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A derrota do jornalismo

por Pedro Correia, em 30.10.18

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Durante meses, andaram a contar-nos a história mutilada, a história incompleta, a história que nos deixou cegos, surdos e quase mudos sobre a verdadeira situação do Brasil.

Forneceram-nos um quadro previsível, dicotómico, com as etiquetas todas no seu lugar. Omitindo o desastre social, económico e político em que a quarta maior democracia do globo havia mergulhado.

O jornalismo genuíno - aquele que parte para cada história de olhos bem abertos, sem catecismos, deixando os preconceitos fechados à chave numa gaveta doméstica - voltou a ser menosprezado. Desta vez na eleição presidencial brasileira.

 

Como podia um "fascista", capitão na reserva, obscura personagem de terceiro plano na hierarquia parlamentar de Brasília, ascender ao Palácio da Alvorada?

Seria imaginável o país do samba e do Carnaval amanhecer "fascista"?

Impossível, claro. A "lógica dos acontecimentos", condimentada pelo determinismo histórico e pela militância ideológica em trincheiras de luta entre o mal e o bem, contaminou o relato factual.

O jornalismo foi substituído, semanas a fio, meses a fio, pela rotulagem rápida do pronto-a-pensar politicamente correcto. Não houve histórias com gente dentro, apenas focos de propaganda política. E nem era preciso rumar ao outro lado do Atlântico: bastava falar com os novos imigrantes brasileiros que se têm fixado em Portugal: são já 80 mil, formando aquela que é, de longe, a maior comunidade estrangeira no nosso país.

Bastava perguntar-lhes por que motivo fizeram as malas e vieram.

 

O "Lulinha paz e amor", que tirou da miséria 20 milhões de brasileiros durante o primeiro mandato, na sequência das medidas iniciadas por Fernando Henrique Cardoso, prevaleceu nos relatos que nos foram chegando.

Esquecendo tudo o resto, que compõe o retrato alarmante do Brasil actual: mais de meio milhão de homicídios cometidos na última década (uma pessoa assassinada a cada nove minutos), impunes em 90% dos casos; a maior recessão de que há memória, ocorrida em 2014; inflação que quase atingiu dois dígitos; um gigantesco cortejo de 13,4 milhões de desempregados.

Esquecendo os escândalos do Mensalão e do Lava Jato.

Esquecendo que o Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva e Dilma Roussef, com os seus aliados no Congresso, montou gigantescos mecanismos de corrupção, alicerçados na construtora Odebrecht, a maior empreiteira da América Latina, e na empresa pública Petrobras, contaminada até ao tutano pelos novos ricos sedentos de dinheiro fácil, protagonistas de inúmeros crimes de desvio e lavagem de dinheiro enquanto o país empobrecia.

Vejam uma imprescindível série da Netflix, chamada O Mecanismo. Aprendem mais sobre o Brasil contemporâneo do que lendo ou escutando quase todas as inanidades que o discurso jornalístico corrente tem produzido sobre o mesmo tema.

 

Os "activistas políticos" travestidos de repórteres que nos andaram a contar histórias de embalar perderam de repente o fio discursivo ao perceberem que o tal obscuro capitão na reserva (que poucos ou nenhuns procuraram sequer entrevistar) havia afinal recolhido 58 milhões de votos.

Nada aprenderam com a eleição de Donald Trump. Nada aprenderam com o Brexit. Nada aprenderam com as rápidas mutações políticas ocorridas em Itália. São permanentemente surpreendidos pelos acontecimentos porque têm andado sempre a contar-nos a história errada - uma história que confunde as "boas intenções" com o iniludível peso dos factos.

 

Fernando Haddad, o representante de Lula, foi claramente derrotado nas presidenciais brasileiras. Mas não ficou isolado: o jornalismo acaba de sofrer também uma pesada derrota. Mais uma.

Receio que esteja longe de ser a última.

