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A esquerda cega e surda

por Pedro Correia, em 28.02.15

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 Boris Nemtsov, opositor de Putin, ontem assassinado no centro de Moscovo

 

Na Rússia de Putin é assim: esmaga-se o pluralismo, segregam-se as minorias religiosas, discriminam-se os homossexuais, silenciam-se os jornalistas incómodos, armam-se milícias para invadir países estrangeiros, anexa-se a Crimeia à margem do direito internacional. E matam-se os opositores políticos, a dois passos do Kremlin, com quatro tiros nas costas.

Na Venezuela de Maduro é assim: fecham-se canais de televisão e jornais críticos, transforma-se o poder judicial numa delegação do poder político, condena-se a população à maior penúria do continente americano. E prendem-se "preventivamente" os opositores políticos. Incluindo os que foram  eleitos pela população.

Rússia e Venezuela: duas lamentáveis manchas no mapa político internacional. Que continuam, apesar disso, a merecer o aplauso e o apoio de uma certa esquerda, que integra o bloco da  Esquerda Unitária Europeia no Parlamento Europeu. Uma esquerda cega e surda aos sinais dos tempos e à inapelável evidência dos factos.


8 comentários

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De da Maia a 28.02.2015 às 17:13

Creio que Putin justificará isso facilmente - foi encomendado pelos serviços secretos, ucranianos, ou outros mais operacionais.
Quanto a Maduro, vemos que Mário Soares diz que também aqui temos presos políticos.

Como os aviões com políticos têm propensão para cair, pouco escandalizou, ou sequer fez notícia, a morte de Eduardo Campos, em plena campanha eleitoral brasileira.

E quanto à relevância nula da ligação entre estes assuntos, pergunto-me por estes dias, por onde anda a China?
Sim, os chineses tão elogiados por Costa, e pelos vistos, sim, pelos Vistos Gold.

Afinal, é a China um cruel e despótico estado comunista?
Ou será agora a China, uma democracia na ribalta dos direitos humanos, sem presos políticos, com um capitalismo florescente, etc, etc...

Money talks...
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De Pedro Correia a 28.02.2015 às 20:21

Interessa-me pouco o que Putin diga ou deixe de dizer.
Mas decepciona-me que democratas portugueses capitulem perante o ditador russo e estejam sempre pronto a defendê-lo e a "justificar" o injustificável desde que traga o selo de Moscovo. Como se venerassem o "carisma" dos "homens fortes" e gostassem de experimentar o mesmo em Portugal.
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De da Maia a 01.03.2015 às 00:15

Não tomo como "defensores de Putin" quem critica o desempenho, nem sempre entendível, muitas vezes conturbado, ou até desastroso, da política ocidental a nível internacional.

Da Rússia, lembro o grande apreço ocidental que houve por Ieltsin, e do não repúdio internacional ao afastamento ignóbil de Gorbashev.
Lembro, nessa altura de Ieltsin, do crescimento descontrolado da máfia russa, da pobreza e do caos económico instalado subitamente, a par do crescimento de oligarquias mafiosas, bem recebidas a oeste.

Isso foi terminando com Putin. Se quisermos simplificar, de entre os mafiosos, surgiu alguém que os suplantou a todos, e restabeleceu na Rússia alguma ordem, algum crescimento, e foi bem recebido pela população. Por isso e para isso, teve que se confrontar com oposição, uma mais mafiosa que outra, uma mais apoiada a ocidente que outra, e terá lidado com ela de forma mais ou menos sinistra.
A verdade nestes pontos tem muitos contos, e tudo depende de se querer ler mais uma imprensa do que outra, sendo todas perfeitamente controladas, a oriente e a ocidente, no que diz respeito a assuntos geo-estratégicos.

Por causa disso, e apesar da duvidosa rotação democrática entre Putin e Medvedev, tal como será duvidosa qualquer rotação democrática entre partidos do arco do poder, há eleições.
A parelha Putin-Medvedev terá esse apoio popular de quem experimentou o caos de Ieltsin, e não o quererá repetir. Admito que esse conceito democrático, baseado nesse apoio popular, possa desagradar. Talvez agradasse mais ter um bêbado como Ieltsin, e a mafia russa a controlar as ruas... mas enfim, não se pode ter tudo em democracia.
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De Pedro Correia a 01.03.2015 às 00:30

