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A coisa está ficando preta

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.03.14

"Robert Pollin e Michael Ash são outros dois subscritores do manifesto. Estes dois nomes ganharam notoriedade no ano passado, quando detectaram erros de cálculos e no Excel de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, contrariando assim a tese dominante até então de que um elevado endividamento condenava uma economia a um crescimento lento. Reinhart e Rogoff inspiraram muitos dos que defenderam a austeridade e a redução da dívida como fórmula para superar a crise."

 

Poderão sempre acusá-los de oportunistas, free riders, socratistas, vendedores de ilusões, keynesianos ou, simplesmente, troca-tintas, a estes e aos outros que também lá estão, mas será mais difícil acusá-los de não saberem fazer contas, de andarem metidos no Freeport, nas PPP's ou de fazerem favores a troco de pratos de lentilhas.

A minha dúvida é se depois disto os membros da comissão de acompanhamento também o vão assinar, mas vou aguardar que José Gomes Ferreira e os nossos comentadores, que mudam de identidade de post para post e aqui dão lições de economia política e finanças públicas, e que é quem verdadeiramente sabe destas coisas e os conhece a todos de ginjeira, nos venha esclarecer sobre o sentido de tudo isto e quais as "negociatas" que estarão por trás de uma tomada de posição desta envergadura.


18 comentários

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De Mistério... a 20.03.2014 às 08:56

Não dá para entender como é que, tendo os subcsritores feito uma mera reflexão sobre um tema, com o especial cuidado de não ter posto o referido tema em nenhum jornal estrangeiro, estrangeiros tivessem tido ceonhecimento do mencionado tema. Será da globalização?
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De Hugo a 20.03.2014 às 08:59

Eu sugiro que convidem a Raquel Varela para assinar
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De Bisugo a 20.03.2014 às 16:13

Então e o Baptista da Silva?
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De João André a 20.03.2014 às 13:09

«José Gomes Ferreira e os nossos comentadores, que mudam de identidade de post para post»

Ao menos o famoso Miguel Abrantes usava um nome. Os nossos comentadores anónimos assinam com aquilo que lhes dá na veneta no momento. A bem dizer, nem me admirava que fossem os mesmos que andavam a fazer o mesmo tipo de trabalho a Sócrates. São profissionais da coisa, provavelmente vendem-se a quem estiver no poder no momento.
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De Acertou! a 20.03.2014 às 13:11

Vou daqui a nada a correr a Belém, Santana à Lapa e FMI receber o que me é devido pelo meu trabalho. Vai ser um dia em cheio.
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De Sérgio de Almeida Correia a 20.03.2014 às 15:48

Estava a ver que era só eu que dava pela coisa, João André. Já me sinto mais acompanhado.
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De Acertou! a 20.03.2014 às 16:04

Agora não posso responder, porque estou a caminho do FMI.
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De João André a 21.03.2014 às 08:11

Há muitas pessoas que o sabem Sérgio, mas nem sempre se nota quando falam. O ruído de fundo mascara essas contribuições. O que é o objectivo do exercício, claro.
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De sampy a 20.03.2014 às 13:32

Aí vai a minha tentativa de esclarecer o autor do post:

Há uma tese, apoiada por um determinado estudo (Reinhart e Rogoff), e que é tida como dominante, que afirma que um elevado endividamento condena uma economia a um crescimento lento.
Ou seja: que para uma economia ter um bom crescimento, é preciso reduzir drasticamente o elevado endividamento. O que se conseguirá por meio de: a) austeridade, e/ou b) restruturação da dívida.

Ora essa tese é contrariada por um outro estudo (Pollin e Ash), que demonstra que um elevado endividamento não condena uma economia a um crescimento lento.
Ou seja, que para uma economia ter um bom crescimento, não é preciso reduzir drasticamente o elevado endividamento. Pelo que não fará falta recorrer a: a) austeridade, ou/nem a b) restruturação da dívida.

Por fim, os autores do segundo estudo surgem a apoiar os que propõem a restruturação da nossa elevada dívida, para que seja compatível com a estratégia de crescimento da nossa economia.
Ou seja: os mesmos que demonstraram que pode haver um bom crescimento da economia com uma dívida elevada, apoiam os que defendem a restruturação da dívida como única forma de haver um bom crescimento da economia.
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De lucklucky a 20.03.2014 às 13:47

Sim não sabem fazer contas, não sabem o que foi o erro de Rogoff e Reinhart, nem sequer sabem o que Rogoff e Reinhart defendem.
Para elucidar os ignorantes Rogoff e Reinhart defendem um inflação moderada nos 4-5% para diminuir a dívida. Tal e qual um Keynesianismo moderado.

Mas com os tempos que correm o keynesianismo moderado deve se ter transformado em ultra neoliberalismo, tal como um Estado que imposta mais de 50% da economia é hoje um estado neoliberal porque não tem 10% de défice.
Para muito dos membros deste Blogue , Orwell encontraria um lugar na sua obra 1984.

E nem sequer estamos em austeridade.


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De amendes a 20.03.2014 às 14:51

Foi o "Tio Gaspar" que disse:

..." Em 1982 Dias Ferreira ( bisavô da Dr Manuela F. Leite) disse : - "Não pagamos/ ou qualquer no género/ " resultado: O ingleses obrigaram-nos a engolir o "orgulho" ... pagámos com língua de palmo até ao último centavo.