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76 comentários

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De Justiniano a 30.10.2018 às 10:24

Apenas para o subscrever, caro Pedro Correia!
Não acrescentaria uma vírgula!!
É, sobretudo, isto: "Os "activistas políticos" travestidos de repórteres que nos andaram a contar histórias de embalar perderam de repente o fio discursivo ao perceberem que o tal obscuro capitão na reserva (que poucos ou nenhuns procuraram sequer entrevistar) havia afinal recolhido 58 milhões de votos.
Nada aprenderam com a eleição de Donald Trump. Nada aprenderam com o Brexit. Nada aprenderam com as rápidas mutações políticas ocorridas em Itália. São permanentemente surpreendidos pelos acontecimentos porque têm andado sempre a contar-nos a história errada - uma história que confunde as "boas intenções" com o iniludível peso dos factos."
Só não concedo como boa intenção o papaguear embriagado de um enunciado abstracto de virtudes!! Não sei se as intenções serão as melhores mas o diletantismo e infantilidade são do pior!! (Veja-se a figurinha do F. Assis, no Brasil!! Sempre foi um tonto mas agora chegou a gebo, cumpriu-se finalmente!!)
O mais trágico, fundamentalmente, é que a media de referencia ainda se não apercebeu da sua total irrelevancia!!
E arrasta consigo alguns tontos inúteis, na academia, no mundo económico e nos órgãos de soberania!! O exemplo mais expressivo dos embalados é o actual PR, a quem Camões dedicou alguns versos!!
O repúdio por esta miasma histérica e infantil também cá chegará!! A ressaca será, como sempre, desagradável!
Tenho pena, pois algum equilíbrio, verdade e senso comum ter-nos-ia poupado a muita tragédia porvir!!
Um bem haja,
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 12:44

Enquanto o jornalismo não traçar linhas de separação rigorosas que o tornem imune ao proselitismo ideológico e à propaganda política, continuará a caminhar a passos largos para uma gloriosa irrelevância.
Infelizmente, todos os dias vemos exemplos em sentido contrário.

P. S. - Agradecendo as generosas palavras que me dedica, discordo por completo dos termos que utiliza em relação a F. Assis, pessoa que muito prezo.
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De Justiniano a 30.10.2018 às 13:39

Meu caro Pedro Correia, também eu tenho amigos que, por vezes, fazem figuras ridículas! Habitualmente, aos verdadeiros amigos, digo-lhes claramente, com todas as letras, a figura que fizeram!
Como adjectivar as figurinhas que andou o F. Assis a fazer pelo Brasil!!??
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 13:58

Caro Justiniano: sinceramente, julgo ter levantado no meu texto questões de suficiente importância para estar a desviá-las noutras direcções que de todo não me interessam.
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De Justiniano a 30.10.2018 às 14:39

Eu compreendo-o, meu caro!
Mas compreenda a pertinência da minha invocação de F Assis!
Justifico.
F. Assis tem influencia política em Portugal. É, creio eu, influente numa determinada ala do P.S. Um notável com aspirações!
Um habitual da nossa media de referencia! Não é um cidadão anónimo, e creio ter estado no Brasil como deputado europeu.
F. Assis não é somente F. Assis! Pessoalmente nada tenho contra F. Assis com quem já várias vezes me cruzei no Porto e de quem retive ser um concidadão educado!
Um bem haja,
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 21:52

Cumprimento-o, com gosto.
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De Pedro a 30.10.2018 às 10:30

Permita-me , Pedro. Não é a derrota do jornalismo. É sobretudo a derrota da ilusão de sermos capazes de usar a razão desapaixonadamente. Aliás sobre este tema muito tem investigado o neurocientista António Damásio, onde prova as íntimas ligações sinapticas entre o sistema límbico, responsável pelas emoções - ódio, empatia, etc - . com o córtex pré frontal - usado para construirmos argumentos racionais.

Deixo aqui uma sugestão :

Myth Of The Rational Voter
Why Democracies Choose Bad Policies
de Bryan Caplan

https://www.wook.pt/livro/myth-of-the-rational-voter-bryan-caplan/855692

Throughout the book, Caplan focuses on voters' opinion of economics since so many political decisions revolve around economic issues (immigration, trade, welfare, economic growth, and so forth). Using data from the Survey of Americans and Economists on the Economy (SAEE), Caplan categorizes the roots of economic errors into four biases: make-work, anti-foreign, pessimistic, and anti-market.

