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A cruzada

por Rui Rocha, em 03.05.15

Escrevia Savater, a propósito da tragédia do Charlie Hebdo, que as crenças religiosas são como feras: muitas vezes esteticamente atraentes, mas terríveis devoradoras de homens. Em consequência, como feras que são, só podemos permitir que se passeiem nas ruas da civilização depois de domesticadas. E, continuava, se quase conseguimos domesticar o cristianismo, o islamismo continua em estado perigosamente selvagem. Desde que li o artigo, um poderoso elogio do laicismo como pedra basilar da democracia, há uma questão que me acompanha: a nossa civilização, chamemos-lhe ocidental à falta de melhor, é o resultado da domesticação do cristianismo ou foi o cristianismo que contribuiu de forma decisiva para sermos o que somos? Percebo que existe um argumentário viável para cada uma das opções. E que, à boa maneira das ciências sociais, existe sempre espaço especulativo para a tese, para a antítese e para a síntese. Mas há coisas que me fazem pender para um dos lados. Quando uma criança de 12 anos é violentada pelo seu padrasto e engravida, devíamos ser capazes de tomar tempo, de pensar, de reconhecer que há questões sem solução evidente, de admitir que ficamos divididos no nosso íntimo, que há encruzilhadas tão fodidas na vida que é impossível não hesitar, não duvidar, não andar em círculos, em que não há texto a publicar, ou que não se pode publicar texto sem esgotar os pontos de interrogação. E devíamos saber que qualquer decisão será sempre uma má decisão, porque nestes casos não há decisões boas. É por isso extraordinário que um padreca se aproveite do drama de uma criança, dessa criança, para fazer demagogia, comparando o incomparável, instrumentalizando a informação à luz dos seus interesses, chafurdando na desgraça, para dar cumprimento à sua cruzada político-religiosa. Sou assim levado de regresso às conclusões de Savater. Os ratos de sacristia são feras quase domesticadas. Por isso, é na sacristia que devem continuar.

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22 comentários

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De cheia a 03.05.2015 às 16:34

Religiões? Causam-me aflições. As estradas estão pejadas de peregrinos, mas à memória só me vem o sacrifício dos pastorinhos: dois condenados à morte e aoutra a prisão perpétua.
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De Rui Rocha a 03.05.2015 às 17:51

Não é para menos.
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De Paulo Sousa a 03.05.2015 às 17:03

Concordo que é uma questão que não permite respostas definitivas sem vacilar. Fico sim admirado com a admiração causada por a Igreja defender o mesmo de sempre.
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De Rui Rocha a 03.05.2015 às 17:51

A piada é fácil, Paulo. Mas não resisto. A Igreja não defende o mesmo de sempre. Agora já não manda ninguém para a fogueira.
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De Paulo Sousa a 03.05.2015 às 22:14

É piada fácil sim senhor, quase fácil demais para as cócegas na inteligência muito mais refinadas a que o Rui nos habitou.
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De campus a 04.05.2015 às 17:29

A Igreja ? ou os homens ? Cristo ensinava e recomendava a fogueira ? Cristo permitia a pedofilia ? Cristo apelava à guerra ? Rui está a fazer confusão na religião. Concordo consigo, " foi o cristianismo que contribuiu de forma decisiva para sermos o que somos " e vivermos em democracia e tolerância, ainda não perfeita mas a melhor.
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De Teresa Ribeiro a 03.05.2015 às 17:26

Aos 12 anos trata-se de uma criança, mas não por acaso o padre em questão chamou-lhe adolescente. Como ao feto chamou criança. É a desonestidade intelectual de sempre quando se entregam à discussão de uma questão que o Estado laico já decidiu e bem, graças a Deus.
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De Rui Rocha a 03.05.2015 às 17:49

Não acrescento uma vírgula ao teu comentário, Teresa. Amen.
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De Anónimo a 03.05.2015 às 17:52

Teresa Ribeiro.

Subscrevo...
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De lucklucky a 03.05.2015 às 18:58

"o Estado laico"

O Estado laico não decidiu nada, a laicidade não define quando começa a vida.
Foram os costumes do Estado Socialista -outra religião - que no Séc.XX matou milhões -muito mais que a fogueira- eugenisou outros milhões desde a Califórnia à Suécia, porque se arroga de extraordinário poder sobre as pessoas.

