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A "direita" a medir pilinhas

por Pedro Correia, em 28.01.20

Clube-do-Bolinha---capa_1[1].jpg

 

Transição acelerada em marcha-atrás: depois de ter sido liderado pela primeira vez por uma mulher, Assunção Cristas, o CDS acaba de afugentá-las dos seus órgãos directivos. No congresso de Aveiro, imperou a tendência testicular: um presidente, sete vice-presidentes, um secretário-geral e um coordenador-autárquico. Todos homens. Na Comissão Política Nacional, com 59 membros, só seis mulheres. Eis como as aparências iludem: mal se começa a raspar o verniz da novidade, algo muito velho surge à tona.

Este CDS insuflado de androfilia pode regredir em ritmo ainda mais acelerado: basta que o novo líder, Francisco Rodrigues dos Santos, ceda à tentação de empurrar para fora da Assembleia da República a actual líder parlamentar, Cecília Meireles, para ascender ele próprio - ex-número dois da lista do Porto, encabeçada por Cecília nas legislativas - à condição de deputado. Se assim acontecer, o Largo do Caldas amanhecerá travestido de Clube do Bolinha, entre hossanas ao marialvismo mais serôdio.

Rio, Ventura, Cotrim e o recém-surgido Chicão vão passar os próximos dois anos a medir pilinhas, evitando perturbar o sossego do Governo. António Costa descontrai e boceja: Assunção Cristas, única dirigente da oposição que o irritava até às entranhas, saiu de cena e já não lhe causa incómodo. A chamada "recomposição da direita" produz nele um efeito conjugado de valeriana com camomila. Nada mais relaxante para um socialista.


32 comentários

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De Luís Lavoura a 28.01.2020 às 10:20

Rio, Ventura, Cotrim e o recém-surgido Chicão vão passar os próximos dois anos a medir pilinhas.

Neste momento estão todos empenhados a ver qual deles sugere maiores diminuições de impostos, logo maior défice, no Orçamento de Estado.
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De Costa a 28.01.2020 às 10:54

Quanto ao facto da fiscalidade em Portugal ser de desavergonhado saque e confisco, em si mesma e naquilo que (não) proporciona ao cidadão pagante, nem uma sua palavra. Quanto ao facto de para o resultado das contas do estado contarem não só as receitas como também as despesas públicas, e sobre estas últimas e sua bondade, muito haver a dizer, nem uma sua palavra.

Poder-se-á sem dúvida discutir se de todo, nas actuais condições do país, uma significativa redução de impostos (e não coisas de descarada demagogia e breves primeiras páginas, e que resultam nuns cêntimos menos de IRS por mês e só para alguns; os do costume) seria coisa viável, governe quem governar. Há, além de tudo o resto que objectivamente se possa elencar nesse sentido, ou no oposto, uma muito sólida tradição de não o fazer: em Portugal e por regra os impostos, taxas, contribuições, coimas e afins multiplicam-se em número e sobem em valor, conjugados com legislação fiscal requintadamente kafkiana e em constante mutação, esteja de turno no governo quem quer que seja. Dão muito jeito ao poder, uma e outra coisas.

Mas, Lavoura, fosse por estes dias outra a cor política a apresentar e defender um OE, usaria você de tanta simplicidade e telegráfica bonomia para com o tema?

Costa
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De Luís Lavoura a 28.01.2020 às 11:16

o facto da fiscalidade em Portugal ser de desavergonhado saque e confisco

Em Portugal e em todo o lado, a fiscalidade é saque e confisco.

Porém, tem que existir, porque o Estado não presta serviços de borla.

para o resultado das contas do estado [contam] não só as receitas como também as despesas públicas

Certo. Por isso mesmo o ministro das Finanças disse, e muito bem, que qualquer partido que apresentasse propostas diminuindo a fiscalidade, deveria também apresentar propostas diminuindo correspondentemente as despesas públicas.

Ora, eu não vi nenhuma proposta do PSD, nem do CDS, nem da IL, nem do Chega para diminuir a despesa pública. É claro que essas propostas podem ter existido, mas eu não as vi.

fosse por estes dias outra a cor política a apresentar e defender um OE, usaria você de tanta simplicidade e telegráfica bonomia para com o tema?