Caplan refers to the make-work bias as a "tendency to underestimate the economic benefits from conserving labor. Caplan claims that there is a tendency to equate economic growth with job creation. However, that is not necessarily true, since real economic growth is a product of increases in the productivity of labor

Caplan refers to the anti-foreign bias as a "tendency to underestimate the economic benefits of interaction with foreigners." People systematically see their country of origin as in competition with other nations and so oppose free trade with them.

Caplan refers to the pessimistic bias as a "tendency to overestimate the severity of economic problems and underestimate the (recent) past, present, and future performance of the economy."

Caplan refers to the anti-market bias as a "tendency to underestimate the benefits of the market mechanism. In Caplan's view, the populace tends to view themselves as victims of the market, rather than participants of it. Corporations, even small-scale suppliers, are seen as greedy monopolists that prey on the consumer. Caplan argues that all trade is a two-way street. Cheating people is bad for business and the existence of multiple firms offering similar products demonstrates there is competition, not monopoly power.

E é isto.
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 12:40

Meu caro, a nossa pretensa "ilusão de sermos capazes de usar a razão desapaixonadamente", para usar palavras suas, constitui o fermento ideológico do fascismo. Do verdadeiro, não daquele que se grita agora a todo o momento, numa repetição grotesca da história de Pedro e do lobo.
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De Pedro a 30.10.2018 às 14:32

E não só. São também o fermento das políticas de grupo , que nascem da oposição aos que não fazem parte do nosso grupo.Europeus x Árabes. Desempregados xEmpregados ......Direitax Esquerda....
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 21:51

Pois. Mas a democracia liberal assenta precisamente em alicerces opostos aos da emoção, ditados pela razão e pelo princípio da igualdade, sem o qual não haveria soberania popular.
É a razão que nos leva a ultrapassar o preconceito. Ninguém hoje questiona que o voto do analfabeto valha tanto como o do catedrático no momento de fazer escolhas políticas.
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De Pedro a 30.10.2018 às 22:07

A forma como nos debatemos pela razão é emocional. Grande parte das escolhas morais, do bem agir, são ditadas pela emoção e não pela razão (a razão apenas nos manda ficar vivos; a emoção a agir)
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 23:43

As escolhas morais são por definição racionais. Caso contrário não seriam escolhas.
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De Pedro a 31.10.2018 às 08:26

As escolhas individuais implicam liberdade de escolha. A moralidade é inculcada pela educação, pela cultura da sociedade onde vivemos. As escolhas morais, as boas acções, não são dadas à reflexão. Elas são automáticas. Daí quando se pergunta a um herói o que pensava no instante que decide entrar numa casa em chamas para salvar os que lá estão ele diz : Em nada. Apenas tinha que o fazer!

Em termos neurológicos são os que mais pensam em como bem agir que têm mais probabilidades de nada fazerem. Ou fazerem algo tarde de mais.

É o impulso da emoção do momento que leva aos actos heróicos
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De Pedro a 31.10.2018 às 08:29

Pedro quantos casamentos se mantêm pelo respeito, pela arbitrariedade do código moral que escolhemos, quando a razão, na sua especialidade de calcular ganhos e perdas nos manda fugir? O amor a um filho também nunca é uma escolha. É o sangue comum que o determinada
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De Pedro Correia a 31.10.2018 às 11:07

Estamos já a desviar-nos muito do tema. Que é a democracia liberal, o mais racional dos regimes políticos, em contraposição com o caudal de "emoções" que parecem estar de novo em voga, inflamadas pela chamada revolução tecnológica e por essa ilusão chamada "democracia digital". Que pode ser manipulada até ao tutano, até por interferência de potências estrangeiras, como ficou evidente na última campanha presidencial nos EUA ou no alegado processo independentista da Catalunha.
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De Pedro a 31.10.2018 às 12:50

Pedro, já aqui deixei uma sugestão literária - é pena que se abstenha de publicitar livros que seguem o novo AO, pois eliminámos pérolas literárias, sem culpa dos autores, pois muitos são estrangeiros/traduzidos.

