De António a 16.09.2018 às 13:47
A bem da verdade vamos lá desmontar isto.
Os accionistas são tributados igualmente. Há distinções entre accionistas individuais, que pagam sempre 28% sobre mais-valias e dividendos, e SGPS, Holdings, Fundos, e Entidades Financeiras, que não pagam. Traduzindo: os maiores especuladores são os mais beneficiados actualmente. E acho bem que essa isenção se estenda a todos.
Duvido que a esmagadora maioria (Que maioria? Economistas? Padeiros?) concorde em combater, e logo pela via fiscal (Porque não regulatória?), algo que a esmagadora maioria nem faz idéia do que seja, e que não foi decerto a causa da crise de 2008 (a causa foi a política social que obrigou entidades privadas a prover casas a gente sem meios). A minha dúvida é tão legítima como o “penso que”.
Os sindicatos dos trabalhadores europeus do fisco representam apenas e só os trabalhadores europeus do fisco, que são uma escassa minoria face a quem trabalha em serviços financeiros, ou quem investe - qual é a opinião desses?
O princípio que visa combater a especulação, qualquer especulação, é o princípio que nega o direito do indivíduo à propriedade, qualquer propriedade.
De Anónimo a 17.09.2018 às 11:56
" e que não foi decerto a causa da crise de 2008 (a causa foi a política social que obrigou entidades privadas a prover casas a gente sem meios) "
Como a situação vivida na altura deixou marcas indeléveis na sociedade e que continuam a abrir feridas ainda mais profundas esta sua afirmação só serve para gozar com quem ainda está na mó de baixo. Penso que não será preciso dar exemplos de entidades privadas que foram ao charco e começaram logo a pedir batatinhas aos estados.
A fannie mae e fredie mac não devem ser exemplos e muito menos a CGD atolada nos investimentos mirabolantes do 44.
Já agora se você pensa que um casal que tem um rendimento médio bruto de 1500€-1700€ e um filho não tem capacidade e discernimento para pedir um empréstimo de 100 mil euros a 30 anos para um T2 na periferia de uma cidade média então você deve ser riquíssimo ou sabe alguma coisa que os gestores bancários não sabem e então você devia começar a enviar currículos nomeadamente para consultoras e agências de rating que classificavam toda a banca intervencionada pelos Estados com TRIPLO AAA, os bancos que não o foram directamente, foram-no indirectamente através das injecções de capital dos Estados nos bancos adjacentes. Quanto á eventual taxa robles versão PSD esperemos para ver.
Finalizando e falando por mim, se eu tivesse 150 mil euros disponíveis também não os punha num banco a render 0% ou menos, comprava um apartamento que o dinheiro estava bem mais seguro e é isso que os fundos de investimento têm feito em larga escala o que leva a graves distorções do mercado e quando o mercado não se consegue regular (nunca conseguiu como sabemos) é obrigação o Estado intervir e a maneira mais fácil e eficaz é criar ou alterar impostos, que você me diga que temos uma carga fiscal elevadíssima concordo mas isso é outro problema distinto.
WW
De António a 17.09.2018 às 22:06
Eu estou na parte da mó de baixo. Ok?
No que diz respeito aos derivados, concordo que alguns são, como disse Buffet, armas de destruição financeira maciças. Amplificaram o facto de as prestações das casas terem deixado se ser pagas, e essa é a origem da crise - eu não considero um megafone responsável pelo que diz o gajo que fala através dele. Agora se você diz que os derivados tornaram uma crise numa catástrofe, 100% de acordo. Mas não a iniciaram. Foram combustível, não a faísca.
As agências de rating falharam, ou foram coniventes? Sim, e sim. A Enron faliu com AAA dois anos antes da crise. Alguém devia ter tomado nota. Os americanos venderam o lixo como ouro, mas também nenhum comprador olhou para aquilo. Ou olhou, e passou a batata quente a outros.
Não percebi essa relação entre a minha riqueza e o discernimento financeiro das famílias. Estamos certamente em páginas diferentes. Falamos de derivados, ou de taxas de esforço? A maioria sabe fazer contas à vida, mas a evolução do crédito pessoal mostra que muitos não as fazem. Quanto a ler contratos, olhe, eu li as propostas que o BES me apresentou. Não assinei de cruz - não assinei, ponto. Não fui lesado. É dessa iliteracia que falo. Você pode saber o que é um CDS, um MBS, um ABS, um CDO, um CFD, uma Callable Note, mas sinceramente, acredita que é conhecimento geral?
Deixe-me dizer que apreciei a sua resposta. Se calhar somos mais parecidos do que julga. Eu quando não posso não compro, e se aceito endividar-me para os meus filhos terem uma educação, nunca o faria para ir de férias. O meu carro tem 12 anos, o meu computador já nem aceita os sistemas operativos actuais - mas funcionam os dois, e estão pagos. E talvez esteja a ser parvo. Quando outros não conseguirem pagar o crédito fácil, os bancos estouram, o Estado resgata, os impostos aumentam, e eu tenho um carro velho.
