Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A armadilha

por Rui Rocha, em 13.01.15

Se pensarmos bem, é provável que tenhamos caído (quase) todos numa monumental armadilha. Chocados, voluntariosos, acabámos a contrapor a valentia dos caricaturistas do Charlie Hebdo à cobardia dos terroristas. Isto é, condenámos a carnificina, mas deixámos que a discussão orbitasse em torno de uma resposta (brutal e intolerável, é certo) a uma provocação. Mas isto implica admitir uma racionalização do comportamento terrorista a partir da conduta da vítima. Da mesma forma que o juiz num processo de violação racionaliza a agressão no momento em que refere que a agredida se vestia de forma provocante. A racionalização opera, num caso e no outro, e ainda que a condenação do comportamento se mantenha sem contemplações, como uma cedência à narrativa do agressor. A verdade, todavia, é que ninguém viola alguém por causa de uma minissaia. Da mesma forma que os terroristas não matam em resposta a provocações. Os que morreram no 11 de Setembro, ou em Londres e Madrid, não tinham provocado ninguém. Dizer que o ataque aconteceu porque foram publicadas as caricaturas implica reconhecer que os agressores teriam vivido pacatos e serenos se o Charlie Hebdo não as tivesse publicado. E isso vale por desenhar, pelo medo, uma mordaça na boca de cada um de nós. Mas o certo é que aqueles ou outros teriam sido atacados, mais tarde ou mais cedo, independentemente de desenharem ou não. Terror é terror e para um terrorista todos os alvos são legítimos. Que o digam os muçulmanos que são vítimas, diariamente, dos mais abjectos comportamentos. Terroristas e violadores não precisam de um motivo. Precisam apenas de um pretexto.

Autoria e outros dados (tags, etc)


16 comentários

Imagem de perfil

De Luis Moreira a 13.01.2015 às 22:25

Esta gente que manda meninas explodir é demasiado sensível para ser agredida por cartoons do profeta.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 13.01.2015 às 22:38

Nem mais, Rui. Assino por baixo.
Sem imagem de perfil

De sampy a 13.01.2015 às 22:56

Isto é querer sair de uma armadilha para entrar logo noutra.

Não, os agressores não teriam vivido pacatos e serenos se o Charlie Hebdo não tivesse publicado as caricaturas. Mas os agredidos ainda estariam vivos e de boa saúde.

Não, não era por acaso que Charb estava na lista de alvos a abater. Dizer que a sua luta e o seu trabalho foram apenas um pretexto torna-se ofensivo.
Sem imagem de perfil

De sampy a 14.01.2015 às 10:58

Invertendo o argumento do post: as caricaturas de Maomé eram apenas um pretexo para a malta do Charlie descarregar a bílis. Não havia motivo, nem há justificação. Foram os muçulmanos os visados, mas podia ser qualquer outro. Todos os alvos são legítimos.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 14.01.2015 às 13:46

Você é mesmo um especial caso de pessoa ou desonesta o cega.

Mais um milhão morreu devido ao Islamismo na última década. Com milhares de ataques quer contra Cristãos, Judeus, Muçulmanos, Agnósticos e outros.

Que raio ainda quer "compreender" !? Têm uma ideologia Islamita totalitária num grau parecido ao comunismo da Revolução Cultural e limitam-se a agir conforme essa ideologia determina.
Sem imagem de perfil

De sampy a 14.01.2015 às 15:58

Ó pá, andas a tripar largo. Vai com calma.
Estavas mesmo a tentar responder-me? Se sim, que frase ou argumento mereceu a tua atenção e estás a tentar contrariar? Explica-me, que pode ser que o meu português me esteja a falhar.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 13.01.2015 às 23:05

Muito bem observado!
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.01.2015 às 10:21

Quando Timor estava sob domínio indonésio aconteceu o seguinte. Um soldado indonésio muçulmano entrou numa igreja e comungou. Em seguida cuspiu , à vista de todos, a óstia que tinha na boca. Que acham disto? Como se sentiriam os católicos.
Sem imagem de perfil

De Maxi-saia a 14.01.2015 às 10:44

Sem novidade, os turcos querem que Maxi saia:
http://desporto.sapo.pt/futebol/primeira_liga/artigo/2014/12/20/benfica-problemas-na-renova-o-com-maxi-pereira
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.01.2015 às 15:13

Não venha para aqui gozar seu cara de ca..., de Maomé.
Sem imagem de perfil

De am a 14.01.2015 às 10:56

Se não tivesse havido a maratona de Chicago... Os mortos estariam vivos e boa saúde...

Não é verdade?
Sem imagem de perfil

De jo a 14.01.2015 às 10:59

Se levar essa análise ao extremo então não há terrorismo.
Se é indiferente quais foram as motivações, então um violador que mata uma mulher e um terrorista que mata jornalistas são a mesma coisa.
Do ponto de vista moral não diferem, mas do ponto de vista prático, que implica a prevenção de atos futuros, são coisas completamente diferentes.
Por isso é que importa conhecer as causas que levaram aos crimes, independentemente dos crimes conhecidos.
Querer compreender as circunstâncias que levaram ao terrorismo não significa que concordemos com ele. Também tentar analisar porque há violações não implica que se concorda com violadores.
Sem imagem de perfil

De am a 14.01.2015 às 12:02

Caro Jo

Quanto a mim há uma grande diferença entre um violador e um terrorista...

O violador age por impulso pessoal... Não tem um "imã" a incitá-lo à violação!
O terrorista ( jiadista) mata por cegueira e por causas que julga certas.

Cumptos
Sem imagem de perfil

De jo a 15.01.2015 às 22:13

Nem todos os terroristas têm imãs a incitá-los. A não ser que para si terrorismo seja por definição, só o terrorismo islâmico. O rapazote dinamarquês que matou 70 pessoas não seguia nenhum imã.

Há vários milhões de pessoas que ouvem imãs e só uma pequena parte são terroristas. Deve haver mais alguma razão para o terrorismo.

Parece-me absurdo estar a comparar a maldade de diferentes crimes.
Mas se reparar bem está a dizer o que eu quis dizer. Se está a dizer que um terrorista age por causa dum imã, já está a tentar analisá-lo e compreendê-lo (independentemente da análise estar certa ou errada).

O problema é que estas coisas nunca são a preto e branco. Nunca têm só uma causa. Por isso é que têm de ser analisadas.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 14.01.2015 às 13:42

"A verdade, todavia, é que ninguém viola alguém por causa de uma minissaia."

Sim alguém pode violar por uma minisaia. Alguém o pode fazer até por qualquer motivo. Um olhos bonitos etc.

Não é legítimo. Uma violação não é legítima.

Parece ser impossível simplesmente dizer:

X fez aquilo e é legítimo.
Y fez aquilo porque X fez aquilo e é ilegítimo, imoral etc.

Por outras palavras se os portugueses vivessem pacatos no Estado Novo, a Pide teria pouco trabalho, teríamos estabilidade e paz e a cadeia de Peniche estaria vazia. É esse o argumento de boa parte dos esquerdistas hoje.



Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D