A democracia liberal surge do triunfo da razão, da Ciência, embora o uso exclusivo da razão, no governo de uma sociedade, produza monstruosidades. Lembra-se do Dr. Spock do StarTrek? Um tipo puramente racional, ignorante da empatia e de afectos. Um sociopata, portanto

https://www.wook.pt/livro/ciencia-e-liberdade-timothy-ferris/15007249


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De Pedro Correia a 31.10.2018 às 19:24

Admito que o livro seja bom, Pedro. Mas mantenho-me fiel ao princípio que tracei: só divulgo e publicito livros escritos em bom português - isto é, no português pré-acordístico.
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De Luís Lavoura a 30.10.2018 às 10:35

O jornalismo foi substituído [...] pela rotulagem rápida

Em diversos países da Europa passa-se a mesma coisa, com partidos a serem rapidamente rotulados como de "extrema-direita" quando não o são, quando são partidos democráticos e até, em geral, europeístas.
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 12:02

Quando o rótulo precede a reportagem, o jornalismo está condenado à partida.
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De Pedro a 30.10.2018 às 10:44

Era perfeitamente natural esperar, que num país dito normal, habitado por cidadãos capazes de uso de razão, capazes de uma análise crítica do discurso político, não elegessem um energúmeno lunático para líder do seu país.

É vício de pensamento pensar que a solução para um problema reside na escolha de uma outra solução inversa à primeira escolhida . Ou seja que para salvar a democracia nada melhor que escolher um político que promete salvá -la com a ditadura. É isso que no discurso de Bolsonaro existia. A promessa de refundar a democracia pelo estabelecimento de ditadura.

Para quem tem alguns conhecimentos históricos tudo no Brasil é ridículo
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 12:11

Aconselho a leitura deste artigo de Fernando Henrique Cardoso, o melhor Presidente do Brasil desde Juscelino:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/18/opinion/1539880016_293081.html

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De Justiniano a 30.10.2018 às 14:30

Caro Pedro Correia, discordo!!
O FHC também não aprendeu nada nem esqueceu nada!!
Este juízo "Simboliza o anseio de ordem diante do medo do desconhecido.", é esclarecedor acerca da coluna e do pensamento de FHC.
FHC regressou à sociologia poética alemã dos idos de 70 - Esta platitude, habitualmente empregue face aos anseios económicos da globalização ou da transformação económica, não poderia estar mais desfocada dos fenómenos que objectivamente se testemunham no Brasil!
FHC deve estar a pensar na Europa dos idos de 90. Todo o texto me parece estranho ao Brasil!! Os anseios de ordem referem-se, creio eu, pelos números, ao elemento primordial da manutenção de uma comunidade organizada e regida pelo direito. A segurança, e tudo o que este princípio densifica!
O texto, caro Pedro Correia, parece-me um almanaque de banalidades!!


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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 21:55

É a sua opinião, meu caro. E respeito-a sem contestação.

Para mim, o maior dirigente político da história do Brasil foi alguém profundamente injustiçado pelos seus contemporâneos: o Imperador Pedro II. O Brasil, nessa época, estava muito à frente das restantes nações a que impropriamente chamamos América Latina.
Depois dele, já no século XX, houve dois grandes presidentes: Juscelino Kubitschek de Oliveira e Fernando Henrique Cardoso.
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De Justiniano a 31.10.2018 às 08:28

Caro Pedro Correia, vem a propósito, hoje no Público F. Assis.
E elabora F. Assis, a propósito de Bolsonaro e das declarações de P.Portas, que a direita moderada (PSD, CDS) demonstra ser permeável a alianças com a extrema direita (uma espécie de reminiscência da tradição autoritária de que a direita enferma, talvez). Mais uns centímetros e já as equivale.
Note-se que esta permeabilidade só será censurável à direita envergonhada e penitente. A esquerda moderada (PS) pode firmar alianças com a extrema esquerda, e normalizar estandartes que enunciam um nós, virtuosos, contra um eles, salaciosos. Bem sei que Assis se manifestou contra esta aliança, hoje já enraizada, incluindo pelo próprio Assis.
Os progressistas vergam os ponteiros da bússola de tal maneira que perdem o norte, depois veem fascistas a eito!!
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De Pedro a 31.10.2018 às 10:55

Justiniano o marxismo, o comunismo está morto e enterrado (são regimes longínquos e de pé-descalço) . O perigo provem dos políticos bonitos, bem sucedidos, bem falantes, oriundos de países modelo, que falam uma novilíngua mais velha do que julgam - pobre/preguiça/escória; homossexual/doente; progressismo/tolerância como a decadência do Ocidente; defesa dos valores tradicionais, da Terra e sangue…..um discurso metafórico belicista, de violência, de incivilidade. De rejeição à diferença….se existe na Esquerda, este discurso? Sim, Mas na maioria dos casos esta intolerância é contra a intolerância dos outros.
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De Justiniano a 31.10.2018 às 13:19

