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A exumação de Franco.

por Luís Menezes Leitão, em 14.09.18

Por cá, na altura do PREC, Carlos Fabião propôs no Conselho da Revolução que se fosse desenterrar Salazar e fazer-lhe um julgamento público, colocando o cadáver em tribunal no banco dos réus. Para seu grande desapontamento, os seus companheiros tiveram o bom senso de lhe dizer que achavam essa ideia completamente absurda. Em Espanha parece que anda a faltar aos deputados esse mais elementar bom senso. Franco está morto e enterrado. Desenterrá-lo é perfeitamente idiota.

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12 comentários

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De Pedro a 14.09.2018 às 08:27

Luís, como Professor de Direito :

Tribunal rejeita liberdade condicional a investigadora Maria de Lurdes Lopes Rodrigues

Maria de Lurdes Lopes Rodrigues, detida em a 29 de setembro de 2016, está a cumprir, na cadeia de Tires, uma pena de três anos de prisão por “difamação e injúria contra juízes e magistrados dados como ocorridos, em instalações do Estado português, o que foi qualificado como perturbação de órgão constitucional e ofensa agravada a pessoa coletiva”.

Então e a pena suspensa dos políticos, não se aplica ? Quem se mete com os magistrados leva
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De Anónimo a 14.09.2018 às 08:38

Senhor Luís Menezes Leitão:
Ontem li isto nos jornais: «o Congresso espanhol deu luz verde ao diploma legal que abre caminho à exumação dos restos mortais do ditador Francisco Franco do Vale dos Caídos, com o apoio da esquerda e a abstenção da direita»
Conclusão, nem um deputado tem um pingo de lucidez.
A lucidez foi toda capturada pelo senhor Luís Meneses Leitão.
E que tal se se candidatasse a deputado das Cortes espanholas, daria mito jeito como exemplo, e como fermento de lucidez para fazer crescer esta nos restantes deputados.
Já quanto ao Vale dos Caídos se ter transformado em local de peregrinação da Extrema-Direita espanhola, alimentando o mito de Franco (ontem, na televisão, um apoiante-manifestante achava que Franco iria, em breve, ser declarado santo), isso não o incomoda.
Só a insensatez dos deputados o incomoda.
Nem o incomoda o facto de a presença dos restos mortais de Franco violar as normas que o próprio Franco institui ao criar este lugar de culto (laico, em relação a si): serviria de lugar de homenagem às vítimas da Guerra Civil, que lutaram de ambos os lados da barricada.
Ora, Franco não foi vítima da Guerra Civil, ao contrário de Primo de Rivera (o fundador da Falange Espanhola, o partido único do regime franquista), que lá está por direito próprio (foi fuzilado pelos republicanos), sem que, até à data, ninguém tivesse reivindicado a sua retirada.
Se alguém o fizer, nessa altura critica-se, pois fazer prognósticos antes dos jogos é tontice.
Pela lógica do seu raciocínio, poderá concluir-se que é favorável à presença dos ditadores em locais de peregrinação: Lenin, Mao Tsé-Tung, Kim Il-sung, etc.
E que foi contra a destruição da estátua de Saddam Hussein.
(Manuel Silva)

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De Luís Menezes Leitão a 14.09.2018 às 09:12

O túmulo de Lenine, assim como o de Estaline, estão muito bem na Praça Vermelha, onde fazem enorme sucesso aos turistas, e ninguém está a pensar em tirá-los, por muito que o governo actual russo os critique.

Quanto a desafiar-me para ser deputado às Cortes espanholas, há um problema básico no desafio. É que sou português de gema e não tenho qualquer intenção de participar em órgãos de soberania de um país estrangeiro. Limito-me a afirmar que cá em Portugal tratámos do assunto com muito mais lucidez.
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De Luís Lavoura a 14.09.2018 às 09:47

cá em Portugal tratámos do assunto com muito mais lucidez

Exatamente. Cá em Portugal o ditador Salazar está numa campa da sua família na sua aldeia de origem. Que é como deve ser. E que é como o cadáver de Franco deve estar, e vai passar a estar.

Em mausoléus do Estado estão os cadáveres do Panteão Nacional. É a Assembleia da República quem decide pô-los lá. Todos os outros cadáveres estão a cargo das respetivas famílias.

Em Espanha deveria ser a mesma coisa.
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De Pedro a 14.09.2018 às 12:29

"É a Assembleia da República quem decide pô-los lá"

Quem decidiu pôr Franco onde está? Não houve unanimidade no Parlamento espanhol da altura em sepultar Franco num mausoléu do Estado?