O feto é criança, é obvio que a decisão menos má neste caso é ser ela a decidir uma vez que foi violentada.
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De Carlos Azevedo a 04.05.2015 às 00:54

E, dentro da mesma linha desonesta, o hospital é a «instituição sanitária», Teresa.
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De Teresa Ribeiro a 06.05.2015 às 11:50

Exactamente.
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De da Maia a 03.05.2015 às 18:45

Apesar de sabermos distinguir claramente entre o que é verde e o que é azul, há tons intermédios que escapam a essa noção comum. Uns podem achar que é azul esverdeado, e outros considerarem verde azulado.
Definir uma fronteira numérica não resolve o problema de percepção. Quanto mais não fosse por imbirração natural, uns insistiriam mais no verde e outros no azul.

Assim, uma das coisas sujeitas a discussão interminável é o momento em que o feto passa a ser visto como bebé, como criança, conforme notou muito bem a Teresa.
O valor legal permitido para o aborto em caso de violação são os 4 meses, e o padre queixa-se então da fronteira numérica, porque a gravidez já teria 5 meses.

Há depois outros aspectos polémicos, que têm a ver com a intromissão estatal no quadro familiar. Mais uma vez o assunto não é tão claro quanto se pretende. Uma violação com gravidez é sempre com uma adolescente, porque a fronteira, aí bem mais clara, entre "criança e adolescente" tem a ver justamente com a capacidade de gestação. Uma criança não tem capacidade de gestação.
Nesse caso, quer se feche os olhos, quer não, a natureza é cega e surda às nossas considerações sobre a maturidade da mãe adolescente. O corpo teve maturidade para gerar um filho, e por isso é sobranceria social recusar essa maturidade natural. Assim, qualquer decisão estatal que vá contra a decisão própria dessa mãe adolescente será uma outra violação da sua responsabilidade natural.

Na nossa sociedade há demasiada gente com vontade de decidir sobre a vida alheia, julgando que sabe tudo, quando pouco mais sabe que nada.
No quadro médico, isso então abunda em excesso.
Podemos não ligar, até ao momento que nos toca. Se tiver um parecer médico que obriga uma criança a determinado tratamento, e se os pais questionam, sujeitam-se a ficar sem a guarda da criança, como aconteceu recentemente.

Ora, por experiência própria, conheço o grau de obtusidade e presunção de certa gente burra que se arroga esperta. Por isso, o que há a fazer, ainda quando possível, é retirar a criança de mãos alheias. Se não tivesse feito isso atempadamente, em vez de ter filhos saudáveis, ainda andaria no caminho de centros de investigação, em tratamentos experimentais, interessados também no seu sucesso profissional.
Aí, é preciso impor voz paternal forte, porque as mães são muito mais susceptíveis a influências de pseudo-especialistas, paridos num galinheiro de ideias feitas.

E umas vezes tem-se razão, outras pode ser que não. Mas como estes assuntos estão longe de ser claros como água, é saudável colocar todos os fundamentalismos de lado.
Mesmo que sejam fundamentalismos contra os fundamentalistas.
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De Justiniano a 04.05.2015 às 11:46

Apenas para secundar o caríssimo da Maia. Enaltecer-lhe, e agradecer-lhe, a habitual prudência!!
Uma tragédia!! Tragédias, ante as quais me quedo, verdadeiramente, consternado!! O mínimo que se nos pode ser exigido, como criaturas de apelo ético, é o de saber ler uma tragédia, lá onde esta ocorrer e sempre que ocorrer!!
O escriba, Rui Rocha, leu uma tragédia! O Padre Portocarrero, por seu lado, leu duas!!
É da natureza da tragédia ser anunciada pelo malho da bigorna dos deuses e advertida por limalha em brasa. Tanto o anúncio como a advertência podem escapar aos menos sensíveis como, por outra natureza, àqueles que cuidam, por vontade, em desafiar as leis dos deuses!!
Os sensíveis, avisados, reduzem o que ouvem a escrito, em letras de luz!! Entre os homens, do que se consegue ler, une-se, por linhas, num livro singular! Esse livro, que reúne, também, numa mesma língua, todas as espécies de castigos permitidos ao homem sobre outros homens, oferece-nos algumas luzes sobre como ler estas tragédias!!
Um bem haja,
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De da Maia a 04.05.2015 às 15:31

Obrigado também pelas sábias palavras, caro Justiniano.

Com efeito, esta tragédia é ilustrativa de um problema de limites, mais geral.
Uma perspectiva aparentemente fácil é definir uma fronteira, separar o normal do anormal, e isolar a anormalidade, para que não contagie.
A hegemonia religiosa da pseudo-ciência instalada tenta resolver assim as coisas, habitualmente com estatísticas que ilustram um paleio rasteiro que muda com o vento, mas que a cada momento é pretendido sólido como o aço.
Ora, a ambiguidade de fronteiras é um teste de humildade, onde chumba a cegueira de um pretensiosismo científico sem limites.

