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A Europa rendida ao medo (4)

por Pedro Correia, em 29.01.15

A BBC recusa utilizar a palavra "terrorista" em relação aos assassínios do Charlie Hebdo e outros actos criminosos por ser um termo "valorativo" que suscitaria dúvidas sobre a "imparcialidade" da estação entre autores e vítimas dos atentados.

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38 comentários

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De Luís Lavoura a 29.01.2015 às 11:52

A BBC tem toda a razão. "Terrorista" é efetivamente, na atualidade, um termo valorativo, para não dizer mesmo um insulto. A definição de "terrorismo" é altamente controversa.
Os jornalistas podem e devem ficar-se por descrições objetivas dos factos. Não há qualquer necessidade de dizer que o homem que matou era um "terrorista". Até porque há desacordo sobre o que isso seja.
(E mesmo a designação "assassino" tem muito que se lhe diga - os soldados também matam, porém não são normalmente considerados assassinos.)
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De Rilha Foles a 29.01.2015 às 13:02

O 44 devia contratar alguém dono de uma poderosa argumentação como essa.
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De lucklucky a 29.01.2015 às 13:18

O valor da vida humana também é um termo valorativo, depende da Cultura , logo certamente o Luís Lavoura defenderá, se quiser manter a coerência que uma morte de um Ocidental e de um Muçulmano não têm o mesmo valor.

E assim talvez a BBC só deverá noticiar a morte de 500-1000 Árabes ou acima, tem sido por exemplo esse os valores nas trocas de prisioneiros e o uso de escudos humanos pelos grupos Islamistas.

Aliás atendendo à glorificação que os grupos terroristas fazem da Morte, desde a IS ao Hamas , e como negam a existência de população civil então qualquer notícia da BBC deve avisar:

"O leitor deve tormar em consideração que outras Culturas valorizam a morte de maneira diferente de um Ocidental. Não devemos usar os nossos valores para julgar uma morte de um não Ocidental."


Este é o multiculturalismo do Luís Lavoura.
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De Namoro à vista a 29.01.2015 às 13:43

Hayat Boumeddiene ainda fica seduzida pelo Lavoura, agora que está viúva.
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De Pedro Correia a 30.01.2015 às 00:12

Ainda a ponho aqui nas Belles Toujours. Com dedicatória.
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De Bic Laranja a 30.01.2015 às 01:57

Irra que é estúpido!
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De B(ig) B(ad) C(ow) a 29.01.2015 às 12:27

Essa é declaradamente uma estupidez. Se aqueles não eram terroristas, não há terroristas à face da Terra. Imparcialidade entre autores e vítimas? Mas que m3rda é esta?
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De Luís Lavoura a 29.01.2015 às 15:15

Se aqueles não eram terroristas, não há terroristas à face da Terra.

Não me parece líquido.
Se se disser que o terrorismo consiste em ações com visam lançar o terror ("terror" é a origem de "terrorismo") através de ataques indiscriminados, então o ataque ao Charlie Hebdo não constitui terrorismo, dado que esse ataque teve por objetivo assassinar pessoas bem identificadas e, na ótica dos assassinos, culpadas de certos crimes bem definidos, mas não assassinar quaisquer outras pessoas.
Assim, se um homem-bomba num autocarro constitui indubitavelmente terrorismo, pois que é um ataque indiscriminado que visa lançar o terror sobre toda uma comunidade, um assassinato de pessoas específicas, pelo contrário, não constitui terrorismo.
Portanto, não é nada evidente que o ataque ao Charlie Hebdo tenha sido terrorista.
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De Repetindo-me a 29.01.2015 às 15:31

O 44 precisava era de advogado como o Lavoura. Carlos Alexandre já estava na cela 44 e ele cá fora, a gozar do móni do amigo.
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De Anónimo a 29.01.2015 às 17:24

É claro que "De repetindo-me a" ao escrever isto não é um jornalista, está antes a defender uma causa (de maneira rasca reconheça-se).
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De Repetindo-me a 29.01.2015 às 17:43

