Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




pj-humilhou.jpg

(créditos: Eduardo Martins/Ponto Final)

Excelente trabalho da comunicação social de Macau, designadamente do HojeMacau, do Ponto Final, do JTM, do MD Times e da TDM (excelente edição do Telejornal de ontem no canal português, a merecer ser visto por quem não viu), na denúncia da arbitrariedade policial e do abuso à margem da lei, infelizmente cada vez mais recorrentes em acções de natureza eminentemente política disfarçada de policial e rotineira da PSP de Macau.

Há muito que venho denunciando a pulsão autoritária e os tiques ditatoriais de quem nos governa, e a forma, umas vezes mais subtil outras menos, como se têm moldado os instrumentos de segurança interna para torná-los em armas de controlo político dos residentes de Macau.

Agora estamos a ultrapassar todos os limites.

A posição da Associação dos Advogados de Macau é cada vez mais aberrante perante o que está a acontecer e tal só encontra explicação na forma como alguns dos seus dirigentes estão enredados e comprometidos política e empresarialmente, em vez de estarem comprometidos com as causas da justiça e do Direito, assim ignorando o seu Código Deontológico e os estatutos da própria associação pública, numa atitude que podendo ser compreensível para alguns merceeiros abonados que envergam a toga é uma desonra para os verdadeiros advogados.

A única manifestação ilegal que se viu em Macau nos últimos dias, no Largo do Senado, foi das próprias forças policiais, dos fardados e dos à paisana, já que estes também são cada vez mais, detendo e importunando cidadãos, transeuntes e turistas, abusando dos seus poderes sem qualquer razão plausível, tirando conclusões precipitadas e não fundamentadas de meras suposições, dos delírios, medos e traumas de quem neles manda, avançando argumentos para pobres de espírito como justificação das suas inexplicáveis acções.

O meu aplauso vai para os juristas, advogados, jornalistas e cidadãos anónimos que corajosamente, sem vacilar, cumpriram o seu papel cívico, deontológico e informativo, dando a conhecer com a maior clareza todos os constantes atropelos da legalidade e da Lei Básica de Macau;

assim envergonhando todos aqueles que devendo ser os primeiros a falar e a denunciar, até pelo seu passado e posição social e profissional que ocupam, se curvam respeitosa e servilmente perante a humilhação, a indignidade abjecta, e se calam, quando não saem ainda mais vergonhosamente em defesa da mais que patente ilegalidade para não prejudicarem a sua carteira e os seus anti-patrióticos interesses pessoais.

À luz de qualquer país ou sistema.

 

Outros links que poderão ter interesse:

Condenar violência policial é apoiar actos ilegais dos manifestantes

PSP nega concentração no Largo do Senado

Dezenas de detenções para interrogatório

Neto Valente: Polícia fez muito bem em não autorizar manif

Paulo Cardinal: Decisão da PSP é manifestamente ilegal

Hong Kong police officers arrested over beating of man in hospital 

Hongkonger among seven detained in Macau

Three nights of tear-gas free protests

Police detentions at Senate Square

Telejornal TDM 19/08/2019

Proibição de reunião no Senado divide opiniões

Advogados criticam recusa de reunião no Senado pelo CPPSP

No legal basis to not authorize peaceful protest against HK police conduct 

UN High Commissioner for Human Rights: Press briefing note on Hong Kong 

Autoria e outros dados (tags, etc)


5 comentários

Imagem de perfil

De Pedro Correia a 21.08.2019 às 08:33

Boa intervenção cívica, Sérgio. Na linha da que sempre assumiste.

Muita coisa mudou em Macau, muita coisa afinal está na mesma. As sementes da situação actual foram germinando noutro tempo, que acompanhei também muito de perto - como bem sabes. E os indícios já estavam lá todos. Começando pelos fortes condicionamentos de direitos, liberdade e garantias com forte cumplicidades do lado português e o alheamento total de Lisboa, em permanente imitação do gesto de Pilatos.
Em momentos decisivos faltou a intervenção forte da autoridade moral portuguesa - que em certas etapas desapareceu mesmo para parte incerta alheada do processo, indiferente às consequências.
Na recta final do período de transição, ainda em tempo útil para exercer a pedagogia democrática que se impunha como potência administrativa quase cessante, Londres designou um Chris Patten, enquanto de Lisboa seguia um general com mentalidade de administrador colonial e a bênção conjunta do soarismo e do cavaquismo.
Tivesse sido outra a decisão de um pusilânime Jorge Sampaio, em Março de 1996, e talvez pudesse ter havido também um Patten lusitano. Mas as coisas são como são - e não como gostaríamos que tivessem sido.
Que não desfaleça o jornalismo isento, que não afrouxe o desassombro dos juristas que se mantêm firmes na denúncia de todos os atropelos à legalidade - eis os meus votos enquanto conhecedor profundo das luzes e das sombras dessa terra onde vivi dez anos.
Uma terra onde tanta coisa muda vertiginosamente, uma terra onde tanta coisa permanece imutável.
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 21.08.2019 às 09:49

Sérgio solidário consigo e com todos vós, compatriotas, mas por cá, Portugal, só se fala sobre Hong Kong. De Macau chega-nos zero.
Imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 21.08.2019 às 12:15

Obrigado.

Alguns deixaram, entretanto, de ser "compatriotas".

(São mais do tipo "mercenário", sabe. Por vezes, temos de ser tolerantes e compreensivos para com esses, mesmo quando perdem a vergonha. Na esperança de que um dia olhem para trás, e se arrependam, para poderem entrar no reino dos céus)
Sem imagem de perfil

De Vento a 21.08.2019 às 12:19

Seria um acto de justiça se tal acção fosse canalizada para os deputados e membros do governo que não refere. Justiça deve ser feita em qualquer parte.

Mas concordo consigo´: é injusto o que se faz localmente.

Todavia, a chinesice de um país e dois sistemas é romance que fica bem em folhas impressas. Porém aplica-se em Portugal com o sistema reaccionário estalinista-capitalista que vigora com o PS e suas engrenagens.

Tendo em conta a realidade por aí, compreender-se-á que o sistema é e será o que se alicerça na China interior.

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D