Do que percebo, uma criança conseguiu viver num ambiente despótico, onde provavelmente via o abusador como um deus. Viu agora o colapso abrupto desse mundo ser decretado por novos deuses que depuseram o anterior. O destino do seu corpo parece ter sido decidido sempre sem que a sua opinião importasse.
Apesar de frequentar a escola e ter tido o estofo psicológico de conjugar dois mundos em colisão, foi considerada inapta para decidir.
Alguém, que provavelmente conhecerá o que é conjugar a vivência em duas realidades de algum livro que leu, arrogou-se em decidir por ela.
Onde termina essa responsabilidade?

Não tenho grandes dúvidas de que o "superior interesse da criança" foi acautelado com o parecer da "melhor certeza dada pela comunidade científica", o que serve para tirar a responsabilidade legal ao decisor.
Porém essa frase típica é um eufemismo para "certeza nenhuma", especialmente em matérias como a psicologia, que ab initio careceram de avaliação psicológica dos psicólogos.

Cumprimentos,
da Maia
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De Teresa Ribeiro a 06.05.2015 às 12:20

"Uma violação, com gravidez, é sempre com uma adolescente" - não é bem assim da Maia. Estabeleceu-se doze anos como o términus da infância em função do desenvolvimento fisiológico e mental mediano registado nessa idade. Não se pode separar maturidade física de maturidade mental. Note que há meninas que aos nove anos já menstruam, o que as habilita a engravidar - não sem grandes riscos, pois apesar de ovularem não têm o seu aparelho reprodutor suficientemente maduro para suportar uma gravidez. Por outro lado também existem meninas que começam a menstruar muito tarde, com dezasseis e até dezassete anos. Consideramos essas jovens crianças? Claro que não.
Quanto à família não ser chamada a decidir neste caso parece-me que é o mais correcto, uma vez que - segundo o que percebi da leitura das notícias - a menina era abusada pelo padrasto com o conhecimento da mãe.
Por fim, a questão da "responsabilidade natural": num caso de violação falar de "responsabilidades natural" da vítima é em si mesmo um abuso. Sendo esta uma criança não me choca que na ausência de uma tutela familiar responsável se recorra a especialistas com experiência no acompanhamento de gravidezes precoces para decidir o que fazer naquele caso específico.
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De da Maia a 06.05.2015 às 19:54

Compreendo, Teresa.
... mas "estabeleceu-se" é quem?
... e com que direito, um direito acima da Natureza?

Normalmente quem invoca direitos acima da Natureza, invoca razões religiosas, divinas.

A estatística enquanto parte matemática é rigorosa, mas quando transportada para outros campos redunda quase sempre em especulação leviana.
Assim, estabelecer-se um número pode ajudar em macro-decisões, mas uma "verdade estatística" nunca se pode substituir à verdade, caso a caso.

A maturidade física é objectiva, e decidida pela natureza do corpo. A gravidez pode falhar em muitas idades, e a noção de "normalidade" é sempre estatística.

Seria de uma enorme presunção pensar que somos nós que decidimos o que é "normal" na Natureza, quando não somos mais que um subproduto dela.
É presunção nossa considerar que há "anormalidades" na Natureza, quando não somos outra coisa senão uma das muitas "anormalidades" que a Natureza produziu, e que pode ser varrida do mapa num sopro do cosmos.

Há demasiada presunção científica, por ausência de epistemologia crítica.
Na ciência, o observador cientista coloca-se num "plano divinal", à parte do observado, e quer ignorar que nunca se pode desligar dele. Assim, descreve a Natureza como se a ela não pertencesse, nem fosse filho dela.

Há quem julgue que pode fazer o que quer da Natureza, e que esta obedece... Porém, a Natureza muda o resultado consoante a intenção do observador.
Parece estranho, por estar suprimido de maior divulgação popular, mas é aceite academicamente sem discussão:
http://odemaia.blogspot.pt/2014/07/duplo-corte.html

Quanto à "maturidade mental", é pior, pois será sempre uma mera convenção social.
Pressupõe avaliadores com "maturidade", e avaliados que se sujeitam a essa avaliação.

O facto de duas pessoas não se entenderem no mesmo registo, significa pouco.
Se me perder na Amazónia estou sujeito às convenções da tribo que me acolher, e é natural que considerem algumas atitudes minhas imaturas ou insanas... isto claro, admitindo que não iria para o menú.

Assim, o problema com os avaliadores de maturidade é que não passaram nenhum teste absoluto de maturidade, porque tal coisa não existe.
Quem se arrogar de ter essa capacidade de avaliação dos outros, sem manifestar dúvidas, é porque desde logo tem uma deformação mental grave, e precisaria de ser tratado, ou internado. Se tem dúvidas, nunca deve agir como se não as houvesse.