Amanhã é dia de visitas em Évora. As visitas rascas estão autorizadas.
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De Bic Laranja a 30.01.2015 às 02:04

A estupidez pode ser aterradora, mas o estúpido é simplesmente digno de dó. O Lavoura até como terrorista é um falhado.
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De JPT a 29.01.2015 às 14:57

O Buíça parece que era um "terrorista", mas há para aí uns cidadãos que lhe fizeram um monumento no Alto de São João (que os "fascistas" desmantelaram porque - brandos costumes... - prejudicava a circulação). Mas, para quem gosta de regicidas, há, em Sarajevo, um Gavrilo Princip em bronze - "terrorista"? "jamé!" herói da pátria Sérvia... E o Savimbi? Certo, primeiro era terrorista, depois bandido armado - mas, pelo meio, assinou connosco os Acordos de Alvor. E Menachem Begin - ou Yasser Arafat - que de terroristas, passaram a estadistas e a Prémios Nobel da Paz? Depende do ano, presumo. E o General "Bomber" Harris (que também tem um linda estátua na Strand), o que era? Era mais ou menos terrorista do que os comandos do IRA que meteram a bomba em Bristol ou no iate de Lord Mountbatten? É que o IRA matou menos mulheres e crianças em 100 anos do que o "Bomber Command" num segundo. Por isso vou preferindo o bom-senso e a objectividade da BBC, aos "Charlies" que à segunda dizem que não há limites à liberdade de expressão e à terça prendem humoristas e cartoonistas.
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De Anónimo a 29.01.2015 às 17:22

Há de facto uma grande quantidade de homens que começaram por ser chamados terroristas e, mais tarde, depois de se tornarem vencedores, passaram a ser chamados grandes estadistas. Por exemplo, os que lutaram contra o colonialismo não só português mas também inglês e francês.
A palavra terrorista seria apropriada para Vasco da Gama, Afonso de Albuquerque, etc.? Parece que depende de quem fala. Por isso parece-me que uma certa contenção seria adequada para jornalistas a não ser que se considere que um jornalista também é o defensor de uma causa.
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De lucklucky a 29.01.2015 às 18:45

Pois é, como existem muitos mais acidentes de carro na Alemanha que Portugal os Alemães guiam pior que nós...

É este o nível simplório do JPT
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De E esta? a 29.01.2015 às 15:30

Instigador, provocador, meliante, marginal, entre outros, parecem-me termos adequados para a BBC designar o pessoal que estava na sede do Charlie Hebdo (jornalistas e não só), os polícias e os clientes da loja kosher, num total de 17 pessoas.
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De Pedro Correia a 30.01.2015 às 00:10

Para a BBC, o assassínio selectivo no supermercado parisiense, em que só foram mortos judeus, não foi um odioso crime xenófobo de carácter terrorista: foi uma simples descarga de energia negativa num dia mau.
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De Quem avisa a 29.01.2015 às 15:50

Recomenda-se vivamente ao sr. dr. Luis Lavoura que se abstenha de frequentar o supermercado do El Corte Inglés, por exemplo. Há lá uma secção kosher e quem por ali cirandar arrisca-se a levar uma rajada no meio dos olhos (ia a dizer dos chifres, mas emendei a tempo).
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De Luís Lavoura a 29.01.2015 às 16:37

O atentado ao supermercado kosher em Paris foi, em meu entender, um ato terrorista. Mas o ataque ao Charlie Hebdo não o foi, em meu entender.
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De Abençoada clarividência!!! a 29.01.2015 às 17:44

Só uma abençoada clarividência permite distinguir o bom do mau terrorismo.
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De lucklucky a 29.01.2015 às 18:54

É a clarividência Lavourista que nos diz se a Mafia atacar um juiz ou um cidadão que se recusa a pagar a protecção não está a aterrorizar.

Mas se atacar alguém à sorte já está.

