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A eutanásia

por jpt, em 16.02.20

cei.jpg

Como deveria ser sabido a eutanásia foi uma prática corrente. A estatização da sociedade reduziu-a, tal como aumentou de forma espantosa os serviços médicos (das maternidades aos paliativos, passando pelas vacinas). E espalhou a química. Vivemos melhor, com menos dores (físicas e morais), e muito mais tempo. Com tudo isto muito regulamentado (por legislação, por protocolos médicos).

Dito isto, a eutanásia a ser praticada será sempre nessas condições: muito especiais, previstas e controladas. Não haverá comités populares para acabar com os velhinhos, doutores neoliberais a poupar dinheiro ao SNS, enfermeiras demoníacas a terminar espécies determinadas de pacientes (genderizados, racializados, classificados) ...

A reacção negativa à eutanásia é muito primitiva. Lembra-me aquilo do aborto (perdão, ivg): seguir-se-ia um aumento gigantesco de malvadas mulheres a esventrarem-se, cultuando fetos devastados. Mas ... reduziram os abortos (perdão, as ivgs).

Vivemos melhor? Óptimo. Deixai-nos lá morrer melhor. Em liberdade. Naquilo do livre-arbítrio. Ou, dizendo de outra forma, tende (bom) juízo.


25 comentários

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De V. a 16.02.2020 às 13:20

Concordo parcialmente porque acho 2 coisas:

1. É uma intromissão do Estado na esfera do indivíduo — e deve ter de se preencher papelinhos e pagar uma taxa e alguém vai ser obrigado a executar o pedido e isso é muito foleiro;

2. O problema mais grave é a inqualificável arrogância de uns quantos partidos (a saber BE, PS e o horrível PAN) de que podem efectivamente legislar sobre tudo o que lhes apetece e impôr a sua visão do mundo, minoritária, aos outros todos. E a presunção anti-democrática de que essas coisas não precisam de ser inscritas nos programas eleitorais nem sufragadas porque "o povo" lhes deu carta branca. Não deu. É mais uma instância do fascismo atávico de que as esquerdas não se conseguem libertar.

Quanto à eutanásia em si estou-me a borrifar, é da esfera pessoal de cada um — o lado que torna o que nunca foi num problema social e "obrigatório" é que é indecente e muito para lá de suportável. Mas enfim, o traço mais evidente das repúblicas é que têm sempre mau gosto.
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De jo a 16.02.2020 às 19:18

Os partidos com assento na assembleia podem legislar sobre o que querem. Se são minoritários as suas propostas não são aceites. Se não são minoritários têm legitimidade para aprovar as propostas. É assim que funciona.

Não compreendo algumas posições contra a eutanásia. Tanto se diz que não faz sentido repetir uma votação que foi feita há dois anos, como que o assunto ainda não foi suficientemente discutido.
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De V. a 16.02.2020 às 23:58

"Os partidos com assento na assembleia podem legislar sobre o que querem."

Ai que lindo. Dito com essa autoridade toda até soa melhor.

Mas esse tipo de democracia não serve.
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De jo a 17.02.2020 às 10:12

A democracia às vezes não dá jeito nenhum.
Se se fizer sempre o que o sr. bispo manda poupa-se em eleições, mas fica-se mal servido.
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De V. a 17.02.2020 às 19:04

Não sou de ir à missa — nem às dos padres nem às dos maçons, que detesto na mesma medida e com o mesmo empenho. E também não frequento as madrassas do BE.

Além disso, vocês de democracia não percebem um caracol — para vocês é apenas uma coisa instrumental até chegar a outro sítio onde só vocês mandam. E o problema é que me parece que já lá estamos.
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De Anónimo a 16.02.2020 às 13:29

A eutanasia é uma aberração mental ideologica!! Qualquer dia quanda nascer um crianca com algum tipo de defiencia tambem vao autorizar os pais a darem lhes os comprimidos da morte...porque vai trazer muito sofrimento ....na Holanda, um pais de atrasados mentais, ja querem dar liberdade as pessoas com mais de 70 anos de tomarem o comprimido da morte...de aberração em aberração, até á aberração final...sempre com o argumento usando a liberdade...
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De o cunhado do acutilante a 16.02.2020 às 17:05

E está muito bem, dar o comprimido e quem quiser que o tome.
Chama-se a isso, pelo menos eu chamo, liberdade de escolha.
Se lho enfiar pela goela abaixo isso já é outra história e passa a chamar-se assassínio qualificado. De resto acho que as pessoas devem ser livres de tomarem as suas decisões.
Assim, sem crueza nem hipocrisia, a minha filosofia de vida é a seguinte:
Deixa viver quem quer e morrer quem quiser.
E trata da tua vida que ninguém a trata por ti.
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De Anónimo a 16.02.2020 às 20:36

o individualismo é próprio do sociedade atrofiadas !! é só neuróticos, não tem memória colectiva...não tem noção de pertença a uma comunidade!! por isso os sefarditas e afins, apoiam que estas ideias entrem em Portugal...
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De o cunhado do acutilante a 17.02.2020 às 09:28

