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A duquesa de Alba

por Isabel Mouzinho, em 19.11.14

Sigo muito de perto a comunicação social espanhola, porque este é um povo, um país e uma cultura dos quais me sinto imensamente perto.

Acabo por isso de saber que a vida da Duquesa de Alba "se apaga". Neste momento está no seu palácio de Dueñas, em Sevilha, - estava internada e quis ir para casa - rodeada da família, que espera o pior.

Nos últimos anos, sempre que se falava dela, não faltavam os comentários e os sorrisos irónicos. Porque havia na sua figura qualquer coisa de ridículo. Na maneira de falar, de rir, de estar e de viver. Que julgo que não lhe importava nada.

Confesso que tenho por ela uma enorme simpatia. Pela sua personalidade fortíssima, pela determinação que a levou  a fazer sempre o que quis, sem se importar com as opiniões alheias. Porque me parece que viveu feliz, seguindo a sua vontade e o seu prazer.

Ainda há três ou quatro anos, quando decidiu casar contar tudo e contra todos, me recordo de a ver sair do palácio onde decorria a festa para ver as pessoas que na rua a queriam cumprimentar e ali, com a simplicidade que a caracteriza, descalçou-se e pôs-se a dançar. Essas imagens, de resto, correram mundo  através de todos os meio de comunicação social e afins.

É este seu lado absolutamente genuíno que me cativa. Acho que ela sempre soube rir-se de si mesma. E por isso, também, é uma figura muito querida dos espanhóis. Partilho com ela a mesma paixão pela encantadora cidade de Sevilha, o flamenco e a alegria do sul.

E juro que, se pudesse chegar à sua idade,  não me importaria nada de ser também um bocado "velha gaiteira", no bom sentido, porque não duvido que ela soube aproveitar muito bem o lado melhor da vida.

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13 comentários

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De Fátima a 19.11.2014 às 17:45

Viveu feliz e como quis, sem prestar contas a ninguém do que fazia e do que queria. Fez o que quis, mas nunca foi uma velha gaiteira, mas sim uma idosa de identidade, mas bem jovial em todo o resto da sua vida.
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De Isabel Mouzinho a 19.11.2014 às 22:49

"velha gaiteira" é uma expressão habitualmente utilizada em sentido depreciativo, que não foi de todo o mesmo que quis dar-lhe. Por isso tive o cuidado de acrescentar "no bom sentido", porque me referia obviamente ao seu lado menos convencional e algo irreverente, que foi sempre o que de certo modo a caracterizou.
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De Vento a 19.11.2014 às 18:03

Isabel,

não tenho nenhuma particular "afición" pela vida de duques e duquesas, reis e rainhas, condes e condessas..., mas tenho por pessoas.

Em certa medida esta sua homenagem a um personagem que lhe agradava fez-me recordar um encontro há uns anos com meu pai, homem vivido, observador e acima de tudo conhecedor das "nuances" de homens e mulheres.

Contava-me ele, durante o jantar, que nas suas actividades por vezes os amigos encontravam-se em alguns cabarets para beber um copo ou para assistir a um show.
Nesse círculo de amigos encontrava-se alguém que não possuía as mesmas capacidades económicas e "visibilidade social" de muitos dos presentes. Curiosamente todos gostavam de frequentar esses sítios, mas a curiosidade não está no facto de eles o frequentarem mas como se pensava a respeito do que os faziam.
Como lhe referi, nesse grupo encontrava-se alguém que não possuía os mesmos recursos e a dita visibilidade, e aqui entra a curiosidade. Esse homem era criticado pelo facto de frequentar tais ambientes na medida em que não possuía meios para o fazer, ainda que nunca se pendurasse em alguém. Logo, era um vadio irresponsável.
Mas os restantes, os que tinham as ditas possibilidades, pensavam que mereciam outro estatuto porque andavam a gozar a vida.

O tema sobre as excentricidades da duquesa fez-me questionar se outra velha gaiteira, que não possuísse o mesmo estatuto da duquesa e fizesse o mesmo que esta fez, se seria vista com olhos tão brandos (?).

Espero que a duquesa se tenha divertido à fartazana, e desejo que as demais gaiteiras, com ou sem estatuto, lhe sigam os passos; as que tiverem pachorra para isso.
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De Isabel Mouzinho a 19.11.2014 às 22:57

Não me parece que ela tenha sido vista com "olhos brandos". Muito pelo contrário, sempre foi considerada um pouco "excêntrica" e alvo dos mais jocosos comentários, aos quais parecia não dar importância.
Não acho, pois, que o "estatuto" seja para aqui chamado.
De resto também eu me interesso muito mais por pessoas independentemente de serem duquesas, princesas, ou outra coisa qualquer.
Tenho antes, vá lá saber-se porquê, uma tendência para gostar de pessoas controversas, daquelas que se amam ou odeiam, mas dificilmente deixam alguém indiferente. A duquesa de Alba pode muito bem ser um exemplo, entre muitos outros.
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De Vento a 20.11.2014 às 00:04

Isabel,

o estatuto é o que permite fazer sem sofrer consequências maiores, não obstante as críticas.
O outro, o estatuto a que se refere, é mais de outras classes que propriamente destas. Este último é mais para as classes médias e para os pequeno-burgueses.
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De Maria Dulce Fernandes a 19.11.2014 às 19:18

Sempre lhe admirei a insubmissão e a simplicidade. É o nobre vivo com mais títulos que se conhece.
Eu, se conseguisse chegar quase aos 90 anos, celebraria a vida como ela fez, que tantas vezes lhe foi mãe e outras tantas madrasta.
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De Isabel Mouzinho a 19.11.2014 às 22:58

"insubmissão" e "simplicidade" caracterizam-na muito bem, Maria Dulce.
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De xico a 19.11.2014 às 19:56

Sou um fã da duquesa de Alba e neste momento torço por ela!
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De Isabel Mouzinho a 19.11.2014 às 23:00

Eu também gosto dela, Xico, mas temo que neste momento já haja pouco para "torcer".
Enfim, teve uma vida cheia e viveu-a como quis. E isso já é tão bom...
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De Teresa a 20.11.2014 às 00:20

Partilho exactamente da mesma opinião .
Admiro a Duquesa de Alba e acho fantástica a sua alegria de viver e de procurar ser feliz, independentemente do que pensam ou digam dela!
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De Marta Spínola a 21.11.2014 às 13:04

É também a imagem que tenho dela. Conheci-a por volta de 85, diria, numa Hola (claro) e do alto dos meus 8 anos aquela senhora não me parecia assim muito bonita, mas também não era princesa, e as duquesas nos livros não tinham de ser bonitas. Quando se começou a ridicularizá-la por cá em programas da manhã e quejandos, já a conhecia há anos e simpatizava com a postura em geral. Já não tinha 8 anos também.
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De Isabel Mouzinho a 21.11.2014 às 20:44

Pois, Marta, terá tido defeitos e atitudes criticáveis (não temos todos?), mas era diferente e vivia segundo a sua vontade.
Aliás, não será por acaso que Sevilha inteirinha veio para a rua despedir-se dela. Porque era "muy cercana". :)

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