O politicamente correcto é o neo-marxismo do séc.XXI, escape da razão necessário para os volúveis, onde tudo pode ser e o seu contrário.
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De rmg a 29.01.2015 às 19:23


É fácil.
Se fôr passível de acontecer em sítios onde eu possa estar é mau.
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De Anónimo a 29.01.2015 às 19:55

A acção americana no Iraque é bom ou mau terrorismo? E da Nato na Líbia? E do Boko Harem? A classificação é de facto difícil.
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De Pedro Correia a 30.01.2015 às 00:09

Para a BBC, o míssil das milícias pró-russas na Ucrânia que derrubou o avião civil da Malásia em Julho de 2014, matando os 283 passageiros e os 15 tripulantes, não foi um acto terrorista: tratou-se de um incidente. Ou de um acidente, equivalente ao que teria acontecido se o aparelho se tivesse despenhado no solo devido a uma falha mecânica.
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De Luís Lavoura a 30.01.2015 às 09:48

o míssil das milícias pró-russas na Ucrânia que derrubou o avião civil da Malásia em Julho de 2014

Não se sabe se esse avião foi abatido por um míssil, menos ainda de onde esse míssil proveio.

Há acusações, mas nada está provado. O caso, tal como o Pedro Correia bem sabe, está em investigação na Holanda.
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De lucklucky a 30.01.2015 às 10:48

Então matar combatentes inimigos é terrorismo anónimo das 19:55 ?
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De Pedro Correia a 30.01.2015 às 11:29

Há quem espere por "averiguações" para saber se o cobarde homicídio de mais de 300 pessoas que seguiam num voo civil, vitimadas por um míssil disparado do solo, à distância de dez mil metros, foi ou não um acto de terrorismo.
A isto chegámos. Daí esta série, que vai continuar.
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De JPT a 29.01.2015 às 20:17

A questão não é se eu entendo que o que aconteceu foi um acto terrorista - acho, obviamente, que foi (pois o seu fim foi aterrorizar). Logo (conclusão lógica), os seus autores são terroristas. A questão é que a BBC pretende ser uma referência mundial - vista e respeitada como independente por uma pluralidade de pessoas de nacionalidades e culturas diversas - e não (apenas) uma referência para mim (e muito menos para pessoas como o comentador Lucky Luke, para quem a Fox News serve perfeitamente). Ora, "terrorista" é uma palavra que implica um juízo de valor não só sobre o método do autor de um determinado acto violento, mas também sobre a sua legitimidade para praticar esse acto: Hiroshima foi um acto de terror, mas não passa pela cabeça de ninguém afirmar que Harry Truman não tinha legitimidade para o praticar (tanto que serviu para evitar as baixas que causaria uma invasão do Japão). Mais: desde o 11 de Setembro, "terrorista" passou a ser a palavra mágica para (des)qualificar qualquer adversário. No Egipto (como antes no Chile), por exemplo, os "terroristas" são os adeptos da Irmandade Muçulmana, que ganharam eleições democráticas e foram derrubados por um ditador militar. No Afeganistão, os "terroristas" de hoje, já foram, em tempos, os heróicos "mujaheddin" que combateram a ocupação soviética. "Terrorista" é o governo da Ucrãnia e "terroristas" são os milicanos russos que o combatem. Anda bem a BBC quando resiste aos entusiasmos sazonais.
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De Pedro Correia a 30.01.2015 às 00:01

Para a BBC, Pol Pol era o "líder" do Camboja. Que não cometeu atrocidades, dizimando três milhões de pessoas: limitou-se a praticar alguns excessos.
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De JPT a 30.01.2015 às 09:54

Pol Pot é história. Os noticiários dão (espera-se) notícias. Com as notícias, no futuro, historiadores farão história. E será com as notícias da BBC, não com as da Fox News (com essas já se faz, por sinal, excelente comédia!)
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De lucklucky a 30.01.2015 às 11:07

Para o JPT as referências mundiais existem se aplacarem os membros mais extremistas Islâmicos e outros que estão contra o Ocidente. Ás expensas dos moderados muçulmanos, ateus nesses países.