E aqueles anteriores à democracia? Vamos desenterrá-los?
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De Anónimo a 14.09.2018 às 10:06

Senhor Luís Meneses Leitão:
Em Portugal, Salazar quis ser enterrado em campa rasa.
Não deixou esse problema que os seguidores de Franco criaram ao levá-lo para o Vale dos Caídos.
Mas o desaparecimento da estátua de Salazar em Santa Comba Dão, cuja criação se pode assemelhar à deposição do corpo de Franco no Vale dos Caídos pelos seus seguidores, foi resolvido à bomba.
Portanto, com muito menos democraticidade e lucidez do que uma decisão das Cortes espanholas.
(Manuel Silva)
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De Peregrino a Meca a 14.09.2018 às 10:29

Comparar Franco com Salazar, comparar uma guerra civil instaurando uma ditadura com uma toma de poder relativamente pacífica e (discutivelmente, certo) legal, e uma transição dolorosa e delicada com golpe de estado com apoio popular é fazer prova de ignorância ou demagogia. As duas que comumente acusa os outros.
Em miúdos, e sem complicar. Portugal teve um golpe de estado que permitiu "acertar" algumas contas com o regime. A Espanha teve uma transição em que, para evitar uma nova guerra civil, tudo foi deliberadamente ignorado esperando melhores dias. Esses dias chegaram e é altura de fazer essa memoria.
Debruçando-se sobre a historia recente de Espanha e principalmente sobre o que representa o Valle de los Caidos, este gesto político (partilhado por TODOS os grupos parlamentares espanhóis, oportunismos políticos à parte) é perfeitamente compreensível.
Mas vista a oportunidade de malhar em nuestros hermanos, a compreensão vê-se rapidamente comprometida. Brites de Almeida, o povo está contigo!
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De Luís Lavoura a 14.09.2018 às 11:14

A Espanha teve uma transição em que, para evitar uma nova guerra civil, tudo foi deliberadamente ignorado esperando melhores dias. Esses dias chegaram e é altura de fazer essa memoria.

este gesto político partilhado por TODOS os grupos parlamentares espanhóis

Exatamente. Muito bem escrito.
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De Luís Lavoura a 14.09.2018 às 10:40

Do texto lincado:

"O complexo do Vale dos Caídos [...] tornou-se num ponto de peregrinação para saudosistas da ditadura e para militantes da extrema-direita."

É evidente que isto é inaceitável. O Estado não pode estar a pagar a manutenção de um mausoléu público para uma pessoa que é rejeitada pela maioria dos espanhóis de hoje, ainda para cima para ver esse mausoléu, pago por todos os contribuintes, ser objeto de veneração por uma minoria rejeitada (a extrema-direita). As peregrinações ao túmulo de Franco só mostram que esse túmulo não pode continuar a ser suportado pelo dinheiro dos contribuintes.

A família de Franco que fique com o cadáver e faça dele o que quiser, como é normal para o cadáver de qualquer pessoa. Se depois houver peregrinações ao túmulo, isso será um problema da família e de mais ninguém.
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De Anónimo a 14.09.2018 às 11:22

Esse Carlos Fabião mandou-me (a mim e aos outros nas mesmas condições) para o contingente geral, na incorporação de setembro de 1975, com todas as consequências inerentes, umas, e imprevistas, outras.
Feita esta declaração de (des)interesse, devo dizer que nutro o maior repúdio por essa gente que, estando agora no poder de uma forma ou de outra), quer renegar a história.
Só quem tem medo de perder o tacho e a consciência pesada se pode assustar tanto com fantasmas.
São mais intolerantes, ainda mais, que aqueles de quem fogem, aterrorizados.
Sou eu que o digo, que vivi dos dois lados.
João de Brito
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De Anónimo a 14.09.2018 às 16:15

A esquerda e a sua incoerência no seu melhor.
Franco foi um patriota para muitos e um traidor para tantos outros, criar este não assunto é um acto tipico das esquerdas que se importam mais com as ideologias do que com os povos e as nações.
Pela Europa o que não falta são pessoas fartas deste marxismo do tempo novo e agora é vários países ao mesmo tempo mas os homens in the high castle não querem saber, veremos ou não como irá acabar.

WW
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De Peregrino a Meca a 17.09.2018 às 14:09

Caro anonimo. O problema não é que quem haja que Franco tenha sido um traidor. O problema é que há muita gente a considerar que Franco foi um assassino de grande escala. As famílias das vitimas, directas ou indirectas, não concebem que alguém que, voluntariamente, mandou perseguir, escravizar e matar milhares de pessoas, durante a guerra que provocou e posteriormente, durante a repressão que se seguiu, com intenção, afinco e constância, seja enterrado ao lado dessas mesmas vitimas e seja objecto de peregrinação e saudosismo.
O problema é que dentro dessas "pessoas" não estejam só "radicais marxistas", mas historiadores, analistas e políticos eleitos por um sistema partidário democrático e moderno com base em voto popular.

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