A Casa (4)
Procurei obter o que me era pedido, e fui sendo servido, ainda que com dúvidas, confusões e sugestões.
A 23 dirigi-me a todos. Agora já os endereços não tinham falhas e impus-me a obrigação de não dar um passo que me parecesse de interesse comum sem dele dar conhecimento. É o bom que tem o e-mail, nem sei como é que dantes as pessoas se desenrascavam. Por esta altura já havia também quem se me dirigisse por WhatsApp. Só não fiz um desses grupos com imagem e som porque a tecnologia ainda não permite distribuir cerveja e salgadinhos. Assim:
Boa tarde.
Encontrei-me hoje com a solicitadora, que me disse que para prosseguir com o assunto precisa do documento de habilitação dos sobrinhos à herança da tia F, que talvez tenha sido feita ou não.
Da extensa documentação que me disponibilizou a C não consta.
De modo que telefonei à DA, que detém as chaves da casa e se prontificou a ir comigo ver uns documentos que há por lá – talvez exista esse. No próximo Sábado porque nem hoje nem amanhã poderia, dado estar a trabalhar.
Se a habilitação não tiver sido feita será necessário fazê-la. Não é impossível, mas dará uma trabalheira só para coligir a papelada necessária.
Um abraço ecuménico.
Zé.
A um primo que vive no Brasil (há um sobrinho que vive no Canadá e o Estado Português é mais exigente com a papelada destes expatriados do que, creio, com a dos imigrantes), inexcedível de atenção e boa-vontade, respondi assim, na sequência da reacção ao e-mail que figura acima:
Se fosse a ti não fazia, para já, nada. Quanto menos pontas soltas houver, nesta altura, melhor, o processo já é uma terrível confusão. O critério que estou a seguir é não alimentar excessivamente conversas, salvo as que forem estritamente necessárias e para o que for imprescindível, e ir dando à solicitadora tudo o que ela pede, a ver se levo a empresa a bom porto. De resto, o testamento é perfeitamente claro sobre o recheio da casa e a(s) conta(s) bancárias, nem percebo por que razão a solicitadora acha necessário trazer isso à colação. Enfim.
Um abraço.
Zé.
(Lendo este arrazoado no recesso familiar porque ninguém põe o pé fora da porta, tal o calor, foi-me dito: Não paras de empalear, isso parece um filme em tempo real. É o que temos, foi o que respondi.)