Pedro, é manifestamente exagerada a notícia da morte do Marxismo.
A hipótese marxista sobrevive como ideário emancipatório, partilhado e perfilhado, ainda, por imensa gente por esse mundo fora.
Há uma corrente de pensamento que se inspira no Marxismo, desde Gramsci aos alucinados de Frankfurt, que ainda hoje anima alguns notáveis construtores de utopias. Há um projecto de transformação que visa, sobretudo, destituir a nação histórica. Tornar os elementos instituidores da nação histórica como coisas remotas e de imemoriais contingências. O Povo será contingente, fungível, utilitário e a geografia não tem autonomia se lhe retirarmos as marcas que a cultura de um povo foi deixando na terra ao longo da história. A história será reescrita à medida dos créditos da circunstancia e do povo alvo da circunstancia.
À medida em que o projecto de diluição da nação histórica vai avançando, a reacção vai sendo mais e mais violenta!! (Não se quede pelos exemplos mais sofisticados que se veem pelo ocidente. Por todo o planeta as manifestações de afirmação dos projectos identitários são instintuais. Das tribos mais desconhecidas da Colombia às tribos do ocidente chinês)
Ao radicalismo dos mais atrevidos progressistas utópicos, creia que se sucederá, sempre, a reacção dos mais radicais essencialistas da nação como projecto étnico e cultural. Os que gritam terra e sangue são o némesis dos outros!
A questão que se pode colocar é a de quem é a responsabilidade pela abertura da caixa de pandora!
Meu caro, o projecto de diluição da nação está, como a história o demonstra, votado ao fracasso e destinado à tragédia, no caso à farsa.
Nações históricas que sobreviveram à tentativa de destituição e diluição são um sem número. Há-as que ainda hoje lutam pelo seu reconhecimento.
A intolerancia boa à intolerância má é uma coisa muita gira. Quando, caro Pedro, esses radicais do sangue e terra tomarem o poder, e podem acabar por tomar-lo, vão recorrer às mesmas técnicas de criminalização dos detratores que os progressistas clamam por actualmente. Assim que as peças de artilharia lá sejam colocadas elas aproveitam sempre ao incumbente de turno!!
E quem se admirará, então!? É muito fácil construir uma narrativa de vitimização e de apontar a torpitude a determinados personagens!!
E note que que essa novilíngua expressiva adversarial e de combate sempre esteve presente entre nós, ainda hoje é mui habitual na Assembleia da República entre determinados parlamentares. (Os ricos, capitalistas que exploram os trabalhadores, os senhorios que exploram os pobres inquilinos, os privilégios dos heterossexuais brancos, a opressão da igreja e dos valores tradicionais, o imperialismo do ocidente e o neocolonialismo....os proprietários florestais que plantam eucaliptos...e mais e muito mais)
Um bem haja,
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De Pedro a 31.10.2018 às 16:16

Justiniano, primeiro sozinhos. Depois a família. Depois a tribo e o clã. Finalmente a cidade. Depois o Reino. Posteriormente a Nação. A seguir o Império. O mercantilismo. Depois o mercado livre. Surgem os movimentos emancipatórios, como reconhecimento de uma identidade comum. De uma dignidade humana comum. Vêem então as instituições supranacionais que visam mitigar os desarranjos arcaicos de fronteira -os ódios primatas de bando.

O sentido histórico, o progresso histórico, têm reforçado o aumento das fronteiras do grupo a que pertencemos. Cada vez são mais os outros que reconhecemos como iguais - todos sonham, todos sofrem. E oxalá um dia ninguém fique de fora por ser diferente.