Pelo visto os genes do dito cujo passaram para a bisneta!
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 20.03.2014 às 19:36

A vida tem destas coisas: quem passou o últimos cheque para pagar o resto da divida da falência do final do sec XIX, foi o neto do ministro das finanças que queria pagar: Oliveira Martins quando era ministro das finanças do Guterres.
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De rmg a 20.03.2014 às 18:52


A coisa está a ficar particularmente preta porque quem encontrou as falhas foi um simples estudante de seu nome Thomas Herndon e não as "sumidades" que cavalgaram a onda , a história habitual .

De resto o texto original foi muito "útil" na última campanha presidencial americana .

Dar o seu a seu dono só fica bem ainda que neste caso o "dono" não tenha assinado nenhum papel .

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De lucklucky a 20.03.2014 às 22:22

"Robert Pollin e Michael Ash são outros dois subscritores do manifesto. Estes dois nomes ganharam notoriedade no ano passado, quando detectaram erros de cálculos e no Excel de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, contrariando assim a tese dominante até então de que um elevado endividamento condenava uma economia a um crescimento lento."*

Manifesto dos 70 que apoiam diz:
A elevada dívida Portuguesa põe em causa o crescimento...


* A conclusão do Publico não surpreendente é falsa, o erro não colocou em causa as conclusões. E até parece que todos concordam que a Dívida alta coloca em causa o crescimento embora dependa dos dias...


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De Miguel R a 20.03.2014 às 22:33

Pois a mim o que me interessa saber é o interesse do governo na existência desta discussão. Quanto ao resto podem fazer as reestruturações que quiserem (com as devidas consequências para os depositantes, o que me exclui) que isso nada altera, o mais importante é discutir o país que queremos, onde apostar que indústrias e sectores a desenvolver, como o fazer, estratégias, etc, etc, etc. Acho tudo isto uma discussão redonda, qualquer solução comporta dificuldades financeiras e a médio/longo prazo nada resolve. Vejamos mais além. Será que este país só teve com D. João I e descendentes próximos uma real estratégia para o País?
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De lucklucky a 21.03.2014 às 16:44

Ainda não saiu do tempo de Salazar, do mundo mercantilista das Descobertas e dos planos quinquenais Soviéticos.

Portugal não deve ter estratégia alguma. Os Portugueses é que devem ter as suas.

O mal de Portugal é precisamente esse os Portugueses quererem alguém que lhes diga o que fazer.
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De Miguel R a 22.03.2014 às 13:17

Por acaso tenho 25 anos, no máximo sou «filho» do Estado Novo. O problema fundamental é termos duas visões opostas de mundo. Eu não sou nada sem o outro e se é certo que devemos viver com liberdade dentro de uma comunidade, não deixamos de a viver, de lhe pertencer. Só sou o que sou em função disso, sem isso era um livre selvagem. Não o querendo ser e respeitando quem o queira, em resultado disso só posso comungar para que a sociedade a que eu pertenço seja capaz de desenvolver estratégias que permitam aos seus constituintes (e de acordo com os seus valores) poder desenvolver-se de forma sã. Quando falo em estratégias para o país não o vejo sobre a forma de um indivíduo particular, mas em forma de um grupo participativo.
Quanto à minha situação pessoal, eu tenho uma estratégia de vida, muita vezes não tenho a certeza dela, nem se ela se compara a que um Estado, em minha opinião, deve possuir. Podem-me dizer à vontade o que acham que eu devo fazer (como o lucklucky), tendo em conta aquilo que sou (a soma diferenciada de muitos outros) eu actuarei conforme achar melhor. Acima de tudo tenho princípios e um deles é procurar coisas (profissão, amor, família...) que me realizem. A descoberta é algo de fenomenal, a cumplicidade (como comunhão) não lhe fica atrás. Como de costume, hoje de manhã, fui correr para Monsanto. Tive tudo isso, à minha maneira.
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De lucklucky a 21.03.2014 às 00:32

Via Blasfémias

"In some cases, we have favored more radical proposals, including debt restructuring (a polite term for partial default) of public and private debts. Such restructurings helped deal with the debt buildup during World War I and the Depression. We have long favored write-downs of sovereign debt and senior bank debt in the European periphery (Greece, Portugal, Ireland, Spain) to unlock growth."

Quem escreveu isto?

Carmen M. Reinhart is a professor of the international financial system, and Kenneth S. Rogoff is a professor of public policy and economics, both at Harvard.

http://www.nytimes.com/2013/04/26/opinion/debt-growth-and-the-austerity-debate.html?_r=0

Não se espere a verdade no jornalismo português de Esquerda. Varia conforme as conveniências.
Rogoff e Reinhard foram colocados pela esquerda jornalista no Pelourinho -apesar de serem Keynesianos moderados -porque disseram que a dívida muito alta colocava em causa o crescimento quando a esquerda não queria cortes, queria défices e dívida crescer.

Como habitualmente à esquerda, tudo e o seu contrário é possível e agora chegou a vez de dizer que a dívida é insustentável quando antes diziam o contrário.
Desta vez concordam com Rogoff e Reinhard.
Mas claro a verdade não pode vir ao de cima, é preciso um estudo "neoliberal" defensor da "austeridade" com erros para ter onde bater.

Mas é tudo encenação da esquerda e dos jornalismo conivente.

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