmações do insuspeito Soros (um magnata):
É mais um sinal da «crise existencial» da união, como lhe chamou esta semana, em Paris, George Soros, numa conferência intitulada Como Salvar a Europa.
«desde a crise financeira de 2008, a UE parece ter perdido o seu rumo». Sobretudo na Zona Euro, mudou a relação entre Estados que passou a ser entre credores e devedores. «Os credores estabeleceram as condições que os devedores teriam de cumprir» e como «os devedores não conseguiram cumprir essas condições», criou-se «uma relação que nem é voluntária, nem é igual».

«A UE é governada por tratados desatualizados» que a converteram numa «organização onde a Zona Euro constitui o núcleo e os outros membros são relegados para uma posição inferior», disse Soros no encontro anual do Conselho Europeu de Relações Exteriores, realizado terça-feira, em Paris.

As políticas de austeridade, aliadas à desintegração territorial por causa do Brexit e à crise de refugiados são as bases da crise europeia e cuja ascensão dos eurocéticos em Itália é mais um exemplo. A Europa a duas velocidades em direção ao objetivo de uma maior união «tem sido explicitamente rejeitada em vários países», afirma Soros, será que vale mesmo a pena insistir na ideia que está a pôr em causa a própria existência da união?

aqui:
https://sol.sapo.pt/artigo/614476

Portanto, Costa é um habilidoso nada inteligente. Começou por fazer um discurso esquerdista para afastar Seguro, e agora, no congresso, começou a pedir que a direita o salve. Com o que ele demonstrou ser capaz de (não) fazer, com as também avançadas e modernista de causas coitadinhas Catarina, Mortágua e seus "suspensórios", duas coisas impõem-se acontecer: ou Seguro aparece, ou alguém deverá ciar um novo partido socialista. Com este novo partido socialista as alianças governativas estão garantidas: com o PCP, com o PSD com o CDS, isto é, em conjunto com todos estes.
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De Meister Von Kälhau a 03.06.2018 às 17:41

"Os credores estabeleceram as condições que os devedores teriam de cumprir» e como «os devedores não conseguiram cumprir essas condições», criou-se «uma relação que nem é voluntária, nem é igual»."

Mas não foi sempre assim ? Como exemplo leia-se a história da estória do Canal do Suez. Ou a nossa mesma com os Tabacos, os Caminhos de Ferro! A troco de crédito abdicávamos da Soberania. Sempre assim foi ,sempre assim será. A Globalização é uma forma pacífica de Colonização. Tendo os Grandes Vontade de Poder acabar com o Mercado Global significará tão só o regresso do colonialismo à moda antiga. Nós os pequeninos apenas temos de escolher como queremos ser governados.
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De Meister Von Kälhau a 03.06.2018 às 17:55

Continue-se a falar de crise dos refugiados e tapar-se-á a verdadeira causa da crise europeia - onde estão as Reformas prometidas em 2008?

A financeirização da Economia - com a desregulamentação da circulação de Capitais, via offshores, conducente a que os que mais têm menos contribuam para a comunidade; com o Capital virtual a produzir mais capital que aquele gerado pelo Trabalho/Economia (Economia de Casino) - e sobretudo a cada vez maior desigualdade na distribuição da riqueza produzida que deslegitima o próprio cerne do Contracto Social, estes são os temas que deveriam ser tratados e se mantêm ocultos sob a paragona - Refugiados.

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De Vento a 03.06.2018 às 19:54

Afinal você vem dar razão ao que afirmei em meu primeiro comentário, em que o surto migratória da Ásia e do norte da Europa também contou. Se tiver o cuidado de fazer uma investigação histórica sobre a depreciação monetária no antigo Império do Ocidente, muito facilmente encontrará a classe que mais acumulava ouro e o porquê de assim suceder.
Mais ainda, a questão da subversão do valor facial da moeda ocorre no ocidente, por causas políticas e económicas, quando os americanos, para fugirem às exigências de seus credores em atribuir o valor facial de sua moeda ao padrão ouro, introduziram o valor facial de sua moeda ao padrão petróleo: os petrodólares.
E para que assim se mantivesse era necessário desestabilizar toda uma região e até mesmo fomentar guerras, como foi o caso da guerra de 8 anos entre Irão e Iraque.
E é precisamente a partir deste período que mais se faz sentir o peso das commodities nos mercados financeiros. Com as sucessivas crises em que o mundo mergulha, paulatinamente, vão-se elaborando esquemas de casino a que erradamente se dá o nome de financeirização.
Aliás, este esquema tem a sua expressão ao financiar-se a Grécia com títulos lavados e sem valor e fazendo pagar esses créditos com moeda fresca.
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De Anónimo a 03.06.2018 às 20:27

Meister a crise dos refugiados foi criada por quem prometeu "reformas", aliás todo o tumulto no norte de África e na Siria tem servido unicamente para aprovar mais leis cada vez mais limitadoras das liberdades individuais e colectivas.
Se os EUA e restantes aliados invadiram o Iraque em 2003 unicamente em busca de dinheiro fácil, os líderes europeus fizeram bem melhor, além do dinheiro fácil criaram ameaças constantes ás liberdades dos seus povos e para os "defender" criaram leis securitárias que nem algumas ditaduras impõem.
Coube-nos por enquanto a acção da Russia (por outros motivos é certo) na Siria para trazer algum equilibrio á equação mas mesmo assim os lideres europeus continuam na senda de diabolizar a Russia mas felizmente existe uma grande maioria de europeus que já não dá para esse peditório e cada vez mais são os que assumem que a Russia será uma vez a salvadora da Europa de que sempre fez parte.

