A culpa, pois, é dos jornalistas
Uma professora universitária de Ciências da Comunicação, num debate televisivo a propósito da detenção de José Sócrates, defendeu que o direito à informação deve submeter-se ao "segredo de justiça", como se ambos estivessem situados em idêntico patamar constitucional. E fez reiteradas críticas aos órgãos de informação que, a seu ver, "violaram o segredo de justiça".
No dia em que um antigo chefe do Governo era pela primeira vez detido em Portugal por alegados crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada, falsificação de documento e branqueamento de capitais, a eminentíssima senhora não achou nada melhor para sublinhar do que apontar o dedo acusador aos profissionais da comunicação social.
Interrogo-me que jornalismo será produzido futuramente pelos alunos de tão ilustre defensora da vulnerabilização do direito à informação. Muito provavelmente será um "jornalismo" de comunicados oficiais, devidamente afeiçoado aos mecanismos da auto-censura para gáudio do poder político, tenha a tonalidade que tiver. Com caução "científica", ainda por cima.

