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A caminho do 26J (IV) – última sondagem

por Diogo Noivo, em 09.06.16

encuestaCIS_ElPais.jpg

 

Imagem El País

O Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS), um organismo público e independente cuja função é o estudo científico da sociedade espanhola, publicou hoje uma sondagem sobre as próximas eleições de 26 de Junho. Tal como as demais sondagens, afirma que a coligação Unidos Podemos ultrapassa os socialistas do PSOE, tornando-se desta forma a segunda força política mais votada. O PSOE é então remetido para o difícil – e, no caso, vexatório – lugar de kingmaker. Feitas as contas, e tendo presente que a maioria absoluta se obtém com 176 deputados, o PSOE ver-se-á forçado a escolher entre Mariano Rajoy (PP) e Pablo Iglesias (Unidos Podemos). Se este estudo do CIS se confirmar nas urnas, um dos dois será o próximo Presidente de Governo.


12 comentários

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De Luís Lavoura a 09.06.2016 às 15:32

O que sobressai da sondagem é que os resultados serão essencialmente semelhantes aos de dezembro de 2015. A dificuldade em formar governo permanecerá inalterada. A Espanha terá ficado seis meses sem governo para nada.

É claro que agora será mais fácil formar governo, mas isso não se deverá aos resultados eleitorais, dever-se-á apenas a os partidos perceberem finalmente que vão mesmo ter que se entender.
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De Diogo Noivo a 09.06.2016 às 16:09

Não, não foi para nada e tão pouco creio que os resultados sejam semelhantes. Ter o Unidos Podemos como segunda força política mais votada constitui uma mudança profunda no sistema de partidos, que vai muito além do fim do bipartidarismo. Coisa diferente é saber se essa mudança é positiva.
Quanto à dificuldade em formar governo, de facto, não há maiorias absolutas óbvias, mas PSOE e Ciudadanos já afirmaram que não haverá uma terceira ronda eleitoral.
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De Luís Lavoura a 09.06.2016 às 16:18

Ter o Unidos Podemos como segunda força política mais votada constitui uma mudança profunda no sistema de partidos

Permito-me discordar. O facto de um qualquer partido ser primeiro, ou segundo, ou terceiro é irrelevante. O que conta é a (in)capacidade que esse partido terá de transformar o seu número de deputados (pequeno ou grande) numa força capaz de influenciar a governação do país.

O exemplo de Portugal é evidente: o PSD ficou em primeiro, mas não influencia a governação do país. Da mesma forma, o Unidos Podemos pode ficar em segundo, mas talvez nem por isso influencie a governação de Espanha.
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De Luís Lavoura a 09.06.2016 às 15:34

O PSOE é então remetido para o difícil lugar de kingmaker.

É um lugar extremamente confortável e agradável. Veja-se o PS português depois das últimas eleições, era o kingmaker (tanto se podia aliar ao PSD como ao BE e ao PCP), e veja-se como isso foi bom para ele.

O kingmaker é o partido com mais liberdade e, até, mais poder de todos.
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De Diogo Noivo a 09.06.2016 às 16:17

Não, não é confortável nem agradável. O PSOE é há 40 anos um partido de governo. A avaliar por estes resultados, é agora expropriado dessa condição – por força do voto, e não como consequência de habilidades no parlamento. Isto é, terá que escolher entre o seu rival tradicional e o seu novo rival, que o ultrapassou pela esquerda, sabendo que não poderá chefiar o Executivo. Para um partido de governo, essencial no processo de transição democrática, encontrar-se nesta situação deve ser tudo menos confortável, agradável ou razão para contentamento.

Quanto ao PS, apesar do enxovalho eleitoral que levou nas últimas legislativas (mais significativo se tivermos presente os 4 anos de austeridade que antecederam o acto eleitoral), continuou como segundo partido mais votado.
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De Luís Lavoura a 09.06.2016 às 16:36

O PSOE é há 40 anos um partido de governo. A avaliar por estes resultados, é agora expropriado dessa condição

Parece-me que o Diogo continua a analisar a política em termos (em minha opinião) ultrapassados, antiquados, de "partidos de governo" versus outros partidos.

Atualmente em Espanha há quatro "partidos de governo", no sentido em que qualquer deles pode ser muito importante para a formação de um governo, mas, ao mesmo tempo, não há "partidos de governo" nenhuns, na medida em que nenhum deles é fundamental para formar governo nem tem automaticamente direito a nomear o primeiro-ministro.

Neste meu ponto de vista, o PSOE deixou de facto de ser um "partido de governo", mas o PP também deixou de o ser. E deixaram de o ser nas eleições de dezembro de 2015, não é nas de junho de 2016 que deixarão de o ser. Estas eleições, como eu digo, não mudarão fundamentalmente nada - a mudança fundamental foi operada nas de dezembro de 2015.
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De Diogo Noivo a 09.06.2016 às 16:43

Citando a minha camarada Ana Vidal numa resposta a um comentário aqui ao lado, "Nem sei bem o que lhe responda, francamente".
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De T a 10.06.2016 às 11:06

"ultrapassados, antiquados, de "partidos de governo" versus outros partidos."

É o fim da história, já gritava o outro.
Tudo o que diz caro sonhador, é real até o dinheiro acabar ou o povo iludido chocar com a realidade. Depois os Syrizas da vida, os BE, Podemos e outros que tal têm o mesmo destino de quem se aproxima do poder e desilude. É que quem vota nesses partidos está demasiado enganado e iludido sobre o a realidade e o mundo, e julga que é com revoluções, punhos erguidos e dedos apontados que vai alterar o que quer que seja - até porque para estes os culpados são sempre os outros. Não temos de ser derrotistas, temos é de encarar a realidade, viver com ela e moderadamente evoluir para um futuro melhor. Não me parece que votando no Pablo a vaca passe a voar.
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De Nuno a 10.06.2016 às 07:40

Kingmaker é quem escolhe o rei sem poder ele próprio chegar ao trono. É o caso do PSOE, não é o caso do PS.

Deixar de ter uma pretensão válida ao trono para ser kingmaker não é uma evolução confortável.
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De JSP a 09.06.2016 às 20:28

Creio que se comete um erro básico : não estamos a falar de um país , mas sim de dezassete.
E, nesses dezassete países, apesar de se utilizar, a torto e a direito o termo "democracia", só se a pratica à força.
E, quando se pratica ( e sempre formalmente ), assume , invariavelmente, os "casticismos" regionais.
É, España es diferente...
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De Luís Caldas a 10.06.2016 às 00:39

Diogo, apenas um reparo. Esta sondagem mesmo no seu melhor resultado, isto é, o psoe e o podemos a terem o máximo da sondagem (o que é muito improvável visto que estão a competir pelos mesmos eleitores) apenas conseguem 172 deputados.

Logo a única opção com esta sondagem é mesmo governo do pp
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De Diogo Noivo a 10.06.2016 às 14:06

Tem razão nas contas que faz, Luís. Há, no entanto, dois aspectos que importa ter em conta: (i) PSOE e Ciudadanos têm repetido incessantemente que jamais apoiarão um PP liderado por Mariano Rajoy; (ii) Todos os partidos assumiram o compromisso de não haver umas terceiras eleições.

Claro que me parece difícil que PSOE e Ciudadanos viabilizem uma solução de governo com Pablo Iglesias na chefia do Executivo. Mas se estes dois partidos forem consequentes e Rajoy não sair (ganha eleições, logo é difícil explicar/justificar a sua saída, ainda que não seja impossível fazê-lo), a possibilidade de um Executivo liderado pelo Unidos Podemos é real (com base nos dados desta sondagem).

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