A caminho das Presidenciais (2)
Estávamos nos idos de 2013 e António José Seguro liderava o PS após a derrota eleitoral que se seguiu à chamada da Troika. Cavaco Silva, então Presidente da República, propôs um Compromisso de Salvação Nacional que juntasse os três partidos mais votados, o PSD, CDS e PS, para que, com um governo alargado, se garantisse a estabilidade necessária para ultrapassa a grave crise em curso. Apesar de o PS ter inicialmente mostrado disponibilidade para iniciar o processo de diálogo, logo depois voltou atrás e essa solução governativa nunca viu a luz do dia, deixando para o PSD e CDS o ónus das medidas negociadas com a Troika, pelo próprio PS.
O impulso inicial reflectia a abertura de António José Seguro a partilhar os custos governativos da situação criada pelo seu próprio partido. A recusa que se seguiu foi o resultado da imensa pressão que as elites do PS colocaram no líder do seu partido. Se no impulso inicial podemos observar o sentido de estado que o agora candidato à Presidência diz ter, na recusa que se seguiu concluímos que esse sentido de estado soçobrou perante a pressão de um momento difícil.
A comparação é esdrúxula, mas nessas horas que em o mundo parece ter-se combinado contra um indivíduo, recordo-me sempre da expressão “the finest hour” que, depois de ter sido usada por Churchill num dos seus memoráveis discursos, ficou para sempre associada à Batalha de Inglaterra e à coragem dos que se recusam render-se sem combate. A proposta do Compromisso de Salvação Nacional colocou António José Seguro na sua “finest hour” e ele arriou a carga.
Vivemos momentos turbulentos e apesar do que aqui escrevi há dias, não posso votar num candidato com esse currículo.