OK! seja.
E o que faz você perante alguém que pretende pôr fim à existência?
Lança-se para a frente e recebe a bala que ele a si destinava? Tira-lhe da mão o frasco de comprimidos e toma-o para ele não voltar a sucumbir à tentação? Lança-se atrás dele para o segurar quando ele saltou da ponte? Ou para a linha do comboio?
Tanto altruísmo e tanta abnegação por detrás de um teclado.
No entanto, raramente ou quase nunca vi alguém depositar na mão estendida à caridade, uma esmola.
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De Anónimo a 16.02.2020 às 22:47

a sua filosofia aplica-se a partir de que idade?
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De o cunhado do acutilante a 17.02.2020 às 09:32

Há idade legal para o suicídio?
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De Vento a 16.02.2020 às 13:40

A ideia que a vida depende da vontade de terceiros e a morte de nossa própria vontade, é uma falsa "novidade" e uma má notícia.
A morte é o que temos de garantido e certo; e a vida nos contornos com que ela se apresenta é o que nos garante um (bom ou mau) juízo e um livre-arbítrio.

Deixa de ser livre-arbítrio quando dependo de terceiros para executar minha liberdade.

Em épocas pretéritas a eutanásia existia, e esta dependia da vontade de terceiros e não do próprio. Também se chamou eutanásia (boa morte) ao sacrifício, direi imolação, de crianças aos deuses. Pois estas é que se encontravam em estado puro e virginal para dignificar as divindades, que são plenamente livres..

Faz lembrar-me que não vivemos épocas tão pretéritas..
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De Vento a 16.02.2020 às 17:24

Só para acrescentar umas linhas de esperança em torno do tema eutanásia:

Estive a ver o jogo do Flamengo com o Atlético Paranaense, Super Copa que se realizou no estádio Garrincha de Brasília, e enquanto aguardo a colectiva do JJ, refiro que o 3º golo do Flamengo (Arrascaeta) fechou o caixão. Foi uma goleada de bom tamanho, e cabia mais.
Assim, boa morte (eutanásia) foi o que aconteceu em Brasília.

A ver se o meu Sporting começa a eutanasiar os vivinhos que o contrariam.
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De Manuel a 16.02.2020 às 15:47

"Não haverá blablabla, whiskas saquelas"

Vejamos o aborto e as pessoas que o praticam por motivos tão triviais como o de se terem esquecido de ligar o despertador matinal...e: uau, mas que evolução sem lógica nenhuma.

Com o direito à eutanásia o que fica em causa é muito mais do que direito do sofredor querer deixar de sofrer e o dever da sociedade lhe proporcionar esse desejo.
No fim disto o que vence é o facilitismo, a fraqueza e a debilidade do carácter de algumas sociedades, aumentado assim a sua vulnerabilidade face a outras. De resto é mais blablabla.
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De marina a 16.02.2020 às 16:17

Só não concordo com uma coisa...menos dores morais . como se explica que o consumo de drogas legais ( ansióliticos , antidepressivos , hipnóticos , álcool ) e ilegais ( heroína e coca ) chegue à estratosfera?
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De Anónimo a 16.02.2020 às 16:25

Montes de gente saudável (dos partidos, igrejas, comentadores) preocupadíssimos com a eutanásia, Deles ou dos outros?.
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De Anónimo a 16.02.2020 às 20:39

de Lisboa...
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De Tiro ao Alvo a 16.02.2020 às 18:55

Escreveu: "A reacção negativa à eutanásia é muito primitiva. Lembra-me aquilo do aborto (perdão, ivg): seguir-se-ia um aumento gigantesco de malvadas mulheres a esventrarem-se,(…). Mas ... reduziram os abortos (perdão, as ivgs)".
Faz bem em escrever “aborto”, porque IVG foi o eufemismo inventado para dourar a coisa.
Mas saiba que o que fez reduzir o enorme número de abortos foi o aparecimento da chamada “pílula do dia seguinte”, arma que deveria reduzir o número de abortos ao ínfimo. Mas não é assim, ainda são realizados muitos abortos no SNS, aproveitando as facilidades da lei, e há mulheres que fazem mais do que um aborto por ano, actos que até dão direito a uns dias “baixa”.
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De Pedro Oliveira a 16.02.2020 às 19:54