Justiniano, quando saio para fora da nação histórica sinto -me em casa. Pois a minha nação é o horizonte. É aquilo que vejo quando olho para cima. Para um mar comum, ou um bosque virgem. Na bandeira vejo um trapo. Mas é de noite, que sei onde fico.
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De António Maria Lamas a 30.10.2018 às 11:01

Mas parece que a RTP ainda não percebeu.
Ontem passava em rodapé esta pérola:
" Votos brancos e nulos, abstenção e votos contra Bolsonaro, somam perto de 87 milhões"
Esqueceu-se de aplicar a mesma lógica ao Haddad que daria mais 100 milhões, já para não falar cá por casa quantos portugueses estão contra o Costa.
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 12:08

Ontem, na RTP 3, assisti a um "debate" pós-eleitoral. Com dois fervorosos militantes anti-Bolsonaro.
Um dos participantes nesse falso debate apontava a culpa ao passado colonial - na enésima sessão de autoflagelação ditada pela correcção política. Ou seja, Bolsonaro só foi eleito devido à "escravatura" e ao "colonialismo".
Outro antevia já Bolsonaro a "armar proprietários do agro-negócio com pistolas" para alvejar o povo.

Ouvia isto e questionava-me se este catecismo travestido de "debate" se enquadrará na missão de serviço público da televisão que todos pagamos.
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De Pedro a 31.10.2018 às 08:31

Melhor foi o Expresso da Meia Noite (só vi ontem)
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De Anónimo a 30.10.2018 às 11:20

É isso.
Por cá, a malta prefere relevar a ameaça da ditadura, da perda de liberdade.
Esquecendo que a grande maioria do povo brasileiro, infelizmente, não tem liberdade nenhuma para perder.
Não há qualquer liberdade sem meios para a exercer.
A única liberdade que resta, por exemplo, às pessoas das favelas é a da criminalidade.
Triste liberdade.
Chocante!
João de Brito
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 12:10

Num país onde uma pessoa é assassinada a cada nove minutos, este é um poderoso (e dramático) ingrediente para a formação de opções de voto.
E no entanto esteve quase ausente de todas as doutas "análises" que se foram produzindo ao longo destes meses pelos tudólogos instalados nas pantalhas cá do torrão.
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De Pedro a 30.10.2018 às 12:57

Pedro, se Bolsonaro cumprir o prometido irão morrer uma pessoa por minuto. Se morerrem inocentes é, como o próprio já disse...coisas que acontecem. Quem votou em Bolsonaro deveria ser capaz de entender o básico .

https://youtu.be/PGTtIGmOY24
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 13:55

Pedro, esse é o discurso dos catequistas que andaram durante meses a fazer a pregação antidemoníaca. Decalcando em tudo o comportamento das velhas madres superioras dos conventos.
Não por acaso, houve até retrato de grupo em São Bento, com algumas das herdeiras espirituais dessas madres. Não por acaso porque São Bento foi mosteiro e convento antes de ser a Assembleia da República...

Deixando a pregação de lado, a realidade é esta: hoje, de nove em nove minutos, é assassinada uma pessoa no Brasil. Nove em cada dez destes assassínios ficam por punir.

Enquanto alguns se afadigam a procurar elaboradas "motivações ideológicas" para o voto, como se 58 milhões de brasileiros fossem de "extrema-direita" (ou "burros", como se apressou a dizer um imbecil anónimo que por vezes comenta no DELITO), este é um dado que contribui para explicar o que lá se passa.

No Brasil existem hoje 30 vezes mais crimes violentos do que na média dos países europeus, excluindo a Rússia.
O facto de as principais vítimas destes crimes serem gente do povo mais humilde não devia servir de atenuante nas elaboradíssimas teses justificativas do alegado "voto fascista" elaboradas neste lado do Atlântico.
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De Pedro a 30.10.2018 às 14:38

Não acredito que a violência se combata armando o povo. Aumentar o número de armas, combater a violência com violência apenas gerará mais violência àquela que já existe.

"Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil, começando com o FHC, não deixar para fora não, matando! Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente." (1999)

É isto lógico! ? É insano....
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De Justiniano a 30.10.2018 às 14:54

Pedro, e dos inocentes que morrem actualmente, a cada 9 minutos. Note que os números se referem aos homicídios dolosos (excluídos os negligentes). Já nem falando do restante catálogo jurídico-penal.
Imaginará, o caro Pedro, as consequências políticas que, entre nós em Portugal, teria o triplicar do número de homicídios dolosos!? Note que, mesmo triplicando, estaria a anos luz dos números relativos do Brasil!
Posso adiantar-lhe, pelo que conheço dos meus compatriotas, que a CRP(Constituição) não sobreviveria ao triplicar!!
É desta natureza de fenómenos que estamos a falar quando tentamos dar lições de moral aos outros!!
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De Pedro a 30.10.2018 às 17:00

