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Delito de Opinião

A Europa do Donbass a Lisboa

Paulo Sousa, 10.05.22

Em 19 de Setembro de 1946 Winston Churchill discursou na Universidade de Zurique e elaborou sobre o deveria ser a Europa após o pesadelo da Guerra.

Neste discurso lançou a ideia do que, a título de exemplo, designou como Estados Unidos da Europa, que deveria ser um sitio onde “as pequenas nações contarão tanto como as grandes e honrar-se-ão pela sua contribuição para a causa comum” (…) e “se, numa fase inicial, nem todos os Estados da Europa quiserem ou poderem juntar-se à União, devemos, contudo, proceder à junção e combinação daqueles que o querem e daqueles que o podem fazer.”

O seu propósito foi lançar um futuro com base na reconciliação das nações europeias para que estas vivessem livres da guerra e da tirania.

Todos nós temos que voltar as costas aos horrores do passado. Temos que olhar para o futuro.” (…) “A salvação das pessoas comuns, de todas as raças e de todas as terras, da guerra e da servidão deve ser estabelecida em bases sólidas e preservada pela disposição de todos os homens e mulheres de antes morrerem do que submeterem-se à tirania.”

É claramente dentro do espírito original do projecto europeu, que na véspera do dia da Europa, Úrsula von der Leyen, afirmou no Parlamento Europeu que “o futuro da União Europeia que está neste momento a ser escrito na Ucrânia”.

Por muitos defeitos que se possam apontar ao funcionamento das instituições da UE, a Europa sugerida por Churchill, continua a ser um espaço de liberdade. A actual Presidente da Comissão Europeia nasceu mais de dez anos após este discurso e isso mostra como é que ao longo de gerações o sonho europeu se tem conseguido manter fiel ao seu espírito original.

Se dúvidas sobre o valor deste património de paz e de cooperação houvessem, essas dúvidas desvaneceram-se quando, às ordens de Putin, a força da tirania regressou ao solo europeu. Mais do que em qualquer outro momento que me recorde, observo pelos écrans o rasto de caos e destruição, e vejo materializar-se exactamente aquilo que Churchill, e os fundadores da UE, queriam evitar que se repetisse.

A tirania tem de ser travada. Putin tem de ser derrotado e a liberdade irá vencer. É por isso, que é na Ucrânia que se está a desenhar o futuro da UE e é exactamente por isso que os países europeus devem dar todo o apoio às Forças Armadas Ucranianas.

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