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A fotografia

por José António Abreu, em 08.04.17

As paredes são imaculadamente brancas, mas uma escuridão densa domina as fotografias. Ruas, edifícios, água, céu — mesmo roupa e faces são escuras na maioria delas. Suspensas por fios quase invisíveis, iluminadas por luz difusa, as fotografias parecem buracos no tempo para um passado há muito desaparecido e, todavia, estranhamente familiar.

As portas foram abertas há poucos minutos e, de momento, parece que apenas os guardas se encontram no interior do museu. Fui dos primeiros visitantes a entrar. Não tenho plano definido, nenhuma foto que deseje especialmente ver. Passeio pelas salas vazias, parando defronte de cada imagem durante alguns segundos, um pouco mais quando me captam a atenção. A maioria mostra gente anónima, em ruas de cidade ou campos de cultivo. Há também uns quantos retratos de homens e mulheres que a passagem de várias décadas ainda não apagou totalmente da memória colectiva: actores de filmes a preto e branco, um par de escritores, meia dúzia de políticos. Reconhecer estas pessoas gera um instante de prazer, como se as fotos fizessem o espectador relembrar colegas de escola há muito perdidos de vista. E, no entanto, a satisfação que se sente ao identificar estas pessoas é insignificante quando comparada com a obtida ao apreciar a maioria das restantes. Mostram gente anónima executando as suas tarefas diárias, gozando momentos de descontracção ou posando para as fotos de forma tão consciente que só a atitude diz imenso sobre o tempo e o local em que as fotografias foram tiradas. Sem saber bem porquê, aprecio especialmente a imagem de uma rapariga gorducha rindo por trás de uma bancada de fruta. Desconhecendo a razão por que ri, é impossível não sentir ternura. Não sorrir. Não invejar o momento.

Para além das fotografias com pessoas estão expostas algumas paisagens urbanas. Belas mas negras e opressivas. Como se o fotógrafo não tivesse conseguido descobrir calor sem a presença humana.

Tenho uma câmara comigo. É permitido fotografar no interior do museu, desde que não se utilize flash. Isso não me causa problemas. Não gosto de flash. Nunca inseri um na sapata da pequena Leica M6 com quinze anos de idade e milhares de fotos tiradas que trago comigo. A superfície está pejada de riscos e a tinta preta foi-lhe abandonando as arestas. Tem neste momento encaixada uma objectiva de 50 mm. Dentro de um minúsculo saco que trago pendurado no ombro direito tenho outra objectiva, de 35 mm, e dois rolos de filme: um a cores de 800 ISO, o outro a preto e branco de 400. Nesta época de fotos digitais sinto-me por vezes antiquado por entre todos os entusiastas brandindo com orgulho as suas Canons e Nikons de milhares de megapixeis. Contudo, essa sensação é rara porque já passei a idade em que sentia a cada instante ter de justificar as minhas opções perante os outros ou perante mim mesmo.

Gosto de fotografar. Como o fotógrafo cujo trabalho se encontra exposto nas paredes brancas e assépticas, gosto de fotografar pessoas. Mas nos dias que correm muita gente não gosta de ser fotografada por um estranho. Com frequência, as pessoas tornam-se agressivas ao verem uma câmara apontada para elas. E, ainda que nada digam quando a foto é tirada, há sempre a possibilidade de processos legais se a imagem for exposta ou comercializada. Devagar mas inexoravelmente, o estilo de fotografia exposto com orgulho nas paredes do museu está a desaparecer. Numa época em que em que milhões mostram as suas vidas no Facebook, em que toda a gente parece querer ser famosa, aparecer na TV, tornar-se num fenómeno do YouTube, isto confunde-me e entristece-me mas a realidade é incontornável e por isso tenho cuidado ao fotografar pessoas. No museu, introduzo o filme a cores na máquina e preparo-me para as usar apenas como silhuetas coloridas contrastando com as paredes brancas e os rectângulos escuros.

(Ainda mais confusão me faz ser cada vez mais frequente a proibição de fotografar no interior de museus, mesmo sem flash, mesmo em exposições de fotografia. O mundo anda difícil de entender. Mas não é por isso que estou a escrever este texto. Ou, em parte, talvez seja.)