Justiniano não sou político nem especialista. Concordo que o Brasil tem um grave problema de (in)segurança. Discordo da argumentação e da estratégia defendida pelos Bolsonaristas. Parece-me mais que Bolsonaro está interessado numa vingança classista e política e não na segurança.
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De Pedro a 30.10.2018 às 17:07

Justiniano se a ideia de justiça passasse a ser matar a torto e a direito, como nas Filipinas, ou me suicidava, ou emigrava….
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 23:48

As Filipinas são hoje um exemplo típico do populismo mais desbragado e cavernícola, embora sufragado pelo voto popular. Trump, por exemplo, é um estadista modelar comparado com Duterte.
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De Justiniano a 31.10.2018 às 08:57

Meu caro Pedro, é canto!!
À séria! Se entre nós se generalizassem fenómenos de violência e delinquência do triplo relativo aos números actuais, ainda assim um átomo dos números do Brasil, posso garantir-lhe que, rapidamente, encontraríamos o nosso Bolsonaro.
A linguagem não seria, necessariamente, a mesma, mas o propósito político seria precisamente o mesmo!!
Há quem, ainda que chova, continue a obedecer à máxima do Zizek. Que interessa a realidade quando temos uma teoria interessante!!
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De Maria Dulce Fernandes a 30.10.2018 às 12:52

Plenamente de acordo, Pedro.
Foi isso mesmo o que se passou e ainda passa, contado na primeira pessoa pela minha família no Rio de Janeiro : "Não houve histórias com gente dentro, apenas focos de propaganda política. "

O Brasil grita mudança radical e isto fica perdido na tradução que passa pelo crivo dos média.

O Mecanismo é uma lição brutal sobre o Brasil actual. Aguardo nova temporada.
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 14:08

Recomendo vivamente essa série a todos quantos ainda não a viram, Maria Dulce.
Infelizmente, esta ficção reflecte muito melhor a realidade brasileira do que a esmagadora maioria dos relatos jornalísticos, que confundiram militância política com reportagem séria.
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De Pedro a 30.10.2018 às 14:40

É questão não é a urgência de resolver o problema do Brasil. É se a estratégia de Bolsonaro é a indicada.

"Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil, começando com o FHC, não deixar para fora não, matando! Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente." (1999)

Tem isto alguma lógica?
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 21:45

Interessa-me pouco analisar frases do século passado, eventualmente retiradas do contexto.
Teria muito mais interesse ouvir o que ele disse ao longo deste ano eleitoral. Infelizmente, salvo erro, nem um só órgão de informação português tomou a iniciativa de entrevistá-lo.
É também nisto que penso ao aludir à derrota do jornalismo.
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De Sarin a 30.10.2018 às 23:36

Mas perante a possibilidade de debate a dois com Haddad, Bolsonaro demonstrou não estar interessado. No caso, terá sido uma boa estratégia, esta de evitar ser confrontado com questões incómodas.


A produção de notícias e artigos de opinião foi prolixa e apaixonada, fruto da confusão que muitos formados em jornalismo fazem entre informação e opinião e talvez também da indiferenciação na leitura por quem os leu; mas não me parece que os dados tenham sido omitidos. Soterrados entre opiniões e interpretações, sim, concordo.

Já sobre as leituras sobre votos no fascismo, discordo: as pessoas votaram no único candidato que, sendo quase desconhecido porque inactivo, não estava contaminado por proximidade. Que Bolsonaro é fascista, não tenho dúvida - mas até os candidatos ao senado que integram a sua base de apoio dizem em entrevista frases como "ele não pensa isso, apenas não sabe se exprimir" ou "isso é só frase de campanha, ele não deseja fazer isso"... ouvido numa entrevista na TSF, lido na BC e na Globo, visto em entrevistas de rua. A maioria não votou nas políticas de Bolsonaro, votou primeiro no corte total com o PT e depois na promessa de segurança nas ruas. O resto não os ouvi mencionar, aos seus votantes.
Aguardo, com a esperança de que a segurança prometida lhes não apresente uma factura mais alta do que a que já pagam.