Abraço.
De Anónimo a 18.09.2018 às 17:47
Eu não falei em derivados nem em CDS, MBS ou os restantes que mencionou, digamos que a minha cultura financeira é zero mas percebo ou penso que percebo um pouco de economia embora a matemática nunca tenha sido bom aluno. O que foi feito pela banca e permitido pelos Estados foi enganar accionistas e outros bancos, o caso grego é mesmo a cereja no topo do bolo em que o próprio Estado recorreu a esquemas para enganar os seus "parceiros" com a complacência dos mesmos, não acredito que não soubessem pelos menos os mentores do euro (Alemanha e França).
Em relação ao caso Enron, ainda bem que o referiu, trata-se do mesmo tipo de crime e ainda por cima em ambiente sem concorrência, será como a EDP falir e ficarmos todos sem electricidade, o que pode acontecer - a EDP falir em virtude da sua elevada divida e/ou a China entrar em crise, algo impensável mas Angola também foi ao charco ou a Venezuela e são países riquíssimos daí entender que o Estado Português deve voltar a ter golden shares (ou mesmo participações maioritárias) em empresas que actuam em monopólios naturais ou em oligopólio. Quanto ao caso do BES, só se descobriu porque um Grande Empresário deu conta mas daí a achar que os lesados dos BES foram enganados vai um longo caminho, qualquer pessoa minimamente sensata nem precisaria de ler os contractos bastava aperceber-se que o BES dava 4.5% enquanto os outros davam 1.5% (se tanto), as pessoas / clientes apostaram e perderam, simples, nada mais do que isso, embora os grandes tenham sacado o seu dinheiro a tempo e só isso lhes confere (aos lesados) alguma autoridade moral para entenderem que deviam ser de alguma forma ressarcidos.
A faísca foi o próprio combustível e engane-se quem pensar que o problema foi resolvido daí a cada vez maior procura por bens tangíveis que é o que está a acontecer (agora o imobiliário) antes de 2008 o ouro, por ex. quem comprou ouro a 1500Uusd em 2011 só perde 300usd se vender agora mas também pode não perder nada se não vender ou até ganhar, quem compra agora um apartamento a pronto por 150 mil euros está a trocar um garantia de confiança por uma garantia certa e isso na minha opinião vale mais do que por exemplo 90 mil euros na conta "garantidos" pelo BP/BCE.
No entanto o cerne do post em causa é o que o "actual" PSD possa apresentar como proposta, ainda não se conhece apesar das estórias que se vendem na "imprensa" mas o que realmente se deve salientar é que Rui Rio disse o que realmente importa, não se devem descartar ideias em função de quem as propõe.
Cumprimentos
WW
De António a 18.09.2018 às 22:04
Nem se trata de descartar idéias em função de quem as propõe. Já pagamos impostos a mais, já basta. Qualquer proposta de novo imposto, ou, como agora se diz, “adicional”, é demais. Falta pouco para duplicar os impostos à conta dos “adicionais”.
E depois, é esta mesquinhez. Ontem apareceram notícias da “epidemia de lixo” em Lisboa. O Sr. Abílio acha que devia haver multas - e eu acho que deviam recolher o lixo.
Hoje as notícias eram sobre os carros que não cumprem as normas de emissões. E mais uma vez as multas. O meu carro já não deve cumprir as normas - mas cumpria quando o comprei. Um carro comprado hoje não vai cumprir as normas daqui a 4 anos. Dão-me um novo? Não. Podem arranjar um esquema de subsídios, quando o mais simples era tirarem o imposto - os carros ficavam a metade do preço.
Mas por aqui é tudo corrido a multa, taxa, coima, derrama, imposto. Não me interessa donde vem a bordoada, se do Rio se do esgoto, já chega. Em vez de me roubarem mais comecem mas é a gastar menos.
Ouça, a literacia financeira é simples, os experts gostam de falar em código para não percebermos. Você percebeu que eles no BES estavam a dar demais. Eu também, não era difícil. Propuseram-me 11% em obrigações perpétuas. Mas lá no prospecto - o grande, que ninguém lê - dizia que podiam ser convertidas em capital. Ora o capital duma cotada são acções. E foi o que aconteceu, e depois as acções foram a zero.
Um CFD é o equivalente a você alugar acções por um período, e devolvê-las no fim desse período. Uma opção é o equivalente a dar um sinal para comprar um carro - se não o comprar fica sem o sinal. Um CDO é uma dívida de alguém, que agora lhe paga a si (se pagar). É tudo incrivelmente simples.