Que eu saiba, os opositores políticos de Ieltsin não apareciam mortos. Ao contrário do que agora acontece: este é pelo menos o sexto.
Considerar que a chegada de Putin ao poder descontaminou o Kremlin da influência das máfias russas é uma tese posta a circular pelos canais de propaganda de Moscovo mas que não resiste ao confronto com os factos.
Nunca a oligarquia mafiosa teve ali tanto poder nem tanta impunidade. O crime ocorrido há 24 horas, cometido a escassos metros da sede suprema do poder russo, demonstra isso bem.
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De da Maia a 01.03.2015 às 01:50

Meu caro, não encontrei a lista de políticos, que houve, mas encontrei uma lista de jornalistas:
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_journalists_killed_in_Russia

Verá que no período de Ieltsin (até 2000) não foi melhor do que no período seguinte de Putin. Mas nem é isso que interessa, interessa que me surpreendeu a enorme quantidade. Em qualquer outro país europeu seria um drama total.

Creio que não compreendeu o que eu disse. Eu não disse que a mafia russa tinha desaparecido, disse que Putin tinha ganho controlo sobre ela.
A mafia violenta quando ganha controlo absoluto deixa de se chamar mafia, passa a chamar-se aristocracia, patrões da indústria, etc. Com o tempo refreiam os modos, e tornam-se quase tão civilizados como os seus análogos ocidentais, e são recebidos como tal, como Chubais pela JP Morgan.

Não se esqueça que a seguir a mudanças de regime (e não só), os mais violentos e perigosos são recompensados com benesses, na esperança de serem cooptados para a estabilidade. Foi assim que foram formadas todas as antigas aristocracias - uma parte substancial a partir de psicopatas, e os mais meigos, mais inocentes, foram normalmente trucidados nos perversos esquemas cortesãos, com poucas honrosas excepções.
Esse é o processo que está a seguir a nova aristocracia russa, com a beneplacência da população... que, veja-se lá a coincidência, vê-se "sem alternativas", e acaba por compactuar com um poder que a violenta.
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De Pedro Correia a 01.03.2015 às 10:39

Quanto a jornalistas, meu caro, não necessito recuar à década de 90. Fico-me por 2014, na Venezuela. Um "ano negro" para o jornalismo no país, segundo alerta o relatório anual dos Repórteres Sem Fronteiras. Foi mesmo o país, segundo esta organização, em que a liberdade de imprensa mais recuou no ano passado. Ali a Guarda Nacional já dispara contra os repórteres que se atrevem a cobrir as manifestações populares contra o Governo em protesto contra a penúria extrema de bens elementares.
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De da Maia a 01.03.2015 às 12:29

Incrível... vamos a factos, de jornalistas mortos:
https://www.cpj.org/killed/2014/
Na Venezuela constam Zero (na Rússia também).

Jornalistas assassinados desde 1992 (dados CPJ):
Russia - 56
Brasil - 30
Ucrania - 10
EUA - 5
Venezuela - 5

Está por esclarecer a sua conexão da Rússia com a Venezuela... mas a China é ali ao lado.
Só tem dois jornalistas mortos, mas vejamos o número de presos:
- em 2014 foram 221
- em 2013 foram 211
- em 2012 foram 232
https://cpj.org/asia/china/

Por onde andam essas preocupações sobre os mais de 650 jornalistas presos na China nos últimos 3 anos?
- Money talks, silent folks.

CPJ: Committee to Protect Journalists
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De Pedro Correia a 01.03.2015 às 14:46

A minha conexão da Rússia com a Venezuela está, creio, bem justificada no texto.
Você insiste em regressar à década de 90. Não percebo porquê.
Voltando ao ano que há pouco terminou:
«The country governed by Nicolás Maduro had the fifth most incidents of journalists arrested — 34 cases in 2014 — only behind Ukraine (47), Egypt (46), Iran (45), and Nepal (45).
Venezuela also ranks second in the world in threats or attacks against journalists, with 134 registered cases this year. According to the report, “the Bolivarian National Guard was responsible for 62 percent of the cases of violence against journalists during this year’s major streets protests.”
Ukraine leads this category with 215 cases, followed after Venezuela by Turkey (117), Libya (97), and China (84).»
Ou seja: a Venezuela foi o país do mundo em que mais se agravou a liberdade de imprensa em 2014 e é uma das zonas do mundo onde os jornalistas sofrem mais agressões, excluindo cenários de guerra.

http://en.rsf.org/rwb-publishes-2014-round-up-of-16-12-2014,47388.html

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