Caro jpt,
Concordo com quase tudo, especialmente, com o único parágrafo.
"Vivemos melhor? Deixai-nos lá morrer melhor. Em liberdade"
É isto.
Detesto que o Estado se imiscua na minha vida privada, por tudo e por nada.
Agora que se imiscua, também, na morte é demais.
Menos Estado, melhor Estado.
Não precisamos de leis para nos suicidarmos.
Com a lei aprovada arriscamo-nos (vou exagerar) a entrar no hospital com uma unha encravada e a sair de lá eutasaniados, é o Estado que vai decidir quem pode e quem não pode morrer.
Acho que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) dever-se-ia preocupar em salvar vidas.
Quanto à aprovação da lei como existe na Bélgica ou na Holanda mas sem intervenção do Estado, fora do SNS, nada contra, um negócio como outro qualquer.
Resumindo sou contra a "estatização" da morte" ou se liberaliza a sério ou mais vale ficar como está.
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De Justiniano a 18.02.2020 às 15:12

F...se, Pedro Oliveira, nem sei por onde começar...
Sempre me fascinaram os neo-liberais mais desalmados. Mas V, caro Pedro Oliveira, é um fenómeno, quedo-me vergado de estupor, sinceramente!!
Eu compreendo isto "Acho que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) dever-se-ia preocupar em salvar vidas.", mas não percebo nada disto "...nada contra, um negócio como outro qualquer.", nem disto "Resumindo, sou contra a "estatização" da morte" ou se liberaliza a sério ou mais vale ficar como está."
E perdoe-me o dramatismo semantico;
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De Pedro Oliveira a 19.02.2020 às 17:58

Caro Justiniano,
Perdou-lhe tudo mas não percebi qual o seu ponto.
Penso que fui claro naquilo que escrevi.
Menos Estado na nossa vida.
A questão da eutanásia surge de onde? Qual a razão?
Há um conto de Miguel Torga que fala do "abafador" era alguém que aliviava a morte de quem estava em sofrimento.
Quem conhece as aldeias e a "vida real" sabe que a eutanásia e os suicídios assistidos existem com nomes menos pomposos.
"Já estava desenganado pelos médicos, foi um favor que Deus lhe fez".
Quem quer uma morte "cool" e cheirosa que o faça por si só ou no seu círculo mas que não envolva o Estado nisso.
É esse o meu ponto, é esse o meu ultra liberalismo, retomar práticas ancestrais, cada um pagar ao seu próprio "abafador".
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De Vorph Valknut a 17.02.2020 às 18:19

"Vivemos melhor, com menos dores (físicas e morais)"

Discordo. As nossas maiores dores físicas são dores morais.

E agora amando (no outro sentido, que não o literal) esta:

Saberemos quantas "desistem" por se sentirem atiradas e sem ninguém? Como saber se um doente terminal ao reiterar a sua vontade de morrer, o faz livremente e não preso a uma Depressão? Mas, se assim for, terão os doentes com Depressão Major o "mesmo" Direito à Eutanásia?

https://tvi24.iol.pt/sociedade/estudo/cuidados-paliativos-portugal-tem-geracoes-e-decadas-de-atraso

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De Justiniano a 18.02.2020 às 08:52

Uma enorme desilusão, caro JPT.
O último parágrafo então, é de um absurdo extraordinário, para além da subversão ética. Reduz virtudes a expressões vazias de significação. Esta sua posta é desalmada e tonta. As caricaturas são demasiado pobres, mesmo para um jacobino em iniciação "A reacção negativa à eutanásia é muito primitiva...gigantesco de malvadas mulheres a esventrarem-se..."
Mais lhe valia apelar a uma putativa compaixão, de nobres sentimentos, e postar uma alheira ou uma morcela.
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De jpt a 18.02.2020 às 12:39

O postal foi-se, veio o fim-de-semana, outras coisas se impuseram e acabei por não responder aos comentários a este postal. Mas como comenta agora tenho que lhe responder a um aspecto do que diz, e que refuto: eu não sou um jacobino em iniciação. Eu anseio, com frémitos, por guilhotinas, na praça da Figueira, no Terreiro do Paço, no Marquês de Pombal, nos rossios desse país afora, e até ali no centro da invicta cidade onde costumo ver a turba a comemorar os ídolos pagãos no final da primavera. E estou certo que o Grande Arquitecto nos possibilitará, em breve, tão enorme desiderato.
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De Justiniano a 18.02.2020 às 14:20

Também cheguei tarde, mas o caro jpt merece sempre um comentário, sinceramente!
Eu aprecio o tremendismo apocalíptico, a bigorna e os clamores histriónicos, caro jpt. É aliás uma das suas marcas literárias que mais aprecio, como já lhe disse. Todavia esta vem mesmo ao lado, como resposta, porquanto, dizia-lhe, confessando a minha desilusão pela pobreza de ideias enunciadas, ausência de ponderação de valores ou princípios e, sobretudo, a desajustada invocação de direitos e faculdades jurídicas, que as caricaturas apontadas seriam demasiado pobres, mesmo, para um jacobino em iniciação (estará quase na categoria de pseudo jacobino). Ora, de um mestre jacobino exigir-se-ia muito mais.

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