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A esquerda cega e surda

por Pedro Correia, em 28.02.15

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 Boris Nemtsov, opositor de Putin, ontem assassinado no centro de Moscovo

 

Na Rússia de Putin é assim: esmaga-se o pluralismo, segregam-se as minorias religiosas, discriminam-se os homossexuais, silenciam-se os jornalistas incómodos, armam-se milícias para invadir países estrangeiros, anexa-se a Crimeia à margem do direito internacional. E matam-se os opositores políticos, a dois passos do Kremlin, com quatro tiros nas costas.

Na Venezuela de Maduro é assim: fecham-se canais de televisão e jornais críticos, transforma-se o poder judicial numa delegação do poder político, condena-se a população à maior penúria do continente americano. E prendem-se "preventivamente" os opositores políticos. Incluindo os que foram  eleitos pela população.

Rússia e Venezuela: duas lamentáveis manchas no mapa político internacional. Que continuam, apesar disso, a merecer o aplauso e o apoio de uma certa esquerda, que integra o bloco da  Esquerda Unitária Europeia no Parlamento Europeu. Uma esquerda cega e surda aos sinais dos tempos e à inapelável evidência dos factos.


42 comentários

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De da Maia a 01.03.2015 às 01:50

Meu caro, não encontrei a lista de políticos, que houve, mas encontrei uma lista de jornalistas:
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_journalists_killed_in_Russia

Verá que no período de Ieltsin (até 2000) não foi melhor do que no período seguinte de Putin. Mas nem é isso que interessa, interessa que me surpreendeu a enorme quantidade. Em qualquer outro país europeu seria um drama total.

Creio que não compreendeu o que eu disse. Eu não disse que a mafia russa tinha desaparecido, disse que Putin tinha ganho controlo sobre ela.
A mafia violenta quando ganha controlo absoluto deixa de se chamar mafia, passa a chamar-se aristocracia, patrões da indústria, etc. Com o tempo refreiam os modos, e tornam-se quase tão civilizados como os seus análogos ocidentais, e são recebidos como tal, como Chubais pela JP Morgan.

Não se esqueça que a seguir a mudanças de regime (e não só), os mais violentos e perigosos são recompensados com benesses, na esperança de serem cooptados para a estabilidade. Foi assim que foram formadas todas as antigas aristocracias - uma parte substancial a partir de psicopatas, e os mais meigos, mais inocentes, foram normalmente trucidados nos perversos esquemas cortesãos, com poucas honrosas excepções.
Esse é o processo que está a seguir a nova aristocracia russa, com a beneplacência da população... que, veja-se lá a coincidência, vê-se "sem alternativas", e acaba por compactuar com um poder que a violenta.
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De Pedro Correia a 01.03.2015 às 10:39

Quanto a jornalistas, meu caro, não necessito recuar à década de 90. Fico-me por 2014, na Venezuela. Um "ano negro" para o jornalismo no país, segundo alerta o relatório anual dos Repórteres Sem Fronteiras. Foi mesmo o país, segundo esta organização, em que a liberdade de imprensa mais recuou no ano passado. Ali a Guarda Nacional já dispara contra os repórteres que se atrevem a cobrir as manifestações populares contra o Governo em protesto contra a penúria extrema de bens elementares.
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De da Maia a 01.03.2015 às 12:29

Incrível... vamos a factos, de jornalistas mortos:
https://www.cpj.org/killed/2014/
Na Venezuela constam Zero (na Rússia também).

Jornalistas assassinados desde 1992 (dados CPJ):
Russia - 56
Brasil - 30
Ucrania - 10
EUA - 5
Venezuela - 5

Está por esclarecer a sua conexão da Rússia com a Venezuela... mas a China é ali ao lado.
Só tem dois jornalistas mortos, mas vejamos o número de presos:
- em 2014 foram 221
- em 2013 foram 211
- em 2012 foram 232
https://cpj.org/asia/china/

Por onde andam essas preocupações sobre os mais de 650 jornalistas presos na China nos últimos 3 anos?
- Money talks, silent folks.

CPJ: Committee to Protect Journalists
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De Pedro Correia a 01.03.2015 às 14:46

A minha conexão da Rússia com a Venezuela está, creio, bem justificada no texto.
Você insiste em regressar à década de 90. Não percebo porquê.
Voltando ao ano que há pouco terminou:
«The country governed by Nicolás Maduro had the fifth most incidents of journalists arrested — 34 cases in 2014 — only behind Ukraine (47), Egypt (46), Iran (45), and Nepal (45).
Venezuela also ranks second in the world in threats or attacks against journalists, with 134 registered cases this year. According to the report, “the Bolivarian National Guard was responsible for 62 percent of the cases of violence against journalists during this year’s major streets protests.”
Ukraine leads this category with 215 cases, followed after Venezuela by Turkey (117), Libya (97), and China (84).»
Ou seja: a Venezuela foi o país do mundo em que mais se agravou a liberdade de imprensa em 2014 e é uma das zonas do mundo onde os jornalistas sofrem mais agressões, excluindo cenários de guerra.

http://en.rsf.org/rwb-publishes-2014-round-up-of-16-12-2014,47388.html
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De da Maia a 01.03.2015 às 18:37

O Pedro esquece que foi sistematicamente reconhecida a intervenção externa na situação da Venezuela?
http://www.venezuelasolidarity.co.uk/latest-wikileaks-show-further-us-intervention-in-venezuela/
... ou tem dúvidas?

Já se esqueceu que houve um golpe de estado apoiado inicialmente por canais de televisão privados?
http://www.aljazeera.com/news/americas/2009/09/200992116049879437.html
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/01/17/AR2007011702003.html

Portanto, tratando-se de perturbações da ordem pública, em manifestações, quais são os países que não fazem detenções?, independentemente de no meio serem apanhar suspeitos contratados por meios de comunicação.
Até em Portugal isso acontece, e levam pancada:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=55638
Veja o argumento da nossa polícia:
"... qualquer manifestante pode dizer que é jornalista"
Mesmo em exemplares estados ocidentais, há detidos até 1 ano, sem julgamento, em prisão preventiva, como bem sabemos. Comediantes e jovens presos por "delito de opinião" arriscam penas pesadas de vários anos em França.
Não é isso mais preocupante?

Nesse relatório da RWB parece-me muito mais destacável o primeiro lugar das prisões na China, que não são circunstânciais, são longas condenações.
Não é isso mais condenável?

Coloquei os dados após 1992, porque era o constante no site do CPJ, que começou a contabilizar daí.
Percebo que queira criticar a posição do PCP sobre a Venezuela, ou sobre a Rússia, mas não percebi ainda, nem se esforçou por explicar, por que razão exclui a China desse leque. Já agora, o PCP já se distanciou do seu homólogo capitalista chinês?
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De da Maia a 01.03.2015 às 18:41

Nota: Os dados sobre os presos na China não são cumulativos, terá havido 29 novas detenções, num total de 221 em 2014.

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