Devagar, percorro todas as salas. Tiro meia dúzia de fotos sem grande convicção. A verdade é que as imagens expostas são demasiado boas para que dos meus esforços possa resultar algo que me leve a pensar ter valido a pena trazer a máquina. É então que reparo no homem. Tem pelo menos setenta e cinco anos, talvez mais, é baixo e está permanentemente inclinado para a frente, mesmo quando caminha. Veste um fato cinzento escuro, demasiado largo e de corte antiquado, mas em perfeito estado de conservação. Traz um jornal dobrado na mão direita e um chapéu de feltro na esquerda. O cabelo grisalho é ralo e encontra-se despenteado, fios espetados no ar como que surpreendidos por estarem a descoberto. Parece deslocado neste ambiente (estaria mais enquadrado dentro de uma das fotos) mas o que verdadeiramente chama a minha atenção é o modo como se comporta. Pára a meio metro de cada fotografia durante menos de um segundo, olha-a, continua para a seguinte. Nenhuma lhe merece mais tempo, não olha em volta, não muda de expressão — no seu rosto onde não parece haver lugar para o prazer ou para a crítica. Age metodicamente, como que seguindo um plano. Ergo a máquina fotográfica e apanho-o deslocando-se entre imagens. Permaneço naquela sala mais alguns minutos enquanto ele segue para outro compartimento.

Vejo-o de novo algum tempo depois, no final da minha segunda volta pelo museu. Estou decidido a sair e, apesar de ter apreciado a exposição, um pouco desiludido por sentir não ter conseguido obter imagens que valha a pena guardar. (A sensação é inevitável, sei-o perfeitamente, por muita racionalização que faça.) O velhote está parado em frente a uma fotografia, o jornal agora entalado debaixo do braço esquerdo, o chapéu, agarrado pela aba com ambas as mãos, encostado ao peito. Aguardo durante um par de segundos que se movimente para a foto seguinte, mas ele não o faz. Aquela imagem parece realmente interessá-lo, constituir o objectivo da sua visita à exposição. Aproximo-me lentamente. Reconheço a fotografia, da minha primeira passagem por aquela sala. Mostra uma rapariga de seis ou sete anos de idade, sentada num muro de pedra. Agarra uma boneca de trapos contra o peito magro e sorri para a objectiva com absoluta confiança. A foto foi tirada de um plano ligeiramente inferior (o fotógrafo ter-se-á baixado ou talvez existisse ali um lance de escadas e ele se encontrasse três ou quatro degraus mais abaixo) e, por trás da rapariga, vê-se uma linha desfocada de estreitos edifícios geminados. As fachadas são escuras, em diferentes tons de cinzento. Em grande medida por estarem fortemente desfocadas, algumas peças de roupa de tonalidade clara penduradas do lado de fora das janelas são insuficientes para aliviar a escuridão que domina o segundo plano. Toda a luz está concentrada na miúda, que enverga um vestido branco ou muito claro. Como claros são as meias rendilhadas, os sapatos — e a face. A rapariga quase salta da fotografia e é impossível não permanecer hipnotizado a olhá-la durante algum tempo.

Ela contrasta com o homem a tantos níveis (juventude versus velhice; confiança versus resignação; descontracção versus rigidez) que não resisto. Ergo a Leica, foco na miúda e disparo. O homem roda. Lágrimas descem-lhe pelas faces. Olha-me, baixa os olhos para a câmara e, sem uma palavra, vira-se de novo para a fotografia.

Permaneço imóvel durante o que me parece imenso tempo, incapaz de decidir o que fazer. Fui apanhado de surpresa e não sei se devo deixá-lo sozinho ou ficar, para pedir desculpa e justificar a minha atitude. Depois, talvez mais por mim do que por ele (por sentir que não conseguiria deixar de pensar nele e de imaginar as razões por que chora), dou um passo em frente e coloco-me a seu lado. Pergunto:

«Sente-se bem?»

Demora tanto tempo a responder que começo a duvidar que o faça. Quando fala, a voz é firme mas o tom é baixo, rouco, forçando-me a prestar atenção.