Mas tal não se aplica a mim que sou extremista da "Foxnews". Se eu colocasse bombas no entanto já o JPT diria para compreender a Foxnews e não irritar a Foxnews?
Claro que não.
Pois o Islamismo radical não é inimigo para JPT, o inimigo de JPT é a "Foxnews".

Se havia alguma dúvida sobre o fundo Marxista do JPT, ficamos esclarecidos.

E se há alguma dúvida sobre a xenofobia do JPT e da BBC basta olhar a como são designados ataques similares pelos media dos países que ele diz quer aplacar.

Basicamente o pensamento dhimmi de JPT indica-nos que só outros podem ter opiniões e valorações.
Excepto claro o valor de não termos valores.

Para não destoar tivemos outra pérola na referência à Irmandade Mulçumana que se dedica a fazer ataques terroristas a igrejas Coptas, para não falar do subordinado Hamas.

Por isso é de esperar que o JPT ( e a BBC) passe a considerar o valor da vida humana segundo outras culturas. Por exemplo os valores da Irmandade Muçulmana.

Consumíveis.



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De JPT a 30.01.2015 às 11:57

Meu caro, não vale a pena. Debater consigo seria como debater com um fanático islâmico. Não nego que já os ouvi falar com interesse (é engraçado, ouvir um tipo a dizer que não havia judeus nas Torres Gémeas, tal como é engraçado ouvir pessoas com a síndrome de Jerusalem, haredim, e adeptos do FC Porto), mas não é engraçado debater com eles. No entanto, confirmo que, de facto, FELIZMENTE, afecta-me mais o jornalismo militante (não o da Fox News, mas o da SIC, da Antena1, do DN e do Público), do que o islamismo radical (deve ser do meu "fundo marxista"). E, antes disso tudo, afecta-me o meu colesterol, o aumento das taxas na conta da água, e esta chuva miudinha. Bom fim-de-semana!
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De Mordaça a 29.01.2015 às 22:11

Ora é terrorismo em NY
http://www.bbc.co.uk/history/events/the_september_11th_terrorist_attacks

ora é terrorismo em geral
http://www.bbc.com/news/world-30086435

ora é terrorismo entre aspas em Boston
http://www.bbc.com/news/world-us-canada-22162884

ora são só bombas em Madrid
http://news.bbc.co.uk/onthisday/hi/dates/stories/march/11/newsid_4273000/4273817.stm
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De Pedro Correia a 29.01.2015 às 23:59

Se estivéssemos ainda no tempo do nazismo a BBC chamaria campo de prisioneiros a Auschwitz.
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De graça a 30.01.2015 às 08:18

Ó Pedro, este argumento não me parece lá muito justo. Entretanto fica aqui outro que está com medo, embora não seja europeu: http://www.lemonde.fr/actualite-medias/article/2015/01/30/un-quotidien-nippon-s-excuse-d-avoir-publie-la-une-de-charlie-hebdo_4566602_3236.html
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De Pedro Correia a 30.01.2015 às 11:25

Agradeço-lhe o contributo, Graça, mas para medo dos terroristas já me basta o europeu.
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De Anónimo a 30.01.2015 às 10:54

Eu acho que na luta contra o terrorismo tudo é válido. E todos devem ser chamados a colaborar. Logo os jornalistas têm o dever de se envolverem. Tudo é válido contra esses assassinos. Os jornalistas devem chamar-lhes todos os nomes possíveis inclusivamente não têm que respeitar a verdade. Isto é, se a divulgação de uma mentira for útil para derrotar o terroristas é dever do jornalista divulgá-la. Todos devem ser envolvidos e de todas as maneiras. O jornalista neste caso deve ser um combatente.
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De Pedro Correia a 30.01.2015 às 11:26

Sob o anonimato, de peito inchado, todos são "combatentes". Nas caixas de comentários de blogues, são autênticas legiões.

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