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A divisão europeia

por Luís Naves, em 24.10.18

Quem acredita que a União Europeia é uma construção sólida deve ler este artigo de Timothy Less, na revista The New Statesman. O autor explica o que está na base da rebelião contra a ordem liberal construída nos últimos cinquenta anos, indo muito além das teses simplistas que tenho tentado criticar aqui no Delito, para grande incompreensão de alguns leitores. Há na Europa um conflito cada vez mais evidente entre a visão progressista liderada por Macron, de uma união cosmopolita e multicultural, em integração acelerada orientada pelas potências, em oposição à tese conservadora, liderada por Orbán, que teme a diluição das identidades nacionais, o poder das burocracias não-eleitas e as migrações em massa. Parece muito lúcida a passagem sobre os eventuais efeitos da próxima recessão e os possíveis cenários de cisão na Europa, sobretudo a hipótese de tudo evoluir para um núcleo duro, onde não vão caber as periferias.


8 comentários

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De Pedro a 24.10.2018 às 20:26

Mas a génese de UE não implicava mais do que um espaço económico comum? Uma politica de defesa comum. Uma estratégia de negócios estrangeiros comum. Uma homogeneização dos códigos jurídicos. ....

Qual o espanto dos países aderentes com a perda da soberania? Estava implícito quando assinaram os acordos de adesão. Se a Europa pensa que dezenas de pequenos países europeus "independentes", ao invés da força resultante da acção conjunta, vai conseguir competir com os gigantes asiáticos e os blocos russo e americano penso que caem num grande equívoco
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De Sarin a 25.10.2018 às 11:17

Penso que o espanto com a perda de soberania advém das adesões sem consulta pública e da pouca clareza democrática na formação dos órgãos executivos.

A homogeneidade dos códigos jurídicos tropeçou quando entraram pela regulação de coisas absurdas como a dimensão e o formato do pepino para venda, coimas incluídas, e deixaram para mais tarde códigos civis e penais, fármacos e fitofármacos para as calendas gregas...


Acredito numa UE, não nesta UE que insiste em normalizar culturas e ecossistemas tão distintos.
Talvez tenhamos que voltar à CEE e daí redefinir a UE.
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De António a 24.10.2018 às 21:22

Quando começou o processo de adesão à CEE foi vendida uma idéia. Em pouco tempo os portugueses estariam no mesmo patamar dos alemães. Choveram fundos de coesão para acelerar essa convergência, e não foi pouco dinheiro. Creio que se o tivessem simplesmente distribuido para que cada português lhe desse o destino que entendesse estaríamos como os alemães. Perdeu-se nos IAPMEIS, IFADAPS, e restantes departamentos estatais, nascidos como cogumelos para sacar.
Também se vendeu a idéia do grande mercado único como a panaceia para os nossos endémicos males. Se os carros fossem mais baratos em Itália ou os bancos dessem melhores juros em França, os portugueses teriam a escolha, e os nossos comerciantes e banqueiros teriam até capacidade de competir. Um litro de gasolina e um salário mínimo seriam idênticos por essa Europa fora.
O que sucedeu foi importarmos os altos impostos dos nórdicos e continuarmos com a vida pobre do costume.
O tempo em que supostamente estaríamos a convergir, passámo-lo a discutir com a Grécia a cauda do pelotão. A educação e a justiça, pilares essenciais de desenvolvimento, ficaram para trás. As nossas empresas ficaram para trás.
Passadas décadas, temos meia dúzia que se aproveitou, mais uns milhares de instalados, e um país em ruínas, endividadíssimo, corrupto, sem qualificações, sem mais ambição que sobreviver. Não sei se conseguiremos. Tivémos a oportunidade que outros aproveitaram e perdemo-la. Tão cedo não haverá outra, e a conta está a chegar.
Eu culpo os políticos. Os nossos. Aparentemente só pensaram neles e esqueceram o resto. Ao fim de tanto tempo podíamos estar numa posição diferente. Podíamos inclusive dizer não. Ainda podemos, claro, se estivermos dispostos a voltar à fome envergonhada donde parecia termos saído.
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De Luís Lavoura a 25.10.2018 às 12:15

Os autores americanos e ingleses adoram especular sobre as divisões europeias. Especularam que o euro iria ser desfeito devido às suas contradições internas. Especularam que a União iria sofrer de divisões internas na negociação com o Reino Unido sobre o Brexit. Ambas as especulações não se materializaram, bem pelo contrário: o euro continua a existir a a União tomou uma posição bem única face ao Reino Unido. Agora prosseguem as especulações com a divisão este-oeste na União. Mais uma vez, as especulações não se materializarão.