Sou favorável a um orçamento equilibrado ou com algum excedente, que permita pagar a nossa monstruosa dívida. Sou contra todas e quaisquer propostas que desequilibrem um orçamento que está equilibrado. Se os partidos da oposição querem dimninuir as receitas, então que digam também como diminuem as despesas.
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De Vorph Valknut a 28.01.2020 às 12:47

Uma coisa lhe garanto. Se o Estado me cobra 23% por um serviço que presto sozinho (às vezes, no carro, até olho para o lado, a ver se o vejo, sentado ao meu lado) não se trata de contribuição, mas de saque. Se o Estado gasta em Bancos, o dinheiro de todos, em milhares de milhões de euros e assegura à comunidade, uns serviços públicos de merda -SNS para os pobretanas, uma PSP de merda, uma AT omnipotente e omnisciente - o Estado perde a vergonha e a "gente" o respeito (obrigado Rão).
O resto é para entreter
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De Luís Lavoura a 28.01.2020 às 14:48

SNS para os pobretanas

Eu não sou pobretanas mas, quando o meu filho mais novo teve um cancro, há 5 anos, foi tratado pelo SNS. E bem tratado, devo dizer.
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De Vorph Valknut a 28.01.2020 às 16:12

Aposto que vive em Lisboa. Vivesse no Alentejo, ou naquela coisa do Portugal profundo e ficaria à espera de uma TAC ou uma RM durante pelo menos 2 meses. Mas cada um conhece o mundo em que vive. E há muitos, neste.
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De Anónimo a 28.01.2020 às 18:24

Mas acaba o estado ou os impostos?
Assim seria o Emirado do Chicão saud Port, e só pagariam impostos aqueles estrangeiros das obras.
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De Anónimo a 28.01.2020 às 18:25

Mas acaba o estado ou os impostos?
Assim seria o Emirado do Chicão saud Port, e só pagariam impostos aqueles estrangeiros das obras.
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De Vorph Valknut a 28.01.2020 às 12:49

Luís, eu sei que o Luís sabe que a Divida é impagável. Qual excedente!!?? Com uma divida acima dos 110% bastam 3 meses de estagnação, ou resfriado, e o sacrifício de anos vai pelo ralo.
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De Costa a 28.01.2020 às 23:05

"Em Portugal e em todo o lado, a fiscalidade é saque e confisco. Porém, tem que existir, porque o Estado não presta serviços de borla."

Você sabe perfeitamente o que pretendi significar, Lavoura. Esta sua resposta farisaica - e todo o restante da sua resposta ao que escrevi (um orçamento equilibrado e com algum excedente é um objectivo que ninguém de bem, no plano dos princípios, poderá rejeitar; resta saber com que opções lá se chega) - só demonstra o seu canino seguidismo do que a geringonça produzir.

QED

Costa
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De Anónimo a 28.01.2020 às 12:12

Eu, cheio de pressa, a subir a Rua de Santa Catarina para chegar rápido ao Marquês e aquele alvoroço todo.

- O que se passa? - perguntei a um fininho, Chico?, que vinha em sentido contrário.

- É o "fanático dos popós" e o gajo das ponchas à esmola - respondeu.

Carago, se tinha compreendido alguma coisa até ver as bandeiras. Mas era verdade. Ali estavam o roque e a amiga e a amiga e o roque. Ainda tentei fugir, mas não tive escapa.

- Olha aqui este senhor, carago! Então diga lá prá gente o que faz - avança o Rui.

- Eu ... eu, olhe eu quando não subo a rua para o Marquês trato das hortas.

- É preciso alguém que faça alguma lavoura e que trate da terra abandonada que há por esse país fora - disse um sotaque ilhéu acompanhado de uma palmada nos costados que me tirou o ar.

- E no Domingo como vai ser? Vai-se esquecer de nós? - pergunta o Rui.

- Olhe, nem sei se vou lá aparecer. Há um senhor que vai fazer uma gincana de 4L's e se calhar vou ver! Mas diga-me lá o que é que estão para aí a prometer?

- Ó homem, então nós queremos descer os impostos, aumentar as pensões e os salários. Queremos que os portugueses tenham mais poder de compra - responde o Rui acompanhado por uns acenos de cabeça afirmativos do João.