Você está a pagar uma casa de 100000 a 30 anos ao BCP. O BCP não espera 30 anos pelo dinheiro, tira a sua margem e vende a sua hipoteca por 80000 à Allianz - é um MBS. E a Allianz junta tudo num fundo, por exemplo um PPR, e você faz um PPR à Allianz (compra um CDO). Se você deixar de pagar fica sem a casa e sem PPR. Grosso modo é isto. Se a Allianz fôr ao charco por outras razões, você pode ficar sem casa, mesmo pagando pontualmente a prestação. Que você julgava ser ao BCP, e o BCP nem faliu. Mas a casa agora já é do Fundo Soberano do Dubai, e como a Allianz lhes ficou a dever, você é despejado e a casa vendida por tuta e meia. Não é bem, bem assim, mas não anda longe.
Abraço.
De Pedro a 17.09.2018 às 14:37
"a causa da crise de 2008 (a causa foi a política social que obrigou entidades privadas a prover casas a gente sem meios). A minha dúvida é tão legítima como o “penso que”.

Tornou-se comum no meio financeiro a adoção de práticas cada vez mais irresponsáveis, com a criação de inúmeras "inovações financeiras" de alto risco, muitas das quais aliadas a práticas de irregularidades, como fraude financeira na avaliação de risco dos chamados títulos podres, derivativos, CDO baseados nas hipotecas subprime, que foram avaliados com o grau máximo de segurança de investimento (AAA), por agências de avaliação de risco acima de qualquer suspeita (até então), como a AIG e a Standard & Poor's. É o que explica como tais títulos se espalharam pelo mundo inteiro, intensificando a vastidão da crise.
A culpa foi do reformado
De Anónimo a 18.09.2018 às 23:04
A causa da crise do subprime foi 10 milhões de famílias deixarem de pagar as casas. Porquê tanta gente quase ao mesmo tempo? Por causa das taxas bonificadas, e dos períodos de carência. O que alguns viram foi que o rendimento das famílias não permitiria que pagassem as prestações quando terminassem as benesses, e shortaram o mercado.
Para agravar, e como o preço das casas subiu muitíssimo, muitas famílias usaram as casas como caixas multibanco, refinanciando hipotecas - algo que em Portugal não é permitido. Quando o preço das casas caíu a pique, as casas já não garantiam as várias hipotecas sobre a mesma casa.
Acresce que nos EUA a entrega da casa liquida a dívida, e famílias que podiam pagar entregaram a casa e compraram outra na queda de preços, reduzindo o esforço financeiro.
O castelo de cartas em cima do imobiliário caíu. Mas caíu porque o mercado estourou. E estourou porque venderam casa a quem não tinha meios. Tome-se nota, que o Governo quer entrar no mercado imobiliário, e conhecendo Portugal, o resultado vai ser mau.
De Pedro a 19.09.2018 às 08:39
Se fosse só uma questão de subprime a dívida tinha sido apenas de alguns bancos americanos
Durante o boom da habitação, a proporção de dinheiro pedida emprestada por um banco de investimento versus os próprios ativos do banco alcançaram níveis sem precedentes. A permuta padrão de créditos (CDS), era aparentada à uma política securitária. Os especuladores poderiam comprar CDSs para apostar contra CDOs que não possuíam. Numerosos CDOs foram apoiados por hipotecas subprime. O Goldman-Sachs vendem mais ações do que valem. Venderam os 3000 milhões de dólares de CDOs na primeira metade de 2006. O Goldman também apostou contra os CDOs de baixo valor, dizendo aos investidores que eram de alta qualidade. As três maiores agências de classificação contribuíram para o problema. Os instrumentos de classificação subiram direto de um mero punhado em 2000 para mais que 4.000 em 2006.
Em 2008 os altos executivos das companhias insolventes afastaram-se com suas fortunas pessoais intactas. Os executivos tinham escolhido a dedo o seu quadro de diretores, que entregava bilhões em bônus após o socorro do governo. Os maiores bancos cresceram em força e duplicaram os esforços anti-reforma. Os economistas acadêmicos tinham defendido por décadas a desregulação e ajudaram a moldar a política dos EUA. Eles ainda se opuseram à reforma depois da crise de 2008. Algumas das firmas de consultoria envolvidas foram a Analysis Group, a Charles River Associates, a Compass Lexecon, e o Grupo Consultivo de Economia e Direito (LECG). Muitos destes economistas tinham conflitos de interesse, coletando dinheiro como consultores de companhias e de outros grupos envolvidos na crise financeira.
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Trabalho_Interno
De Pedro a 17.09.2018 às 14:41
"O princípio que visa combater a especulação, qualquer especulação, é o princípio que nega o direito do indivíduo à propriedade, qualquer propriedade".
E quando a especulação incide sobre produtos básicos como a alimentação? Acima da propriedade está o Direito à Vida digna.
A especulação e a acumulação ilimitada de dinheiro não deve ser um Direito Absoluto
De António a 17.09.2018 às 22:12
Não confunda especulação com ganância. E lembre-se que os especuladores nem sempre ganham. Quem investiu em imobiliário em 2006 ganhou o quê?