Os cães ladram e a caravana passa.
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De Anónimo a 27.10.2018 às 17:15

Esses autores não devem muito à inteligência. Quem é que realmente acham que vai sofrer mais com um corte de relações? Um país com 66 milhões de habitantes (e que só não está em recuo demográfico graças à imigração que parte do seu povo tanto despreza) ou um bloco económico que, mesmo sem o Reino Unido, continua a ter mais de 400 milhões de habitantes?
Eu acho que há muitos problemas na União Europeia e que têm que ser resolvidos mas desejo que o Reino Unido se lixe, e com F, por terem criado toda esta palhaçada desnecessariamente e ainda porem em dúvida a situação de muitos imigrantes europeus que vivem no Reino Unido.
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De Luís Lavoura a 29.10.2018 às 10:40

desejo que o Reino Unido se lixe, e com F

Eu também. Os ingleses devem ter o direito, mais, devem ter a obrigação de experimentarem os encantos daquilo que andaram a namorar durante tantos anos, e em que finalmente votaram. Devem ficar fora da União uns aninhos, a experimentar o quão bom é viverem em autarcia. E que se lixem.

porem em dúvida a situação de muitos imigrantes europeus que vivem no Reino Unido

O que mais me dói é ver portugueses que apoiaram o Brexit, mostrando desprezo por aqueles tantos dos seus compatriotas que vão ser prejudicados por ele. Não somente aqueles compatriotas que já vivem no Reino (des)Unido, mas ainda aqueles que no futuro gostariam de para lá poder emigrar e não vão poder fazê-lo por causa do Brexit. Esses portugueses, que apoiaram a desgraça dos seus compatriotas, metem-me nojo.
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De lucklucky a 25.10.2018 às 19:55

Os "cosmopolitas" foram os primeiros a rejeitarem a ordem liberal ao aumentarem a regulação e impostos para níveis socialistas e ao quererem destruir as nações.
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De separatista-50-50 a 26.10.2018 às 22:40

A defesa da LIBERDADE deve ser uma paixão!
Há que dizer não aos europeus (e a outros também da mesma laia) com tiques dos impérios!
URGE O SEPARATISMO-50-50!!!
[manifesto em divulgação, ajuda a divulgar]
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O europeu com tiques dos impérios, do presente, continua igual ao do passado: não suporta a existência de povos autóctones que procuram, sossegadamente, sobreviver pacatamente (e prosperar ao seu ritmo) no seu 'canto' do planeta.
.
Mais, para o europeu com tiques dos impérios a rentabilização de investimentos é UMA RELIGIÃO NAZI: ele (em conluio com a elite da finança, nomeadamente, a máfia do armamento) se pudesse aplicava um holocausto massivo aos autóctones, cujas intenções Identitárias, coloquem em causa interesses económicos:
-1- autóctones, que têm a SORTE de não estar numa 'ponta esquecida do planeta', são alvo das mais variadas coacções, sancões...
-2- agora, autóctones que têm o AZAR de estar numa 'ponta esquecida do planeta', esses, levam com um holocausto massivo em cima:
---» no passado povos autóctones da América do Norte, da América do Sul, da Austrália foram alvo de holocaustos massivos...
---» em pleno século XXI tribos da Amazónia têm estado a ser massacradas por madeireiros, garimpeiros, fazendeiros com o intuito de lhes roubarem as terras, muitas das quais para serem vendidas posteriormente a multinacionais; FMI's e afins falam no assunto... népia - povos autóctones a viverem pacatamente (e a prosperarem ao seu ritmo) no planeta ia prejudicar o crescimento económico mundial em 0,0x %...
.
.
Uma obs:
Toda a gente sabe como são as negociatas da máfia do armamento: são fornecidas armas a «grupos rebeldes» (sim, é verdade: os «grupos rebeldes» não possuem fábricas de armamento)... depois, em troca, a máfia do armamento tem acesso a recursos naturais (petróleo, etc) fornecidos pelos «grupos rebeldes» ao desbarato;
E MAIS: a máfia do armamento procura encaminhar refugiados de guerra para locais aonde ela possui investimentos... que é necessário rentabilizar (abundância de mão-de-obra servil, etc).
Ora o que é que o Parlamento Europeu (está infestado de europeus com tiques dos impérios) faz:
- exerce todo o tipo de ameaças (coacções, sanções, etc) sobre aqueles que não se querem vender à máfia do armamento... ou seja, povos autóctones que querem sobreviver pacatamente planeta.
E POIS É, COMO SERIA DE ESPERAR: o parlamento europeu não chama à responsabilidade os países aonde a máfia do armamento tem instaladas as suas fábricas.

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