WW
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De Anónimo a 04.06.2018 às 15:34

Para o Meister e Vento

https://www.youtube.com/watch?v=I6axobDzIBw

WW
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De Meister Von Kälhau a 05.06.2018 às 16:55

Não sei italiano!!
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De Meister Von Kälhau a 02.06.2018 às 10:26

Engana-se. O responsável pela Queda do Império Romano foi o Cristianismo e a sua moral que transmutou a fraqueza piegas em virtude.

Os Cristãos e a Queda de Roma, de Edward Gibbon

Life is the great object of religion, we may hear without surprise or scandal that the introduction, or least the abuse, of Christianity had some influence on the decline and fall of the Roman empire. The clergy successfully preached the doctrines of patience and pusillanimity; the active virtues of society were discouraged; and the last remains of military spirit were buried in the cloister. A large portion of public and private wealth were consecrated to the specious demands of charity and devotion, and the soldiers' pay was lavished on the useless multitudes of both sexes who could only plead the merits of abstinence and chastity. Faith, zeal, curiosity, and more earthly passions of malice and ambition kindled the flame of theological factions, whose conflicts were sometimes bloody and always implacable; the attention of the emperors was diverted from camps to synods; the Roman world was oppressed by a new species of tyranny, and the persecuted sects became the secret enemies of the country."
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De Vento a 02.06.2018 às 21:50

O que você sabe, von Kalhau!

Para compreender a sua fonte, e também o sentimento disfarçado que a si o move para pretender, fazendo parecer que assim não é, direccionar a sua malícia sobre um grupo, é necessário uma abordagem sobre Gibbon:

Gibbon, pelo facto de pretender converter-se ao catolicismo, que era um grupo perseguido em Inglaterra a quem se fechavam portas, mas não só (não esquecer a existência do IRA e a sua necessidade na defesa dos católicos), foi "deportado" por seu pai para Lausanne, onde viria a concluir sua formação (sob alçada de seu tutor protestante, Pavilliard) e, com esta formação adquirida através de um cristão, também transformar-se mais tarde em um illminatti.

Quando ele afirmou, e bem, que a história não podia ser vista e escrita sob um plano "obscuro sobrenatural", procurando depreciar e desacreditar as fontes histórias que a Igreja então possuía, também procurou com isto trazer Séneca e Plínio o Velho à colação, para demonstrar rigor científico em sua investigação. Aliás, rigor este que procurava associar os motivos da queda do Império a Ocidente com a derrocada da colónia americana (mais tarde USA) - que ele sempre defendeu como membro do parlamento inglês de forma assaz violenta.
Como curiosidade, essa mesma colónia é defendida e ajudada por um país de católicos (a França) e, assim, conhece o sucesso alcançado pelos independentistas. Consequentemente, a queda do Império Britânico, subconscientemente, também se deve aos cristãos, mas mais aos católicos (em seu pensamento).

Continuemos com o suposto rigor das fontes de Gibbon. Séneca e Plínio o Velho (um incrédulo), ainda que contemporâneos de Cristo, foram usados por este como fontes extra-bíblicas.
Porém existem outras fontes extra-bíblicas sobre o cristianismo que ele não referiu: Plínio, o moço, sobrinho de Plínio o Velho, Públio Tácito, Suetónio, Flávio Josefo e Luciano de Samosata. Indica isto que tal rigor não existiu na obra de Gibbon: porquê?
Todavia, estava errado em suas considerações, no seu ardor colonialista e também na tese sobre a queda do Império romano a Ocidente.


Para sua informação, no tempo de Cosntantino, os cristãos eram o grupo mais coeso e que mais tinha crescido no Império. A conversão de Constantino não pode ser dissociada da necessidade que Roma tinha destes, e que estes demonstraram poder alcançar para além de Roma.
Quero com isto dizer-lhe que está redondamente errado, porque a Europa das nações que começou a ser desenhada com as invasões bárbaras foi a mesma que caiu aos pés do cristianismo, e não por essa moral que afirma.

São coisas da vida, são coisas de qualquer lugar.
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De Anónimo a 03.06.2018 às 15:21

Não concordo, Meister, caso contrário não teria surgido o império romano do oriente.
O Cristianismo na altura era muito incipiente e o império Romano era demasiado grande para ser governado de Roma atolada em golpes palacianos e lutas intestinas de poder. A partir do momento que começou a faltar o pão. só circo já não chegava e a estrutura militar estava decrépita pois os soldados das legiões eram leais não a Roma mas aos seus próprios generais em 1º lugar, além de que as legiões estavam pejadas de ex-escravos e mercenários germânicos "bárbaros".
O Meister deve saber tão bem quanto eu que todos os impérios caiem seja por razões endógenas ou exógenas como por exemplo o Português.

