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A garantia da sobrevivência das clientelas

por José António Abreu, em 30.10.15

A mão dada ao PS também não é surpresa. Há quarenta anos que o PCP tenta arrastar o PS para uma “maioria de esquerda” (expressão inventada pelo PCP), e nunca como agora o PCP e o BE precisaram tanto do poder: o PCP, para conservar os seus sindicalistas, ameaçados pela concessão dos transportes públicos; e o BE para tentar fixar, com os recursos do Estado, uma base de apoio volátil.

[…]

Um governo do PS nas mãos do PCP e do BE agravará despesas e impostos até onde contribuintes e credores do Estado aguentarem, mas suspenderá as reformas no país. É essa a questão.

O problema português é que demasiada gente (empresas, corporações, classes profissionais, etc.) vive de “rendas”, isto é, de rendimentos que dependem unicamente do poder político. São estas as clientelas com que os oligarcas contam para exercer influência ou para ganhar eleições. O ajustamento de 2011-2014 abalou o sistema. Caíram grupos financeiros, o sindicalismo do sector público viu-se ameaçado, e a justiça expôs a promiscuidade político-empresarial. A eventual “maioria de esquerda” será, no fundo, o último e desesperado esforço de sobrevivência daquele regime que, antes da crise, era encarnado por Ricardo Salgado, a CGTP e José Sócrates. Para oxigenar o velho sistema, os oligarcas confiam no BCE, nos fundos estruturais e na máquina fiscal. E para impedirem reformas, confiam no PCP e no BE: em 1975, eles foram uma ameaça aos poderes então dominantes; agora, pelo contrário, são a sua garantia.

Rui Ramos, no Observador.


12 comentários

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De Luis a 30.10.2015 às 13:38

Bem, quanto a "clientelas", estamos a referir as ultima "nomeações" na S. Social,e na Agricultura( casa do vinho do Porto?)....atão estamos conversados!EHEHEHEHEH... lá vai "padrada", á la mode de J.Jesus!!!
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De José António Abreu a 30.10.2015 às 14:33

Não. Essas são inconvenientes e criticáveis mas, no que concerne à capacidade para impedir o país de avançar, não chegam sequer perto daquelas a Rui Ramos se refere.
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De Luis a 01.11.2015 às 13:43

É muito giro o argumentado . Aliás, sempre assim foi ao longo dos tempos. Para certa gentinha, há "erros" quase desculpáveis, se forem cometidos por certa gentinha do seu agrado. No fundo são Estalinistas. Nada como desvalorizar ou relativizar a coisa,né? "Inconveniencias" pois claro.
Um general é uma catástrofe, 1 milhão é uma estatística .
E já agora, o Ramos é um pãozinho, no que diz respeito á Hisrória. Que lhe faça bom proveito. Ok?
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De Costa a 30.10.2015 às 13:50

Em sentido análogo, V. Pulido Valente no Público de hoje.

Cá estaremos para pagar isto tudo.

Costa
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De José António Abreu a 30.10.2015 às 14:34

Nem mais. Convém começar a poupar.
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De João de Brito a 30.10.2015 às 17:06

Uma análise curiosa.
Surpreendeu-me, a perspetiva.
Que todas as entidades citadas fazem parte do mesmo regime e nele garantem a sua existência e subsistência é óbvio.
Mas que se coloquem todas do mesmo lado da barricada, isso, para mim, é novo e muito criativo.
Um detalhe: a minha experiência, que pelo menos é longa, diz-me que os referidos oligarcas (que antigamente se chamavam caciques), os tais que distribuem benesses em troca de votos (substituindo, assim, a justiça pela caridade interesseira) não são de esquerda nem de direita - são gente de partido, ponto.
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De da Maia a 30.10.2015 às 17:31

Rui Ramos politizou-se, e algum valor que teve em desmistificar o papão fascista no salazarismo, vai-o perdendo em discursos clubistas.
Para variar, nem é bem o caso...

Vamos lá a uma classificação tipo Marcelo:

1) Crítica ao interesse do PCP no sindicalismo dos transportes públicos é bem apontada. (16 valores)

2) Juntar nisso o BE? Não tem nenhuma explicação, e por isso parece mera invenção de aluno cábula. (6 valores)

3) Governo PS à esquerda pode aumentar despesa, é o trivial (10 valores). Acabará com reformas? Mas que reformas? A reforma do Estado, de Paulo Portas? (5 valores) ou as reformas dos velhinhos? (8 valores)

4) Clientelas, rendas, oligarcas, é muito conspirativo e popularucho, estilo BE, mas está ok (12 valores).