Eu votei favoralmente ao aborto, por decisão materna, nas primeiras 10 semanas.
A única razão foi o Elo Natural no binómio mãe-filho, e também a não existência de um cérebro formado no feto até essa data.

Era isso que estava escrito na pergunta em que votámos.
O que foi colocado ou interpretado a mais, é de responsabilidade moral de quem faz leis como quer, porque só uma opinião é que lhe interessa - a sua.
É assim também com os ditadores.
Juntas para decidir que alguém é imaturo, inapto, etc... podem formar-se às centenas, e decidir o que bem lhes aprouver, e até invocando o "superior interesse do executado".

Agora, eu não estou aqui a julgar os decisores, mas tenho fundadas dúvidas sobre o processo de decisão, e acho que todos deveriam ter, começando pelos próprios.
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De cristof a 03.05.2015 às 20:11

Para quando se argumenta com serenidade porque a lei não introduz a obrigatoriedade da escolha do credo só a partir da idade da razão (14?),?
Aconselho a que escutem as observações dum antigo ministro do Paquistão sobre o que cria tanto terrorrista no seu país: a pratica de inoculara desde os 3- 4anos o ensino da religiao nas madrassas.
Quando eu era criança tambem me introduziram na pratica da religião com 5 anos - um crime que hoje espero não se pratique.
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De Carlos Azevedo a 04.05.2015 às 00:50

Como escrevi no meu canto, «há situações difíceis em que não há a possibilidade de todos saírem a ganhar, ou até de alguém sair a ganhar; há apenas a necessidade de se acreditar que se optou pelo mal menor. Creio que esta é uma delas e a decisão está tomada. Agora, seria de bom senso guardar silêncio e permitir que, dentro do possível, esta criança de 12 anos siga a sua vida». Infelizmente, não me parece que os fanáticos estejam dispostos a não lhe dificultar mais a vida.
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De João Pedro a 05.05.2015 às 02:01

O assunto é sério é não pode ser despachado de ânimo leve. Posto isto (e esclareço desde já que sou um opositor ao aborto livre, da forma como a lei o permite em Portugal desde 2007, e que acho a sua banalização uma violência atroz), por muito que lhe desagrade o artigo de Portocarrero de Almada, ele tem o direito à opinião, como qualquer outra pessoa. Essa história dos padres "ficarem na sacristia" não é laicidade, nem sequer laicismo (são coisas diferentes): é jacobinismo, muito em voga por aqui entre 1890 e 1920, e que se recomenda pouco.
Que dizer, do lado contrário da barricada, de Isabel Moreira, que acha que não se deve aplicar a lei relativa à violação (16 semanas), mas sim a que se refere ao perigo físico e psíquico para a mulher (sem limite), e que mesmo que a criança queria dar à luz, deve ser impedida por um "representante legal", e caso este não aceda, pelo respectivo médico? Pelos vistos, o aborto aqui já nem é a pedido da mulher dentro do fronteira legal, mas sim dependente da vontade de Isabel Moreira.
E faço-lhes notar que estamos a falar de uma vida em formação, não exactamente de uma víscera nem de um apêndice se utilidade.
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De Teresa Ribeiro a 06.05.2015 às 12:37

Estamos também a falar de uma vida em formação quando falamos da menina de 12 anos, João.
Concordo com esta lei, acho que estabelece regras razoáveis, no sentido de equilibradas, justas. A maternidade marca profundamente uma mulher para o resto da vida. Mesmo quando desejada há um antes e um depois. A vida nunca mais será como antes. É irreversível.
Uma maternidade aos doze anos acaba abruptamente com a infância. Já é suficientemente mau quando é fruto de uma brincadeira irreflectida entre miúdos, mas em consequência de uma violação é tão destrutiva que desencorajá-la é um acto de humanidade.
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De João Pedro a 07.05.2015 às 00:35

Com certeza que com tal idade (e da forma sórdida com que aconteceu) será sempre algo de terrivelmente marcante. Mas poder-se-á acabar com aquela gravidez mesmo contra a atitude da rapariga (não esquecendo, claro, que ela tem 12 anos)? Poderá a simples opinião de um médico, ainda que não haja risco físico para ela, decidir só por si a favor de um aborto aos cinco meses? Quando comparo esta situação com a recente lei belga que permite eutanásia a pedido dos menores de idade, fico com a ideia de que é mais fácil interromper uma vida do que conservá-la. E tudo isso é terrivelmente angustiante. Numa sociedade onde a pena de morte é apenas uma má recordação do passado, e a média de idades cresce, parece-me que há algo de paradoxal que pretende contrariar esses reais avanços civilizacionais.

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