WW
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De Meister Von Kälhau a 03.06.2018 às 18:13

Em Roma sempre houve lutas palacianas- basta ver o mito de fundação. As Legiões sempre se mantiveram fiéis aos Generais. Aliás deles saíram todos os Imperadores. O Cristianismo é adoptado no séc. IV. Roma cai aproximadamente 100 anos depois. Quanto ao ramo Oriental por lá houve muito mais resistência ao Cristianismo do que na parte Ocidental. Basta lembrar Juliano , O Apóstata.

O Cristianismo trouxe a ideia/princípio perigosissimo que minou o modus vivendi da Aristocracia Militar Romana. A fraqueza da Piedade cristã, mais o seu Pacifismo. E o abandono da ideia de Divindade do Imperador, substituída pela divindade do Bispo de Roma. Passou-se assim de uma Aristocracia Militar para uma Teocracia piegas, de contemporização. Roma mesmo depois da queda foi imitada,nas suas instituições, pelos novos reinos nascidos. Por aqui se vê que Roma não morreu. Foi assassinada.
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De lucklucky a 03.06.2018 às 13:18

Há várias causas para a queda do Império Romano, mas a mais "natural" é a corrupção natural que a adaptação-optimização das pessoas a um sistema político-social provoca.
Adaptação quer dizer que os cidadãos com o tempo tomam conhecimento de como extrair benefícios do sistema político. E quanto mais poderoso for este poder político mais corrompível é - mesmo legalmente - pois mais poder tem para extorquir recursos de outros cidadãos ou fazer dívida / desvalorizar moeda.

São aliás elucidativas as desvalorizações de moeda no Império Romano.

O Estado tinha - tem- de alimentar cada vez mais clientelas por causa do poder que ambicionava.
Como quer cada vez mais poder, para sustentar o poder precisa de ter mais apoiantes (pagos com subsídios, leis), logo precisa de conseguir mais recursos para os satisfazer (autoridade tributárias com poderes de espionagem, desvalorização da moeda, endividamento).

É só reconhecermos em que parte desta história estamos. Em Portugal e no Ocidente.

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De Meister Von Kälhau a 03.06.2018 às 18:22

"Adaptação quer dizer que os cidadãos com o tempo tomam conhecimento de como extrair benefícios do sistema político."

Apoia portanto o mote trotskista de Revolução Permanente, como salvaguarda do Regime. Quem diria, vindo de si.
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De Carlos Faria a 01.06.2018 às 23:00

Aguardo serenamente para ver como se comportarão os separatistas nos próximos tempos e o reflexo que isso terá no novo governo...
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De Anónimo a 02.06.2018 às 14:46

Está á vista que o PS só chega ao governo com trapalhices e manhas... Não é camarada Costa?


Am
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De Luís Lavoura a 02.06.2018 às 16:39

Bom post.
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De Anónimo a 02.06.2018 às 20:33

Sopas à parte, a grande , grande ajuda dada a Pedro Sanchez ,sem o perceber , foi de Alberto Rivera do Ciudadanos que, a pensar nas eleições , perante a sentença, mais politica do que judicial , disse que a legislatura tinha acabado. Saiu-lhe , talvez, o tiro pela culatra....
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De Anónimo a 02.06.2018 às 21:21

Sobre o mesmo tema:

"La mentira acceptada", de Luís Ventoso.

wwww.abc.es/opinionabci-mentira-acceptada-201806020213-noticia.htm/

Cpmts.
JSP
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De Anónimo a 03.06.2018 às 21:17

O império romano caiu porque se expandiu demasiado, à semelhança do que aconteceu com outros impérios como o mongol ou o nazi.
A escumalha de extrema-direita ignora isso e prefere falar em coisas como "promiscuidade" e "politeísmo" porque sabem muito bem que o império romano caiu da mesma forma que o falecido líder deles caiu.
Com a diferença que ao menos com império romano o mundo avançou.
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De Maria Emília Santos Santos a 26.05.2019 às 10:37

Centenas de migrantes ilegais bloqueiam aeroporto na França, organizados pelos "Coletes Negros"! Não consigo encontrar o vídeo, mas creio que as palavras de ordem eram: "A França não é vossa, é de todos" Exigem alojamento gratuito, subsídios e muito mais!
Quem é a organização financiadora destes desacatos? Nada se faz sem dinheiro, e estas organizações exigem muito dinheiro.
Quem quer destruir a França? Quem são os inimigos da Europa? Onde se alojam eles? Quem lhes paga? Os 18 bilhões do Soros ou da Open Society dele, estão a dar os seus frutos de destruição! Os 226 deputados corruptos do Parlamento Europeu, onde também se contam 8 portugueses, são sem sombra de dúvida os traidores da nossa paz e liberdade.

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