«Tinha sete anos, sabe? Ou talvez já tivesse feito oito, não sei. Depende de quando a fotografia foi tirada. A legenda só diz 1938. Ela fazia anos em Agosto. Estava sempre muito calor, o que era bom porque podíamos andar na rua a brincar. Eu fazia… faço anos em Janeiro. Chovia quase sempre e fazia frio por alturas do meu aniversário. Gostávamos mais de calor. Não gostávamos nada de estar presos dentro de casa. Às vezes, no Inverno, ficávamos todos molhados porque não resistíamos a andar na rua. Apanhámos muitas palmadas, e com um chinelo, por causa disso. Mas não conseguíamos resistir. Detestávamos estar presos dentro de casa. Então ela não suportava mesmo… O vestido é leve, devia ser Verão. Talvez fosse mesmo Agosto, aqui não diz. Só diz 1938.» Cala-se. Espero em silêncio, receoso de quebrar a ténue ligação que parece ter-se estabelecido entre nós. Receoso de que ele me peça para ir embora. «Nós não tínhamos máquina fotográfica. Naquela altura quase ninguém tinha. Eram caras, só para os ricos. Nem sei se ela percebeu o que o fotógrafo estava a fazer. Acho que nunca ninguém lhe tinha tirado uma fotografia. Mas ficou bem, não ficou?»

Pára novamente, mas agora espera que eu fale. Que eu responda. Sinto dificuldade em fazê-lo, mas acabo por dizer, com total sinceridade:

«Ficou linda.»

«Deve ter sido uma ocasião especial, para estar vestida assim. Quem sabe se até foi mesmo no dia dos anos… Aquela boneca, houve uma altura em que nunca a largava. Foi um problema, ter que a deixar em casa quando foi para a escola. Todas as tardes, quando voltava, ia a correr ver se a boneca estava bem. É verdade que a nossa mãe estava sempre a ameaçar que havia de deitá-la fora, mas isso era só para a levar a fazer o que queria. Se deitasse a boneca fora, perdia o poder de a obrigar a fazer certas coisas. Mas ela não percebia isso (eu também não mas eu era menos esperto) e andava sempre preocupada com a boneca… Fica bem, na fotografia. Mas fá-la parecer mais nova, mais criança.» Inspira profunda mas lentamente, como se saboreasse o ar. «Eu era um ano mais novo. Para dizer a verdade, dezassete meses quase ao dia. Até aos três ou quatro anos acho que ela me via mais como um irmão da boneca do que dela. Isto depois de passar uma fase (dizem, eu não me lembro) em que sentia inveja de mim.» Sorri, e no sorriso há uma censura carinhosa dirigida à irmã na foto. «Tem uma certa graça porque eu é que sentia inveja dela. Ela conseguia ser sempre o centro das atenções: era esperta, dizia coisas que as pessoas gostavam de ouvir. Eu era mais calado, mais metido comigo próprio.»

Ouço-o numa mistura de encantamento e desconforto. A história atrai-me, sinto que estou a cumprir um papel importante para ele e, todavia, não consigo deixar de me considerar um intruso — uma espécie de voyer emocional, degustando os sentimentos de um completo estranho. Então, com a precisão que usara antes — como se a exactidão das datas fosse importante para lhe manter as recordações sob controlo —, ele diz:

«Tinha doze anos quando morreu. Quase treze. Na altura ninguém me disse o que tinha causado a morte. Só vim a saber anos depois. Pneumonia. Era fraca, magrinha… Mas eu era ainda mais magro e nada me aconteceu. Os nossos pais andavam a tentar arranjar-lhe emprego desde por volta dos dez, quando ela acabou a quarta classe, mas ninguém a queria. Diziam que era muito fraca para aguentar um trabalho a sério. Tomava conta da casa desde antes dessa altura porque a nossa mãe andava doente.» Encolhe os ombros quase imperceptivelmente. «Andava sempre doente. Passava a maior parte do tempo na cama a queixar-se da nossa vida miserável. Nós os dois não a achávamos miserável. Sabíamos que não éramos ricos, mas não sentíamos falta de grande coisa. Quando cresci, comecei a pensar que a nossa mãe era mesmo assim e que não tinha doença nenhuma. Estou convencido que foi assim que ela apanhou a pneumonia: a lavar o chão de joelhos e a nossa roupa no tanque. Só pode ter sido. Mas, na altura, eu nem sabia o que era pneumonia.»