5) Caíram grupos financeiros e a justiça expôs promiscuidade... mas isso foi por culpa do governo de Passos?
Então Sócrates e Ricardo Salgado têm razão e são vítimas de justiça mandatada pelo poder político actual?
Ainda que fosse certo, ou é teoria da conspiração ou carece de justificação (8 valores).

6) Oligarcas confiam no BCE, fundos estruturais, etc... parece o BE a falar, mais uma vez. Teoria da conspiração? Vale pela variante à esquerda (12 valores)

7) Agora, o PCP e BE são garantes dessa oligarquia? Que o PCP seja dos sindicatos, segue o raciocínio. Mas esta teoria da conspiração é tudo ao molho... (8 valores).

8) Então e não será antes o BE e PCP a colocarem um travão na despesa do estado passada a direito pelo PS e PSD para as oligarquias ao longo destas décadas?
Onde está isso, excepto no caso sindical? (4 valores)

Em resumo, o texto até prometia, mas o autor tão afecto à sua clubite, não consegue afastar-se para uma imparcialidade.
Apreciação final: 9 valores.
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De jo a 30.10.2015 às 17:39

A maioria vota contra á PàF porque está comprometida com clientelas.

Uma maneira de dizer que todos os votos contam mas só os que votam comigo é que são sérios.

Se é a maioria que vota então temos uma maioria que é uma minoria pouco séria porque não votou com a coligação (que teve a minoria mas é a maioria).

Tente simplificar: quem consegue o apoio aa maioria de deputados no parlamento tem maioria para governar. O resto é poeira nos olhos.

Quanto ao argumento que forças do mal estão a provocar votações indesejáveis, tenha cuidado com ele ou o PCP ainda lhe cobra direitos de autor.

Claro que tem também o argumento que o povo não sabe votar nem viver em democracia, e devem ser pessoas responsáveis a decidir por ele, tem a vantagem de Salazar já não cobrar direitos de autor.
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De JSP a 30.10.2015 às 19:13

Para usar um lugar comum:o óbvio ululante.
Muita gente na bicha, e a atropelar-se, para chegar ao "caldo da portaria do convento"...
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De Luís Lavoura a 30.10.2015 às 19:44

Quando li o título do post pensei que ele se referia aos boys e girls que o governo Passos Coelho andou afanosamente a colocar nos últimos meses...
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De Orlando a 31.10.2015 às 01:56

Esse texto de Rui Ramos é perfeitamente rídiculo e surrealista. A imaginação delirante que esse homem tem para retratar a realidade do País! Só dá mesmo vontade de rir! Os meios manhosos a que esta direita recorre, para se agarrar desesperadamente ao poder e para encobrir ela sim as suas clientelas e os verdadeiros interesses que defende, que são nem mais nem menos que os interesses dos grandes grupos económicos em detrimento da grande maioria dos portugueses, que durante estes ultimos 4 anos foram tratados abaixo de cão! Já cansa ver a direita repetir até à exaustão argumentos perfeitamente mirambolantes em forma de cassete, contra um possivel governo à esquerda. É uma tentativa clara de lavagem ao cérebro daqueles que forem mais incautos ou distraídos. E falavam eles da cassete da esquerda!!! Neste momento, como já estou saturado de ouvir a dita cassete, assim que me deparo com algum comentador televisivo pró coligação PSD/CDS, a debitar a dita, simplesmente corto o som da TV. É super divertido vê-lo apenas a mexer os lábios sem ter que ouvir a desesperante cassete (lololol).
Enfim, haja paciência, são só mais uns dias até que este governo " moribundo" caia, para se pôr fim a esta agonia anunciada e colocarmos o país a ser governado na verdadeira acepção da palavra, mudando o paradigma da politica do país, pelo menos naquilo que for possível, tendo em conta os condicionalismos e compromissos a que estamos sujeitos, infelizmente.
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De cristof a 31.10.2015 às 16:07

Uma analise bem certa; pena que tenha sido o esquizofrenismo anti comuna que tenha produzido este prognostico que deve ser encarado como a prioridade das prioridades mas já a vinte anos atrás. Corporativismo e Brigada das Colheres a volta do tacho publico com um saldo de tres banca rotas, não deveria precisar do medo da esquerdalhada para se manifestar contra.

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