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Delito de Opinião

A Finlândia, então

José António Abreu, 20.04.15

A Finlândia é um país com cerca de 57% do PIB em despesa pública. Nos tempos que correm, pouquíssimas economias suportam valores destes (a Alemanha anda nos 44%, a Holanda nos 46%, a Suécia nos 50%), ainda por cima quando acabaram de sofrer golpes significativos (por exemplo: as sanções à Rússia fizeram cair as exportações, a Nokia entrou em queda e a sua divisão de telemóveis é hoje da Microsoft). Apesar disto, o défice público finlandês tem-se mantido abaixo dos 3%, a dívida  pública está razoavelmente controlada (em 2014 deverá ter ficado em torno dos 60%) e os números do desemprego, não sendo brilhantes, não podem ainda ser considerados catastróficos (abaixo de 9%). Também o nível de poupança dos finlandeses (cerca de 19,5% do PIB) é razoável, apesar de ter vindo a descer. (Em Portugal, o trajecto é o inverso: a poupança subiu de 9% do PIB em 2009/10 para mais de 15% em 2014.) Ou seja: a Finlândia tem margem para reformas e, mais coligação, menos coligação decorrente das eleições de ontem, provavelmente os finlandeses tratarão de as implementar, como fizeram no início da década de 1990. Em Portugal, com um sistema político menos fragmentado, elas têm-se revelado impossíveis - algo que não deixará de irritar os finlandeses, se alguma vez voltarem a ter de enviar dinheiro para cá. 

 

Dados: FMI, World Economic Outlook Database, Abril de 2015.

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