Cala-se de novo. Permanecemos em silêncio durante muito tempo — minutos, talvez —, mas eu já não sinto desconforto. Olhamos ambos para a fotografia na parede. Ele estará a relembrar milhões de acontecimentos ocorridos há setenta e tal anos. Eu estou a pensar que, para mim, a imagem acaba de ganhar uma história — uma história concreta, não apenas a sensação difusa que se consegue ao observar pessoas numa fotografia, seja esta recente ou antiga, tirada na cidade onde vivemos ou do outro lado do globo. De vez em quando, há fotos que sugerem histórias ainda mais definidas — verdadeiras ou falsas, não interessa —, mas esta acaba de se guindar a um patamar ainda mais alto. É quase como se eu a tivesse tirado — ou vivido.

 O velho diz:

«Nunca pensei que ia voltar a vê-la. Às vezes já tinha problemas em lembrar-me dela. Do aspecto que ela tinha. Isso deixava-me tão triste. E irritado.»

«Não sabia que existia uma fotografia?»

Abana a cabeça, devagar.

«Até ontem, a única imagem dela era na minha cabeça.» Tira o jornal de debaixo do braço. Segurando o chapéu pela aba com a mão direita, abre-o numa das últimas folhas. Mostra-me a notícia. O título anuncia a realização de uma exposição de fotografias de um dos maiores fotógrafos portugueses do século XX, agora que passam vinte e cinco anos sobre a sua morte. A foto da miúda sentada no muro de pedra com a boneca de trapos nos braços ilustra a notícia. «Nem imagina o que senti. Foi como se tudo tivesse parado. Não conseguia acreditar. Mas», sorri novamente para a irmã, «afinal há uma fotografia dela.»

 

Pago, recolho o invólucro com as fotografias de cima do balcão e procuro um banco onde me sentar. Acabo ao lado de uma mulher vestida com um fato de corte austero que balança um carrinho de bebé enquanto vigia meia dúzia de sacos de compras pousados no chão. Deita-me um olhar rápido e depois ignora-me. Tiro as fotos do invólucro e passo-as rapidamente até chegar à do velho em frente da imagem da irmã. De súbito, o ruído do centro comercial parece diminuir.

Apanhei-o praticamente de costas. A luz fraca do museu obrigou-me a usar uma abertura larga e ele encontra-se ligeiramente desfocado. A face quase não se vê. Mas o mais importante encontra-se lá. A rapariga, luminosa, etérea — um fantasma benigno e deslumbrante —, sorri para o velho com a alegria do reencontro.

Tecnicamente, não é uma grande fotografia. Encontra-se um tudo-nada subexposta, o enquadramento não é perfeito e a expressão dele mal se distingue. A focagem é o único aspecto que me agrada: realça a miúda e aumenta o efeito de profundidade. Já a circunstância de ser uma imagem a cores não ajuda: distrai a atenção do essencial. Normalmente, considerá-la-ia banal, pouco acima de fracassada. Mas não hoje.

Regresso à loja e encomendo uma cópia. Fiquei com a morada do velho. Terá uma foto da irmã.

 

(Republicado. Com uma dedicatória irónica ao comentador Luís Lavoura.)

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9 comentários

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De IsabelPS a 09.04.2017 às 21:42

Gostei muito. Muito obrigada.
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De José António Abreu a 10.04.2017 às 10:37

Obrigado eu. Ainda bem que gostou.
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De pita a 09.04.2017 às 22:00

Obrigado.
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De José António Abreu a 10.04.2017 às 10:40

Eu é que tenho de agradecer. Até porque - como alguém salienta mais abaixo - se trata de um texto demasiado comprido para um blogue.
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De redonda a 09.04.2017 às 23:00

Gostei muito desta história.
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De José António Abreu a 10.04.2017 às 10:41

Obrigado. Mas quer-me parecer que não foi a primeira vez que a leu... ;-)
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De redonda a 10.04.2017 às 18:04

No amor e morte em pequenas doses, mas acho que não consegui comentar lá (ainda não teria descoberto o pequeno link em cima ou em baixo para comentarmos :)
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De Luís Lavoura a 10.04.2017 às 09:30

Obrigado por me ter dedicado o post. Mas é muito longo e não tenho paciência para o ler.
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De José António Abreu a 10.04.2017 às 10:34

Por que será que isso não me surpreende?

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