- Descer impostos? Uma proposta dessas? Estão maluquinhos ou quê? No Domingo vou mas é ver a gincana e beber umas ponchas que é tempo mais bem empregue.


Smoreira
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De João Espinho a 28.01.2020 às 12:08

Levei para a minha Praça. Com a devida vénia.
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De Pedro Correia a 28.01.2020 às 17:12

Fizeste tu muito bem, grande João. Abraço amigo.
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De Vorph Valknut a 28.01.2020 às 12:36

Pedro, os Partidos também obedecem ao ciclo da vida. A recomposição e a decomposição andam de mãos dadas.
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De Anónimo a 28.01.2020 às 13:01

Isso de haver muitas pilinhas (pq inhas?) também contam as híbridas?
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De Pedro Correia a 28.01.2020 às 17:09

Sim. Em nome do combate à "emergência climática".
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De Vorph Valknut a 28.01.2020 às 13:40

Adenda:

Um postal sobre pilinhas e o fraterno Luís ainda não a agarrou, a oportunidade, friso?!
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De Pedro Correia a 28.01.2020 às 17:08

Atenção à língua portuguesa, que continua traiçoeira.
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De Anónimo a 28.01.2020 às 14:43

Muito bom, Pedro.
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De Isabel Mouzinho a 28.01.2020 às 15:54

Eu nuca faço nada anónima. Saiu assim não sei porquê. Mas aqui fica a correcção: o meu nome é Isabel Mouzinho
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De Pedro Correia a 28.01.2020 às 17:07

Viva, Isabel. Bom ver-te novamente por cá.
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De Anónimo a 28.01.2020 às 18:39

Discutir enredos partidários é coisa que há muito deixou de me interessar minimamente, porque, como está mais que provado, distrai as pessoas para não levar a lado nenhum.
Faz-me lembrar, pelos canais e pelo tempo de antena, aquelas mesas redondas sobre o futebol falado, mas que nunca se vê jogado
Mas o título chamou-me a atenção, pela sua natureza marcadamente machista:
- então só se contam as pilinhas?!
E reparem que as aspas estão na direita...
Será para provocar a esquerda?!

João de Brito
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De Pedro Correia a 29.01.2020 às 01:16

Machismo é só haver pilinhas. A chamada "direita" portuguesa voltou a ser um clube só para cavalheiros.
Esta gente não aprende nada com as lições da História.
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De Vorph Valknut a 29.01.2020 às 10:01

Sobre História. Pedro, os soviéticos capturaram Berlim :)
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De Vorph Valknut a 29.01.2020 às 11:03

"Chiça" , Pedro. Estava a brincar.
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De Pedro Correia a 29.01.2020 às 11:16

Desta vez só percebi 'a posteriori'. Mas fica a sugestão de leitura à mesma, para quem queira aproveitar.

(Quando passar pelas suas bandas, em breve, avisarei; a ver se empinamos uns púcaros.)
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De Vorph Valknut a 29.01.2020 às 11:31

OK. Avise-me com alguma antecedência para preparar roteiro. Já agora dê uma vista de olhos no seu email. Não sendo nada de especial, gostaria que o lesse. Abraço e obrigado
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De Pedro Correia a 29.01.2020 às 13:44

Sim, aviso. Assim que puder, vejo.
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De Anónimo a 29.01.2020 às 12:39

Viu-se o incómodo que a Assunção Cristas causou a Costa. Por pouco, nas ultimas eleições desaparecia o CDS...Eu até gosto bastante da Dra Cristas mas afirmar que ela causava incómodo ao Costa, quer dizer...
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De Pedro Correia a 29.01.2020 às 13:43

Viu-se e ouviu-se. Foi, de facto, a única voz da oposição que fez várias vezes perder as estribeiras ao PM no hemiciclo. Até o levou a acusá-la de racismo...

Quanto ao desaparecimento do CDS, nunca ele esteve tão iminente como quando Adriano Moreira liderava o partido.
Entre Adriano e Chicão, há quem prefira Chicão. Eu prefiro um CDS com menor expressão eleitoral mas com a credibilidade intacta.

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