E com a esperança de que o jornalismo se reencontre. Já vai ficando tarde para voltar a ser um dos pilares da democracia, para recuperar dessa coisa amorfa que se alimenta de sangue e vómito.
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De Pedro a 31.10.2018 às 08:35

Sarin não o vejo como fascista - não tem um corpo paramilitar e não advoga um política de expansão agressiva territorial. Julgo que é mais um proto-ditador
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De Sarin a 31.10.2018 às 10:51

Nem só de expansionismo vive o fascismo, Pedro.
Ouviste as notícias das retiradas das faixas nas universidades? Foi a polícia, sem ordem de tribunais. Se isto não é um corpo paramilitar às ordens, disfarçam muito bem.
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De Pedro a 31.10.2018 às 12:56

No Estado Novo tinhas as mesmas coisas, e não era um regime fascista.

No fascismo tens uma glorificação pelo passado, mítico, da virtude de caserna, militarista, com guarda pretoriana ao líder, teorias de raça pseudocientíficas, uma ideologia anticapitalista e anti burguesa, anti-financeirista (ligadas à glorificação da passado mítico - ariano, romano, etc)….isso não existe no discurso de Bolsonaro...ele é mais um Savonarola.
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De Sarin a 31.10.2018 às 16:09

Teorias de raças pseudocientíficas? Ok, Primo de Rivera e Franco não partilhavam essa teoria... não eram fascistas?

Teorias anticapitaistas - discordo abertamente! Teorias capitalistas, sim, mas um capital centralizado, nada liberalizado.


Tirando a teoria da raça (pretalhada não é sequer raça, segundo parece por alguns seus discursos antigos), encontras tudo em Bolsonaro. O passado mítico começa logo na glorificação do Regime Militar que não foi Ditadura, segue-se a guarda pretoriana infiltrada na polícia que age ao arrepio de tribunais, continuas pelas virtudes da caserna que o capitão sempre enalteceu, e segues por aí fora - a necessidade da força, os inimigos internos e externos e as conspirações, a repressão da sexualidade, o discurso limitado a chavões, a intolerância às ideias críticas, o messianismo.... caramba, está lá tudo, Pedro!
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De Desconhecido Alfacinha a 30.10.2018 às 15:42

"O "Lulinha paz e amor", que tirou da miséria 20 milhões de brasileiros durante o primeiro mandato, na sequência das medidas iniciadas por Fernando Henrique Cardoso, prevaleceu nos relatos que nos foram chegando."

Apenas para relevar que só no ano passado segundo estatísticas da Fundação Getúlio Vargas aos 20 milhões acima infelizmente retiraram-se em regresso à condição miserável anterior cerca de 6 milhões de Brasileiros.

Tudo o resto é um revisitar da surpresa dos media nacionais no pós Trump: Mas isso o Luís Naves esclarece perfeitamente em Post acima.

Forte abraço,
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 21:43

Infelizmente a prosperidade - mesmo quando incipiente, o que ocorre quando as pessoas saem da miséria - nunca está garantida, como uma espécie de estrada sem retorno.
Os brasileiros sabem isso muito bem. Nós também devíamos saber, mas andamos muito esquecidos.
Forte abraço, meu caro.
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De singularis alentejanus a 30.10.2018 às 16:55

Os brasileiros disseram: antes "fascismo" que social-fascismo. Tão simples quanto isso.
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De Pedro Correia a 30.10.2018 às 21:38

Fiquei a saber, desde ontem, que no Brasil existem 58 milhões de "fascistas".
Nunca o Mussolini imaginou ter tantos seguidores.
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De Desconhecido Alfacinha a 31.10.2018 às 08:39

Sim e fora de Itália. Deve ser do cansaço, perdão, da Emigração...

Arriba Franco,
Mas alto que Carrero Blanco!
:-P

PS: Aposto que, consequentemente a este Post, vão aterrar aqui aviões carrregadinhos de Anti-Fascistas que ignoram a historia - politica e social - recente espanhola subjacente à citação supra. (Olá Diogo, óbvio que está fora de tal conjunto!)
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De Pedro Correia a 31.10.2018 às 19:21

Não me admirava nada que a brigada dos bons costumes aparecesse aí...

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